Robert Spaemann (5 de maio de 1927 – 10 de dezembro de 2018) foi um filósofo católico alemão, considerado membro da Escola Ritter.

O principal campo de investigação de Spaemann foi a ética cristã. Destacou-se por suas contribuições em bioética, ecologia e direitos humanos. Embora grande parte de sua obra ainda não tenha sido amplamente traduzida para idiomas além do alemão, Spaemann era reconhecido internacionalmente e o seu trabalho recebeu elevada consideração do Papa Bento XVI. Além disso, atuou como conselheiro pessoal do Papa João Paulo II e manteve amizade próxima com Joseph Ratzinger.

Biografia Robert Spaemann nasceu em Berlim, em 1927, filho de Heinrich Spaemann e Ruth Krämer. Seus pais, originalmente ateus radicais, converteram-se à Igreja Católica em 1930. Após a morte prematura de sua mãe, o seu pai foi ordenado sacerdote em 1942. Robert Spaemann cresceu em um lar católico e social-democrata.

Estudou filosofia, história, teologia e estudos românicos nas universidades de Münster, Munique, Friburgo (Suíça) e Paris. Recebeu seu doutorado em 1952 e sua habilitação em filosofia e educação em 1962 na Universidade de Münster.

Na década de 1950, Spaemann tornou-se crítico dos planos de armamento nuclear do governo alemão. Posteriormente, participou de debates públicos sobre a Guerra do Kosovo, legislação sobre aborto, eutanásia e suicídio assistido, defendendo a proteção da vida humana desde a concepção até a morte natural.

Exerceu a docência nas universidades de Estugarda (até 1968), Heidelberg (até 1972) e Munique, permanecendo nesta última até a sua aposentadoria e nomeação como Professor Emérito em 1992. Posteriormente, foi nomeado Professor Honorário da Universidade de Salzburgo e, em 2012, recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Católica de Lublin.

A filosofia de Robert Spaemann está profundamente enraizada na fé cristã. Ele defende a racionalidade da crença humana em Deus como ponto central de seu pensamento e rejeita a visão de que a religião é uma questão puramente privada. Para Spaemann, religiões universalistas como o cristianismo têm compromisso com o discurso público e devem influenciar a sociedade.

Em ética e filosofia do direito, enfatiza a relevância do direito natural, argumentando que a moralidade e o direito positivo são legitimados por uma fonte suprema — Deus. Em bioética, defendeu veementemente a dignidade humana desde a concepção, o que o levou a opor-se ao aborto e à eutanásia ativa ou passiva.

Em 2006, Robert Spaemann discutiu com o Papa Bento XVI a relação entre ciência, filosofia e fé.

Obra As duas obras mais importantes de Robert Spaemann são Glück und Wohlwollen (Felicidade e Benevolência, 1989) e Personen (Pessoas, 1996). Em Felicidade e benevolência, o autor apresenta a tese de que a felicidade deriva da ação benevolente e que os somos humanos criados por Deus como seres sociais para ajudar uns aos outros a encontrar a verdade e o significado em um mundo frequentemente confuso e desordenado."O paradigma de agir a partir da benevolência é qualquer ação pela qual ajudamos a vida humana que requer essa ajuda... somente quando somos ajudados aprendemos a nos ajudar, isto é, a entrar naquele relacionamento indireto conosco mesmos que é constitutivo de toda racionalidade que não é estritamente instrumental, [e em vez disso] constitutivo de toda prática ética."Robert Spaemann também participou do Círculo de Ex-Alunos Ratzinger (Ratzinger Schülerkreis), uma conferência privada convocada no final da década de 1970 por Joseph Ratzinger. Story in The Guardian

Prova de Deus pela gramática Em 2005, Robert Spaemann publicou um artigo para o jornal alemão Die Welt, defendendo a existência de Deus a partir de uma reflexão sobre o tempo verbal do futuro perfeito. O argumento era:

O futuro perfeito estabelece uma conexão com o presente, na medida em que algo ocorre agora pode ser concebido como já ocorrido em um futuro hipotético. Toda verdade é, nesse sentido, eterna, pois o presente permanece real como o passado do futuro presente. A realidade do passado subsiste na lembrança dos indivíduos. No entanto, eventualmente, não haverá mais seres humanos na Terra capazes de recordar-se dele. Considerando que o passado é sempre o passado de um presente, ele desaparecerá juntamente com o presente caso este deixe de ser lembrado. Consequentemente, o futuro perfeito perderá o seu significado. Quando o presente deixar de existir, deixará de ser real. Se o futuro perfeito for anulado, o presente também será.

A partir dessas premissas, Robert Spaemann conclui que, para preservar a realidade do presente, deve existir uma consciência absoluta na qual tudo o que ocorre seja armazenado. Essa consciência, argumenta ele, é Deus.

Notas

Leituras adicionais Reinhard Löw (org.): Oikeiosis. Festschrift für Robert Spaemann. Weinheim: Acta humaniora, VCH, 1987. Hanns-Gregor Nissing (org.): Grundfunktionen der Person: Dimensionen des Menschseins bei Robert Spaemann. Munique, 2008.

Ligações externas Spaemann speaks on "Paradoxes of Love" at the Dietrich von Hildebrand Legacy Project's Conference in Rome, May 28, 2010 Christoph Zimmer: Spaemanns Homilie und ihr letzter Gottesbeweis. 2011 Categoria:Filósofos católicos Categoria:Filósofos da Alemanha Categoria:Católicos da Alemanha Categoria:Mortos em 2018 Categoria:Nascidos em 1927