thumb|370px|Os quatro couraçados da Classe Iowa em manobras em 1954, os últimos couraçados construídos pelos Estados Unidos A Marinha dos Estados Unidos construiu uma série de couraçados entre as décadas de 1890 e 1940. O isolacionismo do país no final do século XIX influenciou os projetos de seus primeiros couraçados, a Classe Indiana, o e a Classe Kearsarge, que foram projetados principalmente para funções de defesa litorânea. Essa filosofia entrou em um período de transição com a Classe Illinois e a Classe Maine, que eram mais modernas e direcionadas para operações em alto-mar. A vitória norte-americana na Guerra Hispano-Americana em 1898 demonstrou a capacidade e necessidade de uma poderosa força de couraçados, com a Classe Virginia e a Classe Connecticut sendo projetadas para serem maiores e mais poderosas que suas predecessoras. Entretanto, esse crescimento de tamanho dos navios também elevou seus custos, gerando discussões no Congresso dos Estados Unidos e dentro da própria marinha. Consequentemente, a Classe Mississippi foi construída com um projeto menor.

O comissionamento do couraçado britânico em 1906 revolucionou a construção naval mundial e deixou todos os couraçados norte-americanos construídos até então obsoletos. Os primeiros navios dreadnought norte-americanos foram a Classe South Carolina, projetada em paralelo com o Dreadnought e implementando inovações no arranjo de sua bateria principal. Sucederam-se a Classe Delaware, Classe Florida, Classe Wyoming e a Classe New York, cada uma com projeto baseado em sua predecessora e com tamanhos cada vez maiores. Oposição política contra a elevação dos tamanhos e custos dos couraçados da marinha levou ao surgimento dos chamados "couraçados tipo padrão", embarcações caracterizadas por uma padronização de armamento, blindagem, autonomia e velocidade, permitindo que operassem juntos de forma homogênea. A primeira classe padrão foi a Classe Nevada, sendo seguida pela Classe Pennsylvania, Classe New Mexico, Classe Tennessee e Classe Colorado. A última classe de couraçados padrão teria sido a Classe South Dakota, mesmo assim projetada para ser muito maior e poderosa que suas predecessoras. Entretanto, ela foi cancelada após a assinatura do Tratado Naval de Washington em 1922.

O Tratado Naval de Washington e o Tratado Naval de Londres de 1930 proibiram a construção de novos couraçados até 1936 e impuseram um limite de 36 mil toneladas de deslocamento padrão a novos projetos. O Segundo Tratado Naval de Londres de 1936 manteve o limite de deslocamento e também restringiu o tamanho dos canhões principais a 356 milímetros. A Classe North Carolina foi projetada aderindo a essas restrições, porém os Estados Unidos invocou a chamada "cláusula do escalonamento", permitindo que sua bateria principal crescesse para 406 milímetros. O sistema do Tratado Naval de Washington ruiu logo em seguida, liberando a construção de embarcações maiores. Objeções do Congresso sobre o aumento dos tamanhos fizeram com que a Classe South Dakota fosse encomendada com um projeto menor, mas incorporando maior blindagem e armamentos. Estas objeções políticas logo desapareceram e permitiram que a Classe Iowa fosse aprovada com um deslocamento de mais de dez mil toneladas a mais. Seis couraçados tiveram suas obras iniciadas, porém os dois últimos foram cancelados incompletos ao final da Segunda Guerra Mundial. O último projeto de couraçados norte-americanos foi a Classe Montana, planejada para ser a maior, mais poderosa e protegida dos Estados Unidos. Entretanto, ela foi rapidamente cancelada em favor de mais porta-aviões.

