Cidadão Brasileiro é uma telenovela brasileira que foi produzida e exibida pela Record entre 13 de março e 20 de novembro de 2006, com um total de 213 capítulos, substituindo a faixa de telejornais e sendo substutuída por Vidas Opostas. Escrita por Lauro César Muniz, com a colaboração de Rosane Lima e Dora Castellar, foi dirigida por Flávio Colatrello Jr., Fábio Junqueira, João Camargo, Ivan Zettel e Henrique Martins, com direção geral de Colatrello. Foi a 4ª novela exibida pela emissora desde a retomada da dramaturgia em 2004, sendo também a responsável por inaugurar o segundo horário de novelas da emissora, exibida simultaneamente com Prova de Amor. Após estrear às 20h30, a novela foi transferida para às 22h em seu terceiro mês e tornou-se bem sucedida.

Com Gabriel Braga Nunes, Lucélia Santos, Palomma Duarte, Carla Cabral, Floriano Peixoto, Luíza Tomé, Tuca Andrada e Leonardo Brício nos papéis principais.

Antecedentes Muniz, na TV Globo, foi responsável por telenovelas consideravelmente bem-sucedidas, como Escalada, Roda de Fogo e O Salvador da Pátria.Castro, Daniel (17 de fevereiro de 2005). Autor de primeira troca Globo pela Record. Folha de S.Paulo. Acessado em 6 de fevereiro de 2011 Entretanto, após a exibição de Zazá, em 1997, só teriam sido produzidas duas obras de sua autoria - as minisséries Chiquinha Gonzaga e Aquarela do Brasil, em 1999 e 2000, respectivamente - e, desde então, todos as sinopses que o autor apresentava à Direção de Teledramaturgia da emissora eram rejeitadas ou "engavetadas" - e sua insatisfação atingiu o ponto máximo quando ouviu, numa reunião, que a intenção da emissora "era fazer novelas nos moldes mexicanos para exportar mais" - o que ia de encontro com suas ideias de produzir telenovelas que não fossem "simplificadoras" e continuassem fazendo uso dos clichês que se popularizaram na década de 1990.

A TV Globo tentaria ainda oferecer a Muniz a produção de A Imperatriz do Café, que ele ansiava produzir há anos na emissora e cujos direitos haviam sido adquiridos pela atriz Regina Duarte, mas, em abril de 2005, atraído tanto pela proposta financeira quanto pela possibilidade de maior liberdade na condução de seus projetos, foi oficialmente contratado pela Record, e apresentou três sinopses: duas eram tramas contemporâneas, enquanto a terceira era uma releitura de uma produção anterior de sua autoria.Entrelinhas (5 de abril de 2005). O Estado de S. Paulo. Acessado em 6 de fevereiro de 2011Castro, Daniel. Chegada (2 de abril de 2005). Folha de S.Paulo. Acessado em 6 de fevereiro de 2011

Produção thumb|300px|Os atores José Dumont, Lucélia Santos e Bemvindo Sequeira frente ao logo da telenovela. Com Cidadão Brasileiro, a Record inaugurou um segundo horário de telenovela nacional, após Prova de Amor se mostrar bem-sucedida. Três telenovelas da autoria de Lauro César Muniz - Escalada, O Casarão e Quarenta Anos Depois - têm elementos representados em Cidadão Brasileiro, com o objetivo, na visão do autor, de "resgatar" os ideais difundidos na década de 1970, em que se implementou, na sua visão, "a novela verdadeiramente brasileira". Embora compartilhe de temas semelhantes, em Cidadão Brasileiro Muniz buscou "ter a mesma preocupação de inserir o personagem num universo político-social e não me ater apenas às peripécias que possam prender o telespectador" dessas produções. O próprio nome do protagonista é uma união de "Antônio Dias" (Tarcísio Meira em Escalada) e "João Maciel" (Paulo Gracindo em O Casarão).

A vida do pai de Muniz serviu de base para o enredo da telenovela - da mesma forma que em Escalada. O uso da cidade de Guará como cenário é um reflexo disso, assim como o enredo da primeira fase, em que Antônio enriquece com a produção de algodão e se torna dono do cinema da cinema, até que perde tudo - da mesma forma que ocorreu com o pai de Muniz.

