O desastre na Taverna Enyobeni aconteceu em 26 de junho de 2022, quando 21 pessoas, a maioria jovens estudantes, morreram na Taverna Enyobeni, no bairro East London, na cidade de Cabo Oriental, na África do Sul.

A causa das mortes ainda não foi esclarecida e até o início de 2023 ninguém havia sido responsabilizado.

Contexto A Taverna Enyobeni (Enyobeni Tavern) é um edifício de dois andares localizado em Scenery Park, East London, Cabo Oriental, em meio a residências densamente povoadas. O local foi motivo de reclamações de moradores dos arredores devido ao horário de funcionamento tardio e devido ao barulho. Embora a idade legal para beber na África do Sul seja de dezoito anos, a boate servia álcool para menores.

Antes do incidente, um post promocional no Facebook divulgando a festa na boate chamou a atenção da mídia ao concluir com kuzofiwa, que se traduz aproximadamente como "nós vamos morrer".

Incidente Durante uma celebração de hlanjwa iphepha (canetas para baixo), uma tradição na África do Sul que celebra o fim dos exames escolares, a Taverna Enyobeni encheu. Um cliente que estava na boate disse à Al Jazeera que quando o local ficou superlotado, a equipe de segurança instruiu as pessoas a sair, sem sucesso. O cliente afirmou que um segurança fechou as portas e pulverizou um produto químico na multidão. O cliente disse que eles não conseguiam respirar e que "nós sufocamos por muito tempo e [estávamos] empurrando uns aos outros, mas não adiantou porque algumas pessoas estavam morrendo". A substância supostamente "cheirava a gás".

Promise Matinise, o gerente de entretenimento da boate, disse que eles tinham falta de mão de obra para lidar com a superlotação e que alguns clientes tentaram forçar a entrada. Matinise testemunhou pessoas caindo enquanto seguranças tentavam controlar a grande multidão e afirmou que ele contatou o proprietário ao descobrir que algumas pessoas haviam morrido.

Por volta das 4 da manhã um telefonema foi feito informando que havia pessoas mortas na boate e quando os policiais chegaram, encontraram 17 vítimas mortas, algumas no chão e outras em cadeiras e mesas. Quatro sobreviventes foram levados para hospitais, sendo que uma morreu enquanto eram transportadas e as outras três enquanto estavam hospitalizadas .

Uma testemunha disse dias após o incidente que algumas pessoas haviam tentado passar pelo meio da multidão, gritando "estamos morrendo" e "estamos sufocando" e que havia "um cheiro forte de algum tipo de spray no ar", no entanto, apesar do tumulto, nenhuma das vítimas tinha sinais óbvios de ferimentos, o que depois descartou o pisoteamento como causa da morte.

Vítimas Vinte e uma (21) pessoas morreram no incidente, a mais jovem delas de 13 anos. Doze (12) das vítimas eram meninos e nove eram meninas.

Investigação Imediatamente após o incidente, foi aberta uma investigação para descobrir as ​​causas de morte das vítimas. Amostras dos corpos foram levadas para laboratórios de toxicologia na Cidade do Cabo para análise. O Serviço de Polícia Sul-Africano divulgou um comunicado sobre o incidente e afirmou que estaria mobilizando "recursos máximos" para a investigação e também disse que o público não deveria especular sobre a causa da morte.

Um oficial de segurança da província, Unathi Binqose, disse logo que, como "não havia feridas visíveis", o pisoteamento como causa da morte tinha sido descartado completamente e que a causa mais provável da morte estava relacionada a envenenamento. Pouco depois, no laudo inicial, um patologista descartou o consumo excessivo de álcool e o envenenamento por monóxido de carbono como os motivos dos óbitos.

Em setembro de 2022, um relatório das autoridades apontou que as vítimas haviam morrido sufocadas devido à superlotação, o que deixou os familiares desconfiados, uma vez que vestígios de metanol, que pode levar à morte se ingerido ou inalado, foram encontrados nos corpos de todas as vítimas. Além disto, as autoridades decretaram o sigilo do relatório.

Julgamentos O Conselho de Bebidas do Cabo Oriental disse que apresentaria acusações criminais contra o proprietário da Enyobeni Tavern e revogaria a licença de bebidas da boate. O CEO do conselho, Nombuyiselo Makala, afirmou que o proprietário violou flagrantemente a Lei de Bebidas Alcoólicas ao servir álcool a menores.

Em meados de julho foram decretadas as prisões do dono do bar e dois funcionários por estarem envolvidos com a venda de bebidas alcoólicas para menores. No entanto, eles receberam um prazo para se apresentar e pagar uma multa para evitar a detenção.

Em abril de 2023 os donos da taverna, Siyakhangela Ndevu e sua esposa Vuyokazi, começaram a ser julgados de burlar a Lei de Bebidas, mas não pelas mortes.

Reações O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, ofereceu suas condolências às vítimas do desastre.

O dono do bar, Siyakangela Ngevu, que não estava presente quando as mortes ocorreram, pediu desculpas e pediu calma. Ngevu afirmou que "simpatizava com as pessoas que perderam seus entes queridos" e que "não era minha intenção que isso acontecesse". Ngevu também afirmou que recebeu ligações da equipe segurança por volta da 1 da manhã, informando-o de pessoas tentando forçar a passagem por um portão do lado de fora da boate.

Em março de 2023 Ndevu voltour a negar que ele e a esposa tenham sido responsáveis pelas mortes dos jovens.

Referências

Categoria:2022 na África do Sul Categoria:Desastres provocados pelo homem na África do Sul Categoria:Desastres na África do Sul Categoria:East London Categoria:Eventos de junho de 2022 Categoria:Pisoteamentos e debandadas