A Classe Andrei Pervozvanny foi uma classe de couraçados pré-dreadnought operada pela Marinha Imperial Russa, composta pelo e . Suas construções começaram em 1904 no Novo Estaleiro do Almirantado e no Estaleiro do Báltico, sendo lançados ao mar em 1906 e 1907 e comissionados em 1911. Seu projeto foi baseado na Classe Borodino e sofreu várias alterações durante a construção para levarem em conta as lições aprendidas na derrota na Guerra Russo-Japonesa. Estas incluíram fortalecimento geral da blindagem a fim de impedir que estilhaços de impactos danificassem equipamentos e remoção completa dos depósitos de minas navais.
Os couraçados da Classe Andrei Pervozvanny eram armados com uma bateria principal composta por quatro canhões de 305 milímetros montados em duas torres de artilharia duplas. Tinham um comprimento de fora a fora de 140 metros, boca de 24 metros, calado de nove metros e um deslocamento de mais de dezoito mil toneladas. Seus sistemas de propulsão eram compostos por 25 caldeiras a carvão que alimentavam dois motores de tripla-expansão, que por sua vez giravam duas hélices até uma velocidade máxima de dezoito nós (33 quilômetros por hora). Os navios também tinham um cinturão de blindagem na linha de flutuação que tinha uma espessura que ficava entre 102 a 216 milímetros.
Os couraçados tiveram um serviço limitado em tempos de paz, com uma tentativa de motim tendo ocorrido a bordo do Imperator Pavel I em julho de 1912. Eles praticamente permaneceram no porto durante toda a Primeira Guerra Mundial devido à ameaça de submarinos alemães. As tripulações de ambos os navios se amotinaram após o início da Revolução Russa em março de 1917, com o Imperator Pavel I sendo renomeado para Respublika. Este foi tirado de serviço em setembro de 1918, enquanto o Andrei Pervozvanny foi usado pelos bolcheviques na Guerra Civil Russa até ser torpedeado por monitores britânicos em agosto de 1919. Os dois foram desmontados em 1923.
Desenvolvimento As construções dos couraçados da Classe Borodino estavam planejadas para terminar em 1904 e isto deixaria os estaleiros russos sem muito o que fazer, assim o Comitê Técnico Naval organizou uma conferência no final de 1902 para elaborar um novo programa de construção de vinte anos, que incluía dinheiro para mais quatro couraçados em 1903 e 1904, dois para a Frota do Mar Negro e dois para a Frota do Báltico. O comitê escolheu uma versão muito maior e mais bem protegida da Classe Borodino para os navios do Mar Báltico, com o armamento secundário sendo elevado para canhões de 191 ou 203 milímetros em vez das armas de 152 milímetros de embarcações anteriores. O deslocamento estimado de toneladas acabou se tornando um limite informal que restringiu o projeto dos navios.
O Estado-Maior Geral Naval considerou no início de 1903 esboços do Comitê Técnico Naval e de Dmitri Skvortsov, o mesmo projetista da Classe Borodino, escolhendo a proposta deste último. Também foi emitido requerimentos mais detalhados. Os navios deveriam ter canhões de 305 e 203 milímetros em torres de artilharia duplas, mais vinte canhões de 75 milímetros para defesa contra barcos torpedeiros. Deveria haver um cinturão na linha de flutuação de 229 milímetros com uma camada superior de 180 milímetros ou um cinturão uniforme de 203 milímetros. A velocidade máxima não deveria ser inferior a dezoito nós (33 quilômetros por hora) e o calado máximo deveria ser de 7,9 metros para poderem atravessar o Canal de Suez. A superestrutura foi reduzida em um convés por preocupações com a estabilidade. Skvortsov apresentou seus desenhos em junho.
