The Last of Us Part I é um jogo eletrônico de ação-aventura de 2022 desenvolvido pela Naughty Dog e publicado pela Sony Interactive Entertainment. É um remake de The Last of Us (2013), apresentando jogabilidade e controles revisados, incluindo combate e exploração aprimorados e opções de acessibilidade expandidas. A história para um jogador segue Joel, que tem a tarefa de escoltar a jovem Ellie através dos Estados Unidos pós-apocalíptico e se proteger de criaturas canibais infectadas por uma mutação do fungo Cordyceps. O jogo também inclui a expansão The Last of Us: Left Behind (2014), uma campanha seguindo Ellie e sua melhor amiga Riley. O modo multijogador online é omitido.
O desenvolvimento foi liderado pelo diretor do jogo Matthew Gallant e pelo diretor criativo Shaun Escayg, substituindo os diretores originais Bruce Straley e Neil Druckmann, respectivamente. O jogo foi completamente reconstruído para aproveitar a tecnologia atualizada, exigindo novas animações, direção de arte e modelos de personagens para se alinhar com a visão da equipe de desenvolvimento do jogo original. A equipe expandiu os recursos de jogabilidade, tecnologia e acessibilidade de The Last of Us Part II (2020). As cenas do jogo apresentam descrições de áudio, para as quais os desenvolvedores colaboraram com a Descriptive Video Works. No PlayStation 5, o jogo suporta áudio 3D, assim como o feedback tátil e os gatilhos adaptativos do controle DualSense.
Após vários vazamentos, o jogo foi anunciado oficialmente em junho de 2022 e foi lançado para PlayStation 5 em setembro. Ele recebeu críticas positivas, com elogios por seus aprimoramentos gráficos, animações faciais, inteligência artificial e suas opções de acessibilidade, áudio e controle adicionais. No entanto, a resposta à sua jogabilidade e design de níveis foi mista, e vários críticos questionaram a necessidade de um remake, especialmente considerando seu preço. O jogo foi premiado pela Visual Effects Society Awards e recebeu múltiplas indicações ao The Game Awards e Golden Joystick Awards. A versão do jogo para Microsoft Windows, lançada em março de 2023, foi prejudicada por problemas de desempenho e recebeu críticas mistas. Até março de 2024 o jogo vendeu duas milhões de unidades.
Jogabilidade
thumb|esquerda|260px|The Last of Us Part I (direita) é um remake de The Last of Us (esquerda) e apresenta revisões de jogabilidade, modelos de personagens e melhorias de iluminação. Part I é um remake da versão de The Last of Us (2013), um jogo eletrônico de ação e aventura jogado a partir de uma perspectiva de terceira pessoa. O jogador atravessa ambientes pós-apocalípticos para avançar na história e usa armas de fogo, armas improvisadas, combate corpo a corpo e furtividade para se defender de humanos hostis e criaturas canibais infectadas por uma mutação do fungo Cordyceps.
Durante a maior parte do jogo, o jogador assume o controle de Joel, um homem encarregado de escoltar uma jovem, Ellie, pelos Estados Unidos. O jogador também controla Ellie durante todo o segmento de inverno do jogo, e controla brevemente a filha de Joel, Sarah, na sequência de abertura. Em Left Behind (2014), a expansão incluída no jogo, o jogador controla Ellie. O modo multijogador online presente no jogo original é omitido do remake, e a narrativa, por sua vez, não possui nenhuma alteração.
O título apresenta jogabilidade e controles revisados, incluindo combate e exploração aprimorados. A inteligência artificial (IA) foi reformulada para permitir mais personagens não-jogáveis (NPCs) na tela, com a IA inimiga agindo de forma mais agressiva e discreta do que no jogo original. Novas adições de jogabilidade incluem um modo de morte permanente, um modo focado em speedrun e novos trajes para Joel e Ellie. As opções de acessibilidade também foram expandidas, incluindo audiodescrição para cutscenes e feedback tátil durante o diálogo; os modos de dificuldade podem ser personalizados para ajustar a resiliência do inimigo, a eficácia furtiva e a disponibilidade de recursos. O modo foto foi revisado e diversos bônus foram adicionados, permitindo modificadores visuais e de jogabilidade, como câmera lenta e munição infinita.
No PlayStation 5, o jogo oferece suporte a recursos de hardware como áudio 3D, além de feedback tátil e gatilhos adaptativos do controle DualSense para emular ações dentro do jogo como atirar com uma espingarda ou puxar a corda de um arco e flecha. Ele pode ser exibido em resolução nativa de 4K a 30 quadros por segundo (FPS) ou 4K com aumento em 60 FPS; com taxa de atualização variável habilitada, ambos os modos permitem uma taxa de quadros desbloqueada, capaz de ultrapassar 60 quadros por segundos.
