The Times é um jornal nacional diário britânico com sede em Londres. Começou a circular em 1785 com o título The Daily Universal Register, adotando o nome atual em 1 de janeiro de 1788. The Times e seu jornal irmão, The Sunday Times, fundado em 1821, são publicados pela Times Media, subsidiária da News UK desde 1981, por sua vez integralmente controlada pela News Corp. The Times e The Sunday Times foram fundados de forma independente e têm o mesmo proprietário desde 1966. No Reino Unido, The Times é um jornal de referência.

The Times foi o primeiro jornal a usar esse nome e inspirou muitos outros periódicos em diferentes países. Em lugares onde esses outros títulos têm ampla circulação, o jornal britânico também é chamado de The London Times ou The Times of London, embora tenha alcance e distribuição nacionais.

Em março de 2020, The Times tinha circulação média diária de 365.880 exemplares. No mesmo período, The Sunday Times tinha circulação média semanal de 647.622. Em junho de 2025, os dois jornais tinham 640.000 assinantes digitais pagantes, número que chegava a 740.000 com a inclusão dos assinantes da edição impressa. No exercício de junho de 2024 a junho de 2025, a Times Media, empresa controladora de The Times e The Sunday Times, registrou aumento de 13% no lucro antes dos impostos, para £ 69,2 milhões (US$ 92,7 milhões), lucro operacional de £ 73,3 milhões (US$ 102,2 milhões) e crescimento de 2% na receita, para £ 390,7 milhões (US$ 523,5 milhões). Uma edição norte-americana de The Times é publicada desde 6 de junho de 2006 e circula principalmente nas regiões metropolitanas de Nova Iorque e Washington, D.C.. Um arquivo histórico completo do jornal digitalizado, até 2019, está disponível on-line pela Gale Cengage Learning. The Times e The Sunday Times lançaram em 2020 sua própria estação de rádio, a Times Radio. A programação cobre notícias e política do Reino Unido e do exterior e, no fim de 2024, tinha alcance médio semanal de 604.000 ouvintes.

História 1785 a 1890 miniaturadaimagem|Primeira página de The Times de 4 de dezembro de 1788 The Times foi fundado por John Walter (1738–1812) em 1 de janeiro de 1785 com o nome de The Daily Universal Register, e Walter atuou como editor. Walter havia perdido o emprego no fim de 1784 depois que a seguradora onde trabalhava faliu em razão das perdas causadas por um furacão na Jamaica. Desempregado, iniciou um novo empreendimento.Chisholm, Hugh, ed. (1911). "Walter, John". Encyclopædia Britannica. 11.ª ed. Cambridge University Press. Nessa época, Henry Johnson inventou a logografia, sistema de composição tipográfica que prometia ser mais rápido e preciso por incluir tipos para palavras comuns e grupos de letras. Três anos depois, porém, o método se mostrou menos eficiente do que o anunciado. Walter comprou a patente e abriu uma gráfica para produzir livros por esse processo. A primeira edição de The Daily Universal Register saiu em 1 de janeiro de 1785. Depois de 940 edições, Walter mudou o título para The Times, em 1 de janeiro de 1788. Em 1803, Walter transferiu a propriedade e a editoria ao filho, também chamado John Walter. Os esforços pioneiros do Walter mais velho para obter notícias do continente europeu, em especial da França, ajudaram a construir a reputação do jornal entre formuladores de políticas e financistas, apesar de ele ter passado dezesseis meses na Prisão de Newgate por difamações publicadas em The Times.

The Times recorreu a colaborações de figuras da política, ciência, literatura e artes para ampliar sua reputação. Em grande parte de seus primeiros anos, os lucros eram muito altos e a concorrência, pequena, o que permitia pagar muito mais do que os rivais por informações e colaboradores. A partir de 1814, o jornal passou a ser impresso na nova prensa cilíndrica movida a vapor desenvolvida por Friedrich Koenig (1774–1833). Em 1815, The Times tinha circulação de 5.000 exemplares. A tiragem chegou a 9.800 em 1837 e a 51.200 em 1854.

