A Colônia de artistas de Darmstadt (Künstlerkolonie, em alemão) é um conjunto de edificações e paisagismo em estilo modernista, projetados pelos arquitetos Joseph Maria Olbrich e Peter Behrens, no início do século XX. A colônia participou de exposições públicas de arquitetura e urbanismo nos anos de 1901, 1904, 1908 e 1914. A colônia ocupa uma área de 4,98 hectares e está localizada na colina de Mathildenhöhe, na cidade de Darmstadt, No estado de Hesse, na Alemanha. É um Patrimônio Mundial, tombado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), no ano de 2021.
História No início de 1800, as terras onde se encontra a colônia de artistas, pertencia ao príncipe Christian, de Hesse-Darmstadt. que mandou fazer um jardim público em estilo inglês no local. O jardim público possuía arvoredos, avenidas, áreas de gramado e trilhas de curvas largas e cruzadas que levavam à praças.
Em 1892, o Grão-Duque Ernst Ludwig assume o reino de Hesse e do Reno e desenvolve medidas de melhorias nas infraestruturas municipais. E em 1897, Ernst Ludwig contrata o arquiteto Karl Hofmann para projetar uma colónia de casas unifamiliares e geminadas no local do parque público. Quando já estava ocorrendo a construção da Capela Russa e de algumas residências, Ludwig muda de ideia e resolve fazer uma colônia de artistas no local, para apoiar a arte e a economia.
No ano de 1899, o Grão-Duque Ernst Ludwig nomeia o arquiteto Joseph Maria Olbrich como primeiro chefe da Colônia de Artistas. E nomeou Peter Behrens, Paul Bürck, Rudolf Bosselt, Hans Christiansen, Ludwig Habich e Patriz Huber como membros fundadores. Os fundadores receberiam salário anual com contrato de três anos e ficariam hospedados em Prinz-Georg-Palais em Darmstadt, enquanto suas residências não ficassem prontas na colônia.
A primeira exposição de arquitetura e urbanismo da Colônia de Artistas, ocorreu no ano de 1901. E foi chamada de “Ein Dokument Deutscher Kunst" (Um documento de arte alemã, em português). O projeto, feito por Joseph Maria Olbrich, consistia em algumas alterações nos designs de Karl Hofmann feitos em 1897, a Casa Ernst Ludwig e as casas residenciais do eixo médio central e no lado norte de Alexandrweg.
A segunda exposição de arquitetura e urbanismo da Colônia de Artistas, ocorreu no ano de 1904. Para esta exposição foi projetado um grupo de três casas e uma ala nova na Casa Ernst Ludwig. E adicionados algumas edificações temporárias. Ainda em 1904, novos membros se juntam a colônia, são eles Johann Vincenz Cissarz, Paul Haustein, Daniel Greiner e o ceramista Jakob Julius Scharvogel. Em 1906, o moldador de vidro Josef Emil Schneckendorf também se junta a colônia e, em 1907, o artesão Friedrich W. Kleukens.
Em 1908, ocorre a terceira exposição de arquitetura e urbanismo da Colônia de Artistas. Com nome de "Hessische Landesausstellung" (Exposição Estadual de Hesse, em português). O objetivo da terceira exposição era apresentar e promover as vendas dos trabalhos dos fabricantes de objetos de artes hessianos. Neste mesmo ano, Olbrich vem a falecer e Albin Müller passa a chefiar a colônia.
No ano de 1914, ocorre a quarta e última exposição da colônia, com foco habitação para aluguel. Para esta exposição, Albin Müller projeta oito edifícios residenciais com três pavimentos e um prédio de cinco pavimentos para estúdios de exposição dos artistas. Os outros artistas entraram com projetos de paisagismo e estruturas temporárias, como a casa de férias desmontável. Neste período, fazia parte da colônia Heinrich Jobst, Friedrich Wilhelm Kleukens, Albin Müller, Emanuel Josef Margold, Edmund Körner e Bernhard Hoetger. A exposição teve que ser interrompida por causa do início da Segunda Grande Guerra. Durante a Segunda Guerra Mundial, muitas construções foram danificadas ou destruídas, incluindo os oito edifícios de Abin Müller, restando somente o prédio de estúdios.
