A feminização da pobreza é um conceito que faz referência a uma tendência de aumento da desigualdade nos padrões de vida entre homens e mulheres devido à crescente diferença de gênero na pobreza . Esse fenômeno está amplamente relacionado à forma como as mulheres e as crianças são representadas desproporcionalmente na comunidade de nível socioeconômico mais baixo em comparação com os homens no mesmo nível socioeconômico. As causas dessa feminização da pobreza abrangem temas como a estrutura da família e do lar, mercado de trabalho, violência sexual, educação, mudança climática, feminilidade e saúde. Os estereótipos tradicionais das mulheres permanecem embutidos em muitas culturas, restringindo as oportunidades de renda e o envolvimento da comunidade para muitas mulheres. Combinado com uma baixa renda básica, isso pode se manifestar em um ciclo de pobreza e, portanto, em uma questão que afete toda uma geração. Este é um dos conceitos considerados mais urgentes dentro da temática de igualdade de gênero.

Este termo teve origem nos Estados Unidos, no final do século XX e mantém destaque como um fenômeno internacional ainda contestado academicamente. Alguns pesquisadores descrevem essas questões como proeminentes em alguns países da Ásia, África e áreas da Europa. As mulheres nesses países são tipicamente privadas de renda, oportunidades de emprego e ajuda física e emocional, colocando-as em maior risco de pobreza. Esse fenômeno também difere entre grupos religiosos, dependendo do foco colocado nos papéis de gênero e de quão ao pé da letra seus respectivos textos religiosos são seguidos. Outros autores acreditam que esse fenômeno está mais ligado às questões sociais gerais que de gênero.

A feminização da pobreza é medida principalmente usando três índices internacionais. Esses índices são o Índice de Desenvolvimento Relacionado ao Gênero (IDG), os sete princípios da Medida de Empoderamento de Gênero e o Índice de Pobreza Humana (IPH). Esses índices se concentram em questões que não sejam questões monetárias ou financeiras. Esses índices focam nas desigualdades de gênero, padrão de vida e destacam a diferença entre pobreza humana e pobreza de renda com um foco mais voltado ao gênero. Ele analisa os dados levando em consideração mais fatores que os sociais geralmente levados em consideração.

História O conceito de 'feminização da pobreza' apareceu inicialmente na década de 1970 e tornou-se popular na década de 1990 por meio de alguns documentos das Nações Unidas .United Nations. (1996). Resolution Adopted by the General Assembly on the report of the Second Committee (A/50/617/Add.6) – Women in development. 9 February 1996, Fiftieth session, Agenda item 95 (f), General Assembly A/RES/50/104. New York: United NationsUnited Nations. (2000). Resolution adopted by the General Assembly on the report of the Ad Hoc Committee of the Whole of the Twenty-third Special Session of the General Assembly (A/S-23/10/Rev.1) – Further actions and initiatives to implement the Beijing Declaration and Platform for Action. A/RES/S-23/3, 16 November 2000, Twenty-third special session, Agenda item 10, 00-65205. New York: United Nations Tornou-se destaque na sociedade em geral após a divulgação de um estudo em 1996 com foco nos padrões de gênero ao acompanhar a evolução das taxas de pobreza nos Estados Unidos.

A feminização da pobreza é um conceito relativo, ou seja, ele é analisado baseado na comparação entre mulheres e homens. Por exemplo, a feminização da pobreza ocorre quando a pobreza em uma sociedade é nitidamente reduzida entre os homens e apenas ligeiramente reduzida entre as mulheres. Por isso, ela precisa ser identificada em cada país ou região e não pode ser aplicada generalizadamente.

Definições A feminização da pobreza é uma ideia amplamente debatida com uma infinidade de significados e camadas. Medeiros M, Costa J (2008) observa que a feminização da pobreza está ligada ao aumento das disparidades na qualidade de vida entre homens e mulheres, ao mesmo tempo em que aborda a lacuna entre os papéis domésticos masculinos e femininos. Em sociedades em que o homem é considerado o provedor único, as mulheres ficam em condições ainda mais vulneráveis Medeiros M, Costa J (2008) também retrata o papel crescente que a discriminação de gênero em ambiente econômico tem na determinação da pobreza. Por exemplo, um aumento da discriminação salarial entre homens e mulheres, o que também pode exacerbar a pobreza entre mulheres e homens de todos os tipos de famílias. As mulheres precisariam trabalhar mais tempo que os homens para conseguir quantidade de dinheiro similar. Medieros considera essa uma possibilidade de comprovar a feminização da pobreza porque denota a relação direta entre os preconceitos contra as mulheres e o aumento a diferença de condições da pobreza entre os gêneros.

O conceito também serviu para ilustrar os muitos fatores sociais e econômicos que contribuem para a pobreza das mulheres, incluindo a significativa disparidade salarial entre homens e mulheres.

A origem do termo é reconhecida nos EUA e sua proeminência como fenômeno internacional é ainda contestada. A proporção de famílias chefiadas por mulheres cujas rendas ficam abaixo da "linha de pobreza" tem sido amplamente adotada como medida da pobreza das mulheres. Em muitos países, as pesquisas de consumo e gastos das famílias mostram uma alta incidência de famílias chefiadas por mulheres entre os "pobres", definidos como aqueles cuja renda fica abaixo da linha da pobreza. No entanto, há discrepância se esse dado é definidor para demonstrar causas e consequências entre fatores de pobreza e famílias chefiadas por mulheres.

