A presença de arte, mais do que um índice de desenvolvimento cognitivo, é uma evidência de presença de cultura e um momento chave na história da evolução humana. Somando-se a troca social, traços culturais são usualmente persistentes e variáveis dentro de uma população. Assim, se a arte e a produção de artefatos associados a ela são traços culturais, eles devem aparecer de forma recorrente no material arqueológico e não somente em casos isolados. miniaturadaimagem|292x292px|Representação do artista no processo de realização da obra Existem muitas hipóteses a respeito de qual seria o papel evolutivo da arte como: reconhecimento de padrões,Zeki, S. (1999). Inner vision: an exploration of art and the brain: Oxford University Press. resolução de problemas,Ramachandran, V. S., & Hirstein, W. (1999). The science of art: A neurological theory of aesthetic experience. Journal of consciousness Studies, 6(6-7), 6-7. escolha de decisões adaptativas, aumentando possibilidades reprodutivas,Miller, G. (2000). The Mating Mind: How sexual choice shaped the evolution of human nature. London: Heinemann. permitindo comportamentos religiosos, planejamento de ações,Tooby, J., & Cosmides, L. (2001). Does Beauty Build Adapted Minds? Towards an Evolutionary Theory of Aesthetics, Fiction and the Arts. SubStance, 94/95, 6-27. manipulação social, coesão socialCoe, K. (2003). The Ancestress Hypothesis: Visual art as adaptation. New Brunswick, NJ: Rutgers University Press. e melhoramento cognitivo . Em suma, a arte teria importante função de comunicação, mediando informação e expressão.Nowell, A. (2010). Defining behavioral modernity in the context of Neandertal and anatomically modern human populations. Annual review of anthropology, 39, 437- 452.
A arte também pode desempenhar um papel na expressão de identidade, como a filiação a um grupo ou classe (idade, gênero, posição, status, ocupação, etc.). No entanto, questiona-se a necessidade da arte como identificação uma vez que humanos são capazes de distinguir uns aos outros pelos rostos e nomes.Haxby, J., Hoffman, E., & Gobbini, M. I. (2002). Human neural systems for face recognition and social communication. Biological Psychiatry, 51(1), 59-67. Ademais, acredita-se que o surgimento da arte como identificação esteve associado ao aumento do tamanho dos grupos e a intensificação de interações durante o Pleistoceno. É possível que a arte tenha desempenhado um papel importante na expansão da memória humana durante o Pleistoceno, permitindo a expansão de sua habilidade cooperativa e auxiliando na manutenção de relações sociais além do grupo familiar imediato.
Desvendando a origem da arte Com base nos resultados de importantes e extensas pesquisas arqueológicas,SALAMUNES, Nara LC. A pré-história da mente: uma busca das origens da arte, da religião e da ciência. Educar em Revista, p. 283-288, 2004. até o aparecimento do Homo sapiens, não havia qualquer registro de arte, religião ou ciência. Assim, pode ser dito que houve diferentes processos adaptativos que a espécie desenvolveu durante os diferentes períodos evolutivos e, com base na psicologia, acredita que a pré-história pode ser transformada a partir das estruturas psicológicas que os humanos atuais construíram ao longo de milhões de anos de evolução.
A mente humana estaria pronta há 300 mil anos, tomando por base a criação do machado de mão fabricado pelo Homo erectus e pelo Homo sapiens arcaico, e, apoiando-se na ideia de que a ontogênese recapitula a filogênese (2),LKINS, James. Art History and images that are not art. The Art Bulletin, v. 77, v. 4, p. 553–571, Dec. 1995. podendo ser utilizado como estudos os períodos de desenvolvimento infantil descritos por Piaget para argumento.
Os criadores do machado de mão tinham uma forma de pensamento operacional, pois para produzir tal ferramenta precisavam fazer suposições detalhadas sobre quais movimentos seriam aplicados para alcançar a forma desejada. Isso mostra que as mentes desses ancestrais são compatíveis com as mentes das pessoas de hoje porque atingiram o mais alto nível de desenvolvimento intelectual. Assim, o surgimento e colonização global da arte não exigiu uma nova base cognitiva. esquerda|miniaturadaimagem|330x330px|Pintura rupestre encontrada no Parque Nacional do Catimbau em Pernambuco
Os primeiros registros de arte conhecidos são obras de arte pré-históricas, incluindo arte rupestre, pequenas esculturas e edifícios megalíticos. À medida que o modo de vida humano evoluiu, a arte tornou-se mais complexa.
A arte começou a fazer parte da história em um dos períodos mais fascinantes da história, que é o da arte pré-histórica. Há muito tempo, arqueólogos, historiadores e pesquisadores estudam profundamente as grandes questões desse período. Se formos analisar o que facilita a nossa vida, podemos citar uma grande variedade de criações, mas é claro que as criações técnicas são as mais citadas.
O Homem está cercado de objetos utilitários, vestimentas e outros utensílios que representam um período histórico em que sua criação começou a ser feita. Os ancestrais mais distantes, os primeiros humanos começaram a melhorar o ambiente em que viviam, fazendo seus utensílios com galhos, pedras, ossos, usando a pele de bisão para se aquecer nos tempos frios, além de viver em cavernas protegidas. Depois de dominar suas criações, eles progrediram. À medida que os humanos evoluíram, desenvolveu-se uma cultura muito importante - a vida dos humanos pré-históricos e com isso também surgiu a arte. Devido à sua longa duração, os historiadores o dividem em: Paleolítico, Neolítico e arte primitiva.Soares, Rosana História da arte / Rosana Soares; Clara Aniele Schley. Indaial : Uniasselvi, 2012.
