A Classe Gangut foi uma classe de couraçados operada pela Marinha Imperial Russa e Frota Naval Militar Soviética, composta pelo , , e . Suas construções começaram em 1909 no Estaleiro do Almirantado e no Estaleiro do Báltico em São Petersburgo, sendo lançados ao mar em 1911 e comissionados na frota russa em 1914 e 1915. A Classe Gangut teve um tumultuado processo de desenvolvimento e projeto que envolveu uma competição internacional e protestos. A versão final usou um projeto russo que incorporou um esquema incomum do arranjo da bateria principal, com quatro torres de artilharia dispostas linearmente pelo comprimento dos navios.
Os quatro couraçados da Classe Gangut eram armados com uma bateria principal composta por doze canhões de 305 milímetros montados em quatro torres de artilharia triplas. Tinham um comprimento de fora a fora de 181 metros, boca de 27 metros, calado de nove metros e um deslocamento carregado de mais de 24 mil toneladas. Seus sistemas de propulsão eram compostos por 25 caldeiras mistas de carvão e óleo combustível que alimentavam quatro conjuntos de turbinas a vapor, que por sua vez giravam quatro hélices até uma velocidade máxima de 24 nós (44 quilômetros por hora). Eles também tinham um cinturão principal de blindagem que ficava entre 125 e 225 milímetros de espessura.
Os navios entraram em serviço no início da Primeira Guerra Mundial e foram designados para atuarem no Golfo da Finlândia, porém pouco fizeram pelo decorrer do conflito já que a Alemanha nunca tentou um ataque por ali. Suas tripulações se amotinaram em março de 1917 após o início da Revolução Russa e depois juntaram-se aos bolcheviques. Todos foram tirados de serviço em 1918 por falta de pessoal, exceto o Petropavlovsk, que foi usado em ações na Guerra Civil Russa contra o Exército Branco. O Poltava sofreu um incêndio devastador em 1919. Os quatro foram renomeados na década de 1920 para Oktiabrskaia Revolutsia, Marat, Parizhskaia Kommuna e Frunze, respectivamente.
As três primeiras embarcações foram modernizadas nas décadas de 1920 e 1930, enquanto várias propostas para reparar e modernizar o Frunze nunca foram realizadas e ele virou fonte de peças sobressalentes para seus irmãos. Na Segunda Guerra Mundial, o Oktiabrskaia Revolutsia e o Marat atuaram na Guerra de Inverno em 1939 e depois na invasão alemã em 1941. O Marat teve sua proa explodida, mas mesmo assim participou de bombardeios litorâneos junto com seu irmão. Enquanto isso, o Parizhskaia Kommuna lutou contra os alemães no Mar Negro. Após a guerra, os couraçados operantes foram usados como navios-escola até que todos os quatro fossem desmontados entre 1949 e 1957.
Desenvolvimento A Marinha Imperial Russa estava em um estado de confusão ao final da Guerra Russo-Japonesa em 1905. Sua liderança, tática e projeto de navios foram todos lançados em descrédito pelas repetidas derrotas na Batalha do Mar Amarelo, Batalha de Uslan e Batalha de Tsushima. A Marinha Imperial demorou algum tempo para absorver as lições de projeto da guerra enquanto o governo reformava o Ministério Naval e forçava muito dos oficiais mais conservadores e se aposentarem. Ela realizou uma competição de projeto em 1906 para um couraçado dreadnought, mas a Duma Estatal se recusou a autorizar e preferiu gastar dinheiro na reconstrução do Exército Imperial Russo.