Os couraçados construídos pelos Estados Unidos participaram de vários conflitos no decorrer de quase um século. A primeira guerra com sua participação foi a Guerra Hispano-Americana, quando os navios da Classe Indiana e o Iowa afundaram uma esquadra de cruzadores blindados espanhóis na Batalha de Santiago de Cuba. Os dreadnoughts das Classes Delaware, Florida, Wyoming e New York formaram a Divisão de Couraçados Nove após a entrada dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial, fazendo parte da Grande Frota britânica. A maioria dos pré-dreadnoughts e dos dreadnoughts mais antigos foram desmontados na década de 1920 pelos termos do Tratado Naval de Washington. Os membros das Classes Wyoming, New York, Nevada, Pennsylvania, New Mexico, Tennessee e Colorado lutaram na Segunda Guerra Mundial, principalmente em bombardeios litorâneos no Teatro do Pacífico. Já os couraçados rápidos das Classes North Carolina, South Dakota e Iowa foram empregados na escolta de porta-aviões. A enorme maioria desses navios foram desmontados ao final desta guerra, porém os membros da Classe Iowa foram reativados periodicamente pelas décadas seguintes, atuando na Guerra da Coreia, Guerra do Vietnã e Guerra do Golfo. De todos os couraçados dos Estados Unidos, o da Classe New York, da Classe North Carolina, e da Classe South Dakota e os quatro membros finalizados da Classe Iowa estão preservados como navios-museu.

+ Legenda Armas principais Número e tamanho dos canhões da bateria principal Deslocamento Deslocamento do navio totalmente carregado Propulsão Número e tipo do sistema de propulsão e velocidade máxima Batimento Data em que o batimento de quilha ocorreu Lançamento Data em que o navio foi lançado ao mar Comissionamento Data em que o navio foi comissionado em serviço Destino Fim que o navio teve

Couraçados pré-dreadnought Classe Indiana

thumb|240px|esquerda|O USS Indiana c. 1895–1900 A Classe Indiana foi a primeira de couraçados de primeira linha da Marinha dos Estados Unidos, sucedendo o couraçado de segunda linha , encomendado alguns anos antes com um projeto pequeno e limitado. O orçamento da Classe Indiana foi aprovado depois de várias discussões no Congresso dos Estados Unidos sobre a necessidade e os custos de uma expansão naval, além de discussões políticas sobre o isolacionismo norte-americano. Os couraçados foram projetados para defesa litorânea e não tinham a intenção de serem usados em operações ofensivas, possuindo uma autonomia limitada e uma pequena borda livre, algo que restringia sua navegabilidade. Mesmo assim, a classe recebeu muita blindagem e um armamento pesado, com uma bateria secundária de 203 milímetros não encontrada em outros couraçados contemporâneos. Entretanto, sofriam de sérios problemas de estabilidade.

Os navios tiveram carreiras tranquilas durante seus primeiros anos de serviço, participando principalmente de treinamentos de rotina. Referências das histórias dos navios pelo Dictionary of American Naval Fighting Ships:

A Guerra Hispano-Americana começou em 1898 e eles foram enviados para Cuba, porém o Oregon precisou viajar da Costa Oeste contornado a América do Sul para poder juntar-se a seus irmãos. Eles bloquearam Santiago de Cuba, com o Indiana e o Oregon participando da Batalha de Santiago de Cuba em julho, quando afundaram uma esquadra de cruzadores blindados. Voltaram para seus deveres de treinamento pós-guerra, mas o Oregon serviu na Ásia na Guerra Filipino-Americana e no Levante dos Boxers. Foram descomissionados no final da década de 1900 e reativados ocasionalmente como navios-escola. O Indiana e o Massachusetts foram afundados como alvos de tiro em 1920 e 1921, respectivamente, com o primeiro sendo desmontado em 1924. O Oregon foi transformado em um navio-museu em 1925, porém foi tomado de volta pela marinha em 1941 e desmontado em 1956.

