Júlia Pedroso Zanatta (Criciúma, 20 de março de 1985) é uma advogada, jornalistahttps://juliazanatta.com.br/quem-sou/ e política brasileira, filiada ao Partido Liberal (PL).
Biografia Formada em Jornalismo e Direito, defende o direito à legítima defesa, liberdade econômica e a autonomia familiar na educação. Zanatta é crítica ao que classifica como "doutrinação ideológica" nas escolas e se opõe ao direito de interrupção de gravidez.
Guilherme foi banido da Uber em novembro de 2022 por um suposto episódio de racismo. O caso ganhou repercussão em 2024, após Colombo mover um processo contra a plataforma para voltar a utilizar os serviços.
Na eleição municipal de Criciúma em 2020 concorreu à prefeitura do município, ficou em 3º lugar com 6.953 votos (7,03% dos votos válidos).
Já nas eleições de 2022, foi eleita Deputada Federal por Santa Catarina com 111.588 votos (2,81% dos votos válidos).
Em sua atuação legislativa no Congresso, Zanatta apoiou a norma técnica do Conselho Federal de Medicina que impede a indução da parada cardíaca em fetos durante procedimentos preparatórios ao aborto. Ela também apresentou o Projeto de Decreto Legislativo nº 486/2023, para sustar a obrigatoriedade da vacinação contra a Covid-19 em crianças de seis meses a cinco anos, alegando que, embora recomendada pela OMS, a vacina atualmente não é obrigatória em nenhum país.Em 2025, foi alvo de pedido de providências na Advocacia-Geral da União, por supostamente promover campanha antivacina. A ação partiu do grupo jurídico Prerrogativas, que classifica atos da deputada como “campanha sistemática de desinformação sanitária”. No pedido de providências, são citados dois projetos de lei assinados por Zanatta voltados ao tema: o PL 2643/2025 - que visa desobrigar pais ou responsáveis a vacinarem menores de idade, e o PL 2641/2025 - que dispõe sobre a vedação da vacinação compulsória no território nacional, além de criar o crime de “coação vacinal”, que altera o Código Penal.
Vida pessoal Júlia Zanatta vive com Guilherme Colombo, com quem tem uma filha. Ela também possui uma outra filha adolescente, de um relacionamento anterior. Apesar de viverem juntos e terem uma filha em comum, Júlia declarou que não é casada com Colombo. Ele, por sua vez, esclarece que a situação se refere apenas ao âmbito religioso, uma vez que o casal não possui união civil reconhecida. Colombo busca, há cinco anos, a anulação de um casamento religioso anterior, que durou apenas seis meses.
O Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) autorizou Zanatta e o companheiro a utilizarem a frase "meu voto é casado" em campanha, no mês de agosto. A decisão ocorreu após o casal ingressar com ação na Justiça Eleitoral contra publicações que se referiam à deputada como "amante" ou "concubina", acompanhadas de montagens nas redes sociais. Segundo Colombo, eles venceram a ação, pois esse tipo de ataque não faz parte do jogo democrático.
Controvérsias
Assédio judicial O levantamento "Monitor de Assédio Judicial contra jornalistas no Brasil 2024" da Abraji, coloca Zanatta como uma das pessoas que mais ajuizou ações contra jornalistas e que foram classificadas como assédio judicial, com mais de uma dezena de casos. Entre os processados, estão jornalistas que denunciaram o uso de dinheiro público para pagamento de notícias a favor da parlamentar durante os desastres ambientais na região Sul do Brasil em 2024.
Caso da tiara de flores e associação ao nazismo Zanatta ficou conhecida por utilizar sua tiara de flores como forma de imagem e identificação, dizendo ser símbolo da feminilidade da mulher e referente ao traje típico germânico, comum na Oktoberfest de Blumenau, seu reduto eleitoral, e se defende dizendo não ter relação nenhuma com o nazismo. Conta, também, ter comprado o acessório naquele recinto antes da eleição. O uso da tiara se tornou uma marca registrada durante a campanha ao ser criticada por posar com a tiara e uma arma em mãos.