Escolha do elenco O papel de Fausta foi inicialmente oferecido à atriz Sônia Braga - que se mostrou interessada na personagem mas não chegou a um acordo com a emissora - e, posteriormente, à Bruna Lombardi,Kogut, Patrícia (28 de setembro de 2005).Salve. O Globo. Acessado em 11 de fevereiro de 2011 cuja contratação chegou a ser mencionada como algo "praticamente acertado". As propostas de contratação, seja de atores, seja de membros da equipe técnica, foram mantidas em segredo, para evitar um inflacionamento do mercado. O primeiro ator a ser oficialmente anunciado como parte do elenco foi Gabriel Braga Nunes, em outubro de 2005. Até o final do mês seguinte só haviam sido também contratados os atores Tuca Andrada, Palomma Duarte e Francisca Queiroz. A personagem Fausta só teria sua intérprete confirmada no final daquele ano: Lucélia Santos. Na mesma oportunidade, foi noticiada a contratação de vários outros atores. A contratação de Floriano Peixoto, que viria a interpretar Atílio, o maior rival do protagonista na trama, só foi confirmada em 8 de janeiro de 2006, poucos dias antes de terem início as filmagens.

A contratação da equipe técnica representou considerável dificuldade à produção. Tanto Jayme Monjardim quando Ignácio Coqueiro foram convidados a assumir a direção da telenovela, função que acabou por ser assumida por Flávio Colatrello.

Cidade cenográfica A Record já possuía, à época, o RecNov, um estúdio destinado à produção de suas telenovelas, de forma similar ao que a TV Globo já fazia nos estúdios Projac. A estrutura, entretanto, ainda não estava totalmente definida. Se em 2010, a emissora anunciava que tinha capacidade de realizar seis produções ao mesmo tempo, em 2005 o estúdio ainda era capaz de filmar apenas uma produção - e as filmagens de Prova de Amor ocupavam todo o estúdio - e as reformas não seriam concluídas em tempo de viabilizar o início das filmagens em outubro, como originalmente previsto. Assim, um terreno com cerca de dez mil metros quadrados foi alugado para se tornar um canteiro de obras fictício, visando retratar a construção de Brasília. Adicionalmente, as cenas em externa foram realizadas numa cidade cenográfica construída em Bragança Paulista para representar uma versão ficcionalizada do município de Guará, e as de estúdios na sede da emissora no bairro Barra Funda em São Paulo.

Gravações As filmagens da telenovela tiveram início em janeiro de 2006. Com dois meses de novela no ar, o diretor Flávio Colatrello Jr. afastou-se de Cidadão Brasileiro, por conflito de ideias com a emissora e com Muniz.Castro, Daniel (1 de maio de 2006). Autor pede "a cabeça" de diretor novela. Folha de S.Paulo. Acessado em 12 de fevereiro de 2011Cimino, James (18 de maio de 2006). Diretor de "Cidadão Brasileiro" deixa a novela. Folha de S.Paulo. Acessado em 12 de fevereiro de 2011 Disse Muniz:

Durante todo o período antecedendo sua saída, foram noticiados conflitos envolvendo Colatrello, seja por causa da iluminação utilizada, seja por causa do comportamento do diretor durante as filmagens ou pelo método que seria utilizado pela envelhecer os personagens durante a segunda fase da produção,Cabo de Guerra. Acessado em 12 de fevereiro de 2011Ricco, Flávio (25 de maio de 2006). O prejuízo das mudanças. O Povo. Acessado em 12 de fevereiro de 2011 gerando boatos de que ele seria destituído da função.Atriz sai de "JK" para "Cidadão Brasileiro". 11 de abril de 2006. Folha de S.Paulo. Acessado em 12 de fevereiro de 2011.Diretor de Cidadão Brasileiro sai da novela. Estadão. Acessado em 12 de fevereiro de 2011 Após sua saída, o diretor João Camargo foi convidado a integrar a equipe de direção, e os diretores Fábio Junqueira e Ivan Zettel tiveram suas atribuições aumentadas. Camargo, posteriormente, seria realocado para a equipe de produção da telenovela Alta Estação, sendo substituído pelo ator e diretor Henrique Martins.Cidadão Brasileiro - Bastidores . Teledramaturgia. Telenovela.com.br. Acessado em 12 de fevereiro de 2011

