Hasekura Rokuemon Tsunenaga(1571–1622)270pxRetrato de Hasekura durante sua missão em Roma em 1615, por Claude Deruet, Coll. Borghese, RomaNames:Nome japonês: Hasekura Rokuemon Tsunenaga()Nome cristão: Don Felipe Francisco de Hasekura Retainer of:Senhor feudal: Date MasamuneFeudo: Domínio de Sendai ()(Nordeste do Japão) thumb|270px|Itinerário e datas das viagens de Hasekura Tsunenaga.

Hasekura Rokuemon Tsunenaga (1571 – 1622) (, também escrito Faxecura Rocuyemon em fontes europeias da época, refletindo a pronúncia do japonês de então)No japonês da época, o som agora transcrito como h era pronunciado como f antes de todas as vogais, não apenas o u. Da mesma forma, o s era às vezes pronunciado sh antes do /e/, não só antes do /i/, e a sílaba ゑ (atualmente lida como e), era pronunciada ye. Por outro lado, o uso do x para representar o som sh é específico de pronúncias antigas do espanhol e do português. foi um samurai japonês e servo de Date Masamune, o daimyo de Sendai.

Entre os anos de 1613 e 1620, Hasekura chefiou uma missão diplomática no Vaticano, em Roma, viajando pela Nova Espanha (chegando em Acapulco e saindo de Veracruz) e visitando vários lugares da Europa. A missão histórica é denominada Embaixada Keichō (), e segue a embaixada Tenshō () de 1582.No nome"Embaixada Keichō", o termo "Keichō" se refere ao nengō (eras do Japão) depois de "Bunroku" e antes de "Genna." Em outras palavras, a Embaixada Keichō começou durante Keichō, que foi um período de tempo entre os anos de 1596 e 1615. Na viagem de volta, Hasekura e seus companheiros re-traçaram sua rota através do México em 1619, navegando de Acapulco até Manila, e então navegando ao norte para o Japão em 1620.Ministério das Relações Exteriores: Relações Japão-México. Ele é convencionalmente considerado o primeiro embaixador japonês das Américas e da Europa.A Embaixada Keichō foi, de fato, precedida por uma missão do Período Sengoku chefiada por Mancio Ito com Alessandro Valignano em 1582–1590. Apesar de menos conhecida e menos documentada, essa missão histórica é às vezes referida como a "Embaixada Tenshō" por ter sido iniciada na era Tenshō. Esse empreendimento foi organizado por três daimyo do Japão Ocidental -- Omura Sumitada, Otomo Sorin e Arima Harunobu.

Apesar da embaixada de Hasekura ter sido cordialmente recebida na Europa, ela aconteceu em uma época na qual o Japão impunha a supressão do Cristianismo. Monarcas europeus como o Rei da Espanha por isso recusaram acordos comerciais pretendidos por Hasekura e sua comitiva. Hasekura retornou ao Japão em 1620. Sua embaixada terminou com poucos resultados em um Japão cada vez mais isolado do mundo.

A embaixada seguinte do Japão na Europa só se formaria mais de 200 anos depois, passados dois séculos de isolamento, com a "Primeira embaixada do Japão na Europa" em 1862.

Primeiros anos Pouco se sabe sobre os primeiros anos de Hasekura Tsunenaga. Ele era um samurai de nobreza média no domínio de Sendai, ao norte do Japão, que teve a oportunidade de servir diretamente ao daimyo Date Masamune. Eles tinham mais ou menos a mesma idade, e se sabe que algumas missões importantes foram dadas a Tsunenaga como seu representante.

thumb|300px|Hasekura tinha um brasão de armas oficial, consistindo em uma suástica budista cruzada por duas flechas, em um escudo e abaixo de uma coroa, em um fundo laranja. Aparece na pintura de Deruet, no certificado de cidadania romana (no topo à esquerda), várias gravuras (meio), e foi utilizada como a bandeira do seu navio (direita). Também se registrou que Hasekura serviu como samurai nas Invasões japonesas da Coreia sob o Taiko Toyotomi Hideyoshi, durante seis meses em 1597.

Em 1612, seu pai, Hasekura Tsunenari (), foi indiciado por corrupção e condenado à morte em 1613. Seu feudo foi confiscado, e normalmente seu filho também deveria ter sido executado. Date, todavia, lhe deu a oportunidade de redimir a sua honra, colocando-o na liderança da embaixada na Europa, e logo depois lhe devolveu suas terras.

