Venom é uma banda de metal inglesa, formada em 1979. Proveniente do NWOBHM, a formação clássica da banda era composta por Cronos (voz e baixo), Mantas (guitarra) e Abaddon (bateria).
O estilo inovador do Venom, com um som muito pesado para a sua época, o vocal ríspido de Cronos, o ritmo veloz e as letras satânicas, fizeram a banda se destacar no cenário mundial consagrando-os como um dos grupos mais conhecidos e importantes do metal dos anos 1980. Seus dois primeiros álbuns, Welcome to Hell (1981) e Black Metal (1982), tornaram-se referência no gênero e são considerados os primeiros discos de metal extremo lançados. Sua influência sobre o thrash metal e outros estilos foi tamanha, que seu segundo disco deu nome ao subgênero black metal.
Biografia As origens (1978 - 1980) O Venom foi originalmente formado como um quinteto (vocal, duas guitarras, baixo e bateria), sob o nome Guillotine, em 1978. Suas influências originais, ou mais propriamente dito, do seu guitarrista Jeff Dunn, que comandava musical e ideologicamente a banda, eram as junções musicais entre o punk e o metal de bandas como Motörhead, os riffs agressivos e rápidos de grupos como Judas Priest, a atração por grupos ocultistas, como Black Sabbath, e do drama visual de bandas como Kiss. Eles também foram influenciados por lendárias bandas de hard rock setentistas como Led Zeppelin.
thumb|left|160px|Mantas em Londres (2014) Após o vocalista e baterista originais deixarem a banda devido a diferenças pessoais (o baterista Chris McPeters decidiu se casar e o vocalista Dave Blackman se aborreceu quando um ensaio do grupo com fogos de artifício terminou incendiando seu jardim), o acaso determinou que Jeff Dunn conhecesse em um show do Judas Priest em Newcastle, os que, até então, eram membros da banda Oberon: o baterista Tony Bray e vocalista Clive Archer. Observando que ambos mostraram insatisfação com a cena metal na época, onde as bandas mais pesadas passaram a ser Judas Priest e Motörhead, Dunn ofereceu a ambos os músicos audição para os cargos vagos na banda.
No final de 1979, o segundo guitarrista, D. Rutherford também decidiu deixar o projeto por motivos pessoais e à segunda posição guitarra foi ocupada por Conrad Lant, o qual Dunn tinha encontrado na casa de um amigo em comum. Com o advento da Lant, o Venom tinha definido completamente o caráter musical e lírico, pelo qual viria a ser conhecido, a banda mudou o nome de Guillotine para Venom e seus membros adotaram pseudônimos pelo que hoje são conhecidos (Cronos: Conrad Lant , Mantas: Jeff Dunn, Abbadon: Tony Bray e Jesuschrist: Clive Archer). Nessa época, o baixista original Dean Hewitt foi substituído por Alan Winston, o recém-chegado.
Winston acabaria por deixar o conjunto em menos de um ano, uma semana antes do primeiro show da banda no Clube Meth em Wallsend, Inglaterra. A partir desse momento Cronos assumiu a responsabilidade de interpretar o baixo, dizendo que "tocar baixo não poderia ser tão difícil, afinal". Venom tornou-se assim um quarteto com um vocalista (Jesuschrist) um guitarrista (Mantas), um baixista (Cronos) e um baterista (Abbadon).
Em abril de 1980, esta formação entrou em estúdio para gravar a primeira demo incluindo três de suas músicas clássicas, "Angel Dust", "Raise the Dead" e "Red Light Fever". Mas esta seria a única gravação conhecida do Venom como um quarteto, porque Clive Archer deixou a banda logo depois. Em seguida, o grupo se concentraria em compor novas músicas e em ensaiar aqueles que já tinham, até acharem um novo vocalista.
Foi durante um desses testes que Cronos tomou o microfone para acompanhar uma das canções recém-compostas por Mantas ("Live like an Angel") e, em seguida, Mantas e Abaddon reconheceram que a combinação de cantos e gritos guturais eram exatamente o tipo de som que estavam procurando para a banda. Assim sendo, Cronos fica como baixista e vocalista.