Thomas Barnes foi nomeado editor-geral em 1817. No mesmo ano, o impressor do jornal, James Lawson, morreu e deixou a empresa para o filho, John Joseph Lawson (1802–1852). Sob Barnes e seu sucessor, John Thadeus Delane, que assumiu em 1841, a projeção de The Times cresceu muito, sobretudo na política e na Cidade de Londres. Peter Fraser e Edward Sterling foram dois de seus jornalistas conhecidos e renderam ao jornal o apelido pomposo e satírico de "The Thunderer", derivado da frase "We thundered out the other day an article on social and political reform". O aumento da circulação e do peso do jornal deveu-se em parte à adoção precoce da prensa rotativa a vapor. A distribuição por trens a vapor para centros urbanos em rápido crescimento ajudou a sustentar sua rentabilidade e sua expansão.Lomas, Claire. "The Steam Driven Rotary Press, The Times and the Empire". Arquivado em 17 de março de 2011.

miniaturadaimagem|upright=0.9|Um oficial britânico ferido lê em The Times a notícia do fim da Guerra da Crimeia, na pintura Peace Concluded, de John Everett Millais The Times esteve entre os primeiros jornais a enviar correspondentes de guerra para cobrir conflitos específicos. William Howard Russell, correspondente do jornal junto ao Exército durante a Guerra da Crimeia, teve grande repercussão com os despachos enviados à Inglaterra.

1890 a 1981 The Times enfrentou dificuldades financeiras em 1890 sob Arthur Fraser Walter, mas foi recuperado pelo enérgico editor Charles Frederic Moberly Bell. Durante sua gestão, de 1890 a 1911, o jornal participou da venda da Encyclopædia Britannica por meio de métodos agressivos de marketing norte-americano introduzidos por Horace Everett Hooper e seu executivo de publicidade, Henry Haxton. Litígios entre os dois proprietários da Britannica, Hooper e Walter Montgomery Jackson, levaram The Times a romper essa ligação em 1908. O jornal foi então comprado pelo magnata da imprensa Alfred Harmsworth, mais tarde lorde Northcliffe.

Em editoriais publicados em 29 e 31 de julho de 1914, Wickham Steed, editor-chefe de The Times, defendeu a entrada do Império Britânico na Primeira Guerra Mundial.Ferguson, Niall (1999). The Pity of War. Londres: Basic Books. p. 217. ISBN 978-0-465-05711-5. Em 8 de maio de 1920, ainda sob a editoria de Steed, The Times tratou em editorial a falsificação antissemita Protocolos dos Sábios de Sião como documento autêntico e chamou os judeus de maior perigo do mundo. No texto intitulado "The Jewish Peril, a Disturbing Pamphlet: Call for Inquiry", Steed escreveu sobre os Protocolos dos Sábios de Sião:

"O que são esses 'Protocolos'? São autênticos? Se são, que assembleia malévola concebeu esses planos e se comprazia em expô-los? São uma falsificação? Se são, de onde vem essa inquietante nota de profecia, profecia em parte cumprida e, em parte, até agora em caminho de se cumprir?"

No ano seguinte, Philip Graves, correspondente de The Times em Constantinopla, atual Istambul, demonstrou que os Protocolos eram uma falsificação, e The Times retratou o editorial do ano anterior.

Em 1922, John Jacob Astor, filho do 1.º Visconde Astor, comprou The Times do espólio de Northcliffe. O jornal ganhou certa notoriedade na década de 1930 por defender a política de apaziguamento com a Alemanha. O editor Geoffrey Dawson mantinha relações estreitas com defensores governistas do apaziguamento, em especial Neville Chamberlain. Relatos francos enviados de Berlim por Norman Ebbutt, nos quais ele alertava para o belicismo nazista, eram reescritos em Londres para sustentar essa política.Gordon Martel, ed. The Times and Appeasement: The Journals of A L Kennedy, 1932–1939 (2000).Frank McDonough, "The Times, Norman Ebbut and the Nazis, 1927–37". Journal of Contemporary History 27.3 (1992): 407–424.

