A Classe New Mexico foi uma classe de couraçados operada pela Marinha dos Estados Unidos, composta pelo , e . Suas construções começaram em 1915 no Estaleiro Naval de Nova Iorque, Newport News Shipbuilding e New York Shipbuilding, sendo lançados ao mar em 1917 e comissionados na frota norte-americana entre 1917 e 1919. A Classe New Mexico era um "couraçado tipo padrão" e seu projeto foi muito baseado na predecessora Classe Pennsylvania, incorporando apenas algumas mudanças como uma nova proa para melhor navegabilidade e novas torres de artilharia de bateria principal mais poderosas que as anteriores.
Os couraçados da Classe New Mexico eram armados com uma bateria principal composta por doze canhões de 356 milímetros montados em quatro torres de artilharia triplas. Tinham um comprimento de fora a fora de 190 metros, boca de quase trinta metros, calado de pouco mais de nove metros e um deslocamento de mais de 33 mil toneladas. Seus sistemas de propulsão eram compostos por nove caldeiras a óleo combustível que alimentavam quatro conjuntos de turbinas a vapor, que por sua vez giravam quatro hélices até uma velocidade máxima de 21 nós (39 quilômetros por hora). Os navios também tinham um cinturão principal de blindagem com 203 a 343 milímetros de espessura.
Suas duas primeiras duas décadas de serviço foram relativamente tranquilas e envolveram principalmente treinamentos e exercícios de rotina. Com a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial no final de 1941, os três foram colocados na Frota do Pacífico e usados em ações de bombardeio litorâneo durante as campanhas das Ilhas Aleutas, Ilhas Gilbert e Marshall, Ilhas Mariana e Palau, Filipinas e Ilhas Vulcano e Ryūkyū. Os três voltaram para casa ao final do conflito, com o Nex Mexico e o Idaho sendo descomissionados em 1946 e desmontados logo no ano seguinte. Já o Mississippi foi usado como um navio-escola e plataforma de teste de armas até ser desmontado em 1956.
Desenvolvimento A Marinha dos Estados Unidos começou a experimentar com canhões de 406 milímetros no início da década de 1910 enquanto marinhas estrangeiras estavam adotando armas de 381 milímetros. Uma série de propostas incorporando essas armas foram avaliadas enquanto seu desenvolvimento progredia. A primeira era para um navio armado com dez canhões em cinco torres de artilharia duplas que também incluía uma blindagem aprimorada em relação a couraçados anteriores. Além disso, a bateria secundária seria aumentada do armamento padrão norte-americano de canhões de 127 milímetros para novas armas de 152 milímetros. Também foi sugerida outra proposta menor com oito canhões de 406 milímetros, além de outro projeto armado com a arma de 356 milímetros usada em classes de couraçados anteriores. O custo das embarcações aumentou significativamente à medida que os novos projetos progrediam. Um couraçado armado com doze canhões de 356 milímetros custaria doze milhões de dólares, comparado a 16,5 milhões para o projeto com oito canhões de 406 milímetros e dezenove milhões para a versão com dez canhões.
O contra-almirante Joseph Strauss, o Chefe do Escritório de Armamentos, argumentou em 1913 que o canhão de 406 milímetros não valia a pena, antes mesmo que seus testes fossem completados. Ele argumentou que as armas de 356 milímetros eram capazes de penetrar espessas placas de blindagem tão eficazmente quanto os canhões maiores nas esperadas distâncias de batalha da época, além de que um navio armados com doze armas de 356 milímetros tinham uma chance maior de acertar o alvo do que um com oito canhões de 406 milímetros. O Conselho Geral da Marinha concordou e instruiu seus projetistas a trabalharem em um couraçado com armas de 356 milímetros. Torres de artilharia existentes para esses canhões usavam um único escorregão de coice para os três canhões, levantando a preocupação de que um único acerto na torre poderia incapacitar as três armas. Strauss consequentemente sugeriu que os projetistas do Escritório de Construção e Reparo incorporassem escorregões independentes.
