A Classe Imperatritsa Maria foi uma classe de couraçados construída para a Marinha Imperial Russa, composta pelo , e . Suas construções começaram em 1911 nos estaleiros da Russud e ONZiV, sendo lançados ao mar em 1913 e 1914 e comissionados na frota russa em 1915 e 1917. A classe foi encomendada com a intenção era fazer frente a qualquer dreadnought que o Império Otomano pudesse adquirir para uso no Mar Negro, com seu projeto sendo praticamente uma repetição da predecessora Classe Gangut. Modificações incluíram uma diminuição da velocidade máxima e fortalecimento da bateria secundária.
Os três ouraçados da Classe Imperatritsa Maria eram armados com uma bateria principal de doze canhões de 305 milímetros montados em quatro torres de artilharia triplas. Tinham um comprimento de fora a fora de 168 metros, boca de 27 metros, calado de oito metros e um deslocamento de mais de 23 mil toneladas. Seus sistemas de propulsão eram compostos por vinte caldeiras mistas de carvão e óleo combustível que alimentavam quatro conjuntos de turbinas a vapor, que por sua vez giravam quatro hélices até uma velocidade máxima de 21 nós (39 quilômetros por hora). Os navios também tinham um cinturão principal de blindagem que ficava entre 125 e 262 milímetros de espessura.
O Imperatritsa Maria e o Imperatritsa Ekaterina Velikaia participaram de algumas ações contra o Império Otomano ao entraram em serviço no meio da Primeira Guerra Mundial. O Imperatritsa Maria afundou em outubro de 1916 depois de uma explosão interna e foi desmontado em 1926. O Imperatritsa Ekaterina Velikaia foi renomeado Svobodnaia Rossia em abril de 1917 e deliberadamente afundado em junho de 1918, sendo desmontado na década de 1920. O Imperator Alexandr III foi renomeado para Volia e foi parar a serviço Exército Branco, que o renomeou para General Alexeiev. Realizou ações contra os bolcheviques até fugir para o Império Otomano, sendo desmontado em 1936.
Desenvolvimento O Ministério Naval russo começou em 1910 a planejar uma classes de couraçados dreadnought para a Frota do Mar Negro em resposta a notícias de que o Império Otomano estava prestes a encomendar dois couraçados no Reino Unido. Este rumor mostrou-se falso, mas os russos decidiram continuar com o processo de projeto para o momento que os otomanos realmente fossem atrás de dreadnoughts. Especificações preliminares foram emitidas em 12 de agosto para um projeto baseado na Classe Gangut, na época sendo construída para a Frota do Báltico. Uma velocidade de 23 nós (43 quilômetros por hora) foi considerada excessiva para o espaço confinado no Mar Negro, assim o projeto deveria ser capaz de apenas 21 nós (39 quilômetros por hora), permitindo que mais peso fosse dedicado para canhões e blindagem. O armamento principal foi especificado para ter a mesma composição e arranjo daquele da Classe Gangut, enquanto a bateria secundária de dezesseis canhões de 120 milímetros deveria crescer para vinte canhões de 130 milímetros com o objetivo de poder enfrentar barcos torpedeiros maiores. A elevação máxima dos canhões principais seria aumentada para 35 graus, dez graus a mais que a Classe Gangut, com a blindagem das torres de artilharia aumentando de duzentos para 250 milímetros.
Uma competição de projeto foi anunciada em julho de 1911, mas não houve muitos participantes. O Ministério Naval favoreceu o projeto enviado pela Russud e emitiu encomendas preliminares para três couraçados em 2 de setembro, antes mesmo da competição terminar em novembro. O projeto da Russud foi oficialmente escolhido e o governo transferiu projetistas do Estaleiro do Báltico estatal e também finalizou um conjunto de desenhos da Classe Gangut a fim de acelerar o processo de detalhamento de projeto.
Projeto Características thumb|240px|esquerda|O Volia em 1917 O Imperatritsa Maria e o Imperator Alexandr III tinham 168 metros de comprimento de fora a fora, boca de 27,43 metros e calado de 8,36 metros. O deslocamento normal era de toneladas. Aço de alta resistência foi usado nos cascos, com aço macio usado em áreas que não contribuíam para a integridade estrutural. Os cascos eram subdivididos por dezoito anteparas transversais. A sala de máquinas era dividida por duas anteparas longitudinais, também existindo um fundo duplo. A altura metacêntrica era de 1,76 metros.
O Imperatritsa Ekaterina Velikaia era ligeiramente maior que seus irmãos porque a fabricante ONZiV aumentou suas dimensões em uma tentativa de combater o problema comum que couraçados russos tinham com sobrepeso. Tinha 169,5 metros de comprimento de fora a fora e boca de 28,07 metros, sendo 1,47 metros mais longo e 61 centímetros mais largo que os outros dois navios. Seu calado exato é desconhecido, mas estava com um calado de 8,7 metros durante seus testes marítimos. Seu deslocamento era de toneladas, aproximadamente novecentas toneladas a mais do que seu deslocamento projetado de toneladas.
O Imperatritsa Maria mostrou-se muito pesado na proa e costumava deixar que grandes quantidades de água entrarem em suas casamatas de vante. O estoque de munição para os canhões principais da primeira torre de artilharia foram reduzidos de cem para setenta, enquanto o estoque para os canhões secundários foi reduzido de 245 para cem em uma tentativa de reduzir o peso. Isto não corrigiu completamente o problema. Os dois canhões secundários de vante do Imperator Alexandr III foram removidos ainda durante a equipagem para abordar o problema. O Imperatritsa Ekaterina Velikaia não sofria desse problema no mesmo grau e assim manteve todas as suas armas secundárias.