Skortsov avisou sobre o arrasto inaceitável da forma do casco que foi forçado a usar. O general Alexei Krylov, na época o chefe da doca de miniaturas, concordou, mas nada foi feito para melhorar a eficiência. Krylov estava com uma partida para o Extremo Oriente e isto forçou o Comitê Técnico Naval se apressar para conseguir aprovação oficial para um esboço de projeto. Sua apresentação em 4 de julho de 1903 terminou em constrangimento: o comitê tinha a intenção de que um dos contratos de construção ficasse com o Estaleiro do Báltico, mas não informou sobre a existência do projeto para Sergei Ratnik, seu mestre construtor. Este tinha construído dois couraçados da Classe Borodino e acreditava que o novo projeto era inferior. Não tinha reserva de deslocamento comparada às 246 toneladas da Classe Borodino ou ao padrão britânico de quatro por cento do deslocamento. O comitê anulou as objeções de Ratnik e aprovou o projeto para construção. Ele apelou ao comitê novamente no final do mês argumentando que os mecanismos e sistemas ignorados pelos projetistas iriam adicionar quinhentas a seiscentas toneladas ao peso. O comitê ignorou a reclamação e prosseguiu com o projeto. Seguindo a prática russa da época, foi um trabalho colaborativo assinado por vários projetistas e burocratas. Ninguém ousou assumir a liderança e responsabilidade total. O comitê finalizou o projeto em agosto com apenas pequenos melhoramentos. O Ministério da Marinha concedeu em 29 de agosto os contratos de construção para o Estaleiro do Almirantado e Estaleiro do Báltico.
Projeto Características thumb|esquerda|240px|Desenho da Classe Andrei Pervozvanny Os navios da Classe Andrei Pervozvanny tinham 138,4 metros de comprimento da linha de flutuação e 140,2 metros de comprimento de fora a fora. Tinham uma boca de 24,4 metros e um calado máximo de nove metros em carregamento máximo. O deslocamento normal era de 17,6 mil toneladas e um deslocamento carregado entre e toneladas. Os cascos eram subdivididos por dezessete anteparas estanques transversais, com as salas de máquinas sendo divididas por uma antepara longitudinal na linha central. Tinham um fundo duplo e uma altura metacêntrica de 1,2 metros. A tripulação consistia em 31 oficiais e 924 marinheiros.
O sistema de propulsão era composto por 25 caldeiras Belleville a carvão que funcionavam a uma pressão de vinte quilogramas-força por centímetro quadrado ( quilopascais). Elas alimentavam dois motores verticais de tripla-expansão com quatro cilindros, cada um girando uma hélice de 5,6 metros de diâmetro. Os motores tinham uma potência indicada de 17,8 mil cavalos-vapor (13,1 mil quilowatts). Durante seus testes marítimos chegaram a produzir a cavalos-vapor ( a quilowatts) para uma velocidade máxima de 18,5 nós (34,3 quilômetros por hora). Os navios podiam carregar até 1,5 mil toneladas de carvão, o que proporcionava uma autonomia de 2,4 mil milhas náuticas (4,4 mil quilômetros) a doze nós (22 quilômetros por hora). A eletricidade era produzida por seis dínamos a vapor.
Armamento thumb|240px|A segunda torre de artilharia principal do Imperator Pavel I O armamento principal consistia em quatro canhões Padrão 1895 calibre 40 de 305 milímetros montados em duas torres de artilharia duplas, uma à vante e outra à ré. Estas armas tinham uma elevação máxima de 35 graus e podiam abaixar até cinco graus negativos. Tinham uma cadência de tiro de um disparo por minuto e cada canhão tinha um carregamento de oitenta projéteis. As armas podiam ser recarregadas em qualquer ângulo entre três graus negativos e cinco graus. Disparavam projéteis perfurantes M1911 de 470,9 quilogramas a uma velocidade de saída de 823,5 metros por segundo. Em elevação máxima tinham um alcance de vinte quilômetros.
O armamento secundário era de catorze canhões Padrão 1905 calibre 50 de 203 milímetros, oito em quatro torres de artilharia duplas nos cantos da superestrutura e seis em casamatas na superestrutura. As armas nas torres tinham uma cadência de tiro de dois disparos por minuto e elevação máxima de 25 graus, já aquelas nas casamatas tinham uma cadência de 2,8 disparos por minuto e elevação máxima de dezenove graus. Cada canhão tinha um carregamento de 128 projéteis. Disparavam projéteis M1913 de 139,2 quilogramas a uma velocidade de saída 792,5 metros por segundo para um alcance de 15,8 quilômetros a uma elevação de quinze graus.
