Muitas variações locais do alfabeto grego foram empregadas na Grécia antiga durante os períodos arcaico e clássico, até aproximadamente 400 a.C., quando foram substituídos pelo alfabeto padrão de 24 letras, utilizado até hoje. Todas as variações do alfabeto grego são derivadas de um conjunto de 22 símbolos do alfabeto fenício (com a exceção da letra sâmeque, cuja contraparte grega csi () foi utilizada apenas em um subgrupo de variações, e a adição comum de úpsilon () para as vogais ). Os alfabetos locais, chamados epicóricos, diferem entre si de vários modos: no uso dos símbolos consonantais Χ, Φ e Ψ; no uso inovador de símbolos para vogais longas (Ω e Η), na ausência ou presença de H em sua função consonantal original (/h/); no uso ou não de certas letras arcaicas (Ϝ = , Ϙ = , Ϻ = ); e em muitos detalhes acerca do formato individual de cada letra. O sistema agora vigente de 24 letras foi originalmente a variante regional das cidades jônicas da Anatólia, adotado oficialmente em Atenas no ano 403 a.C. e no resto do mundo grego por volta do século IV a.C.

Símbolos de consoantes aspiradas e encontros consonantais Uma divisão básica em quatro principais categorias de alfabetos epicóricos é comumente feita, de acordo com os diferentes tratamentos dos símbolos adicionais para consoantes aspiradas () e encontros consonantais (). Estas quatro divisões são convencionalmente categorizadas como tipos "verde", "vermelho", "azul claro" e "azul escuro" , baseadas em um mapa codificado por cores presente no trabalho seminal do século XIX, (Estudos sobre a história do alfabeto grego) de Adolf Kirchhoff (1867). O tipo "verde" (ou setentrional) é o mais arcaico e próximo ao fenício. O "vermelho" (ou ocidental) foi aquele que mais tarde seria levado para outras partes da Europa e seria o antecessor do alfabeto latino. Os tipos "azuis" (ou orientais) são aqueles do qual mais tarde surgiria o alfabeto grego padrão.

Modelo fenício15x15px|Phoenician aleph15x15px|Phoenician beth15x15px|Phoenician gimel15x15px|Phoenician daleth15x15px|Phoenician he15x15px|Phoenician waw15x15px|Phoenician zayin15x15px|Phoenician heth15x15px|Phoenician teth15x15px|Phoenician yodh15x15px|Phoenician kaph15x15px|Phoenician lamedh15x15px|Phoenician mem15x15px|Phoenician nun15x15px|Phoenician samekh15x15px|Phoenician ayin15x15px|Phoenician pe15x15px|Phoenician sade15x15px|Phoenician qoph15x15px|Phoenician res15x15px|Phoenician sin15x15px|Phoenician tawSetentrional"verde"18x18px|Greek Alpha 0318x18px|Greek Beta 1618x18px|Greek Gamma archaic 118x18px|Greek Delta 0418x18px|Greek Epsilon 0418x18px|Greek Digamma oblique18x18px|Greek Zeta archaic18x18px|Greek Eta archaic—18x18px|Greek Theta archaic18x18px|Greek Iota normal18x18px|Greek Kappa normal18x18px|Greek Lambda 0918x18px|Greek Mu 0418x18px|Greek Nu 01—18x18px|Greek Omicron 0418x18px|Greek Pi archaic18x18px|Greek San 0218x18px|Greek Koppa normal18x18px|Greek Rho pointed18x18px|Greek Sigma normal18x18px|Greek Tau normal18x18px|Greek Upsilon 05*—————Ocidental"vermelho"18x18px|Greek Chi normal18x18px|Greek Phi 0418x18px|Greek Psi straightOriental"azul claro"—18x18px|Greek Chi normal"azul escuro"18x18px|Greek Xi archaic18x18px|Greek Psi straightJônico clássico——18x18px|Greek Eta normal——18x18px|Greek Omega 05Alfabeto modernoΑΒΓΔΕ—Ζ—ΗΘΙΚΛΜΝΞΟΠ——ΡΣΤΥ—ΦΧΨΩSom em grego antigoabgdewzdhētʰiklmnksopskrstukspʰkʰpsō direita|miniaturadaimagem|400x400px| Distribuição dos tipos de alfabeto "verde", "vermelho" e "azul", segundo Kirchhoff *Úpsilon também é derivado de vau (12x12px).

