thumb|320px|O Gangut e o Petropavlovsk no Mar Báltico em 25 de julho de 1915 durante a Primeira Guerra Mundial A Marinha Imperial Russa do Império Russo e a sucessora Frota Naval Militar da União Soviética operaram uma série de couraçados entre as décadas de 1890 e 1950. Os primeiros navios foram marcados pela falta de uniformidade, com cada um tendo um projeto diferente do anterior. Foram estes o , , e . Atrasos no programa de construção naval forçaram o desenvolvimento da Classe Petropavlovsk para tentar compensar o tempo perdido. Seguiram-se o , a Classe Peresvet e o . Os dois próximos navios foram encomendados no exterior, tendo sido o nos Estados Unidos e o na França. Depois deles vieram a Classe Borodino, a Classe Evstafi e a Classe Andrei Pervozvanny, os últimos pré-dreadnoughts construídos pelos russos.

A derrota na Guerra Russo-Japonesa adiou a construção de novos navios por alguns anos até a Classe Gangut, a primeira de couraçados dreadnought da Marinha Imperial. Seu projeto serviu de base para as sucessoras Classe Imperatritsa Maria e o , porém este último nunca foi finalizado. Seguiu-se à queda do Império Russo e formação da União Soviética um período sem construção de novas embarcações, porém vários diferentes projetos foram elaborados e considerados, mas nunca sendo levados adiante. A Frota Naval Militar finalmente encomendou a Classe Sovetsky Soyuz no final da década de 1930; quinze embarcações foram planejadas, mas apenas quatro tiveram suas construções iniciadas e nenhuma foi finalizada. Os soviéticos também operaram dois couraçados adquiridos de outros países; primeiro o Arkhangelsk, emprestado temporariamente pela Marinha Real Britânica, e depois o Novorossiysk, tomado da Itália como prêmio de guerra.

Os couraçados russos participaram de várias batalhas e operações na Guerra Russo-Japonesa, Primeira Guerra Mundial, Guerra Civil Russa e Segunda Guerra Mundial. O afundou no início da Guerra Russo-Japonesa ao bater em uma mina naval e sete navios foram afundados na Batalha de Tsushima em maio de 1905, com o sendo o único a se render. Outros cinco couraçados afundaram no Cerco de Porto Artur. Quatro foram recuperados pelo Japão e comissionados na Marinha Imperial Japonesa, dois sendo depois comprados de volta pelos russos. Os pré-dreadnoughts restantes e os novos dreadnoughts tiveram atuações limitadas na Primeira Guerra Mundial. O explodiu e afundou em outubro de 1916. As tripulações de muitos dos couraçados amotinaram-se após o início da Revolução Russa e alguns atuaram na subsequente Guerra Civil Russa, com a maioria dos navios no Mar Negro sendo deliberadamente afundados. Apenas o , e continuaram servindo, sendo modernizados no período entreguerras e lutando em operações contra os alemães na Segunda Guerra Mundial até também serem desmontados na década de 1950.

+ Legenda Armas principais Número e tamanho dos canhões da bateria principal Deslocamento Deslocamento do navio totalmente carregado Propulsão Número e tipo do sistema de propulsão e velocidade máxima Batimento Data em que o batimento de quilha ocorreu Lançamento Data em que o navio foi lançado ao mar Comissionamento Data em que o navio foi comissionado em serviço Destino Fim que o navio teve

Couraçados pré-dreadnought Dvenadsat Apostolov

thumb|240px|esquerda|O Dvenadsat Apostolov O Dvenadsat Apostolov foi o primeiro couraçado pré-dreadnought da Marinha Imperial Russa. Dois navios foram originalmente encomendados, porém o contrato de construção de um deles foi entregue para um estaleiro que na época estava à beira da falência e que não conseguiu progredir muito nas obras, assim essa segunda embarcação foi cancelada. Seu armamento principal originalmente teria oito canhões de 229 milímetros montados em torres de artilharia e casamatas, porém isto foi alterado após o início das obras para quatro canhões de 305 milímetros em duas torres de artilharia duplas. Outras mudanças feitas durante a construção incluíram aumentar a espessura do cinturão de blindagem, colocar a barbeta dianteira mais ré e revisar o armamento secundário.