Existem dois pressupostos que não se manifestam claramente nas medidas de pobreza baseadas no rendimento, de acordo com Bessell S (2010). Em primeiro lugar, existe a tendência de equiparar a renda com a capacidade de controlar a renda. As mulheres muitas vezes não possuem controle das decisões financeiras, mesmo quando ganham renda. Elas podem ter algum controle sobre a renda auferida, mas os fortes limites da soberania financeira das mulheres pobres foram bem demonstrados em diversas ocasiões. Uma medida baseada na renda pode ocultar a extensão e a natureza da pobreza quando as mulheres ganham dinheiro, mas não têm controle sobre essa renda, afirma Bessel. Embora a questão de quem controla a renda seja um assunto delicado para as mulheres, também é relevante para a posição e o bem-estar dos homens em algumas ocasiões. As sociedades que impõem aos indivíduos uma pesada obrigação com a comunidade, de parentesco ou de clã podem terminar com mulheres e homens tendo controle limitado sobre a renda individual e do núcleo familiar.

Em segundo lugar, é a suposição de que a renda cria acesso igual e gera benefícios iguais. O acesso à educação ilustra o ponto. Na maior parte de estudos sobre evasão, há maior abandono ou falta de matrículas do público feminino que masculino nas escolas. Principalmente, a partir da adolescência. Embora a falta de recursos financeiros possa resultar em baixas taxas de matrícula ou altas taxas de abandono escolar entre crianças pobres, os valores sociais em torno do papel das mulheres e a importância da educação formal para as meninas provavelmente serão mais significativos para demonstrar a diferença entre matrículas masculinas e femininas. cotações.

Causas Fatores que colocam as mulheres em alto risco de pobreza incluem mudança na estrutura familiar, disparidades salariais de gênero , prevalência de mulheres em ocupações mal remuneradas[ ], falta de apoios trabalho-família , e os desafios envolvidos no acesso a benefícios públicos . Embora a baixa renda seja a principal causa, há muitas facetas inter-relacionadas desse problema. As mães solitárias geralmente correm estão mais expostas ao risco de pobreza extrema porque dependem de uma única renda para criar os filhos. A imagem de mulheres "tradicionais" que trabalham apenas no ambiente doméstico ainda influencia muitas culturas no mundo o que provoca que não esteja inda plenamente consciente de que as mulheres são parte essencial da economia. Além disso, a falta de renda reduz as possibilidades de seus filhos para uma boa educação e alimentação, o que já dificulta que a próxima geração supere essa situação e atinja melhores padrões de vida. A baixa renda é consequência do viés social que as mulheres enfrentam na tentativa de obter um emprego formal, o que por sua vez aprofunda o ciclo da pobreza . Além da renda, a pobreza se manifesta em outras dimensões, como a escassez de tempo e privações de capacidade e oportunidades. Este tema é multidimensional e, portanto, fatores econômicos, demográficos e socioculturais se sobrepõem e contribuem para o estabelecimento e continuidade da pobreza. É um fenômeno com múltiplas causas e manifestações. O corte de gênero deste tema é mais uma das facetas de análise que ele contém.

Famílias de mães solteiras (mães solos) miniaturadaimagem| As mães muitas vezes experimentam a pobreza mais extrema porque têm mais demandas de tempo, energia e recursos. Esta mulher agricultora no norte do Quênia faz parte de um grupo de apoio a mães que cria apoio entre 13 mães, para aprender sobre paternidade e práticas econômicas Os agregados familiares de mães solteiras (mães solos) são fator crítico na abordagem da feminização da pobreza e podem ser amplamente definidos como agregados familiares em que há chefias femininas e ausência de chefias masculinas. As famílias de mães solos estão em maior risco de pobreza para as mulheres devido à falta de renda e recursos. Há um aumento contínuo de famílias de mães solteiras no mundo, o que resulta em porcentagens mais altas de mulheres na pobreza. O termo mãe solo tem sido substituído em relação à mãe que assume a criação do filho que o pai não assume. Pois o termo "solteira" tornaria a questão uma reivindicação da mulher por compromisso social (casamento) e não a exigência natural e legalizada que o homem assuma a paternidade. O termo mãe solo abrange de forma melhor a negligência do pai em relação à criança. As mães solos são as mulheres mais pobres da sociedade e seus filhos tendem a ser desfavorecidos em comparação com seus pares. Diferentes fatores podem ser levados em conta para o aumento do número de chefias femininas nos domicílios. Inclui as chefes de família que nunca se casaram, e as mudanças na estrutura familiar, particularmente o divórcio, como principais causas dos períodos iniciais de pobreza entre os domicílios chefiados por mulheres. Quando os homens se tornam trabalhadores migrantes , as mulheres são deixadas para serem as principais cuidadoras de suas casas. Elas ficam com empregos que não oferecem sustentabilidade financeira ou benefícios. Outros fatores, como doenças e mortes de maridos, levam a um aumento de famílias de mães solteiras nos países em desenvolvimento .

As famílias chefiadas por mulheres são mais susceptíveis à pobreza porque têm menos rendimentos para fornecer apoio financeiro dentro do núcleo familiar. São menos membros gerando renda para sustentar uma quantidade maior de pessoas De acordo com um estudo de caso no Zimbábue, as famílias chefiadas por viúvas têm um rendimento de aproximadamente metade do das famílias chefiadas por homens, e as famílias chefiadas por mulheres de fato têm cerca de três quartos do rendimento das chefiadas por homens. Além disso, as famílias de mães solos carecem de recursos críticos na vida, o que agrava seu estado de pobreza. Elas não têm acesso às oportunidades de alcançar um padrão de vida decente, juntamente com as necessidades básicas, como saúde e educação. As famílias de mães solos se relacionam com questões de desigualdade de gênero, pois as mulheres são mais suscetíveis à pobreza e carecem de necessidades essenciais à vida em comparação com os homens. O impacto disso na geração seguinte também é fator agravanteThe World's Women 2015, Poverty, 2015