A morte da personagem Eleni, que na segunda fase se envolve com a luta armada contra a ditadura militar, foi gravada de forma a coincidir com o início das filmagens da telenovela substituta, Vidas Opostas, na qual a atriz Maytê Piragibe interpretaria a protagonista. O último capítulo da novela foi ao ar na segunda-feira, 20 de novembro, com a substituta estreando na terça. Uma participação em Cidadão Brasileiro foi o último trabalho do ator Jece Valadão, falecido alguns dias depois do fim da novela.

Enredo A telenovela conta a trajetória de um homem, da juventude nos anos 50 até a velhice, no início do século XXI.http://www.tv-pesquisa.com.puc-rio.br/mostraregistro.asp?CodRegistro=118605&PageNo=5 Nascido em 1928, Antônio Maciel, o protagonista, é um homem decidido em uma difícil trajetória de ascensão social, com suas conquistas e fracassos profissionais e com seus conflitos amorosos, envolvendo três mulheres de temperamentos e níveis sociais opostos. Há duas fases distintas - a primeira contando o início profissional do personagem em Guará e na construção de Brasília, abordando as décadas de 1950 e 1960, e a segunda abordando o período da ditadura militar a década de 1970 - e um epílogo, em 2006, em que Antonio, já idoso, revisita sua trajetória. A trama transcorre da seguinte forma:

Primeira fase: Ascensão A trama começa quando Antônio Maciel, vendedor de produtos agrícolas, após fazer uma boa venda, perde tudo ao ser roubado por Fausta, uma mulher balzaquiana que o seduz e leva todo o dinheiro que ele havia recebido e deveria entregar ao seu patrão. Desempregado e endividado, Antônio persegue Fausta até chegar ao município de Guará, no interior paulista. Ela pretende aplicar um golpe no principal fazendeiro e líder político da cidade, Atílio, fazendo-se passar por uma representante do governo federal que o ajudará na campanha eleitoral. Antônio, ciente do caráter aproveitador de Fausta, vinga-se e usa-a como trampolim para uma rápida ascensão na cidade. Logo se destaca, faz bons relacionamentos e começa a se firmar, conhecendo as duas mulheres de sua vida: Carolina, moça simples da fazenda, e Luísa, moça sofisticada e fina, educada em São Paulo.

Em Guará, Antônio conhece também o homem cuja amizade se tornaria uma constante por toda a sua vida (e, consequentemente, pelas três fases da produção): Homero, um jornalista sério, dono do jornal "Voz da Liberdade" e de firmes convicções progressistas, que, inicialmente membro do Partido Comunista, começa a confrontar os demais membros do partido por discordar de alguns dos pontos defendidos.

Antônio e Atílio tornam-se rivais, e Antônio se dedica a produção de algodão em Guará. O investimento se mostra bem-sucedido, e ele consegue se estabelecer na cidade. Após enriquecer, compra e reforma o cinema da cidade, onde passar a se apresentar alguns dos maiores artistas da época. O cinema torna Antonio um homem popular o suficiente para se eleger prefeito, superando Atílio. A queda dos preços do algodão, entretanto, acaba desestabilizando Antônio financeiramente. Ele perde tudo e é obrigado a deixar a cidade.

De Guará, ele parte para São Paulo, onde busca recomeçar, casado com Carolina - Luísa não tem coragem de enfrentar as dificuldades e o abandona-o para se casar com Camilo, um estável empresário. Em meados da década de 1950, Brasília começa a ser construída e Antônio vai para o Planalto Central para participar do épico empreendimento, trabalhando para Edouard Gerard, dono da construtora Obradec, e que tem em Antonio seu homem de confiança. Antonio se vê cada vez mais afastado de Carolina, e, enquanto o casamento dos dois fracassa, ele, trabalhando ao lado de um poderoso empreiteiro, consegue uma posição mais estável.

Segunda fase: 1968 em diante