Aruá Açulaii, nome completo Arwā bint Aḥmad ibn Muḥammad ibn Jaʿfar ibne Mūsā aṣ-Ṣulayḥī (; Jabal Haraz, 1048 – Jibla, 5 de maio de 1138) foi uma rainha e governante iemenita, primeiro como co-governante ao lado de dois maridos e depois como governante integral de 1067 até 1138.

Aruá foi a última dos governantes da Dinastia Sulaída e também a primeira mulher a receber o prestigiado título de Hujja, usado dentro do Ismaelismo para se referir a um único indivíduo em qualquer era humana que representa a "prova" da existência de Deus para a humanidade. É popularmente chamada de As-Sayyidah Al-Ḥurrah (), Al-Malikah Al-Ḥurrah ( ou Al-Ḥurratul-Malikah () e Malikat Sabaʾ Aṣ-Ṣaghīrah ().

Como soberana e como mulher, Aruá tem uma posição quase única na história: embora houvesse mais monarcas no mundo muçulmano internacional, Aruá e Asma bint Shihab foram as únicas monarcas no mundo árabe muçulmano a ter o Khutba, o último reconhecimento do status monárquico muçulmano, proclamado em seu nome nas mesquitas. Ela fundou várias mesquitas, a mais proeminente é a Mesquita da Rainha Aruá em Jibla.

Aruá foi a primeira rainha governante do mundo muçulmano. Através de seu título de Hujá, ela é a única mulher muçulmana a exercer autoridade política e religiosa por direito próprio. Rainha construtora, construiu estradas, escolas e mesquitas, desenvolvendo a economia do reino e apoiando a sua agricultura. Enviou missionários à Índia, onde promoveu o estabelecimento de comunidades ismaelitas, em especial na região do Gujarat.

Sua carreira política basicamente pode ser dividida em quatro partes. A primeira abrange o período de seu casamento com al-Mukarram Amade em 1065 até a morte de sua sogra, Asma, em 1074. Durante esse período, não há evidências de que ela detinha algum poder político. A segunda começa após a morte de Asma, e Amade começou a delegar todo o poder a Aruá naquele ponto até sua morte em 1086. Terceiro, após sua morte, Aruá exerceu o poder como rainha-mãe de seu filho Abd al-Mustansir, e ela também foi ordenada por al-Mustansir a se casar com Saba' Açulaii (embora nunca consumado) para legitimação e em seguida foi indicava consorte mesmo que ainda detivesse poder real. Finalmente, após a morte de Saba em 1097 ou 1098, Aruá reinou como única governante por direito próprio, sem nenhum homem no comando.

Nome O nome 'Aruá', significa "íbex fêmea" (). É também um nome tradicional muçulmano para meninas que significa graça, beleza, leveza e vivacidade. Há alguma controvérsia sobre se este era realmente seu nome verdadeiro. S.M. Stern e Sultan Naji argumentam que o nome verdadeiro de Aruá era Sayyidah, não Aruá. Stern sugeriu uma possível confusão com uma princesa sulaída diferente chamada Aruá, e Naji escreveu que ela é "erroneamente chamada de Aruá".

No entanto, Abbas Hamdani diz que as primeiras fontes ismaelitas de fato a chamam de Aruá, como Idris Imad al-Din e uma versão de Tarikh de Umara ibne Abi al-Hasan al-Yamani. O nome "as-Sayyidah al-Hurrah", ou "a nobre dama", é usado nesses textos como um título honorífico "qualificando o nome Aruá". Hamdani diz que Aruá era provavelmente conhecida de forma intercambiável por ambos os nomes durante sua vida. Samer Traboulsi argumenta que os nomes "Sayyidah" e "Sayyidah Hurrah" são "títulos usados por respeito" e que Aruá era seu nome real.

Fontes Existem três fontes principais sobre a vida de Aruá. A primeira é o Ta'rikh al-Yaman, ou História do Iêmen, do século XII de Umara ibne Abi al-Hasan al-Yamani. Umara era um simpatizante fatímida, apesar de ser sunita, que se estabeleceu no Egito em 1164. Seu livro cobriu a Dinastia Sulaída e influenciou cronistas posteriores como Taj al-Din al-Yamani, Ali al-Khazraji e Yahya ibne al-Husayn.