Primeiros álbuns - formação clássica (1981 - 1986) thumb|160px|Cronos no Party.San Metal Open Air (2013) A primeira gravação do Venom como um trio foi o single "In League with Satan". Esta foi uma das canções incluídas no álbum de estreia do Venom, "Welcome to Hell" , lançado no fim de 1981. É considerado por muitos como o primeiro álbum de thrash metal e black metal, e teve uma grande influência sobre o desenvolvimento desses estilos, tornando-se um "divisor de águas" no metal. Welcome to Hell contém a música "Mayhem com Mercy", que foi a inspiração para o nome da banda norueguesa Mayhem. O álbum foi na realidade uma coleção de demos e, de acordo com o próprio Cronos, é a razão pela qual há uma grande diferença na qualidade de som entre Welcome to Hell e seu segundo álbum.
Um ano após o lançamento de Welcome to Hell, foi lançado o álbum "Black Metal", considerado por muitos o álbum mais importante do Venom. Black Metal é citado como talvez a influência mais importante para o desenvolvimento de black metal, thrash metal, death metal, e outros estilos que formariam o que seria definido como metal extremo. Foi o responsável por batizar o gênero black metal surgido na Noruega início dos anos 1990, devido à admiração que os músicos tinham pela banda.
O terceiro LP do grupo "At War with Satan" trouxe uma variação no nível estilístico das interpretações (incluindo uma faixa-título em forma de epopeia de 20 minutos, que já havia sido introduzido na gravação anterior). At War with Satan colocou o Venom no mesmo nível que outros grupos de sucesso da época como Iron Maiden e Motörhead. Também apareceu sorrateiramente nas paradas de álbuns no Reino Unido (n º 64) e Suécia (n º 48).
Em 1985 o Venom apresentou "Possessed", lançamento que, embora essencialmente mantivesse os elementos básicos da banda, flerta abertamente com as fronteiras comerciais do gênero, propondo uma visão mais refinada do som do grupo e afastando-se do satanismo clássico para abordar o ocultismo como temática. A banda imediatamente recebeu rejeição pelo disco e rapidamente gravou um novo álbum chamado Deadline, mas este nunca veria a luz porque Mantas sairia do Venom para tentar uma carreira solo.
No ano de 1986 saiu a coletânea The Singles 1980-1986, contendo, como o nome diz, os singles lançados em 1980 e 1986. Dentre as canções incluídas, dez delas não haviam aparecido em nenhum disco, mas acabaram tornando-se famosas entre os fãs, como "Bloodlust", "In Nomine Satanas", "Die Hard" e "Seven Gates of Hell". No fim do mesmo ano, foi lançado Eine Kleine Nachtmusik, disco duplo ao vivo que marcou o encerramento da formação clássica do trio britânico.
Mudanças na formação e fim da banda (1987 - 1993) Para substituir Mantas foram recrutados dois guitarristas: Mike Hickey e Jim Clare. Seu álbum de 1987 "Calm Before the Storm" apresentou um som mais polido, deixando os temas satânicos de lado para abordar a literatura de J.R.R. Tolkien. Excursionaram neste ano pela América do Sul, inclusive no Brasil, juntamente com a banda canadense Exciter. As vendas do álbum foram bem abaixo do antecessor, "Possessed". Lant, Clare e Hickey saíram do Venom após a turnê promocional e formaram um novo grupo com o nome Cronos.
thumb|left|Tony "Demolition Man" Dolan durante show em 2013 Abaddon retomou contato com Mantas e convenceu-o a trabalhar com ele em um novo projeto chamado Sons of Satan. Em uma conversa por telefone com Cronos, Abaddon perguntou se ele teria algum problema em continuar usando o nome Venom em vez de Sons of Satan. O baixista disse que ele não tinha nenhuma objeção, porque eles eram membros originais do Venom e tinha todo o direito de continuar com esse nome.
Abaddon e Mantas contrataram o guitarrista Al Barnes e o substituto de Cronos, Tony Dolan, conhecido por ser o baixista do grupo britânico Atomkraft. A banda começou a trabalhar em seu próximo álbum, Prime Evil. Dolan tinha uma voz semelhante à de Cronos e era um baixista talentoso; a banda definiu o apelido de "Demolition Man" para ele. Ainda assim, Dolan não se via como um substituto para Cronos: "Não estou tentando substituir Cronos, seria loucura pensar que eu poderia fazer isso. O que ele fez nesta banda foi algo sensacional e único. Porém eu posso ser eu mesmo, e sinto que deveria trazer algo novo para Venom. É um novo começo e é do jeito que queremos seguir com a nossa música".
