A Terra Indígena São Marcos é um território indígena brasileiro, nos municípios de Pacaraima (80,96% de sua superfície) e Boa Vista (19%), tradicionalmente habitado por comunidades de três etnias originarias: Taurepang, Macuxi e Wapixana.
História A ocupação do território pelos povos indígenas é uma presença tradicional desde tempos imemoriais, muito anteriores às primeiras incursões no vale do rio Branco pelos colonizadores portugueses, holandeses e castelhanos no século XVI, sendo descrita no processo da demarcação nos seguintes termos:
O nome "São Marcos" para esta Terra Indígena (TI) decorre do fato de seu território pertencer a uma das três fazendas da Coroa criadas pelas autoridades coloniais portuguesas no século XVIII: São José, São Bento e São Marcos. Estas Fazendas da Coroa teriam sido fundadas pelo capitão português Nicolau de Sá Sarmento, então comandante do Forte de São Joaquim do Rio Branco. A Fazenda São Marcos teria sido implantada entre os anos de 1787 a 1793, no local situado à margem esquerda do rio Uraricoera, com objetivo de utilizá-la como ponto estratégico de ocupação e para assegurar a posse das terras do vale do rio Branco.
Em 1916, a administração e a fiscalização da fazenda São Marcos é repassada para o Serviço de Proteção ao Índio (SPI), instituição criada em 1910, sendo esta a última das fazendas nacionais que foi mantida como patrimônio público desde o advento da República no Brasil em 1889.
Flora O bioma amazônico cobre a totalidade da área demarcada, ainda que possua uma fitofisionomia diversificada com savana (29,41%), cobertura vegetal composta pelo contacto Savana-Formações Pioneiras (24,43%), savana estépica (21,59%), Floresta Ombrófila Densa (18,89%) e as áreas de contato Savana-Floresta Estacional (5,68%), a qual está situada na bacia hidrográfica do rio Negro.
Demografia
Estima-se que a população da TI São Marcos era de 5.838 pessoas no ano de 2015.
Na TI São Marcos há, além da língua portuguesa, populações falantes de três línguas indígenas: o idioma Wapixana do tronco Aruak, o idioma Taurepang e a idioma Macuxi, ambos do tronco linguístico Karib.
Em 2015, a Terra Indígena São Marcos possuía 45 comunidades que estavam distribuídas por 3 áreas do território: Alto São Marcos (24 comunidades); Médio São Marcos (9 comunidades); Baixo São Marcos (12 comunidades).
Educação escolar indígena As instituições escolares situadas na TI que oferecem educação básica por meio do sistema de ensino da Secretaria Estadual de Educação são as seguintes: Escola Estadual Indígena Izaura Roth (comunidade Sabiá); Escola Estadual Indígena Professor Jose Malheiros (comunidade Guariba); Escola Estadual Indígena Tuxaua Felismino (comunidade Xiriri); Escola Estadual Indígena Filismino de Alcantara (comunidade Pato); Escola Estadual Indígena Manoel Anisio da Silva (comunidade Caranguejo); Escola Estadual Indígena Indio Tuxaua Evanderson (comunidade Lagoa).
Questões fundiárias O reconhecimento formal da terra indígena começou em 1985 com a edição pela FUNAI da Portaria n. 1.856/E, de 15 de abril de 1985, que designava servidores para procederem levantamento fundiário na AI São Marcos. Dessa Portaria seguiram-se vários atos administrativos voltados para a formalização desse território até a expedição do Decreto presidencial n. 312, de 29 de outubro de 1991, publicado no D.O.U. de 30 de outubro de 1991, o qual a homologou em definitivo.
A TI São Marcos vem sofrendo pressões de não-indígenas sobre seu território, principalmente por fazendeiros e pela exploração mineral ilegal realizada pelo garimpo clandestino.
Desde 2019, este território indígena vem ganhando notoriedade nacional em razão do Senado Federal e da Câmara dos Deputados estarem discutindo um projeto de Decreto Legislativo que pretendia reduzir a área em questão para excluir a cidade que funciona como sede do município de Pacaraima.
São Marcos Categoria:Geografia de Roraima