A segunda é o Uyun al-Akhbar wa Funun al-Athar, de Idris Imadadim, o 19º Da'i al-Mutlaq (autoridade semelhante a de um imã) ismailita que viveu durante o século XV. O volume 7 deste trabalho foi dedicado à história doutrinária religiosa dos sulaídas. Seu trabalho é importante porque, como da'i, ele tinha acesso privilegiado a fontes que estariam além do acesso de outros estudiosos.

Finalmente, há um sigillion (um tipo de documento legal bizantino publicamente firmado com um selo, geralmente de chumbo) entre os sulaídas e os fatímidas, importantes como fonte primária. O sigillion al-Mustansiriyya, que compreende 66 sigillion que foram enviados da chancelaria fatímida para os sulaídas, é a principal fonte sobre a rainha Aruá; foi encontrado no Gujarat, na Índia.

Em geral, as fontes ismaelitas têm sido historicamente muito limitadas porque estão fora do alcance da maioria dos estudiosos, exceto os seguidores da Dawa. Eles são encontrados em bibliotecas ismaelitas em todo o Iêmen, Índia, Irã e Ásia Central, mas disponíveis apenas para requerentes aprovados. Eles também foram disponibilizados através do Institute of Ismaili Studies em Londres. Isso contribuiu para um pouco da obscuridade em torno de Aruá e de sua vida. Outro fator é que os historiadores egípcios (como ibne Muyassar, Almacrizi e Ibne Tagribirdi) e iraquianos (como Ali ibne Alatir) geralmente prestavam pouca atenção ao Iêmen durante a era fatímida.

Biografia Aruá nasceu em 1047 ou 1048 da Era Comum (440 Ano da Hégira). Era filha de Amade ibne Alcácime Açulaii e al-Raddah Açulaii. O governante sulaída Ali Açulaii era irmão de seu pai. Seu pai (Amade) morreu enquanto ela era jovem (não se sabe a data exata) e sua mãe se casou novamente com 'Amir ibne Sulayman al-Zawahi, um membro de uma tribo aliada que mais tarde se tornaria um dos principais rivais políticos de Aruá. Após a morte de seu pai, Aruá foi criada no palácio real sob a tutela da mãe e do tio Ali

Após a morte de seu pai, Aruá foi criada no palácio real sob Ali e sua mãe até ela casar novamente com Amir. O casal real supostamente percebeu sua inteligência desde cedo e forneceu a ela a melhor educação disponível. Acredita-se que os sulaídas se orgulhavam de prover uma boa educação às mulheres.

Em 1065 ou 1066, Aruá se casou com seu primo por parte de pai, o príncipe herdeiro al-Mukarram Amade. Este casamento foi arranjado por Ali logo após a morte de seu filho mais velho e herdeiro original al-A'azz. Como preço de noiva, Ali deu a Aruá a receita líquida anual da cidade de Aden, que totalizou 100 mil dinares. O valor foi pago pelos emires de Aden, mas mais tarde eles suspenderam o pagamento quando Ali morreu, apenas para ser retomado quando al-Mukarram Amade restaurou a autoridade saulaída da cidade.

Aruá teve quatro filhos com al-Mukarram Amade: duas meninas, Fatimah (? - 1140), que casou com Ali b. Saba'; Umm Hamdan (? - 1122), que casou com seu primo Ali al-Zawahi; e dois rapazes, Muhammad e Ali, mas ambos morreram ainda criança por volta de 1087.

Rainha consorte Em 1067, Ali Açulaii foi morto pelo líder da cidade de Zabide, Sa'id, da Dinastia Najaída. A rainha Asma foi feita prisioneira em Zabide junto com várias outras mulheres. Al-Mukarram Amade sucedeu Ali como rei e da'i, trazendo Aruá para o novo posto de rainha consorte. Governantes locais em todo o Iêmen estavam se rebelando contra a autoridade da Dinastia Sulaída, na esperança de aproveitar o vácuo de poder após a morte de Ali. Amade passou os anos seguintes fazendo campanha para tentar reafirmar sua autoridade, o que acabou conseguindo.