O Dvenadsat Apostolov juntou-se à frota russa em junho de 1893, porém só ficou pronto para o serviço ativo no ano seguinte. O navio participou em 1905 de uma tentativa de recapturar o amotinado couraçado Kniaz Potemkin Tavricheski, quando tentou abalroa-lo. Entretanto, marinheiros simpatizantes aos amotinados conseguiram reverter seus motores e depois impediram seu oficial comandante de deliberadamente afundasse o navio. Várias propostas para moderniza-lo de diferentes maneiras foram feitas na década de 1900, mas nunca foram levadas adiante. A embarcação foi tirada de serviço em 1911 e transformada em um depósito flutuante no ano seguinte. Foi renomeado para Casco Nº 8 em setembro de 1914 e tomado pelos alemães na Primeira Guerra Mundial em maio de 1918, depois sendo entregue aos Aliados em novembro, então capturado pelos bolcheviques na Guerra Civil Russa e por fim pelo Exército Branco, que o abandou na Criméia em 1920 durante sua evacuação. Foi finalmente desmontado em 1931.

Navio Armasprincipais Deslocamento Propulsão Serviço Batimento Lançamento Comissionamento Destino 4 × 305 mm 8 850 t 2 motores de tripla-expansão;14 nós (26 km/h) agosto de 1889 setembro de 1890 junho de 1893 Desmontado em 1931

Navarin

thumb|240px|O Navarin em 1905 O projeto do Navarin foi baseado nos ironclads da Classe Trafalgar construídos para a Marinha Real Britânica. A Marinha Imperial originalmente encomendou uma embarcação menor, porém mudou de ideia e pediu por um navio maior depois considerar os couraçados alemães da Classe Brandenburg como sendo muito superiores. Outras mudanças após a encomenda incluíram substituição da bateria principal por armas mais poderosas e aumento do armamento secundário de 152 milímetros de seis canhões para oito. O projeto básico do Navarin acabou estabelecendo uma configuração padrão para os pré-dreadnoughts russos que viriam a seguir.

O navio foi designado para servir na Frota do Báltico, porém passou boa parte de seus primeiros anos de serviço atuando no Mar Mediterrâneo e no Sudeste Asiático. Enquanto estava neste último, participou da 1900 da supressão do Levante dos Boxers na China como parte da Aliança das Oito Nações. Voltou para o Mar Báltico em 1902, porém foi designado para a 2ª Esquadra do Pacífico em 1904 logo depois do início da Guerra Russo-Japonesa, sendo enviado para Porto Artur. O Navarin navegou pelo Mediterrâneo, atravessou o Canal de Suez e seguiu para Vladivostok. A frota foi emboscada na Batalha de Tsushima em maio de 1905, quando o navio foi seriamente danificado por disparos de couraçados inimigos durante a primeira parte da batalha, afundando já na madrugada depois de bater em minas navais.

Navio Armasprincipais Deslocamento Propulsão Serviço Batimento Lançamento Comissionamento Destino 4 × 305 mm 10 370 t 2 motores de tripla-expansão;14 nós (26 km/h) maio de 1890 outubro de 1891 junho de 1896 Afundado em 1905

Tri Sviatitelia

thumb|esquerda|240px|O Tri Sviatitelia O projeto do Tri Sviatitelia foi baseado em seu predecessor Navarin, porém sendo uma versão maior e com melhoramentos nos armamentos e blindagem. Consequentemente, o navio era consideravelmente maior, sendo 7,2 metros mais comprido, possuindo uma boca 1,8 metros mais larga e com um deslocamento aproximadamente três mil toneladas maior.

