Os Janviéristes,Grandeur et décadence des « janviéristes », El Watan, 11 de janeiro de 2012.<ref>Janviéristes : Autoridades político-militares que decidiram interromper o processo eleitoral (favorável aos islamistas da FIS) em janeiro de 1992, conforme definição do livro, página 367: Le français en Algérie: Lexique et dynamique des langues. Éditions Duculot, Bruxelles, 2002</ref> por vezes designados « Décideurs »,Algérie : le crépuscule de la génération de l'indépendance foram os generais do exército argelino que decidiram, em 11 de janeiro de 1992, interromper o segundo turno eleitoralL'armée remet les compteurs à zéro en Algérie, in La Libre Belgique, 13 de janeiro de 1992.Algérie : voyage au cœur de l'armée. Jeune Afrique, 2 de fevereiro de 2012Lyes Laribi : L'Algérie des Généraux, pp : 110, Max Milo. collection Essais documents, Paris, 2007.Mohamed Sifaoui : Histoire secrète de l'Algérie indépendante - L’État DRS, Nouveau monde éditions, 2012 programado para 16 de janeiro. Este segundo turno teria permitido uma vitória esmagadora para o partido islamista, a Frente Islâmica de Salvação (FIS). Este partido conquistou 188 cadeiras no primeiro turno das eleições legislativas de 26 de dezembro de 1991.1992-1998: la guerre civile des généraux « janviéristes », page 295. La lutte des clans et la victoire des « janviéristes », page 298, in Histoire secrètes du pétrole algérien, de Hocine Malti. La Découverte, Paris, 2010 Uma decisão importante que será seguida por uma longa década sombria marcada pela violência armada dos islamistas que, frustrados de sua vitória, empreenderiam ações armadas com a formação de maquis.

Composição Essa paralisação do processo eleitoral foi realizada por uma estrutura não oficial, o “conclave do exército”. Reuniu-se secretamente no quartel-general das forças terrestres em Aïn Naâdja, todos os oficiais generais e superiores do Exército Nacional Popular (Armée nationale populaire, ANP). Em torno do Ministro da Defesa, estavam reunidas cerca de cinquenta pessoas, entre elas o Chefe do Estado Maior, o Diretor do Departamento de Inteligência e Segurança (Département du Renseignement et de la Sécurité, DRS), o diretor da contraespionagem, os diretores centrais do ministério bem como os chefes do seis regiões militares.

Dentre eles:Farid Alilat, « Algérie : le cercle des généraux disparus (sous Bouteflika) », Jeune Afrique, 20 de outubro de 2015 Mohamed Mediène, conhecido como “Toufik”: general e chefe do DRS durante a interrupção do processo eleitoral, no cargo até setembro de 2015;Amir Akef, « Algérie : Abdelaziz Bouteflika limoge le puissant chef du renseignement », Le Monde, AFP, Reuters, 13 de setembro de 2015 Khaled Nezzar: major-general e Ministro da Defesa, ingressou no Alto Conselho de Estado (Haut Comité d'État, HCE) em janeiro de 1992. Sua retirada da cena política remonta a 1994; Larbi Belkheir: major-general reformado e ministro do Interior em 1992, tornou-se diretor de gabinete do presidente Bouteflika. Faleceu em janeiro de 2010; Abdelmalek Guenaizia: general e Chefe do Estado-Maior, esteve na vanguarda; Mohamed Lamari: comandante-geral das forças terrestres em janeiro de 1992, foi promovido a major-general e nomeado chefe do Estado-Maior em 1993, em seguida, general do corpo do exército. Renunciou em 2004 e faleceu em fevereiro de 2012; Mohammed Touati: foi diretor do Ministério da Defesa e depois membro da Comissão de Diálogo Nacional. Major-general reformado, também foi conselheiro de Bouteflika para assuntos de segurança; Banabbès Gheziel: comandante da Gendarmerie, depois conselheiro militar de Bouteflika; Hacen Aït Abdesslam: major-general encarregado do Departamento de Fabricação Militar; Também o General Ahmed Bousteila.

Ações Os chefes das forças armadas instaram firmemente os participantes a assinar um texto exigindo a renúncia do presidente da República Chadli Bendjedid "que busca por meio de sua política de compromisso com os islamistas enviar os oficiais do ANP para a aposentadoria" e justificaram o golpe com os seguintes argumentos:Mohamed Sifaoui : Histoire secrète de l'Algérie indépendante - L’État DRS, pp : 288. Nouveau Monde éditions, 2012

A Frente Islâmica de Salvação (FIS) quer tomar o poder pela força; Se a FIS chegasse ao poder, não respeitaria nem a constituição nem as leis e arruinaria o país política e economicamente; É necessário garantir a ordem e restaurar a autoridade do Estado; É urgente promover a decolagem econômica e lutar contra o desemprego.

O exército é apoiado em sua ação por partidos políticos seculares e democráticos. Os "janviéristes" adquiriram uma "nova legitimidade" ao se proclamarem "salvadores da Argélia", posando em nome da "defesa da democracia" como fiadores do "laicismo" contra a ameaça do "integralismo”. Aos olhos da sociedade e da opinião internacional, tornaram-se o “baluarte contra o fanatismo”. A paralisação do processo eleitoral tomou a forma de um verdadeiro golpe de Estado: dissolução da Assembleia Nacional; renúncia forçada do presidente Chadli Bendjedid em 12 de janeiro de 1992, prova da fragilidade de sua função (o exército o conduziu ao topo em 1979); prisão de todos os principais líderes islamistas e dissolução da Frente Islâmica de Salvação (FIS).Mohamed Sifaoui : Histoire secrète de l'Algérie indépendante - L’État DRS, pp : 300. Nouveau Monde éditions, 2012, Algérie : Que veulent les militaires, in Courrier international, pp : 32, Nº. 556, de 28 de junho a 4 de julho de 2001 As forças armadas apelam com urgência para Mohamed Boudiaf liderar o país, com a criação de um Alto Comitê de Estado presidido por Boudiaf (que será assassinado pouco mais de cinco meses após sua posse). Um longo período de terrorismo, em seguida, deverá abater-se sobre a Argélia e o estado de emergência será declarado em 9 de fevereiro de 1992. As forças armadas e o DRS, a partir de agora, tomariam as rédeas da situação.

Reação O golpe militar e o terrorismo do grupos armados islamistas abrem a mais grave crise da Argélia independente, que levará o país a uma violência indiscriminada conhecida como « décennie noire » (década negra) e que causou quase duzentos mil mortos, milhares de desaparecidos, um milhão de deslocados, dezenas de milhares de exilados e mais de vinte bilhões de dólares em danos.Le Monde - Dossiers & documents, sous le titre : Algérie embourbée face à l'islamisme. Nº. 307, março de 2002, page : 1.

Bibliografia Khaled Nezzar, Algérie, arrêt du processus électoral, enjeux et démocratie, Éditions Publisud Paris, Alger, 2001 Abdelhamid Brahimi, Aux Origines de la tragédie algérienne (1958-2000) Témoignage sur Hizb França'', Hoggar, Genève, 2000.

Algérie, le livre noir - Documents réunis et présentés par Reporters sans frontières, La Découverte, 2003 .

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