220px|thumb|right|upright|Imagem de Jackson e Timberlake após a exposição do seio da cantora no espetáculo do intervalo do Super Bowl XXXVIII. O Escândalo do Super Bowl XXXVIII refere-se à controvérsia criada durante o evento esportivo, que foi transmitido ao vivo de Houston, Texas em 1º de fevereiro de 2004 nos Estados Unidos através da CBS. Enquanto ocorria seu espetáculo do intervalo, o seio direito da cantora Janet Jackson, adornado com um piercing, foi exposto por Justin Timberlake durante meio segundo, no que foi posteriormente referido como uma "nudez acidental". Também publicado pela CNN.com como "Apologetic Jackson says 'costume reveal' went awry". O incidente, geralmente referido como Nipplegate, A CNN.com publicou este artigo em uma versão anterior como "Janet Jackson takes responsibility for breast-baring". foi amplamente discutido após a exibição do Super Bowl. Juntamente com o resto do espetáculo do intervalo, o escândalo levou a uma repressão imediata e um debate generalizado sobre a indecência percebida em transmissões. A Federal Communcations Commission (FCC) multou a CBS em US$ 550 mil, Também publicado pela CBSNews.com como "CBS Dealt Record Fine Over Janet". um processo que foi travado na Suprema Corte dos Estados Unidos, contestado e finalmente anulado pelo Terceiro Circuito de Apelações em uma decisão feita em 2011; um caso de restabelecer a multa foi recusado no ano seguinte.
O escândalo foi ridicularizado tanto dentro quanto fora dos Estados Unidos; alguns comentaristas do país viram o incidente como um sinal da decrescente moralidade na cultura nacional, enquanto outros o consideraram "inofensivo" e sentiram uma quantidade excessiva de atenção e reação negativa. O aumento da regulamentação de transmissões levantou preocupações sobre censura e liberdade de expressão nos Estados Unidos, e a FCC aumentou o valor da multa por violação de incidência — de US$ 27 500 a US$ 325 mil — pouco após o evento. O espetáculo do intervalo daquele ano foi produzido pela MTV e tematizado com a campanha "Rock the Vote" feita pela emissora, devido à eleição presidencial daquele ano. Após o incidente, a National Football League (NFL) anunciou que a MTV, que também havia produzido o espetáculo do intervalo do Super Bowl XXV, não estaria mais envolvida em nenhum evento do tipo futuramente. A exposição foi transmitida para um público total de 143.6 milhões de espectadores.
Jawed Karim, cofundador do YouTube, citou o incidente como uma das principais razões para a criação do portal de compartilhamento de vídeos. O escândalo também fez "Janet Jackson" se tornar o termo, evento e imagem mais procurados na história da Internet, bem como a pessoa e termo mais buscado nos anos de 2004 e 2005. O incidente também quebrou o recorde de "evento mais procurado em um dia". Jackson foi posteriormente listada na edição de 2007 do Guinness World Records como a "Mais Procurada na História da Internet" e a "Mais Procurada para Itens de Notícias". A exposição também converteu-se no momento televisivo mais visto, gravado e reprisado na história do TiVo, tendo sido responsável também por "atrair cerca de 35 mil novos usuários [do TiVo]". O incidente também popularizou a expressão "wardrobe malfunction", que foi posteriormente adicionada ao Merriam-Webster's Collegiate Dictionary.
Após o incidente, conglomerados da mídia envolvidos com a transmissão foram multados pela FCC, incluindo a Viacom e a CBS, suas empresas subsidiárias MTV e Infinity Broadcasting, e a Clear Channel Communications, passando a colocar singles e vídeos musicais de Jackson na lista negra de muitas rádios e canais musicais ao redor do mundo; este ato foi considerado "uma das coisas mais tristes da música pop na década" de 2010. Em janeiro de 2014, o ex-presidente da FCC Michael Powell declarou que as controvérsias, multas e reações em relação ao incidente foram exageradas, declarando que a cantora não merecia o duro tratamento e a entrada na lista negra da mídia. Ele também considerou "injusto" o fato de Timberlake não ter recebido o mesmo efeito e negativação enfrentado por Jackson — o que foi estudado por diversas autoras feministas.
