Tumé Arandu é um personagem literário do poema Ñande Ypykuéra publicado originalmente em 1922 pelo poeta paraguaio Narciso R. Colmán (Rosicrán), uma adaptação do profeta Sumé da mitologia tupi-guarani.COLMÁN, Narciso R. Nuestros Antepasados (Ñande Ypykuéra): El Arte", 1922.

Etimologia O nome "Tumé" é uma das variantes do nome do herói cultural Sumé, membro da linhagem dos Maíras da mitologia tupi-guarani, identificado pelos jesuítas com São Tomé. No poema de Rosicrán Tumé Arandu é também chamado de Sumé, além de Tumê, Tomé, Chumé ou Sumê, Pa'i Arandu, Paisandú (Pa'i Sandú) e Santo Tomás.

Quanto a "Arandu", na língua tupi significa "murmúrio/barulho de papagaio" e na cultura guarani significa "sabedoria", "conhecimento" ou "pessoa sábia", e é composto por ara ("tempo") e andu ("sentir" ou "ouvir").PREFEITURA MUNICIPAL DE ARANDU. Cidade. Arandu: Prefeitura Municipal de Arandu, [s. d.].CADOGAN, León. Ayvu rapyta: textos míticos de los Mbyá-Guaraní del Guairá. São Paulo: Universidade de São Paulo, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, 1959. (Boletim n. 227 / Antropologia n. 5). p. 27.UNIVERSIDADE FEDERAL DA INTEGRAÇÃO LATINO-AMERICANA (UNILA). Arandu: um nome ancestral que conecta povos e saberes. Campus Arandu, 16 abr. 2025.

Assim, "Tumé Arandu" quer dizer "Tumé, o Sábio", "Tumé que Escuta o Tempo" ou, ainda, "Tumé do Murmúrio do Papagaio", todos os significados bastante relacionados com a sua história.

História No poema Ñande Ypykuéra — uma teogonia guarani ficcional que se tornou tão popular que, para a maioria do público sul-americano não-indígena, incluindo o brasileiro, as narrativas nele contadas são consideradas como a autêntica mitologia dos povos guaranisROJAS, Rodrigo Nicolás Villalba (2022). Rosicrán y Su Poema Ñande Ĭpĭ Cuéra (1929). Boca de Sapo 33. Tierra. — Tumé Arandu foi um grande profeta guarani e o primeiro filho do casal original criado por Tupã e Arasy, Rupavê ("pai de todos") e Sypavê ("mãe de todos"). Pai da sabedoria e inspirado pelos céus, foi salvo do dilúvio junto com suas irmãs Guarasyáva (mãe do povo guarani) e Tupinambá (mãe do povo tupi). Foi também marido de Tere, também chamada Tere Noê (uma alusão a Tumé como sobrevivente do dilúvio, como o Noé bíblico), e pai de Guaírã ("futuro herdeiro"). (Na mitologia tupi, os personagens que sobreviveram ao dilúvio foram os irmãos gêmeos Tamanduaré e Aricuté, ancestrais de importantes povos tupis e filhos de Sumé, também chamado de "Tumé", de quem Tumé Arandu é uma adaptação.)

Além de Guarasyáva e Tupinambá, ele também era irmão de Marangatu, Japeusá, Porãsy e Yrasêma. Tumé tinha também um papagaio que lhe revelava o futuro por meio de inspiração divina.

Foi ele quem planejou a destruição dos sete filhos monstruosos de Taû (espírito do mal) e Kerana (filha de Marangatu) e pôs fogo à caverna em que eles se reuniam durante o casamento de Moñai e Porãsy, que se sacrificou para libertar o povo dos desmandos deles, matando a todos.

Taû, para se vingar, espalhou o mal entre o povo, levando a guerras sangrentas e a um grande incêndio, o que desgostou a Tupã, deus das águas que habita o fundo do mar, que enviou um dilúvio para acabar com o mal. Tupã avisou Tumé Arandu com antecedência, que se preparou construindo uma enorme canoa, onde se salvaram apenas Tumé, seu papagaio e suas duas irmãs ainda vivas, Guarasyáva e Tupinambá, mães dos guaranis e dos tupis, respectivamente.

Sob a orientação de Tumé Arandu, o caraíba Paraguá de Atlântida (herói epônimo do Paraguai), seu cunhado e marido de Guarasyáva, construiu, junto com o filho Arekaja, a cidade de Mba'e Verá Guasu (“Grande Coisa Brilhante”), inspirado na resplandescente capital homônima de Atlântida, para ser a capital guarani no pós-dilúvio.

Não muito tempo depois da morte de seu querido e inseparável papagaio, Tumé Arandu, já de idade avançada e entediado da vida, deixou-se morrer, convertendo-se em pedra dentro da gruta de Santo Tomás em Paraguarí. Seu espírito luminoso se elevou ao céu e se tornou a "estrela" vermelha que conhecemos como Marte. Na manhã seguinte ouviu-se o canto lúgubre do urutau em lamento pela morte do profeta. Nove meses depois a esposa de Tumé, Tere, deu à luz o filho único do casal, Guaírã.

Agora incapaz de se vingar do grande profeta pela morte de seus sete filhos, embora tenha tentado no passado e falhado pelo pajé ser imune a seus malefícios, Taû perseguiu Guaírã, já adolescente, embora ainda um garoto inexperiente, colocando-o num pequeno barco pelo rio Paraná, mas logo uma correnteza impetuosa o arrastou para o abismo da grande cachoeira entre o Paraguai e o Brasil que hoje leva seu nome, Saltos del Guairá.

Astronomia miniaturadaimagem|Representação do planeta Tumé Arandu Como resultado da campanha Nomeie Exomundos promovido pela União Astronômica Internacional em 2019, a população do Paraguai batizou a estrela HD 108147, na constelação do Cruzeiro do Sul, com o nome de "Tupã" e HD 108147 b, o planeta que a orbita, com o de "Tumé Arandu", coincidindo com o Ano Internacional das Línguas Indígenas.CIENCIA DEL SUR. Paraguay pone nombres en guaraní a estrella y exoplaneta. Ciencia del Sur, Assunção, 2 jan. 2020.

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