Stripped é o quarto álbum de estúdio da artista musical estadunidense Christina Aguilera. O seu lançamento ocorreu em 22 de outubro de 2002 pela gravadora RCA. Com o lançamento de "Lady Marmalade" em 2001, parceira com Lil' Kim, Mýa e Pink, Aguilera encerrou as atividades com seu então empresário Steve Kurtz, que a rotulou como uma cantora pop adolescente, devido a alta popularidade do gênero. Ela contratou Irving Azoff como seu empresário e, posteriormente, decidiu experimentar um novo estilo musical em seu álbum seguinte. A cantora mudou sua imagem pública e artística, posando nua para diversas revistas, tingindo seu cabelo de preto e criando sua personalidade alternativa "Xtina". Aguilera definiu o conceito de Stripped como um recomeço e uma reintrodução de si mesma como uma nova artista, já que as pessoas estavam vendo e percebendo como ela realmente era. De acordo com Aguilera, ela deu esse título para o disco porque ele trata sobre ser emocionalmente despojada e muito descoberta para abrir sua alma e seu coração.
O disco possui uma sonoridade inspirada por gêneros como o pop e o R&B, ao passo em que incorpora muitos outros estilos musicais, como soul, rock, hip hop e a música latina. Liricamente, as faixas abordam ao auto-respeito, ao sexo e ao feminismo. As gravações do projeto ocorreram entre 2000 e 2002 em estúdios nos Estados Unidos sob a produção executiva da própria cantora juntamente a Ron Fair, sendo que a intérprete também colaborou na produção musical do trabalho juntamente a Glen Ballard, Jasper Cameron, E. Dawk, Rob Hoffman, Heather Holley, Alicia Keys, Linda Perry, Steve Morales, Balewa Muhammad, Rockwilder e Scott Storch.
Stripped recebeu análises mistas de críticos especializados em música: ao passo em que alguns especialistas prezaram os vocais de Aguilera e definiram-no como um álbum maduro e para adultos, outros criticaram sua produção e sua falta de foco musical. Entretanto, foi indicado em diversas categorias durante o Grammy Awards de 2003 e 2004, com "Beautiful" vencendo a categoria de Melhor Performance Feminina Pop. Comercialmente, o disco obteve um desempenho exitoso, listando-se nas dez melhores colocações na Austrália, na Áustria, no Canadá, nos Estados Unidos, no Reino Unido e em outros sete países. Nos Estados Unidos, debutou na vice-liderança da Billboard 200 com 330 mil cópias vendidas. O material recebeu certificação de platina quíntupla pela Recording Industry Association of America (RIAA) e platina sêxtupla pela British Phonographic Industry (BPI). Atualmente, registra cerca de 13 milhões de unidades faturadas no mundo todo.
A fim de promover o disco, cinco singles foram retirados de seu alinhamento. O primeiro, "Dirrty", foi recebido com análises mistas de críticos musicais, e seu controverso vídeo musical causou uma série de protestos na Tailândia devido ao seu conteúdo sexual. O foco de promoção seguinte, "Beautiful", recebeu aclamação universal e obteve êxito mundial em termos comerciais, sendo o single mais bem sucedido do álbum. As três últimas faixas a serem distribuídas, "Fighter", "Can't Hold Us Down" e "The Voice Within", obtiveram um desempenho comercial moderado. Como forma de divulgação, Aguilera apresentou-se em programas televisivos, premiações e embarcou em duas turnês, Justified/Stripped Tour (2003) — ao lado do cantor compatriota Justin Timberlake — e Stripped World Tour (2003). Com Stripped, Aguilera provou que não era uma cantora pré-fabricada e foi capaz de estabelecer sua total autonomia na indústria da música, tendo sido fortemente reconhecido como um trabalho pioneiro em temas como feminismo e expressão da sexualidade feminina, sendo citado, posteriormente, como referência para o trabalho de diversas artistas.
Antecedentes e lançamento
Após o lançamento de seu álbum de estreia, o homônimo, Christina Aguilera (1999), a artista alcançou grande sucesso com singles como "Genie in a Bottle" e "What a Girl Wants"; Além do exposto, ela gravou ao lado de P!nk, Mýa e Lil' Kim um cover da música "Lady Marmalade", do grupo Labelle, para o filme de 2001, Moulin Rouge!, que ganhou um Grammy Awards em sua quadragésima quarta edição na categoria de Melhor Colaboração Vocal Pop. No entanto, Aguilera ainda era considerada parte de um "fenômeno emergente [da música]" e sempre seguiu ordens de seu empresário Steve Kurtz, sobre o que fazer, como se vestir e outras normas sociais que deveria "obedecer" para o modelo de cantora pop adolescente que ela representava, posteriormente, a artista começou a considerar essas recomendações "chatas e superficiais", além de repressivas com sua verdadeira personalidade artística e pessoal. Da mesma forma, ela também afirmou que "adotar uma imagem conservadora é muito entediante. Quando "Lady Marmalade" saiu [no mercado], muitos executivos sentiram que eu não deveria estar fazendo aquilo, ser muito urbana... Se você gosta de mim ou não, essa sou eu". No final de 2000, Aguilera decidiu não continuar o contato com Kurtz. Depois de terminar os serviços com seu empresário, Irving Azoff foi contratado como o novo gerenciador de sua carreira. Após a mudança empresarial, a artista decidiu repaginar sua imagem pública e sonoridade para seu álbum seguinte. Ela passou a aparecer publicamente com os cabelos pretos, aceitou ser fotografada nua para diversas publicações e criou sua personalidade alternativa "Xtina". Naquele momento, a americana expressou vontade de fazer uma obra que a apresentasse sua real personalidade; descrevendo o novo trabalho como "seu bebê" e garantiu que sua próxima obra seria uma gravação verdadeiramente experimental e uma representação honesta de si; "Não me importo de vender um ou um milhão de cópias, só quero ser real".