Primeiros contatos entre Japão e Espanha Os espanhóis iniciaram viagens pelo Oceano Pacífico entre a Nova Espanha (México) e as Filipinas em 1565. Os famosos galeões de Manila carregavam prata das minas mexicanas até o entreposto de Manila na possessão espanhola nas Filipinas. Lá a prata era usada para comprar especiarias e outros produtos do comércio da Ásia, incluindo (até 1638) produtos do Japão. A rota de retorno dos galeões de Manila, primeiramente mapeada pelo navegador espanhol Andrés de Urdaneta, levava os navios a nordeste pela Corrente de Kuroshio (também conhecida como Corrente do Japão) na costa do Japão, e então cruzava o Pacífico pela costa oeste da América do Norte, aportando em Acapulco.

Navios espanhóis às vezes naufragavam na costa do Japão devido ao mau tempo, iniciando contatos com o país. Os espanhóis desejavam expandir a fé cristã no Japão. Os esforços para expandir a influência no Japão enfrentaram muita resistência contra os Jesuítas, que começaram a evangelização do país em 1549, também da parte dos portugueses e dos neerlandeses, que não queriam que a Espanha fizesse comércio com os japoneses. Entretanto, sabe-se que alguns japoneses, como Cristóvão e Cosme, cruzaram o Pacífico a bordo de galeões espanhóis já em 1587. Sabe-se também que presentes foram trocados entre o governador das Filipinas e Toyotomi Hideyoshi, que o agradece em uma carta de 1597, escrevendo "O elefante preto em particular eu achei o mais peculiar."Source

Em 1609, o galeão espanhol de Manila San Francisco encontrou mau tempo em seu caminho de Manila a Acapulco, e naufragou na costa do Japão em Chiba, perto de Tóquio. Os marinheiros foram resgatados e recebidos, e o capitão do navio, Rodrigo de Vivero y Aberrucia, anteriormente governador interino das Filipinas, encontrou-se com o xogun aposentado Tokugawa Ieyasu. Rodrigo de Vivero propôs um tratado, assinado em 29 de novembro de 1609, pelo qual os espanhóis poderiam instalar uma fábrica no leste do Japão. Especialistas em mineração seriam importados da Nova Espanha, navios espanhóis poderiam visitar o Japão em caso de necessidade, e uma embaixada do Japão seria enviada à corte da Espanha.

Primeiras expedições japonesas nas Américas 1610 San Buena Ventura thumb|200px|O navio japonês San Buena Ventura foi construído no modelo do Liefde (com uma imagem aqui), o navio em que William Adams originalmente alcançou o Japão. Um monge franciscano chamado Luis Sotelo, que estava proselitizando na área que hoje é Tóquio, convenceu Tokugawa Ieyasu e seu filho Tokugawa Hidetada a mandá-lo como um representante para a Nova Espanha (México) em um de seus navios, para avançar no tratado de comércio. Rodrigo de Vivero se ofereceu para navegar no navio japonês para garantir a segurança de sua recepção na Nova Espanha, mas insistiu que outro franciscano, Alonso Muños, fosse enviado como representante do xogun. Em 1610, Rodrigo de Vivero, alguns marinheiros espanhóis, o irmão franciscano, e 22 representantes japoneses liderados pelo mercador Tanaka Shōsuke, navegaram até o México a bordo do San Buena Ventura, um navio construído pelo aventureiro inglês William Adams para o xogun. Uma vez na Nova Espanha, Alonso Muños se encontrou com o Vice-Rei Luis de Velasco, que concordou em mandar um embaixador para o Japão na pessoa do famoso explorador Sebastián Vizcaíno, com a missão adicional de explorar a "Ilha de Prata" ("") que estaria a leste do arquipélago japonês.

Vizcaino chegou ao Japão em 1611 e teve vários encontros com o xogun e senhores feudais. Esses encontros ficaram prejudicados pelo seu pouco respeito com os costumes japoneses, pela resistência dos japoneses ao proselitismo católico, e pelas intrigas dos holandeses contra as ambições espanholas. Vizcaino finalmente saiu para procurar a "Ilha de Prata", mas encontrou mau tempo, forçando-o a voltar para o Japão com grandes danos.