Antecedentes
Em 2002, foi noticiado pela revista Entertainment Weekly que Jackson havia sido originalmente escolhida para se apresentar no Super Bowl daquele ano; contudo, a NFL veio a selecionar a banda U2 após um grupo de proprietários e funcionários da liga terem assistido a um concerto do conjunto após os ataques de 11 de setembro de 2001. Em setembro de 2003, a NFL anunciou que Jackson iria se apresentar no espetáculo do intervalo do Super Bowl XXXVIII. Devido ao fato de o evento ocorrer durante um ano de eleição, a MTV decidiu que o tema do espetáculo teria como foco principal sua campanha "Rock the Vote", incentivando os espectadores mais jovens a serem politicamente ativos e registrarem-se para votar.
Antes do incidente, Jackson teve um papel essencial na vida pessoal de Timberlake, bem como em sua carreira e ascensão à fama. O cantor foi a um dos shows da turnê de Jackson Rhythm Nation World Tour quando era adolescente, e as rotinas de dança energética da cantora e seu estilo ousado de se apresentar lhe causaram uma impressão profunda. Quando Timberlake era integrante da boy band 'N Sync, a intérprete selecionou o grupo como o ato de abertura para diversas apresentações de sua turnê The Velvet Rope World Tour, que ajudou a promover e introduzir a banda — até então relativamente desconhecida — e Timberlake para o público ao redor do mundo. O artista ficou "empolgado" e, mais tarde, descreveu a experiência como "gratificante". Durante a excursão, Jackson promoveu ainda mais o 'N Sync ao apresentar-se com o conjunto em diversos concertos, tendo feito um dueto a capella ao vivo de "Overjoyed" de Stevie Wonder, o qual foi descrito pelo biógrafo Sean Smith como um momento de "destaque" para Timberlake e que lhe deu "uma chance de mostrar à sua família e amigos o quão longe ele tinha chegado". Após a turnê, os músicos se tornaram "grandes amigos", com a cantora elogiando Justin em diversas ocasiões. Ele recriou o vídeo de "That's the Way Love Goes" da estadunidense com o 'N Sync e inspirou-se pelo estilo com o qual Jackson se apresentava ao vivo.
Timberlake disse admirar Jackson em diversas entrevistas durante a sua fase no 'N Sync, bem como nos anos precedentes ao escândalo do Super Bowl. Quando questionando quem achava ser "a mulher mais sexy do planeta", ele declarou: "Eu acho que Janet Jackson não tem nada a não ser apelo sexual, então eu provavelmente diria ela". Posteriormente, Timberlake selecionou a artista para fornecer vocais de apoio em "(And She Said) Take Me Now", uma faixa de seu álbum de estreia em carreira solo Justified que havia sido inicialmente planejada para ser lançada como single, comentando: "Eu escrevi o refrão a partir de uma perspectiva feminina, e eu pensei que nós poderíamos ter uma mulher nessa parte. O nome dela foi o primeiro que surgiu na minha mente porque eu amo sua voz. Parece plumas. Quero dizer, [a voz d]ela soa como [a de] um anjo".
Incidente
Durante o espetáculo do intervalo, Jackson apresentou uma mistura de seus maiores sucessos, começando com "All for You", "Rhythm Nation" e um pequeno trecho de "The Knowledge". Em seguida, Timberlake apareceu como convidado surpresa e cantou "Rock Your Body" em forma de dueto com a artista. Na apresentação, ambos os intérpretes fizeram diversos movimentos de dança sugestivos, e quando cantou a linha final de "Rock Your Body", "Eu vou lhe deixar nua ao final dessa canção", Timberlake tirou uma parte da roupa de Jackson, revelando seu seio direito — que estava coberto por um piercing — por meio segundo. Logo após o incidente, a transmissão da CBS exibiu uma visão aérea do Reliant Stadium (local no qual estava sendo feito o Super Bowl XXXVIII), mas não pode praticar esse ato antes pois a imagem do seio de Jackson havia sido mostrada em televisores de cerca de 143 milhões de espetadores. O incidente foi referido na mídia como como "Nipplegate" e o "seio mais visto ao redor do mundo".