As exigências para novos couraçados estiveram em fluxo pelo decorrer de 1907, porém a britânica Vickers propôs um que quase foi aceito. Seria um navio de 22 mil toneladas com doze canhões de 305 milímetros em seis torres de artilharia sobrepostas triplamente à vante e ré. Rumores sobre um contrato com a Vickers levaram a um protesto público porque houve alguns problemas com o cruzador blindado , então em construção no mesmo estaleiro. O Ministério Naval acalmou a situação em 30 de dezembro de 1907 ao anunciar uma competição internacional de projeto para navios que seriam construídos na Rússia, não importando quem vencesse. O prazo era até 12 de março de 1908 e 51 propostas foram enviadas por treze estaleiros diferentes. O vencedor foi um projeto da alemã Blohm & Voss, porém a França, uma aliada russa, protestou porque não queria ver qualquer dinheiro emprestado para a defesa russa indo parar na Alemanha. O projeto foi comprado por 250 mil rublos e arquivado para aplacar os dois lados. Um projeto do Estaleiro do Báltico que tinha sido o segundo colocado foi revisado com requerimentos atualizados e deveria ser apresentado completo até 22 de março de 1909. Este prazo foi ampliado em um mês para que o Estaleiro do Báltico pudesse finalizar um contrato com a britânica John Brown & Company para assistência técnica na forma do casco e maquinários.
O Estado-Maior Geral Naval acreditava que uma vantagem de velocidade sobre a linha de batalha alemã de 21 nós (39 quilômetros por hora) seria muito útil em combate, como demonstrado pelos japoneses na Batalha de Tsushima, porém o uso das pesadas e volumosas caldeiras de tubos d'água Belleville, como insistido pela Seção de Engenharia do Comitê Técnico Naval, impediria que o novo projeto excedesse 21,25 nós. Entretanto, a John Brown indicou que 23 nós (43 quilômetros por hora) seriam possíveis caso as turbinas a vapor produzissem 45,5 mil cavalos-vapor (33,5 mil quilowatts) com vapor suficiente e uma forma de casco adequada, assim o Estado-Maior Geral Naval aproveitou a oportunidade para conseguir a velocidade desejada usando caldeiras de tubos pequenos. O Comitê Técnico Naval foi convocado para um reunião a fim de discutir o assunto, mas o estado-maior o encheu de engenheiros que eram a favor das caldeiras de tubos pequenos, assim a Seção de Engenharia foi derrotada. Essas caldeiras Yarrow era significativamente menores que as Belleville, mas necessitavam de limpezas e reparos mais frequentes para que a potência não caísse rapidamente com o uso.
Os russos não acreditavam que torres de artilharia sobrepostas ofereciam qualquer vantagem pois não consideravam o valor de disparos axiais, achando que disparos laterais eram mais importantes. Também achavam que uma torre sobreposta não poderia disparar sobre a inferior porque a onda de choque interferiria com os pontos de observação abertos que ficavam no teto da torre inferior. Os couraçados foram projetados com um arranjo linear de torres pelo comprimento do navio. Isto tinha várias vantagens, pois reduzia o estresse nas extremidades já que as torres não ficavam concentradas na proa ou popa, aumentava a estabilidade pela ausência de barbetas e torres elevadas, melhorava a capacidade de sobrevivência porque os depósitos de munição ficavam separados, e também dava à embarcação uma silhueta mais baixa. As desvantagens eram que os depósitos de munição precisavam ficar no meio dos maquinários, forçando tubulações de vapor a correrem ao redor , além da falta de espaço no convés livre das ondas de choque dos canhões. Isto também complicava o posicionamento de uma bateria secundária, forçando-a a ser instalada no casco, muito mais próxima da linha de flutuação do que era desejável.
Projeto Características thumb|esquerda|240px|Desenho da Classe Gangut A Classe Gangut tinha 180 metros de comprimento da linha de flutuação e 181,2 metros de comprimento de fora a fora. Tinha boca de 26,9 metros e calado de 8,99 metros, 49 centímetros a mais do que o planejado. Seu deslocamento carregado era de 24,8 mil toneladas, mais de 1,5 mil toneladas a mais do que seu deslocamento projetado de toneladas. Isto reduziu sua borda livre em por volta de 41 centímetros e deu aos navios uma proa ligeiramente mais baixa na água, deixando-os muito molhados à vante.