A defesa contra barcos torpedeiros tinha doze canhões Padrão 1892 de 120 milímetros em casamatas na superestrutura superior. As armas dos cantos ficavam posicionadas de tal maneira a terem um campo de disparo livre das torres de artilharia secundárias. Tinham uma cadência de tiro de dez disparos por minuto e cada arma tinha um carregamento de 219 projéteis. A elevação máxima era de 23 graus, tendo um alcance de dez quilômetros a dezoito graus com um projétil perfurante de 20,47 quilogramas.
Foram equipados com dois tubos de torpedo submersos de 450 milímetros, um em cada lateral, tendo um carregamento de seis torpedos M1908. Tinham três configurações: um quilômetro a 34 nós (63 quilômetros por hora), dois quilômetros a 27 nós (cinquenta quilômetros por hora) ou três quilômetros a 23 nós (43 quilômetros por hora).
Blindagem A blindagem era feira de aço cimentado Krupp. O cinturão na linha de flutuação tinha 216 milímetros de espessura sobre as salas de máquinas e caldeiras, reduzindo para 152 milímetros na extremidade inferior. A espessura sobre os depósitos de munição era de 165 milímetros e se estendia até a proa com placas de 127 milímetros. À ré a blindagem diminuía para 114 e depois 102 milímetros até a popa. O cinturão tinha três metros de altura, dos quais 1,2 metros ficavam abaixo da linha de flutuação. Uma camada superior de blindagem tinha 127 milímetros à meia-nau e tinha 2,7 metros de altura. Continuava para as extremidades do navio com placas de 102 e oitenta milímetros.
As frentes e laterais das torres de artilharia principais tinham 203 milímetros, enquanto os tetos tinham 64 milímetros. A espessura de suas barbetas ficava entre 102 e 127 milímetros. As frentes das torres secundárias tinham 152 milímetros, as laterais tinham 127 milímetros e os tetos 64 milímetros. As barbetas das torres secundárias tinham blindagem de 102 milímetros. As casamatas dos canhões de 203 milímetros eram protegidas por placas de 127 milímetros, enquanto as anteparas transversais separando as armas tinham entre 102 e 127 milímetros. Os escudos das armas tinham 89 milímetros. As casamatas de 120 milímetros tinham placas de 79 milímetros. Uma antepara de 51 milímetros protegia estas casamatas, enquanto as tubulações das chaminés tinham blindagem de dezesseis a 25 milímetros. A espessura máxima do convés era 38 milímetros.
Navios NavioConstrutorHomônimoBatimentoLançamentoComissionamentoDestino Novo Estaleiro do Almirantado Santo André 15 de março de 1904 20 de outubro de 1906 10 de março de 1911 Desmontados em 1923 Estaleiro do Báltico Paulo I da Rússia 27 de outubro de 1904 7 de setembro de 1907
História Construção thumb|esquerda|240px|Evolução dos projetos da Classe Andrei Pervozvanny As obras do Andrei Pervozvanny começaram em 15 de março de 1904 e as do Imperator Pavel I em 27 de outubro de 1904. As caldeiras e motores foram encomendados do Novo Estaleiro do Almirantado. Em uma reviravolta inexplicável da burocracia do Comitê Técnico Naval, os motores para os dois navios foram encomendados com especificações diferentes. O batimento de quilha formal do Andrei Pervozvanny ocorreu em 11 de maio de 1905, seguindo a tradição russa, mais de um ano depois do início da construção. A cerimônia coincidiu com o começo de um hiato de seis meses devido à Revolução Russa de 1905. A cerimônia de batimento do Imperator Pavel I foi cancelada e oficialmente o navio teve seu batimento no mesmo dia do seu lançamento ao mar, 7 de setembro de 1907.