De acordo com Shahla Haeri e Taef El-Azhari, não há evidências de que Aruá tenha estado em uma posição de autoridade política ou religiosa durante esse período. De acordo com Samer Traboulsi, no entanto, a ausência de al-Mukarram durante sua campanha contínua teria dado a Aruá a chance de desempenhar um papel político.

O papel de Asma bint Shihab neste momento é contestado, assim como sua influência em Aruá. Segundo Fatema Mernissi, Asma foi, de fato, co-governante do Iêmen ao lado de seu marido Ali durante sua vida, e depois foi o poder por trás do trono durante o reinado nominal de al-Mukarram. Taef El-Azhari, no entanto, diz que essa afirmação não tem respaldo em fontes contemporâneas - embora retratem Asma como um indivíduo altamente estimado, há apenas um exemplo de ela realmente estabelecer uma política: em 1063, quando ela conseguiu seu irmão As'ad nomeado como vice na região de Tiama.

Como resultado, segundo El-Azhari, Asma provavelmente não foi uma grande influência na carreira política de Aruá. Por outro lado, Delia Cortese e Simonetta Calderini sugerem que o relato de Umara de Asma convencendo seu filho a declarar guerra contra outra tribo indica que ela exerceu influência política durante seu reinado. As autoras também indicam que Ibne Caldune escreveu que Asma era quem de fato estava no comando durante o início do reinado de seu filho.

Enquanto isso, Shahla Haeri diz que Asma estava "encarregada de assuntos políticos e de governança, controlando informações estratégicas sensíveis e gerenciando todos os assuntos estatais e financeiros" até sua morte, e que Aruá "pode ter aprendido com Asma simplesmente observando-a ou ajudando-a em seus vários deveres oficiais, dada a estreita relação entre as duas mulheres e a facilidade com que Aruá substituiu sua sogra após sua morte".

1074-1084: regente por al-Mukarram Amade thumb|260px|Palácio da Rainha Aruá, Jibla, no Iêmen A rainha Asma morreu em 1074 ou 1075 e Amade ficou acamado devido à paralisia logo depois. A paralisia teria sido causada devido a ferimentos sofridos na batalha em Zabide contra os najaídas no início de seu reinado. Enquanto Amade permaneceu como governante por direito do Iêmen, Aruá tornou-se a soberana de fato ao delegar todo o poder a ela.

Segundo Husain Hamdani (1931), Amade delegou responsabilidades a Aruá por honrar os conselhos da esposa e por ter fé em sua astúcia e inteligência. Segundo os relatos do século XII de Umara al-Yamani, porém, Amade teria tomado essa decisão para "se entregar aos prazeres da música e do vinho" e por querer passar a responsabilidade de governar para sua esposa. Na versão de Umara, Aruá estava relutante em aceitar essa autoridade, dizendo que "uma mulher que [ainda] é desejável na cama não é adequada para administrar um estado".

Cortese e Calderini dizem que "embora esta declaração seja apresentada como uma expressão de suas reservas pessoais, suspeita-se que ela tenha sido de fato construída por Umara como uma maneira para elogiar sua modéstia, mostrando sua relutância em ser lançada no centro das atenções". Umara também pode ter se sentido desconfortável com essa inversão de papéis de gênero e precisou encontrar uma racionalização culturalmente aceitável para isso.

Na prática, se a descrição de Umara sobre sua relutância é verdadeira ou não, Aruá parece ter "poucos, se houver, escrúpulos sobre seu gênero ou a extensão de sua autoridade política". Pouco depois de se tornar regente, Aruá tomou duas decisões importantes. A primeira foi mudar a capital de Saná para Jibla, mais ao sul. Esse decisão teria sido por razões médicas em nome de Amade. Muito provavelmente, no entanto, a decisão de se mudar foi tomada porque os sulaídas queriam uma capital melhor do que Sanaã, "onde a autoridade sulaída estava corroendo".

Aruá marchou pessoalmente à frente de um exército para Jibla, onde ampliou a cidade e supervisionou pessoalmente a construção do novo palácio de Dar al-'Izz. Ela residiria em Jibla a maior parte do ano, enquanto al-Mukarram residia na cidadela próxima de al-Ta'kar.