O álbum foi liberado em formato disco compacto pela primeira vez nos países nórdicos, em 22 de outubro de 2002, pela Sony Music. Nos Estados Unidos, sua liberação ocorreu uma semana depois pela RCA Records. Foi lançado em cassete em 5 de novembro e em vinil em 3 de dezembro de 2002. Fotografada pela americana Miranda Penn Turin, a capa do álbum totalmente em preto e branco, mostra um retrato de corpo inteiro de Aguilera em que ela aparece semi-nua. Apenas os cabelos, enfeitados com apliques pretos, cobrem os seios, enquanto a calça jeans tem a virilha costurada com linha preta, de forma que a parte genital da artista se destaca nitidamente. De acordo com a intérprete, Stripped recebeu esse título porque ela estava sentindo-se emocionalmente despojada e muito descoberta para abrir sua alma e seu coração, explicando:
Gravação e produção miniatura|150px|esquerda|O The Hit Factory, localizado na Cidade de Nova Iorque, foi um dos estúdios usados para a gravação das canções do álbum. De acordo com a MTV News, Aguilera começou a gravar material para Stripped em setembro de 2001. As sessões de gravação do projeto ocorreram em vários estúdios, como Conway Recording, Record Plant e NRG Recording, em Los Angeles, The Enterprise em Burbank e Electric Lady e Hit Factory localizados na Cidade de Nova Iorque. Em várias ocasiões, a cantora afirmou que queria demorar algum tempo entre o lançamento de um álbum e outro, observando que ela não publicaria material novo todo ano como suas colegas. Da mesma forma, ela expressou que a gravação levou mais tempo do que ela pensava, devido a muitos eventos que ocorreram em sua vida, como seu primeiro grande rompimento com seu então namorado, o dançarino Jorge Santos; a cantora também disse que queria explorar mais sua voz, por esse motivo, ela realizou vários exercícios vocais para isso, embora quisesse enfatizar mais as letras das músicas por ter um conteúdo tão pessoal e profundo que o que ela poderia tecnicamente alcançar com sua voz.
Em Stripped, Aguilera serviu como produtora executiva ao lado de Ron Fair e trabalhou com uma vasta gama de novos compositores e produtores, nomeadamente Glen Ballard, Jasper Cameron, E. Dawk, Rob Hoffman, Heather Holley, Steve Morales, Balewa Muhammad, Rockwilder, Scott Storch, Alicia Keys e Linda Perry. O produtor que mais recebeu créditos por sua participação na obra foi Storch, que, segundo a revista Entertainment Weekly, "fez algumas músicas do disco parecerem ótimas"; Perry também apareceu como uma das principais colaboradoras. Quando Perry e Aguilera se conheceram nos estúdios de gravação, esta última lhe disse que queria ouvi-la cantar, então Perry cantou uma canção que ela nomeou de "Beautiful", que, por sua vez foi gravado por Aguilera e incluído em Stripped; Mais tarde, a cantora concluiu que nunca pensou em fazer da faixa um single. Quanto ao relacionamento com Perry, Aguilera falou para a MTV que ela a ensinou "a descarregar toda a frustração que às vezes sinto, assim como aprendi a acalmar meu estresse, gritando e aceitando meus erros", acrescentando que Perry a "ensinou que todas as imperfeições são boas e devem ser mantidas, porque elas vêm diretamente do coração. Dessa forma, as coisas ficam mais credíveis e você tem a coragem de sair para o mundo real". Outro produtor, Ballard, que trabalhou com Aguilera em "The Voice Within", falou em uma entrevista sobre como trabalhar com a cantora, comentando: "Eu acho que ela é uma compositora maravilhosa. Já sabíamos que ela é uma excelente cantora, mas acho que é bom acrescentar isso, ela realmente é uma compositora incrível". Por outro lado, a cantora Alicia Keys também participou do disco na faixa "Impossible", em sua composição e produção e, com relação a essa colaboração, a MTV informou que as artistas planejavam um trabalho conjunto há muito tempo, mas Keys decidiu realizar uma reunião e lá foi tomada a decisão final da colaboração, para a qual foram necessárias três sessões de gravação para produzi-la, concluindo o trabalho nos estúdios da Electric Lady em Nova Iorque.
Estrutura musical thumb|direita|upright|Linda Perry compôs sozinha "Beautiful", além de assinar a produção de quatro faixas presentes na obra. Em termos musicais, Stripped é um álbum derivado do pop e R&B exibindo uma variedade de influências estilísticas, dentre eles soul, hip hop, rock, gospel e música latina. Sua instrumentação inclui baixo, o teclado eletrônico, o violão, o violino, viola e a guitarra elétrica. Embora Aguilera tenha expressado prazer com o trabalho de composição realizado por Linda Perry no segundo álbum de estúdio da cantora P!nk, M!ssundaztood (2001), no qual ela afirmou ter tomado como inspiração para conceber Stripped, vários críticos sentiram que a sonoridade adotada pela artista na obra representava sua "falta de foco musical'. Liricamente, as faixas retratam questões familiares, o amadurecimento pessoal da intérprete, respeito pessoal, feminismo e relações sexuais. Da mesma forma, a artista disse que queria que seu novo material expressasse sua verdadeira personalidade artística e pessoal.