A partir do ano de 1917, em todos os verões, a colônia fazia exposição de artes. No ano de 1920, fundaram na colônia a Schule der Weisheit (Escola de Sabedoria, em português) com o objetivo de ministrar aulas particulares de relaxamento, concentração e meditação. A exposição de artes deste mesmo ano foi uma das mais famosas, dedicada ao expressionismo alemão.
Na década de 1930, com a recusa do Grão-Duque Ernst Ludwig de abdicar-se do trono, o Conselho de Trabalhadores e Soldados de Darmstadt depôs Ludwig. As casas da colônia não foram afetadas na divisão do espólio por terem sido compradas por particulares. Após o ano de 1948, as exposições voltaram a se realizadas todos os verões.
Edificações e paisagismo
Capela Russa esquerda|miniaturadaimagem|201x201px|Capela Russa de Santa Maria Madalena A Capela Russa de Santa Maria Madalena foi construída na parte central da colina de Mathildenhöhe, em 1899, projetada pelo arquiteto de São Petersburg Leontij Nikolajewitsch Benois, construída por artesãos da cidade e com direção dos arquitetos Gustav Jacobi e Friedrich Ollerichna. A capela foi construída a pedido do czar russo Nikolaus II, que iria se casar com a princesa Alix, irmã mais nova do Grão-Duque Ernst Ludwig. Nikolaus II queria um local para fazer o culto ortodoxo russo enquanto visitava Darmstadt. A capela está localizada na rua Nikolaiweg, nº 18.
É uma edificação de planta quadrada, constituída de uma abside semicircular, três cúpulas cebola de cor dourada e uma torre sineira separada. O edifício possui um beiral esculpido e com placas de fáscia douradas. Na parte frontal, em anexo, está um edifício de entrada, construído com telhado de duas águas e um mosaico de Maria Madalena de corpo inteiro, feito por Viktor Michailowitsch Vasnecow. Em anexo, na lateral, está a sacristia.
Casa Ernst Ludwig esquerda|miniaturadaimagem|225x225px|Casa Ernst Ludwig. Fachada norte Construída em 1901, por Joseph Maria Olbrich. Está localizada na rua Olbrichweg, nº 13A. Foi construída com o objetivo de servir de estúdio para os sete membros fundadores da colônia. O edifício possuía oito estúdios com pequenas salas, um teatro, ginásios, salas de esgrima, quartos, chuveiros e banheiros. Há duas fachadas principais, norte e sul. A fachada sul possui uma parede alta e extensa, levemente renderizada e pintada de branco e um portal ômega com duas grandes esculturas feitas pelo escultor Ludwig Habich, uma de figura masculina representando a força e a outra de uma figura feminina representando a beleza. No arco foi gravado a frase do escritor e dramaturgo austríaco Hermann Bahrː Seine Welt zeige der Künstler, die niemals war noch jemals sein wird, (Que o artista mostre seu mundo, que nunca existiu, nem existirá). Ladeando a porta de entrada há duas esculturas de bronze, feitas pelo escultor Rudolf Bosselt, em figura feminina segurando coroas de louros em suas mãos levantadas. A fachada norte, o pavimento térreo possui grandes janelas. Olbrich se preocupou com a iluminação natural, projetando as janelas exclusivamente para essa funcionalidade.
Em 1990, a Casa Ernst Ludwig passou por reformas para se adequar a sua nova função de museu. Os estúdios e salas dos artistas se transformaram em salas de exposição, houve alteração nos direcionamentos das luzes naturais e adequação da estrutura para receber aquecimento e condicionadores de ar.