Kim Philby, agente duplo cuja principal lealdade era à União Soviética, foi correspondente do jornal na Espanha durante a Guerra Civil Espanhola, no fim da década de 1930. Philby era admirado pela coragem em obter reportagens de alta qualidade na linha de frente do conflito. Mais tarde, ingressou no Serviço Secreto de Inteligência britânico, o MI6, durante a Segunda Guerra Mundial, foi promovido a cargos superiores depois da guerra e desertou para a União Soviética em 1963, quando sua descoberta se tornou inevitável.

miniaturadaimagem|Primeira página da revista semanal The Times, de 15 de maio de 1940, com a manchete "The old prime minister and the new" Entre 1941 e 1946, o historiador britânico de esquerda E. H. Carr foi editor-assistente. Carr ficou conhecido pelo tom fortemente pró-soviético de seus editoriais.Beloff, Max. "The Dangers of Prophecy", pp. 8–10, History Today, vol. 42, n.º 9, setembro de 1992, p. 9. Em dezembro de 1944, quando houve combates em Atenas entre a organização comunista grega ELAS e o Exército Britânico, Carr tomou partido dos comunistas em um editorial de The Times. Winston Churchill condenou Carr e o texto em discurso na Câmara dos Comuns do Reino Unido.Davies, Robert William. "Edward Hallett Carr, 1892–1982", pp. 473–511, Proceedings of the British Academy, vol. 69, 1983, p. 489. Em razão do editorial de Carr, The Times passou a ser chamado popularmente, nessa fase da Segunda Guerra Mundial, de "Daily Worker de três pence", pois o Daily Worker, do Partido Comunista, custava um penny.Haslam, Jonathan. "We Need a Faith: E.H. Carr, 1892–1982", pp. 36–39, History Today, vol. 33, agosto de 1983, p. 37.

miniaturadaimagem|esquerda|Roy Thomson Em 3 de maio de 1966, o jornal voltou a imprimir notícias na primeira página. Antes disso, a capa era dedicada a pequenos anúncios, em geral voltados às classes mais abastadas da sociedade britânica. Também em 1966, o brasão real, presente no cabeçalho do jornal desde sua fundação, foi abandonado. No mesmo ano, membros da Família Astor venderam o jornal ao magnata editorial canadense Roy Thomson. A Thomson Corporation colocou The Times e The Sunday Times sob o mesmo controle, formando a Times Newspapers Limited.

Uma disputa trabalhista levou a administração a suspender a publicação do jornal por quase um ano, de 1 de dezembro de 1978 a 12 de novembro de 1979.

A administração da Thomson Corporation tinha dificuldades para manter a empresa em meio à crise energética de 1979 e às reivindicações sindicais. Procurou então um comprador capaz de garantir a continuidade dos dois títulos, com recursos e compromisso para financiar a adoção de métodos modernos de impressão.

Entre os interessados estavam Robert Maxwell, Tiny Rowland e Lord Rothermere. Apenas um comprador, porém, tinha condições de atender a todas as exigências da Thomson: o empresário australiano Rupert Murdoch. Robert Holmes à Court, outro empresário australiano, já havia tentado comprar The Times em 1980.

Desde 1981 Em 1981, Murdoch, por meio da News International, comprou The Times e The Sunday Times da Thomson. A aquisição ocorreu depois de três semanas de negociações intensas com os sindicatos, conduzidas pela empresa por John Collier e Bill O'Neill. Murdoch assumiu compromissos legais de manter recursos jornalísticos separados para os dois títulos. O brasão real voltou ao cabeçalho por volta dessa época. Antes, o jornal usava as armas do monarca reinante. A partir de então, passou a usar as da Casa de Hanôver, dinastia que ocupava o trono quando o jornal foi fundado.