Estamos cercados de objetos utilitários, vestimentas que denotam um período histórico onde foi propiciado o início de sua criação. Os mais remotos antepassados, os primeiros homens começaram a se aprimorar do meio em que viviam, com galhos, pedras, ossos para fazerem seus utensílios e com a pele dos bisões se aqueciam nos períodos frios além de viver sob a proteção das cavernas. Depois de dominarem suas criações foram se aprimorando. E com a evolução humana foi desenvolvida uma cultura muito importante – a vida dos homens pré-históricos. Devido a sua longa duração, os historiadores a dividiram em períodos :Paleolítico ou Idade da pedra Lascada, Neolítico ou Idade da Pedra Polida e Arte Primitiva.
Evolução cognitiva da arte Atualmente a arte está sempre ao redor dos seres humanos, em todos os locais é possível ver uma ou diversas representações de arte.ZAIDEL, Dahlia W. Art and brain: the relationship of biology and evolution to art. Progress in Brain Research, v. 204, p. 217-233, 2013. A prática da arte de modo espontâneo é uma ação exclusiva do ser humano,ZAIDEL, Dahlia W. Neuropsychology of art: Neurological, cognitive, and evolutionary perspectives. Psychology Press, 2015. isso só é possível pela cognição simbólica e abstrata, características marcantes da mente humana.
Assim como a linguagem, a arte também é uma forma de comunicação, que surgiu como uma utilidade social e evolui para parte da cultura humana, agregando um valor adaptativo. É uma atividade associativa da evolução da mente humana e da cultura,DONALD, Merlin. Art and cognitive evolution. The artful mind: Cognitive science and the riddle of human creativity, v. 1, p. 3-20, 2006. tem função lúdica com o objetivo de desvendar incógnitas desconhecidas.STEEN, Francis F.; CHAKRABORTY, Santanu. Exploring the Possible: A Unifying Cognitive and Evolutionary Approach to Art. Frontiers in Psychology, v. 12, p. 787789-787789, 2021.
Sobre os princípios cognitivos que regem a arte, não existe consenso sobre o assunto, porém de forma resumida é possível trazer algumas das diretrizes. A primeira considera a arte como uma engenharia cognitiva, sendo usada como instrumento com o objetivo de exercer influência sobre as outras pessoas. Refletindo a necessidade humana de receber atenção e controlá-la. A segunda diz que a arte é sempre conforme o contexto da cognição distribuída, ou seja, a arte vai sofrer a influência de muitas mentes humanas que estão interligadas e geralmente guiadas por um fluxo de ideias de uma grande instituição. A terceira diretriz diz que a arte possui uma natureza construtivista e serve para construir modelos mentais e de visão de mundo. Essa construção se dá, por causa da capacidade de integrar diferentes eventos abstratos que permeiam o ser humano.
A quarta diretriz trata sobre a parte metacognitiva da natureza da arte, isto se refere a auto-reflexão, o modo como o ser humano se auto-identifica, tendo como resultado a reflexão da sociedade na qual ele pertence. Por esse motivo a arte serve como instrumento para delimitar períodos culturais, já que tem um papel socio-reflexivo, como por exemplo os quadros com imagens caóticas representando a sociedade moderna. Em quinto, tem se que a arte é um aspecto da cognição orientado pela tecnologia, mesmo que tenha começado de forma natural, os meios de expressão artísticas variam muito dentre as sociedades. Sendo a tecnologia responsável por afetar algumas redes cognitivas que podem ser criadas pelo artista.
A sexta parte diz respeito a cognição distribuída do artista, pois o sistema cognitivo do artista não precisa ser fixo. Alguns fatores podem afetar o modo de funcionamento da cognição, como por exemplo a tecnologia, alterando o tipo de arte e a visão de mundo. Por fim, é possível dizer que a arte sempre espera atingir um resultado cognitivo, sendo planejada para gerar sensações em um público específico. Com isso temos que a arte se difere de muitos outros estudos, como a engenharia por exemplo, pois a finalidade da arte sempre é cognitivo.
Raízes biológicas da arte Ao olhar para a visão biológica da arte, é necessário buscar uma explicação para o seu surgimento e o motivo de sua perpetuação na espécie humana. Aparentemente não existe uma explicação clara para uma pessoa dedicar tanto tempo da sua vida na execução de uma obra de arte, onde nem sempre tem se claro algum tipo de retorno. Um motivo proposto é o de comunicação por meio da arte, pois ela reflete ideias, experiências, sentimentos e emoções , pensamentos e símbolos culturais. miniaturadaimagem|Pavão exibindo a sua cauda colorida aberta A necessidade de produzir arte foi comparada ao ritual de corte realizado pelos animais, já que em ambos os casos existe um alto custo energético, sem uma recompensa óbvia.ZAHAVI, Amotz. Mate selection—a selection for a handicap. Journal of theoretical Biology, v. 53, n. 1, p. 205-214, 1975. Com base nisso, a arte possui um grande valor biológico para os humanos, com raízes na ancestralidade, sinalizando qualidades genéticas de talento, habilidade, cognição e criatividade.VOLAND, Eckart. Aesthetic preferences in the world of artifacts—Adaptations for the evaluation of ‘honest signals’?. In: Evolutionary aesthetics. Springer, Berlin, Heidelberg, 2003. p. 239-260. As razões biológicas da arte são explicadas pela teoria da seleção natural proposta por Darwin.DARWIN, Charles. The descent of man. New York: D. Appleton, 1871