Navio Armasprincipais Deslocamento Propulsão Serviço Batimento Lançamento Comissionamento Destino 4 × 330 mm 11 876 t 2 motores de tripla-expansão;15 nós (28 km/h) maio de 1891 fevereiro de 1893 novembro de 1895 Desmontado em 1924 junho de 1891 junho de 1893 junho de 1896 Afundado em 1921 novembro de 1891 outubro de 1893 julho de 1896 Desmontado em 1956

USS Iowa

thumb|240px|O USS Iowa em 1897 O USS Iowa, assim como a Classe Indiana, foi projetado principalmente para defesa litorânea. Um dos objetivos de projeto era aumentar sua autonomia por meio da redução de peso em algumas áreas, permitindo um maior estoque de carvão. Consequentemente, o armamento principal foi reduzido para quatro canhões de 305 milímetros e alguns canhões secundários de 203 milímetros foram eliminados em favor de canhões de 102 milímetros, além da adoção de uma nova blindagem que permitia o mesmo nível de proteção com uma espessura mais fina. Outras alterações incluíram um castelo da proa mais elevado e um casco mais longo.

O Iowa passou seu primeiro ano de serviço conduzindo operações de treinamento normais no Oceano Atlântico, sendo transferido para o Mar do Caribe no início de 1898. Com o início da Guerra Hispano-Americana, participou do Bombardeio de San Juan em Porto Rico e depois da Batalha de Santiago de Cuba, ajudando a afundar três cruzadores blindados espanhóis. Pela década após a guerra o couraçado retornou para sua rotina de treinamento e serviu tanto no Atlântico quanto no Oceano Pacífico sem grandes incidentes. Foi modernizado entre 1908 e 1910 e passou a atuar como navio-escola, sendo removido do serviço em 1913, mas brevemente reativado durante a Primeira Guerra Mundial. Foi convertido em um navio alvo de tiro em 1919 e usado como tal até ser afundado em 1923.

Navio Armasprincipais Deslocamento Propulsão Serviço Batimento Lançamento Comissionamento Destino 4 × 305 mm 12 850 t 2 motores de tripla-expansão;16 nós (30 km/h) agosto de 1893 março de 1896 junho de 1897 Afundado em 1923

Classe Kearsarge

thumb|240px|esquerda|O USS Kearsarge em 1906 Os Estados Unidos demoraram para encomendar novos couraçados devido a uma crise econômica em 1893 e oposição por parte do Secretário da Marinha, com autorização para uma nova classe só ocorrendo em 1895. O projeto da Classe Kearsarge representou um meio termo entre a Classe Indiana e o Iowa, especialmente na questão da borda livre, que era mais alta que da Classe Indiana, mas menor que do Iowa. A blindagem foi expandida, incluindo um arranjo melhorado do convés blindado que permitia maior proteção do volume do casco. Os dois navios também adotaram um esquema único de armamento, possuindo uma torre de artilharia dupla de canhões de 203 milímetros instalada e fixada no teto das torre de artilharia duplas principais de 330 milímetros.

O Kearsarge passou seus primeiros cinco anos de serviço como a capitânia da Esquadra do Atlântico Norte, enquanto o Kentucky foi enviado para a China a fim de lidar com o Levante dos Boxers, permanecendo na região do Sudeste Asiático até 1904. Ambos realizaram uma volta ao mundo entre 1907 e 1909 como parte da Grande Frota Branca, despachada pelo presidente Theodore Roosevelt a fim de aumentar o prestígio norte-americano e demonstrar ao Congresso a necessidade de uma marinha forte. Foram modernizados de 1909 a 1911 e colocados na reserva, atuando pela década seguinte principalmente como navios-escola até serem tirados de serviço em definitivo em 1920. O Kentucky foi rapidamente descartado e desmontado em 1922, enquanto o Kearsarge foi convertido em um navio-guindaste, exercendo esta função até ser desmontado em 1955. Referências das histórias dos navios pelo Dictionary of American Naval Fighting Ships:

Navio Armasprincipais Deslocamento Propulsão Serviço Batimento Lançamento Comissionamento Destino 4 × 330 mm 13 060 t 2 motores de tripla-expansão;16 nós (30 km/h) junho de 1896 março de 1898 fevereiro de 1900 Desmontado em 1955 maio de 1900 Desmontado em 1923

Classe Illinois

thumb|240px|O Illinois c. 1901–1908