O Tri Sviatitelia serviu no Mar Negro. Ele foi a capitânia da frota que tentou recapturar o amotinado Kniaz Potemkin Tavricheski em 1905. Com o início da Primeira Guerra Mundial em 1914, o navio foi usado em ações contra o Império Otomano. Ele participou da Batalha do Cabo Saric em novembro contra o cruzador de batalha Yavuz Sultan Selim, porém não conseguiu acertar o inimigo. Pelos anos seguintes atuou principalmente em funções de bombardeios litorâneos contra posições otomanas. Ele estava em reformas quando a Revolução Russa começou em 1917, sendo capturado pelos alemães em Sebastopol em maio de 1918 e depois entregue aos Aliados em novembro após o Armistício. Os britânicos destruíram seus motores no ano seguinte para que não pudesse ser mais usado. Foi então capturado pelos dois lados da Guerra Civil Russa até ser abandonado pelo Exército Branco em 1920, sendo desmontado três anos depois.

Navio Armasprincipais Deslocamento Propulsão Serviço Batimento Lançamento Comissionamento Destino 4 × 305 mm 13 630 t 2 motores de tripla-expansão;16 nós (30 km/h) agosto de 1891 novembro de 1893 outubro de 1896 Desmontado em 1923

Sissoi Veliki

thumb|240px|O Sissoi Veliki em 1897 A ideia original do que se tornaria o Sissoi Veliki era para uma embarcação de tamanho médio com 8,6 mil toneladas e armado com três canhões de 305 milímetros, porém os almirantes da frota não ficaram satisfeitos com o projeto. O desenho foi revisado pelo Comitê Técnico Naval, baseando-se no Navarin, aumentando o deslocamento e ampliando a bateria principal para quatro canhões de 305 milímetros. Houve também discussões sobre o armamento secundário, com armas russas obsoletas de 152 milímetros sendo escolhidas no lugar de canhões de 120 milímetros britânicos superiores porque o Comitê Técnico não queria utilizar armamentos estrangeiros. Mais alterações de projeto ocorreram durante a construção, o que atrasou a finalização do navio em anos.

O Sissoi Veliki entrou em serviço com várias conhecidas falhas de projeto e construção, resultado de baixa capacidade industrial, fornecedores de péssima qualidade e erros no gerenciamento das obras. O navio foi logo enviado para o Mediterrâneo a fim de intervir em uma revolta grega em Creta contra o domínio otomano. Em seguida foi para o Sudeste Asiático para reforçar a presença russa na região, envolvendo-se em 1900 na supressão do Levante dos Boxers. Voltou para casa em 1902 e passou os dois anos seguintes sob reparos. Com o início da Guerra Russo-Japonesa em 1904, foi designado para a 2ª Esquadra do Pacífico e partiu rumo a Porto Artur. A força russa foi atacada por uma frota japonesa na Batalha de Tsushima em maio de 1905, onde o Sissoi Veliki foi seriamente danificado pela artilharia e torpedos inimigos, afundando algumas horas depois.

Navio Armasprincipais Deslocamento Propulsão Serviço Batimento Lançamento Comissionamento Destino 4 × 305 mm 10 600 t 2 motores de tripla-expansão;15 nós (29 km/h) maio de 1892 junho de 1894 outubro de 1896 Afundado em 1905

Classe Petropavlovsk

thumb|240px|esquerda|O Poltava c. 1899–1904 A construção inicial de couraçados russos foi marcada por falta de uniformidade, pois o almirante Ivan Shestakov, o encarregado da construção dos navios da Marinha Imperial, enxergava pouco valor em classes. Entretanto, em 1890 o programa de construção naval russo atrasado, assim foi proposto construir três couraçados de uma vez para tentar compensar o tempo perdido. Barbetas mais leves permitiram uma borda livre mais alta e a bateria secundária de canhões de 152 milímetros foi montada em torres de artilharia no convés baseadas nos couraçados norte-americanos da Classe Indiana. Testes em miniaturas do casco mostraram uma velocidade máxima de dezesseis nós, um nó abaixo do planejado, porém esta velocidade baixa foi aceita para que as construções não fosse adiada.