A Classe South Carolina foi uma classe de couraçados operada pela Marinha dos Estados Unidos, composta pelo e . Suas construções começaram em 1906, sendo lançados ao mar em 1908 e comissionados na frota norte-americana em 1910. A Classe South Carolina foi a primeira dos Estados Unidos construída no estilo dreadnought, com as ideias que levaram a seu projeto sendo muito discutidas e debatidas nos anos anteriores à sua aprovação. Ela abandonou as baterias mistas presentes em navios anteriores e foi a primeira na história a arranjar seus canhões principais em um esquema em que uma torre de artilharia ficava sobreposta a outra.
Os couraçados da Classe South Carolina eram armados com uma bateria principal composta por oito canhões de 305 milímetros montados em quatro torres de artilharia duplas. Tinham um comprimento de fora a fora de 138 metros, boca de 24 metros, calado de sete metros e meio e um deslocamento carregado de quase dezoito mil toneladas. Seus sistemas de propulsão eram compostos por doze caldeiras a carvão que alimentavam dois motores de tripla-expansão, que por sua vez giravam duas hélices até uma velocidade máxima de dezoito nós (34 quilômetros por hora). Os navios também tinham um cinturão principal de blindagem que ficava entre 203 e 305 milímetros de espessura.
Os dois tiveram carreiras relativamente tranquilas e sem grandes incidentes. Durante seus primeiros anos suas principais atividades consistiram em realizar treinamentos e exercícios de rotina, além de visitas diplomáticas para portos estrangeiros. O South Carolina e o Michigan foram agrupados com os obsoletos pré-dreadnoughts da frota durante a Primeira Guerra Mundial devido sua baixa velocidade máxima, primeiro realizando patrulhas de neutralidade e, depois da entrada dos Estados Unidos no conflito em 1917, escoltando comboios até metade do caminho para a Europa. Após a guerra foram usados como navios-escola até serem descomissionados em 1921 e 1922 e desmontados.
Antecedentes Os projetos de couraçados da Marinha dos Estados Unidos refletiam em 1901 a teoria prevalente do combate naval: batalhas começariam a longas-distâncias e se aproximariam para os golpes finais. Neste último estágio, armas de curta-distância e de disparo rápido seriam mais úteis. Seguindo essa filosofia, a Classe Connecticut, os mais recente do país, foi armado com quatro canhões de 305 milímetros, oito canhões de 203 milímetros e doze canhões de 178 milímetros, um armamento ligeiramente mais pesado que couraçados estrangeiros contemporâneos.
A revista Proceedings do Instituto Naval dos Estados Unidos dedicou espaço em duas de suas edições de 1902 para a possibilidade de melhoramentos no projeto de couraçados. O primeiro artigo foi escrito pelo tenente Matt H. Signor, que defendeu um navio armado com canhões de 330 e 254 milímetros em quatro torres de artilharia triplas. A bateria secundária teria armas de 127 milímetros. Este artigo provocou discussões suficientes que a revista publicou comentários sobre história pelo capitão William M. Folger, o professor Philip R. Alger e o construtor naval David W. Taylor. Eles expressaram dúvidas de que a embarcação proposta poderia ser transformada em um projeto viável, mas elogiaram os pensamentos de Signor como um passo na direção correta. Alger especialmente achava correto a sugestão de um armamento maior, mas achou que torres triplas seriam impraticáveis e que quatro torres duplas seria um arranjo mais realista. O historiador Norman Friedman acreditou que Alger foi um dos primeiros a fazer uma "proposta séria para uma bateria só de armas grandes homogênea".
A sugestão que levou diretamente à Classe South Carolina veio do tenente-comandante Homer Poundstone, que se tornou o principal proponente norte-americano de um projeto com apenas armas grandes. Poundstone escreveu em dezembro de 1902 para o presidente Theodore Roosevelt argumentando muito aumentar o tamanho dos couraçados, porém também defendia a ideia de manter uma bateria principal mista. Entretanto, Poundstone, nas edições de março e junho de 1903 da Proceedings, começou a defender doze canhões de 279 milímetros em uma embarcação de 19 670 toneladas. O arquiteto naval italiano Vittorio Cuniberti apresentou uma ideia parecida em outubro do mesmo ano em um artigo da Jane's Fighting Ships. Cuniberti era a favor de uma embarcação com doze canhões de 305 milímetros em um deslocamento de dezessete mil toneladas, um pouco maior do que os couraçados em serviço na época. Ele acreditava que o peso maior permitiria uma blindagem de 305 milímetros e maquinários capazes de alcançar 24 nós (44 quilômetros por hora). Poundstone usou o que acreditava ser a popularidade de sua idei entre os europeus para justificar seu projeto de couraçado.
O trabalho de Poundstone chamou a atenção e foi refinado pelo tenente-comandante Washington Irving Chambers, sendo levado ao Colégio de Guerra Naval, onde foi testado em jogos de guerra durante a Conferência de Newport. Os resultados indicaram que um couraçado armado apenas com doze canhões de 279 ou 305 milímetros, dispensando a bateria de 203 e 178 milímetros, capaz de disparar todas as suas armas lateralmente, valia três dos couraçados já em serviço. A razão para isto era que a medida de alcances eficazes de canhões era diretamente relacionada à distância máxima do alcance de um torpedo inimigo. Na época, isto era uma distância de aproximadamente 2,7 quilômetros. Nesta distância, os canhões de 203 e 178 milímetros comuns nas baterias intermediárias norte-americanas não conseguiam penetrar as blindagens dos couraçados. Além disso, era uma certeza que, como os Estados Unidos estavam desenvolvendo torpedos de alcance de 3,7 quilômetros, o alcance dos canhões teria de crescer no futuro próximo, deixando a bateria intermediária ainda menos útil. Entretanto, uma bateria homogênea de 279 ou 305 milímetros seria capaz de penetrar as blindagens com poder explosivo suficiente para incapacitar uma embarcação inimiga, com a adição do maior número possível de canhões de 76 milímetros proporcionando uma boa defesa contra barcos torpedeiros.