A equipe de projeto apresentou duas propostas em 21 de novembro de 1913: uma de 36,1 mil toneladas e outra de 33,7 mil toneladas. A primeira incorporava uma bateria secundária de vinte canhões de 152 milímetros, enquanto a segunda mantinha o padrão de 22 canhões de 127 milímetros. Economias de peso seriam alcançadas reduzindo a espessura da barbeta e do cinturão de blindagem e também ao reduzir a capacidade de combustível. O Conselho Geral preferia a versão maior, afirmando que uma blindagem mais pesada era necessária para proteger os navios dos novos canhões de 381 milímetros sendo adotados no exterior, além de que uma bateria secundária mais forte era necessária para combater ataques de torpedos vindos de contratorpedeiros. Entretanto, Josephus Daniels, o Secretário da Marinha, rejeitou o projeto maior em 3 de janeiro de 1914 por ser mais caro, ordenando que a Marinha aceitasse uma repetição da predecessora Classe Pennsylvania equipada com escorregões separados para os canhões principais.
Trabalhos no projeto continuaram no decorrer do ano. Os projetistas ficaram preocupados que couraçados anteriores eram muito "molhados" à vante, o que levou à adoção de uma proa clipper para reduzir a tendência dos navios de ficarem encharcados em mares bravios. Além disso, experiências revelaram que baterias secundárias montadas em casamatas no castelo de proa eram praticamente inutilizáveis em mares agitados. Os projetistas assim moveram dezoito canhões para um convés acima e para mais à ré, onde estariam menos propensos a ficarem molhados. Economias de peso em outros locais permitiram o fortalecimento do convés principal e das anteparas transversais em cada extremidade do cinturão. Daniels aprovou essas alterações em 2 de julho, enquanto no mês seguinte o Escritório de Armamentos sugeriu uma versão calibre 50 do canhões de 356 milímetros recém desenvolvida, algo autorizado em setembro. Esta arma tinha uma velocidade de saída maior, o que permitia que os projéteis penetrassem 51 milímetros a mais de blindagem a 9,1 quilômetros. Os trabalhos de projeto pararam nessa época, pois as licitações para a construção dos navios deveriam ser enviadas a partir de 6 de outubro.
Uma única grande alteração foi feita depois da abertura das licitações. Na época, o sistema de propulsão padrão para navios de guerra consistia em turbinas a vapor para girarem os eixos das hélices, porém o primeiro funcionava melhor em velocidades altas e o segundo gerava empuxo mais eficientemente em velocidades relativamente baixas. Uma solução para este problema era uma transmissão turbo-elétrica, que usava as turbinas para gerarem energia elétrica que por sua vez alimentavam motores elétricos que giravam os eixos. O Escritório de Engenharia a Vapor recomendou esse novo sistema em 17 de outubro, salientando que teria muitas vantagens sobre os sistemas de transmissão direta tradicionais, incluindo maior economia de combustível e maquinários menores e mais leves, algo que poderia ser usado para encurtar a cidadela blindada. Além disso, como as turbinas só precisariam girar em um único sentido, maquinários mais simples poderiam ser usados. Daniels foi convencido e aprovou as alterações para o primeiro navio da classe em 10 de novembro. Os outros membros da classe receberam sistemas de transmissão direta já que a transmissão turbo-elétrica ainda era uma tecnologia não testada.
O Congresso dos Estados Unidos aprovou a construção de dois navios, mas em meados de 1914 os dois pré-dreadnoughts da Classe Mississippi foram vendidos para a Grécia. A Marinha dos Estados Unidos pode usar o dinheiro arrecadado com essas vendas para financiar um terceiro navio para a nova classe.