A banda gravou Prime Evil, em 1989, que foi muito bem recebido pela crítica, mas não por alguns fãs que alegaram estar sentindo falta de Cronos. O som da banda parece voltar às suas raízes e a re-experimentar as letras sobre satanismo. Mas o Venom ainda seguia sem recuperar sua reputação e popularidade que continuava a cair. A onda de thrash metal, iniciada na Europa pelo Venom não estava passando por um bom momento, e a tendência da década de 1990 é, na verdade, mais voltada para bandas de death metal como Cannibal Corpse e Deicide.
Tony Dolan, apesar de suas qualidades como líder, não foi bem aceito entre os fãs do grupo e sofreu as consequências: "Há pessoas que gritam para que Cronos volte em nossos concertos. Que eu gostaria que acontecesse. Mas por enquanto tudo o que peço é que as pessoas me deem a chance de mostrar o que posso fazer."
A banda mudou seu guitarrista (Al Barnes foi substituído por Steve White), continuou a turnê e acabou sendo uma sombra do que tinha sido. Dois novos álbuns foram publicados: Temples of Ice e The Waste Lands, em 1991 e 1992, respectivamente; que foram completamente ignorados pelos críticos e fãs. Nestes discos, o grupo experimentou novos sons, incluindo sintetizadores, mas mesmo assim não conseguiram chamar atenção.
Em 1993 o Venom anuncia sua separação.
Retorno com a formação clássica (1995 - 2002)
Em 1995, Cronos retomou contato com Mantas e Abaddon com a intenção de reunir a formação clássica do Venom. A notícia da reforma da banda foi uma notícia de grande importância para a imprensa e deu esperança aos seus fãs. O Venom foi a atração principal do festival holandês Dynamo Open Air de 1996 tocando para cerca de 90.000 pessoas.
Em 1997 foi publicado o esperado álbum de reunião, Cast in Stone. Ele foi muito bem recebido pela crítica e fãs, e foi uma surpresa para muitos que esperavam um retorno ao som de Black Metal. As letras, escritas por Cronos, no entanto, seguem a linha das feitas na década de 1980. O álbum também foi lançado com um CD bônus incluindo novas versões de suas canções clássicas. Depois de uma turnê mundial, o Venom lançou o disco duplo “New, Live & Rare” em meados de 1998.
No entanto, apesar do sucesso cênico e comercial desta formação, a situação nos bastidores estava longe de ser idílica. Abaddon e Cronos não conseguiam trabalhar juntos. O baterista, que estava na banda desde o início, queria continuar como líder do grupo, apesar das tentativas de Cronos retomar o posto. Cronos respondeu que ele era um membro insubstituível dentro do grupo e, se alguém deveria sair, seria melhor este fosse Abaddon. No entanto, os três membros concordaram em tentar gravar um novo álbum.
Cronos e Mantas se reuniram em um estúdio na Alemanha para começar a compor. Para gravar as faixas de bateria Cronos chamou seu irmão Anthony "Antton" Lant como músico de estúdio. Abaddon deixou a banda permanentemente e Antton tornou-se um membro oficial. O novo álbum, chamado Resurrection, foi publicado em 2000. Embora seja geralmente referido como uma continuação do Cast In Stone, principalmente em relação as letras, a banda musicalmente inova aproximando do groove metal de bandas como Pantera, Sepultura e Soulfly. Participou no verão do mesmo ano no festival alemão Wacken Open Air como um dos headliners.
Hiato e turnê de 25 anos (2002 - 2006) thumb|220px|right|Venom no Tuska Open Air 2006. Em fevereiro de 2002, Cronos teve um acidente durante uma escalada no País de Gales. A queda foi muito grave e o impediu de cantar e tocar seu instrumento por um tempo. Todos os shows da banda foram cancelados e Cronos começou a sua reabilitação.