O notório escândalo levou à implementação de um atraso de cinco segundos em todas as futuras performances televisivas ao vivo, para ter certeza de que nenhum material potencialmente indecente fosse completamente transmitido, e uma prolongada batalha legal em relação à censura do FCC durou até 2012 e quase chegou a ir para a Suprema Corte. De acordo com a agente de Jackson, a apresentação estava planejada para revelar apenas o sutiã de laço vermelho da cantora, embora este tenha sido acidentalmente removido com a camada exterior. O caso do FCC de restabelecer a multa do governo de US$ 550 mil foi recusado em junho de 2012. O chefe de justiça John Roberts disse: "Agora está claro que a brevidade de uma transmissão indecente — seja em palavras ou imagens — não pode ser imunizada da censura do FCC. Qualquer 'nudez acidental' futura não será protegida no fundamento invocado pelo tribunal".
Respostas
Um dia após o Super Bowl, a MTV divulgou uma nota de imprensa para pedir desculpas em relação ao ocorrido e explicar que a exposição do seio de Jackson não estava planejada: "O rompimento do traje de Janet Jackson não foi ensaiado ou planejado, completamente não intencional e foi inconsistente com as garantias que tivemos sobre o conteúdo da apresentação. A MTV lamenta o incidente e pedimos desculpas a todos que se sentiram ofendidos com ele". A emissora ainda disse: "Nosso objetivo com o espetáculo do intervalo do Super Bowl era produzir uma experiência de palco divertida com uma mensagem positiva sobre capacitação e votos. Nós estamos desapontados com o fato de esta mensagem ter sido ofuscada pelo infeliz incidente". Em comunicado enviado para a imprensa, a CBS comentou: "Nós estivemos em todos os ensaios durante a semana e não houve nenhuma indicação de que tal coisa iria acontecer. O momento não esteve em conformidade com os padrões de transmissão da CBS e nós gostaríamos de pedir desculpas a todos que se sentiram ofendidos". Mel Karmazin, presidente da Viacom, declarou que embora a empresa possa se orgulhar de 99% do que as pessoas viram na transmissão, ele entendeu "a diferença que um por cento pode fazer". Paul Tagliabue, comissário da NFL, disse que o espetáculo produzido pela MTV, assim como pela CBS, era de inteira propriedade da Viacom na época (antes de ambas as emissoras serem respectivamente separadas em Viacom e CBS Corporation em dezembro de 2005) e ficou aquém do "entretenimento de bom gosto e primeira classe" esperado pela liga. Michael Powell, comissário da FCC, descreveu o escândalo como "uma nova baixa para o horário nobre da televisão". Joe Browne, vice-presidente executivo da NFL, afirmou: "Nós estamos extremamente desapontados com os elementos do espetáculo do intervalo produzido pela MTV. Eles estavam totalmente inconsistentes com as garantias da apresentação recebidas pelo nosso escritório. É improvável que a MTV produzirá outro espetáculo do intervalo do Super Bowl". Salli Frattini, produtora executiva da MTV que planejou toda a apresentação, lembrou de um telefone da cabine da arbitragem que foi sua primeira indicação de que algo havia dado errado. Frattini estava em uma caminhonete fora do Reliant Stadium comemorando o fim do espetáculo do intervalo, o qual ela e sua equipe inicialmente pensou ter sido um sucesso. A produtora disse: "Nós ficamos tipo, 'Nós estamos repetindo [aquela cena] de novo. Havia muito caos na caminhonete, e nós repetimos a cena novamente e ficamos tipo, 'Ai meu Deus. O que aconteceu?".