Desenvolvimento
Part I foi desenvolvido pela Naughty Dog e publicado pela Sony Interactive Entertainment. O desenvolvimento foi liderado pelo diretor do jogo Matthew Gallant e pelo diretor de criação Shaun Escayg, substituindo os diretores originais Bruce Straley e Neil Druckmann, respectivamente. Gallant trabalhou anteriormente como designer de combate em Uncharted 4: A Thief's End (2016), e tornou-se líder de designer de sistemas em The Last of Us Part II (2020), co-líder recursos de acessibilidade do jogo. Escayg foi o principal animador cinematográfico de The Last of Us — seu primeiro jogo — e diretor criativo de Uncharted: The Lost Legacy (2017), seguido por seu trabalho como diretor criativo e co-roteirista de Marvel's Avengers (2020) na Crystal Dynamics, antes de retornar à Naughty Dog em abril de 2021. Dividindo suas funções de direção, assumiu a responsabilidade pela cinemática. Ao recriar o jogo, Gallant percebeu o quanto o projeto lembrava com os temas do desenvolvimento original. De acordo com Escayg, a equipe abordou o remake como "uma carta de amor para nossos fãs, para a franquia e para nós mesmos como desenvolvedores", tendo a responsabilidade de preservar sua essência e qualidade.:0:56 Vários membros da equipe de liderança criativa de Part I também trabalharam no jogo original.
A Naughty Dog esperava que o remake permitisse que o Part I e Part II fossem jogados em sequência sem discrepâncias tecnológicas ou visuais. Eles sentiram que a nova leva de público, como os telespectadores da adaptação televisiva e novos jogadores do PlayStation 5, poderiam ser alcançados. O remake foi parcialmente inspirado pelas cenas de flashback de Part II, para as quais a equipe reconstruiu áreas e recursos presentes no jogo original. Gallant disse que vários membros da equipe ponderaram se "o jogo inteiro parecia tão bom quanto aquelas sequências de flashback, e como isso seria emocionante". O desenvolvimento começou com a transição do jogo para o motor de jogo atualizado de Part II. O jogo foi refeito para utilizar o hardware do PlayStation 5, exigindo uma nova direção de arte, animações e modelos de personagens. As melhorias tecnológicas e gráficas objetivavam alinhar o remake com a visão da equipe do jogo original. Escayg queria que cada elemento fizesse o jogador se sentir ambientado e imerso no mundo. A equipe reavaliou milhares de "pequenas decisões" durante o desenvolvimento, removendo objetos considerados sem importância ou distrações e detalhando ou redesenhando aqueles que necessitavam de melhorias. As áreas foram reavaliadas para determinar se seus designs eram resultado das limitações técnicas do PlayStation 3; quando apropriado, algumas áreas foram reconstruídas ou mais detalhadas.
Os desenvolvedores racionalizaram os recursos de acessibilidade refeitos como importantes para o remake. Eles expandiram os recursos de Part II — auxiliados pela reconstrução de Part I realizada no motor de Part II — com três predefinições de configuração recomendadas para jogadores que necessitam de recursos auditivos, motores ou visuais. Durante o desenvolvimento de Part II, Brandon Cole, o consultor de acessibilidade para pessoas com deficiência visual, notou que os jogadores com esta deficiência perdiam o contexto ambiental e as interações tácitas entre os personagens, mas o cronograma de produção limitava a capacidade da equipe de implementar uma solução. Gallant reavaliou a ideia no Part I e colaborou com a Descriptive Video Works para criar descrições de áudio para as cenas. Escrever e gravar as audiodescrições resultaram em dificuldades pois tiveram que transmitir as informações de forma sucinta, mantendo o contexto e os temas. As opções de vibração personalizáveis foram inspiradas por uma análise de Uncharted: Legacy of Thieves Collection (2022) do Can I Play That?, que criticou a falta de variabilidade. A equipe identificou sequências que apresentariam problemas de acessibilidade — como a sequência de fliperama no Left Behind — e contratou vários consultores para obter assistência, incluindo Cole.
O sistema de combate — particularmente o corpo a corpo — evoluiu devido ao reaproveitamento de ferramentas do desenvolvimento de Part II. A equipe sentiu que as sequências de combate do jogo original eram icônicas e não exigiam nenhuma revisão significativa; eles tiveram abriram mão da capacidade de rastejar no jogo — um recurso adicionado em Part II — pois isto teria "quebrado a jogabilidade e o espaço de combate"; uma vez que tal mecânica não havia sido construída para funcionar no jogo original. O movimento de esquiva de Part II também foi omitida de forma semelhante, pois exigiria refazer os ataques inimigos, o espaço do jogo e diminuiria a claustrofobia e a tensão das lutas; Gallant observou que "é fundamental que Joel seja diferente de jogar como Ellie", a protagonista jogável de Part II. As limitações de hardware do PlayStation 3 forçaram a equipe original a "hackear" as sequências de combate, incluindo algumas pré-programadas; os avanços no PlayStation 5 permitiram que os desenvolvedores criassem encontros dinâmicos, com IA direcionando os personagens inimigos não jogáveis (NPCs) para investigar e analisar com mais precisão. A tecnologia fundamental de IA foi construída através de Part II.:12:45 Enquanto o jogo original era limitado a oito NPCs durante encontros com inimigos — forçando alguns a desconsiderar o jogador na presença de outros — o PlayStation 5 permite até 128 NPCs ativos focados no jogador. Em alguns casos, o jogo original não poderia ter infectados masculinos e femininos lutando simultaneamente, problema este que foi corrigido no remake. Gallant observou que a nova tecnologia tornou as sequências de jogo mais imprevisíveis.
thumb|180px|esquerda|Erick Pangilinan, co-diretor de arte do jogo original, retornou exercendo a mesma função em Part I.