Casa Olbrich esquerda|miniaturadaimagem|226x226px|Casa Olbrich e a fonte de mármore Construída em 1901, por Joseph Maria Olbrich. Está localizada na rua Alexandraweg, nº 28. Foi construída para servir como sua residência. A edificação possui dois pavimentos, um sótão e um porão. O primeiro pavimento possui um estúdio e salas de estar. O segundo pavimento possui quartos grandes para os moradores e no sótão possui os quartos dos hóspedes. No porão ficou a cozinha, lavanderia, depósito de carvão, sala de aquecimento, um banheiro e um corredor. O telhado foi construído em quatro águas com mansarda alto. O terreno é cercado por dois muros de pedras, com uma faixa de parede de tijolos e separados por uma cornija. No canto do muro, virado para a rua, há uma fonte em mármore branco com um recuo coberto por um arco de tijolos e no recuo foi instalado uma escultura, feita pelo artista Ludwig Habich, de um jovem bebendo água. A água da fonte verte da parede, passa pela mão da escultura e cai na base da fonte. O portão do jardim foi feito de ferro em três folhas, sendo duas fixas e uma móvel, possui um arco com um sol dourado no centro. O acesso à casa se dá através de um piso em mosaico que segue até a escada aberta que leva até a porta de entrada. A casa sofreu muitos danos durante a Segunda Guerra Mundial e foi reformada de uma forma mais simples.
Villa In Roses Construída em 1901, por Joseph Maria Olbrich. Está localizada na rua Alexandraweg. Foi construída para servir de residência do pintor e designer gráfico Hans Christiansen. A casa possui planta quadrada e telhado de quatro águas. A fachada foi rebocada, pintada de branco e recebeu pintura decorativa com cores fortes, feitos por Christiansen. A casa foi destruída durante a Segunda Guerra Mundial e suas ruínas foram removidas no ano de 1958. Os objetos remanescentes estão expostos no Museu da Colônia dos Artistas.
Em 1959, foi instalada na propriedade a Fonte Ernst Ludwig, projetada por Karl Hartung e Otto Bartning, que, em 1958, foi exibida no Pavilhão da Exposição Mundial, em Bruxelas.
Casa Habich esquerda|miniaturadaimagem|225x225px|Casa Habich Construída em 1901, por Joseph Maria Olbrich. Está localizada na rua Alexandraweg, nº 27. Foi construída para servir de residência do escultor Ludwig Habich. A casa possui três pavimentos. O muro do terreno é de pedra com grades de ferro, pintadas de branco e foi projetado para coordenar com as duas casas Glückert. A porta principal recebeu uma moldura de arenito vermelho e o acesso se dá através de uma escada com três degraus, a escada é ladeada por dois candelabros altos, de ferro forjado, desenhados por Habich. O edifício sofreu danos durante a Segunda Guerra Mundial e precisou ser restaurado, passando por algumas modificações.
Pequena Casa Glückert esquerda|miniaturadaimagem|218x218px|Pequena Casa Glückert Construída em 1901, por Joseph Maria Olbrich. Está localizada na rua Alexandraweg, nº 25. Foi construída inicialmente para servir de residência para o escultor Rudolf Bosselt. mas acabou sendo a residência do fabricante de móveis Julius Glückert. É uma edificação de planta retangular com duas baias rasas, uma na fachada sul e outra na fachada norte. Na parte superior dessas baias, há duas janelas de treliças com uma moldura em madeira escura e uma cariátide em cada lado, esculpidas por Rudolf Bosselt. Uma parte da casa possui três pavimentos e uma mansarda e a outra parte possui dois pavimentos e um terraço. O muro do terreno é coordenado com a Casa Habich e a Grande Casa Glückert, feito de pedras com grades de ferro, pintada de branco. A edificação sofreu muito pouco dano durante a Segunda Guerra Mundial, com isso preservou muitas peças originais, como a escada, os tetos, as portas, móveis embutidos decorado em marcenaria, e uma mesa de lavagem ladeada por roupeiros embutidos no quarto. Posteriormente, foram feitas alterações na estrutura para adequar a edificação para abrigar um condomínio multifamiliar.
Grande Casa Glückert esquerda|miniaturadaimagem|215x215px|Grãode Casa Glückert. Alpendre de entrada em arco ômega