Educação dialógica é a educação que tem por base o diálogo. Defendida por Paulo Freire, tal modelo se opõe à "educação bancária" ou antidialógica, na qual o professor transmite conhecimentos, "faz depósitos" nos alunos, emite comunicados. Na educação bancária, o ato cognoscente do professor (o único sujeito na relação pedagógica) incide sobre um objeto a ser conhecido e esgota-se nele mesmo. Já na educação dialógica, há comunicação entre dois sujeitos, mediatizada pelo objeto a ser discutido. Em outras palavras, o objeto (que pode ser um problema social, um conteúdo curricular) serve de ponte, de intermediário entre dois sujeitos: aluno e professor. Por este motivo, a educação dialógica supera a dicotomia professor-aluno.
Paulo Freire foi declarado como patrono da educação brasileira no ano de 2012 devido a sua proposta educativa que procurava conscientizar o pensamento crítico dos alunos por meio da sua metodologia dialógica entre o professor e aluno, método e objetivo este que ia contra o sistema educacional daquela época.
A pedagogia dialógica de Paulo Freire estava firmada em conceitos voltados para o desenvolvimento do pensamento crítico do aluno com relação a sociedade, a fim de conscientizar sobre a desigualdade social, com objetivo de conscientizar por meio da contextualização e transformar a abordagem em um espaço democrático e aberto ao diálogo.GOMES, Cláudia Suely Ferreira; GUERRA, Maria das Graças Gonçalves Vieira. Educação dialógica: a perspectiva de Paulo Freire para o mundo da educação. Rev. Ed. Popular, Uberlândia, v.19, n.3, p. 4-15, set./dez/2020
A educação dialógica é um dos conceitos centrais da pedagogia de Paulo Freire e parte da ideia de que ensinar e aprender são processos construídos em conjunto. Nessa perspectiva, a relação entre professor e estudante acontece por meio do diálogo, em que ambos compartilham conhecimentos, experiências e aprendizados. Assim, o professor deixa de ser apenas quem transmite conteúdos e passa a incentivar a participação ativa dos alunos na construção do conhecimento.
Para Paulo Freire, o diálogo vai muito além de uma simples conversa. Ele se baseia no respeito, na escuta, na troca de ideias e na valorização das experiências que cada estudante traz consigo. O aprendizado ganha mais significado quando parte da realidade vivida pelos educandos, permitindo que eles desenvolvam uma visão crítica sobre o mundo e compreendam seu papel na transformação da sociedade.
Esse modelo de educação se opõe ao que Freire chamou de educação bancária, em que o professor assume o papel de único detentor do conhecimento e os estudantes apenas recebem e memorizam informações de forma passiva. Na educação dialógica, o conhecimento é construído coletivamente por meio da interação, da reflexão e da participação de todos, favorecendo a autonomia, o pensamento crítico e a formação de cidadãos mais conscientes e participativos.
A metodologia da pedagogia dialógica funcionava da seguinte maneira: O educador primeiramente se preocupava em alfabetizar os trabalhadores da região por meio de palavras comumente utilizadas no seu cotidiano, como por exemplo, um produtor rural inicialmente aprenderia palavras como enxada e terra e de forma gradativa o professor contextualizava as palavras com a realidade vivida pelo aluno a fim de desenvolver o pensamento crítico de sua condição social, sendo assim que a aprendizagem acontece, por meio da convivência e experiencia com crítica do aluno.
O método da educação dialógica proposto por Paulo Freire tem como base a participação ativa dos estudantes em todo o processo de ensino e aprendizagem. Em vez de apenas receber informações, os alunos são incentivados a questionar, refletir, dialogar e construir o conhecimento junto com o professor.
Um dos princípios fundamentais desse método é o diálogo horizontal, em que educador e educando mantêm uma relação de respeito e troca de experiências, reconhecendo que ambos podem ensinar e aprender. Além disso, o ensino parte da realidade vivida pelos estudantes, utilizando situações do cotidiano como ponto de partida para discussões e investigações, tornando a aprendizagem mais significativa.
Outro aspecto importante são os temas geradores, que organizam os conteúdos a partir de problemas e questões presentes na vida da comunidade dos educandos. Dessa forma, o conhecimento deixa de ser algo distante e passa a estar diretamente relacionado às experiências e aos desafios enfrentados pelos alunos.
A educação dialógica também está fundamentada na práxis, ou seja, na união entre reflexão e ação. Não basta apenas compreender a realidade; é necessário desenvolver uma postura crítica e agir para transformá-la. Nesse processo, o conhecimento é construído de forma coletiva, por meio do diálogo, da pesquisa, do debate e da colaboração entre todos os participantes.
Nessa perspectiva, o professor não ocupa o papel de único detentor do saber. Sua função é atuar como mediador da aprendizagem, criando oportunidades para que os estudantes desenvolvam autonomia, curiosidade, senso crítico e capacidade de participar ativamente da construção do conhecimento.
A relação entre professor e aluno diferentemente dos outros métodos de ensino, pois na pedagogia dialógica há um sentimento de camaradagem, onde tanto o educador como o educando aprendem e compartilham saberes. Freire vai contra a educação bancária, conceito este criado pelo cuja educação é similar ao método de ensino aonde somente o professor é portador do conhecimento e portador da verdade, não havendo abertura para discussões. Por fim, a relação entre educador e educando é quase inexistente, visto que um ensina ao outro.
O que a educação dialógica não é
Vale observar que, apesar de defender uma educação baseada no diálogo, Freire não condenou a aula expositiva. Nesse sentido, é relevante citar um trecho de um livro escrito por Freire e Ira Shor, reproduzido no Dicionário Paulo Freire:
A educação dialógica também não é – não deve ser – mero "papo furado". Escreve Freire em Pedagogia da Esperança:
Outro equívoco comum em relação é que tal educação ela implica uma absoluta horizontalidade entre educador e educando. Escreve freire, na mesma obra:
Ver também Pedagogia do Oprimido
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