A deputada nega as acusações e associações com a estética nazista, entrando com processo contra pessoas que fizeram tais associações como a deputada Gleisi Hoffmann (PT/PR) e o jornalista Chico Pinheiro, tendo sido derrotada no primeiro processo. Em 13 de junho de 2024, Felipe Neto publicou em suas redes sociais que a tiara de flores usada por Zanatta "é tida por muita gente como um símbolo de apologia ao nazismo", acrescentando que ela "curiosamente" não usou o acessório ao discursar no Parlamento Europeu.
Em julho de 2024, a Justiça de Santa Catarina negou o pedido de Zanatta para que Neto removesse a publicação. O juiz entendeu que não houve associação direta da deputada ao nazismo, pois a postagem mencionava apenas a percepção pública sobre o acessório, sem chamar Zanatta de nazista de forma categórica.
No entanto, em abril de 2025, a 41ª Vara Criminal do Rio de Janeiro aceitou a queixa-crime apresentada por Zanatta, tornando Felipe Neto réu pelos crimes de injúria e difamação. A decisão reconheceu indícios de materialidade e autoria dos delitos. Uma audiência de conciliação realizada em 2 de abril de 2025 entre as partes não chegou a um acordo.
A defesa de Neto afirmou que confia na Justiça e ressaltou que o recebimento da queixa-crime não representa condenação, mas apenas o início da fase de análise do mérito da ação, com a apresentação de provas pelas partes.
Em 9 de setembro de 2026, a Justiça do Rio de Janeiro extinguiu a ação penal da deputada Júlia Zanatta contra o influenciador Felipe Neto. O motivo da decisão foi a falta de andamento do processo. Zanatta acusava o influenciador de difamação e injúria após uma publicação em uma rede social associando sua tiara de flores ao nazismo.
Acusação de assédio sofrido Em 2023, Zanatta acusou o deputado Márcio Jerry por importunação sexual, após ele se aproximar pelas costas para cochichar durante uma discussão. O caso foi levado ao Conselho de Ética da Casa, mas foi arquivado após pedido de desculpas do parlamentar.
Pedido de afastamento da Câmara Em agosto de 2025, o presidente do Congresso Hugo Motta decidiu indicar a punição do afastamento do mandato da parlamentar por até seis meses. Junto com outros parlamentares bolsonaristas, Zanatta protestava contra a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, réu no Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe de Estado. Na ocasião, ela foi alvo de críticas de ter levado a filha para o plenário. Zanatta admitiu que estava usando a criança como "escudo", sendo inclusive denunciada ao conselho tutelar pelo também deputado Reimont.
Ocupação no Plenário e Amamentação Em 6 de agosto de 2025, durante uma ocupação do plenário da Câmara dos Deputados por parlamentares de oposição, a deputada federal Júlia Zanatta permaneceu no local acompanhada de sua filha, ainda bebê. Durante o episódio, Zanatta também se sentou na cadeira destinada à Presidência da Câmara, então ocupada institucionalmente por Hugo Motta (Republicanos-PB).
A ocupação havia começado no dia anterior e também ocorreu no plenário do Senado Federal. Os parlamentares envolvidos protestavam contra medidas judiciais impostas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, entre elas sua prisão domiciliar determinada pelo Supremo Tribunal Federal. Na ocasião, o presidente da Câmara, Hugo Motta, havia convocado uma sessão e anunciado a possibilidade de adoção de medidas disciplinares contra os deputados que permanecessem no plenário, incluindo a suspensão do mandato por até seis meses. Também afirmou que a Polícia Legislativa poderia ser acionada para realizar a desocupação.