1612 San Sebastian Sem esperar por Vizcaino, outro navio – construído em Izu pelo Bakufu sob o Ministro da Marinha Mukai Shogen, e nomeado San Sebastian – partiu para o México em 9 de setembro de 1612 com Luis Sotelo a bordo, assim como dois representantes de Date Masamune, com o objetivo de avançar no acordo comercial com a Nova Espanha. Entretanto, o navio afundou a poucas milhas de Uraga, e a expedição teve de ser abandonada.

O projeto de embaixada de 1613 230px|thumb|Uma réplica do galeão construído no Japão San Juan Bautista, em Ishinomaki, Japão. O xogun decidiu construir um novo galeão no Japão para levar Vizcaino de volta para Nueva España, junto com uma embaixada japonesa acompanhada por Luis Sotelo. O galeão, nomeado Date Maru pelos japoneses e depois San Juan Bautista pelos espanhóis, levou 45 dias para ser construído, com a participação de especialistas técnicos do Bakufu (o Ministro da Marinha Mukai Shogen e um conhecido de William Adams com quem ele fez alguns navios, como carpinteiro chefe), 800 construtores navais, 700 ferreiros e 3000 carpinteiros. O daimyo de Sendai, Date Masamune, chefiou o projeto. Ele nomeou um dos seus servidores, Hasekura Tsunenaga (seu feudo produzia mais ou menos 600 koku), para liderar a missão: "O Grande Navio deixou Toshima-Tsukinoura rumo aos Bárbaros do Sul em 15 de setembro [calendário japonês], liderado por Hasekura Rokuemon Tsunenaga, e aqueles chamados Imaizumi Sakan, Matsuki Shusaku, Nishi Kyusuke, Tanaka Taroemon, Naito Hanjuro, Sonohoka Kyuemon, Kuranojo, Tonomo, Kitsunai, Kyuji, e alguns outros sob Rokuemon, assim como 40 Bárbaros do Sul, 10 homens de Mukai Shogen, e também mercadores, totalizando 180" (Registros da Casa Date, Keichō-Genna , Gonoi p. 56).

O objetivo da embaixada japonesa era discutir acordos comerciais com a coroa espanhola em Madrid e se encontrar com o Papa em Roma. Date Masamune demonstrou grande vontade de receber a religião católica em seu domínio: ele convidou Luis Sotelo e autorizou a propagação do cristianismo em 1611. Em sua carta para o Papa, trazida por Hasekura, ele escreveu: "Eu oferecerei minha terra como uma base para o seu trabalho missionário. Mande-nos quantos padres for possível."

Sotelo, em seu próprio relato das viagens, enfatiza a dimensão religiosa da missão, clamando que o objetivo principal era espalhar a fé cristã no norte do Japão: thumb|322px|O San Juan Bautista é representado na pintura de Deruet como um galeão com a bandeira de Hasekura (suástica vermelha em fundo laranja), no maior mastro (direita:detalhe do navio). "Eu fui primeiramente enviado como embaixador de Idate Masamune, que detém as rédeas do reino de Oxu [Japonês:] (que fica na parte leste do Japão) — que, apesar de ainda não ter renascido pelo batismo, tem sido catequizado, e foi desejoso de que a fé cristã fosse pregada em seu reino — junto com outro nobre de sua corte, Philippus Franciscus Faxecura Rocuyemon, ao senado romano & e para aquele que na época estava no comando da Santa Sé, Sua Santidade o Papa Paulo V." (Luis Sotelo De Ecclesiae Iaponicae Statu Relatio, 1634).[sic] (p. 1)

A embaixada era provavelmente, à época, parte de um plano para diversificar e aumentar o comércio com países estrangeiros, antes da participação de cristãos na rebelião de Osaka ter provocado uma reação radical do xogunato, com a interdição do cristianismo nos seus territórios diretamente controlados, em 1614.

Viagem pelo Pacífico Ao ser concluído, o navio partiu em 28 de outubro de 1613 para Acapulco com cerca de 180 pessoas a bordo, incluindo 10 samurais do xogun (providenciados pelo Ministro da Marinha Mukai Shogen Tadakatsu), 12 samurais de Sendai, 120 mercadores, marinheiros e servos japoneses e cerca de 40 espanhóis e portugueses, incluindo Sebastian Vizcaino que, em suas próprias palavras, apenas tinha a qualidade de passageiro.Sebastian Vizcaino "Relato da procura pela Ilha de Prata", citado por Gonoi

Nova Espanha (Acapulco) thumb|A baía de Acapulco, onde Hasekura Tsunenaga aportou.