Desenvolvimento thumb|esquerda|330px|Desenho da Classe South Carolina O Conselho Geral da Marinha dos Estados Unidos enviou um pedido formal em outubro de 1903 para o Escritório de Construção e Reparo pedindo por planos para um couraçado com essas características. Nenhum progresso foi feito até 26 de janeiro de 1904, quando o Conselho Geral pediu por um projeto que incluísse quatro canhões de 305 milímetros, oito canhões de 254 milímetros ou maiores e nenhum armamento intermediário além das armas de 76 milímetros. A mudança para apenas canhões de 254 milímetros foi o resultado de dúvidas entre autoridades navais se armas maiores poderiam ser fisicamente montadas na lateral de um navio. Nada foi feito com este pedido até setembro, quando o Escritório começou a planejar uma embarcação com quatro canhões de 305 milímetros em torres de artilharia duplas com oito canhões de 254 milímetros em torres duplas ou quatro armas de 305 milímetros em torres únicas.
Enquanto isso, o Colégio de Guerra Naval colocou três projetos diferentes de couraçados um contra o outro na Conferência de Newport de 1904: o primeiro era mesmo projeto usado na conferência do ano anterior, o segundo era o projeto de setembro do Escritório e o terceiro era a então ainda em construção Classe Connecticut. Novamente foi demonstrado que os canhões de 203 e 178 milímetros, e até mesmo de 254 milímetros, eram insatisfatórios, pois não conseguiam penetrar 305 milímetros de blindagem Krupp mesmo que acertassem um navio no ângulo ideal de noventa graus em seu cinturão principal de blindagem. Cálculos de velocidade também foram feitos que demonstraram que até mesmo uma vantagem de três nós (5,6 quilômetros por hora) em relação a uma frota inimiga seria irrelevante no resultado final de quase todas as batalhas porque as embarcações mais lentas poderiam manter suas armas dentro do alcance ao virarem em um raio mais apertado.
Entretanto, ainda havia muita resistência dentro dos vários escritórios navais. Poundstone continuou a defender suas ideias com o Conselho Geral em meados de 1904, enquanto ao mesmo tempo o Escritório de Construção e Reparo protestava afirmando que o último determinante de uma batalha seriam as armas menores, além de que independentemente disso uma bateria principal uniforme tão grande não era possível. Poundstone respondeu com um projeto próprio, que ele chamou de USS Possible, armado com doze canhões de 279 milímetros e um deslocamento de 19 330 toneladas. A paralisação burocrática finalmente terminou devido ao interesse demonstrado por Roosevelt pelo projeto e tambem pelo apoio do tenente-comandante William Sims, que conseguiu destacar a precisão cada vez maior da artilharia de longa-distância da marinha.
O Congresso dos Estados Unidos aprovou em 3 de março de 1905 o projeto de lei autorizando a marinha a construir dois novos couraçados a serem nomeados em homenagem aos estados da Carolina do Sul e Michigan. A tonelagem máxima foi limitada a dezesseis mil toneladas, o mesmo peso da Classe Connecticut de bateria mista em uma tentativa de deter o aumento do deslocamento e os custos relacionados dos novos navios capitais da marinha. Esta provisão foi recebida de forma mista pelos projetistas navais. Alguns, incluindo o aposentado almirante da marinha George Dewey, acharam que o limite deveria ter sido estabelecido no padrão mínimo de couraçados estrangeiros, aproximadamente dezoito mil toneladas. Outros achavam que adicionar uma quantidade significativa de poder de fogo e velocidade, algo que se esperaria de um aumento na tonelagem, necessitaria de muito mais do que dezoito mil toneladas, argumentando então que um aumento no tamanho aumentaria apenas o tamanho do alvo para navios inimigos.
O contra-almirante Washington L. Capps, o Construtor da Marinha, elaborou um projeto ambicioso que carregava um armamento poderoso e blindagem espessa dentro de um casco pequeno. Ele acreditava que batalhas no futuro envolveriam frotas em vez de ações com um único navio, significando que apesar das torres de artilharia laterais tão comuns em projetos europeus serem mais úteis para o papel de colocar o maior poderio de fogo em qualquer direção, elas eram menos eficientes enquanto operavam como parte de uma linha de batalha. Capps teorizou que a principal preocupação de um couraçado era o quanto peso de projéteis ele conseguiria disparar de uma única vez. O arranjo de torres de artilharia sobrepostas colocadas na linha central permitiria que o casco fosse o mais curto possível ao mesmo tempo que ainda tinha o disparo lateral mais poderoso possível. Um navio com uma bateria principal na linha central poderia concentrar o mesmo poderio de fogo para bombordo e estibordo. Por outro lado, torres laterais tinham deficiências significativas: sua localização levavam a disparos laterais menores e o enorme peso colocado nas laterais poderia levar a estresse torcional e inércia de rolamento.