Durante a manifestação, Zanatta publicou nas redes sociais imagens de sua permanência na cadeira da Presidência e fez críticas à condução dos trabalhos da Câmara. Em meio às repercussões sobre a presença de sua filha no plenário, a deputada afirmou em uma publicação que estava utilizando a criança como “escudo”, em referência às críticas que havia recebido por levar a bebê ao local.
O episódio também gerou questionamentos relacionados à proteção da criança. O deputado federal Reimont (PT-RJ), então presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, encaminhou solicitação ao Conselho Tutelar de Brasília para que fosse apurada a situação. Segundo Reimont, a permanência da criança em um ambiente de tensão e instabilidade durante a ocupação poderia representar situação de risco e justificar a atuação do órgão.
O caso posteriormente voltou a ser mencionado em sessões da Câmara. Em março de 2026, durante debate no plenário, Reimont voltou a citar o episódio de agosto de 2025 e afirmou que havia acionado o Conselho Tutelar por considerar que a criança poderia estar em situação de risco. Zanatta, por sua vez, relatou o episódio em plenário e criticou o acionamento do órgão, relacionando-o à sua condição de mãe e ao fato de estar amamentando a filha.
Escala 6x1 Em setembro de 2026, a deputada federal Júlia Zanatta declarou, durante participação no podcast 3 Irmãos, ser contrária às propostas de redução da jornada de trabalho e de alteração da escala 6x1. Ao comentar o tema, a parlamentar relacionou sua posição a princípios religiosos e afirmou acreditar que Jesus Cristo apoiaria seu posicionamento. Durante a entrevista, declarou: “Eu faço as coisas aqui pra ir pro céu”. A declaração ocorreu no contexto das discussões no Brasil sobre mudanças na jornada de trabalho, incluindo propostas que buscam reduzir a carga horária semanal e alterar ou extinguir a escala 6x1, regime em que o trabalhador exerce suas atividades durante seis dias consecutivos e dispõe de um dia de descanso.
Ao justificar sua posição, Zanatta associou suas convicções políticas e econômicas à sua interpretação de princípios do cristianismo. A fala foi posteriormente repercutida nas redes sociais e incorporada ao debate público sobre a redução da jornada de trabalho. A discussão sobre a escala 6x1 envolve diferentes posições entre trabalhadores, organizações sindicais, entidades empresariais e parlamentares. Entre os argumentos favoráveis à redução da jornada estão possíveis efeitos sobre o descanso, a qualidade de vida e o tempo disponível para atividades pessoais e familiares. Entre os argumentos contrários estão possíveis impactos sobre os custos das empresas, a organização das atividades econômicas e o mercado de trabalho.
Posicionamentos políticos A atuação parlamentar e o discurso político estão associados ao conservadorismo brasileiro e a pautas de orientação cristã, com ênfase em temas relacionados à família, à liberdade individual, à segurança pública e à economia. Sua atuação política também se caracteriza pelo alinhamento com o campo político de direita associado ao bolsonarismo e pela oposição a governos e propostas identificados com a esquerda.
Entre os fundamentos de seu discurso político estão os princípios sintetizados nas expressões “Deus, Pátria, Família e Liberdade”. No campo dos valores sociais e religiosos, Zanatta se posiciona contra a ampliação das hipóteses de aborto e defende a proteção da vida desde a concepção. Também manifesta oposição a políticas relacionadas à chamada “ideologia de gênero”, especialmente quando aplicadas ao ambiente escolar e à formulação de políticas públicas. Em seus pronunciamentos, defende a família e a autoridade dos pais na educação dos filhos, além da liberdade religiosa.
Outro eixo de sua atuação está relacionado à defesa das liberdades individuais e da propriedade privada. A deputada defende a ampliação do acesso às armas de fogo para cidadãos e para os chamados CACs, argumentando que o armamento está relacionado ao direito à legítima defesa. Também atribui importância à liberdade de expressão e manifesta oposição a medidas que considera restritivas ao exercício desse direito, especialmente no contexto das redes sociais e do debate político.