Aço de alta resistência foi usado nas armações longitudinais do casco, enquanto aço macio foi usado apenas em áreas que não contribuíam para a integridade estrutural. Isto, mais refinamentos no projeto, deixou os cascos dezenove por cento mais leves do que aqueles da predecessora Classe Andrei Pervozvanny. Eram subdivididos or treze anteparas estanques transversais e tinham um fundo duplo. As salas de máquinas e de condensadores eram divididas por duas anteparas longitudinais. Tinham dois lemes elétricos na linha central, com o leme principal à ré do leme secundário menor. A altura metacêntrica foi projetada para ser de 1,76 metros.
Propulsão O sistema de propulsão era composto por dois tipos diferentes de turbinas Parsons que giravam quatro hélices. As salas de máquinas ficavam localizadas entre a terceira e quarta torres de artilharia em três compartimentos transversais. Os compartimentos externos abrigavam turbinas de alta pressão para girar as duas hélices externas, enquanto o compartimento central tinha duas turbinas de baixa pressão e duas turbinas de cruzeiro para girar as duas hélices centrais. Os motores tinham uma potência indicada de 42,1 mil cavalos-vapor (31 mil quilowatts), mas o Poltava chegou a produzir 53 mil cavalos-vapor (39 mil quilowatts) para uma velocidade máxima de 24,1 nós (44,6 quilômetros por hora) durante seus testes marítimos. O vapor para alimentar as turbinas vinha de 25 caldeiras Yarrow que funcionavam a uma pressão de 17,5 atmosferas ( quilopascais). Cada caldeira era equipada com pulverizadores de óleo Thornycroft para misturar carvão com óleo combustível. Elas ficavam arranjadas em dois grupos. O grupo de vante consistia em duas salas de caldeiras entre a primeira e segunda torres de artilharia, com a primeira sala abrigando três caldeiras e a outra seis. O grupo de ré ficava entre a segunda e terceira torres e tinha dois compartimentos, cada um com oito caldeiras. Os couraçados podiam carregar até toneladas de carvão e 710 toneladas de óleo combustível, proporcionando uma autonomia de 3,5 mil milhas náuticas (6,5 mil quilômetros) a uma velocidade de dez nós (dezenove quilômetros por hora).
Armamento thumb|220px|Duas das torres de artilharia principais do Parizhskaia Kommuna O armamento principal da Classe Gangut consistia em doze canhões Obukhovskii Padrão 1907 calibre 52 de 305 milímetros montados em quatro torres de artilharia triplas movidas elétricas. Essas armas podiam abaixar até cinco graus negativos e elevar até 25 graus, podendo ser recarregadas em qualquer ângulo até quinze graus. A primeira torre de artilharia tinha um arco de disparo de 330 graus, a segunda um arco total de 280 graus, a terceira 310 graus e a quarta trezentos graus. Os canhões podiam ser elevados a uma velocidade de três a quatro graus por segundo e as torres giradas a 3,2 graus por segundo. Cada arma tinha à disposição cem projéteis. Estes pesavam 470,9 quilogramas e eram disparados a uma velocidade de saída de 762 metros por segundo com alcance máximo de 23,2 quilômetros.
A bateria secundária era formada por dezesseis canhões Padrão 1905 calibre 50 de 120 milímetros em casamatas ao longo do casco. As casamatas frequentemente ficavam encharcadas mesmo em mares moderados pela borda livre baixa e inclinação da proa. Todas as armas tinham um arco de disparo de trinta a 120 graus. Tinham uma elevação máxima de 25 graus e podiam se elevar a 3,5 graus por segundo e girar de seis a oito graus por segundo. Cada canhão tinha um carregamento de trezentos projéteis, um aumento em relação aos 245 previstos durante a construção. Foi projetado que as armas ficassem quinze metros acima da linha de flutuação, mas isto foi reduzido pelo fato dos navios terem um sobrepeso. Disparavam projéteis semiperfurantes de 28,97 quilogramas a cadência de tiro de sete disparos por minuto com velocidade de saída de 792,5 metros por segundo, tendo um alcance máximo de 15,3 quilômetros.