Propulsão O Imperatritsa Maria e o Imperator Alexandr III, ambos construídos pela Russud, foram equipados com quatro turbinas a vapor Parsons importadas da britânica John Brown & Company, enquanto as turbinas do Imperatritsa Ekaterina Velikaia foram construídas pela própria ONZiV com assistência técnica da britânica Vickers. Os navios da Russud foram projetados para uma potência de cavalos-vapor (dezenove mil quilowatts) e aquele da ONZiV para 27,2 mil cavalos-vapor (vinte mil quilowatts), mas chegaram a produzir cavalos-vapor ( quilowatts) durante os testes marítimos. As turbinas eram alimentadas pelo vapor oriundo de vinte caldeiras de tubos d'água Yarrow que funcionavam a uma pressão de 17,5 atmosferas. A velocidade projetada era de 21 nós. Podiam carregar entre 1,7 e 2,3 mil toneladas de carvão mais 420 a 640 toneladas de óleo combustível, que proporcionava uma autonomia de aproximadamente milhas náuticas (três mil quilômetros) em velocidade máxima e milhas náuticas ( quilômetros) a uma velocidade mais econômica. Toda energia elétrica era produzida por três turbo-geradores Curtis de 360 quilowatts e duas unidades auxiliares de duzentos quilowatts.
Armamento thumb|240px|Os canhões principais do Imperatritsa Ekaterina Velikaia virados para estibordo O armamento principal da Classe Imperatritsa Maria era composto por doze canhões Obukhovskii Padrão 1907 calibre 52 de 305 milímetros montados em quatro torres de artilharia triplas distribuídas pelo comprimento dos navios. Os canhões eram idênticos aos da Classe Gangut, mas as torres eram de um projeto novo e mais espaçoso. A primeira e quarta torres tinham um arco de disparo de 310 graus, já as duas torres de meia-nau tinham um arco de 130 graus para cada lado. As armas podiam abaixar até cinco graus negativos e se elevar até 25 graus, podiam ser recarregas em qualquer ângulo até quinze graus e sua cadência de tiro era supostamente três disparos por minuto em uma elevação de quinze graus. As armas podiam ser elevadas em três a quatro graus por segundo e as torres giradas em 3,2 graus por segundo. Cada canhão tinha um carregamento máximo de cem projéteis. Estes pesavam 470,9 quilogramas e eram disparados a uma velocidade de saída de 762 metros por segundo, tendo um alcance máximo de 23,2 quilômetros.
O armamento secundário consistia em vinte canhões B7 Padrão 1913 calibre 55 de 130 milímetros montados em casamatas. Estas ficavam arranjadas em dois grupos: seis em cada lateral desde a primeira torre de artilharia até a segunda chaminé e as restantes agrupadas ao redor da quarta torre de artilharia. Três armas por lateral podiam disparar à vante pois o Estado-Maior Geral Naval estimou que essa seria a direção mais provável de um ataque de barcos torpedeiros. Sua cadência de tiro era de cinco a oito disparos por minuto e cada arma tinha um carregamento máximo de 245 projéteis. Estes pesavam 36,86 quilogramas e eram disparados a uma velocidade de saída de 823 metros por segundo, tendo um alcance máximo de 15,3 quilômetros.
Nenhum armamento antiaéreo foi originalmente planejado, mas em outubro de 1916 o Ministério Naval especificou que quatro canhões calibre 37 de 102 milímetros de um novo projeto fossem equipadas, mas estes nunca entraram em serviço. Os dois primeiros navios da classe receberam três ou quatro canhões Padrão 1892 calibre 50 de 75 milímetros montados nos tetos das torres de artilharia. Estas tinham uma elevação máxima de 50 graus, disparavam projéteis de 5,73 quilogramas a uma velocidade de saída de 750 metros por segundo e com cadência de tiro de doze a quinze disparos por minuto. Podiam disparar até uma altura de 4,9 quilômetros. O Imperator Alexandr III foi equipado com quatro canhões calibre 30 de 76 milímetros mais novos. Estes podiam abaixar até cinco graus e se elevar até 65 graus, disparavam projéteis de 6,5 quilogramas a uma velocidade de saída de 588 metros por segundo a uma cadência de tiro de dez a doze disparos por minuto, tendo uma altura máxima de disparo 5,8 quilômetros.
Quatro tubos de torpedo submersos de 450 milímetros também foram instalados, dois em cada lateral em compartimentos próximos do depósito de munição de vante. Os testes marítimos do Imperatrisa Maria revelaram problemas com o sistema de refrigeração dos depósitos, em que o calor gerado pelo sistema de ventilação anulava quase todos os efeitos da refrigeração. O mesmo problema existia nos outros couraçados e talvez tenha contribuído para o incêndio que levou à perda do Imperatrisa Maria em 1916.
O Imperatrisa Maria e Imperatritsa Ekaterina Velikaia foram equipados com dois telêmetros Zeiss de cinco metros de comprimento instalados um em cada torre de comando, porém o Imperator Alexandr III recebeu quatro telêmetros Barr and Stroud de 5,5 metros, um para cada torre de artilharia principal. Os telêmetros enviavam dados para o posto central de artilharia calcular soluções de disparo usando um computador mecânico Geisler padrão, transmitindo-os então aos artilheiros.
Blindagem