Os tipos "verdes" (setentrionais) não utilizam letras além daqueles pertencentes ao alfabeto fenício, e tipicamente não utilizavam (/ks/). Assim, as oclusivas aspiradas e eram escritas simplesmente como e respectivamente, sem distinção entre as não-aspiradas /p/ e /k/, ou como os dígrafos e . Entretanto, para a aspirada , havia uma letra própria, , tomada diretamente do fenício. De modo semelhante, os encontros consonantais e eram escritos simplesmente como e . Este é o sistema encontrado em Creta e em outras ilhas da região sul do Egeu, em particular Tera (Santorini), Milos e Anafi.

O tipo "vermelho" (ocidental) também carece da letra derivada do fenício para /ks/, porém, introduz um símbolo para aquela combinação sonora no final do seu alfabeto, . Ademais, o alfabeto tipo vermelho também introduziu símbolos para as consoantes aspiradas, para e para . Note que o uso de no alfabeto "vermelho" corresponde ao uso da letra "X" em latim, e difere do alfabeto padrão grego, onde é usado para e é usado para /ps/. Somente o uso de para é comum para todos os tipos de alfabetos, com exceção do tipo "verde". O tipo "vermelho" é encontrado na maior parte da Grécia central (Tessália, Beócia e na maior parte do Peloponeso), assim como na ilha de Eubeia e em colônias associadas a esses lugares, incluindo colônias na Itália.

O tipo "azul claro" também carece de () e adiciona apenas letras para () e (). Ambos correspondem aos valores atuais do alfabeto grego padrão. O sistema do tipo "azul claro", entretanto, não possuía letras individuais para os encontros consonantais e , que eram escritos tipicamente como e respectivamente. Esse é o sistema encontrado em Atenas (antes de 403 a.C.) e em diversas ilhas egeias.

O tipo "azul escuro", finalmente, era aquele que possuía todos os símbolos consonantais do alfabeto grego moderno: em adição a e (compartilhados com o tipo "azul claro"), ele também adicionou (ao final do alfabeto) e (na posição alfabética do sâmeque fenício). Esse sistema era encontrado em cidades da Liga Jônica, Cnido na Ásia menor e em Corinto e Argos, no nordeste do Peloponeso.

Eta e /h/ A letra eta (H, originalmente chamada heta), possuía duas diferentes funções, ambas derivadas do nome de seu modelo fenício, hete: a maioria dos dialetos gregos continuou usando-a para o som de /h/, similar ao valor fenício (). Entretanto, o fonema /h/ foi progressivamente perdido na língua falada (um processo conhecido como psilose) e naqueles dialetos onde a perda já havia ocorrido em períodos mais arcaicos, H foi utilizado para representar a vogal longa . Dialetos psilóticos incluem o jônico na Ásia menor, eólico falado na ilha de Lesbos, e dórico de Creta e Élida.

A distribuição do H e E vocálicos diferem entre os dialetos, uma vez que a língua grega possuía três fonemas distintos para e: a vogal longa semiaberta ( na escrita clássica), a vogal longa semifechada (posteriormente mesclado com o ditongo , representado na escrita clássica como ), e a vogal curta ( na escrita clássica). Nos dialetos psilóticos da Ásia menor e nas ilhas egeias adjacentes, bem como em Creta, o H vocálico era usado para . Em um número de outras ilhas egeias, em especial Rodes, Milos, Tera e Paros, H era utilizado tanto para quanto para , sem distinção. Em Cnido, uma letra variante foi inventada para distinguir as duas funções: era usada para /h/ e 15x15px|Greek Eta square era usado para . Nas colônias do sul da Itália, em especial Tarento, após 400 a.C. aproximadamente, uma distinção similar foi feita, onde representava e 15x15px|Greek Eta tack representava . Esse símbolo mais tarde foi convertido e adaptado por gramáticos alexandrinos como o símbolo diacrítico para o espírito áspero.

Em Naxos o sistema era ligeiramente diferente: aqui, a mesma letra era utilizada para representar e a vogal longa, mas somente naqueles casos onde a vogal longa era originada a partir da evolução de um antigo fonema , e não para o herdado do protogrego. Isso significa provavelmente que, enquanto em outros dialetos o oriundo do protogrego e o proveniente da evolução de já haviam sido plenamente mesclados, em Naxos o fonema ainda possuía pronúncias distintas, provavelmente algo como .