Projeto Características thumb|esquerda|240px|O Mississippi c. 1918 Os navios da Classe New Mexico eram parte dos couraçados tipo padrão iniciados com a Classe Nevada, com todos possuindo características similares como velocidade, blindagem, armamento e uso de óleo combustível em vez de carvão. Foram projetados dessa maneira com o objetivo de criar uma frota de batalha taticamente homogênea que simplificaria o comando e controle. Eles tinham 182,9 metros de comprimento da linha de flutuação e 190,2 metros de comprimento de fora a fora. Tinham uma boca de 29,7 metros e calado de 9,1 metros. Seu deslocamento como projetados era de 32,5 mil toneladas, enquanto o deslocamento carregado chegava a toneladas. Seus cascos tinham um convés do castelo de proa muito comprido que só abaixava para o convés principal na altura do mastro principal. Foram construídos com dois mastros de treliça com cestos de gáveas para a bateria principal.
Suas tripulações originalmente tinham 58 oficiais e marinheiros. Entretanto, elas foram expandidas à medida que novos equipamentos eram adicionados. A tripulação passou a ser de 82 oficiais e marinheiros depois de suas reformas na década de 1930, enquanto em 1945 as modificações de guerra aumentaram os números para 129 oficiais e marinheiros. Os couraçados também carregavam vários barcos menores, incluindo várias lanchas de diferentes tamanhos e baleeiros.
Propulsão Os três navios eram equipados com nove caldeiras Babcock & Wilcox a óleo combustível cujo vapor alimentava quatro turbinas a vapor Curtis. As turbinas do New Mexico eram usadas para mover quatro motores elétricos que giravam os eixos das hélices, com seu sistema tendo uma potência indicada de 27,8 mil cavalos-vapor (20,5 mil quilowatts). O Mississippi e o Idaho, com seus sistemas de propulsão tradicionais, tinham uma potência indicada de 32,6 mil cavalos-vapor (24 mil quilowatts). Os três tinham uma velocidade máxima de 21 nós (39 quilômetros por hora). O sistema turbo-elétrico era eficaz e acabou repetido nas classes de couraçados seguintes, mas a Marinha dos Estados Unidos acabou considerando que era muito pesado e ocupava muito espaço no casco, sendo depois abandonado em favor do sistema de turbinas tradicional.
As embarcações podiam carregar toneladas de óleo combustível, porém com espaços adicionais no casco isto podia crescer para 2,2 mil toneladas, o que proporcionava uma autonomia de oito mil milhas náuticas (quinze mil quilômetros) a uma velocidade de dez nós (dezenove quilômetros por hora). A autonomia diminuía à medida que a velocidade aumentava: a doze nós (22 quilômetros por hora) a autonomia era de 6,4 mil milhas náuticas (11,9 mil quilômetros), enquanto a vinte nós (37 quilômetros por hora) a autonomia era de milhas náuticas ( quilômetros). Estes números pressupõem que os cascos dos navios estavam completamente limpos de vida marinha, algo que do contrário prejudicaria suas eficiências hidrodinâmicas. Bioincrustações reduziam ainda mais suas autonomias para milhas náuticas (9,5 mil quilômetros) a doze nós.
Armamento thumb|220px|Tripulantes do New Mexico embarcando projéteis de 356 milímetros em julho 1944 A bateria principal da Classe New Mexico tinha doze canhões Marco IV calibre 50 de 356 milímetros montados em quatro torres de artilharia triplas na linha central, duas sobrepostas à vante e duas sobrepostas à ré da superestrutura. Diferentemente das torres triplas de couraçados norte-americanos anteriores, estas tinham canhões independentes que permitiam que cada canhão se elevasse e disparasse por conta própria. Disparavam um projétil de 640 quilogramas com uma carga propelente de 210 quilogramas a uma velocidade de saída de 850 metros por segundo. Tanto a Classe New Mexico quanto sua sucessora Classe Tennessee sofreram durante o início de suas carreiras de dispersão excessiva em cada disparo. Foi descoberto depois de vários testes que isso era causado por câmaras excessivamente longas, o que permitia um espaço entre o projétil e a carga propelente. Este problema foi posteriormente corrigido no canhão Marco VII. Cada arma recebia um suprimento de cem projéteis e cada uma era capaz de uma cadência de tiro de um disparo por minuto.