O obelisco de Dom Pedro II foi um monumento construído na zona rural do município de Monte Santo, no estado brasileiro da Bahia. Sua inauguração ocorreu no dia da independência, em 7 de setembro de 1887, durante o Segundo Império. O nome do obelisco homenageava o imperador do Brasil, Dom Pedro II.
O objetivo da construção do monumento era de celebrar o ponto de partida da expedição que levaria para o Rio de Janeiro, capital do Império, o Meteorito de Bendegó, o maior siderito descoberto no Brasil (pesando 5 360 quilos). É a 16º maior massa de ferro-níquel de origem extraterrestre já catalogada.
Este mesmo meteorito resistiu ao grande incêndio que destruiu o Museu Nacional em 2018.
História O monumento, do gênero arquitetônico de obelisco, foi feito pela Marinha do Brasil em 1887 como marco do local onde caiu o Meteorito do Bendegó e do ponto de partida da expedição realizada para transportá-lo para o Museu Nacional no Rio de Janeiro.
A Comissão que realizou a expedição foi chefiada pelo engenheiro José Carlos de Carvalho e contou com engenheiros civis e trabalhadores locais que participaram da empreitada. A Revista da Sociedade Brasileira de Geographia cita telegrama que avisa que a Comissão chegou à localidade onde estava o meteorito em 6 de setembro de 1887, iniciando os trabalhos para o transporte no dia seguinte (dia da Independência do Brasil):Chegamos a Bendegó no dia 06: inauguramos os trabalhos no dia 7. Assistiram as autoridades de Monte Santo. Assentámos a primeira pedra para marco do lugar onde cahio o meteorolitho, e denominamos este marco Pedro II, lavrando o competente termo. Tirámos photografias. No dia 9 começamos a suspender o meteorolitho e a explorar os caminhos". O Relatório da Comissão, publicado no ano seguinte, cita que na fundação do obelisco foi depositada uma caixa de ferro contendo o Termo de Inauguração do monumento e um exemplar do Boletim da Sociedade Brasileira de Geografia, contendo um memorial sobre o meteorito .
O obelisco foi descrito, no mesmo documento, como um pilar em forma de pirâmide triangular, assentado sobre uma base de pedras brutas. Foram instaladas placas em homenagem ao imperador e aos participantes da expedição, com as seguintes inscrições:
Face leste: "Pedro II, Bendegó 1887" Face sul: "D. Isabel, regente - Sociedade de Geographia do Rio do Janeiro, presidente Visconde de Paranaguá" Face norte: "Rodrigo Silva, Ministro da Agricultura; Commissão: José Carlos de Carvalho; engenheiros: Vicente José de Carvalho e Humberto Saraiva Antunes" Controvérsias A remoção do meteorito da região para o Museu Nacional é motivo de discórdia entre a comunidade científica da época, que queria estudar o objeto, e a população local, que tinha aquela pedra como "um talismã, uma pedra sagrada que veio do céu". O obelisco foi destruído pela população local pouco depois de sua inaugruação, devido à crença popular de que a remoção do meteorito causou a seca que assolou a região pouco depois.
Em 2011, o Conselho Nacional de Política Cultural, CNPC, recomendou que a pedra do Bendegó seja levada de volta ao local de origem, e em 2014 a Universidade Estadual da Bahia, UNEB, através da portaria nº 3260/2014, instituiu um comissão para elaborar um projeto que viabilizasse o retorno do meteorito.
O Bendegó, que continua no acervo do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, tornou-se um símbolo da sobrevivência do próprio museu, depois do incêndio que destruiu boa parte de seu acervo em 2018, o que tem esfriado as tentativas de remoção para seu local de queda, na Bahia .
Na mídia O documentário Cuitá, a pedra do Bendegó'', dirigido por Marcelo Rabelo em 2002, mostra a interpretação mística que a população sertaneja da Bahia atribui ao meteorito Bendegó , inclusive ainda hoje entendendo como uma "afronta" sua retirada do lugar de origem.
Ver também
Meteorito de Bendegó (relatório da expedição) Obelisco Bendegó
Referências
Categoria:Obeliscos do Brasil Categoria:Monumentos da Bahia Categoria:Expedições científicas Categoria:Monte Santo Categoria:Homenagens a Pedro II do Brasil