Uma outra diferença é encontrada em um grupo de cidades no nordeste do Peloponeso, em particular em Corinto: aqui, não é a vogal semiaberta longa que é diferenciada entre os três fonemas e, mas sim a versão semifechada longa . A letra padrão épsilon () era usada exclusivamente para representar a pronúncia semifechada, enquanto um novo símbolo 16x16px|Greek Beta archaic(ou, em Sicião, 16x16px|Greek Epsilon X-shaped) era usado para representar tanto a vogal curta quanto a versão longa . Outra variação é encontrada em Tirinto, onde são utilizadas as letras nas formas de Corinto, 16x16px|Greek Beta archaic e , porém com os valores clássicos de eta () e épsilon (). RegiãoJônia, Eólia, Creta–ΗΕΕRodes, Milos, Tera, ParosΗΗΕΕCnidoΗ15x15px|Greek Eta squareΕΕNaxosΗΗ ()ΕΕΕTirintoΗ16x16px|Greek Beta archaicΕΕCorinto, Megara, SiciãoΗ16x16px|Greek Beta archaic16x16px|Greek Beta archaicΕOutrasΗΕΕΕ

Letras arcaicas Digama (Vau) A letra digama (), utilzada para o fonema /w/ era geralmente empregada apenas em escritas locais onde o som ainda estava presente na língua falada durante o período arcaico, o que inclui grande parte da Grécia central (com exceção da Ática), bem como Eubeia e Creta. Em Atenas e Naxos aparentemente digama foi usado apenas no registro de poesias. Em todos os outros lugares, como nas ilhas egeias e no oriente, o som /w/ já não estava presente na linguagem.

O formato da letra variava entre locais e épocas. A forma primitiva mais comum era 16x16px|Greek Digamma oblique. Ao longo do tempo, por analogia com épsilon (que evoluiu de 16x16px|Greek Epsilon 04 para "E"), o digama passou às formas clássicas "F" ou 16x16px|Greek Digamma angular. Em Creta ele possuía a forma arcaica 16x16px|Greek Digamma 02 (o que se assemelhava a seu modelo original, o vau fenício ligação=https://en.wikipedia.org/wiki/File:Phoenician_waw.svg|14x14px), ou uma variação curvada 16x16px|Greek Digamma 09.

San Algumas escritas locais utilizam a letra com formato de M, san, em lugar do sigma para representar o som de /s/. Não está claro se a diferença entre san e sigma correspondia a alguma variação do fonema /s/ entre os dialetos. Lilian Hamilton Jeffery (1915-1986) conjecturou que san originalmente correspondia à fricativa alveolar sonora [z], e que os dialetos dóricos que utilizavam san em lugar de sigma talvez possuíssem essa pronúncia. Roger Woodard, professor de estudos clássicos na Universidade de Buffalo, levanta a hipótese de que san originalmente representava [ts]. De qualquer modo, cada variação de alfabeto tendia a utilizar unicamente san ou sigma. Ainda que abecedários primitivos listassem ambas letras em posições alfabéticas distintas, alfabetos do século VI a.C. em diante apresentavam somente uma única letra. San foi utilizado em Argos até o final do século VI a.C., em Sicião até cerca de 500, em Corinto até a primeira metade do século V, e em Creta por mais algum tempo. Sicião manteve o sinal como um emblema local em suas moedas.

Qoppa A letra arcaica qoppa (Ϙ), usada como alofone de capa (Κ) /k/ antes das vogais posteriores [o, u], era comum entre os diversos alfabetos epicóricos em períodos iniciais. Ela começou a cair em desuso em meados do século VI a.C. Algumas regiões dóricas, em especial Corinto, Argos, Creta e Rodes, a mantiveram até o século V a.C.

Inovações Algumas letras gregas são inovações, a maioria delas para variações locais de alfabetos.

Ômega A letra ômega () foi criada para representar o som da vogal longa semiaberta . Surgida na região oriental, nas cidades jônicas da Ásia Menor, num período anterior a 600 a.C, ômega originalmente era representado por uma "quebra" lateral no círculo de ômicron (), que, com o tempo, foi rotacionando e tendo as bordas virando para fora (16x16px|Greek Omega 09, 16x16px|Greek Omega 05, 16x16px|Greek Omega 04, 16x16px|Greek Omega 03).

A cidade dórica de Cnido, bem como algumas ilhas do mar Egeu, como Paros, Tasos e Milos, empregaram a nova letra ômega de modo contrário: um círculo quebrado (16x16px|Greek Omega 05) para a vogal curta e um círculo fechado () para sua versão longa.

Sampi