Silvinei Vasques (Ivaiporã, 9 de janeiro de 1975) é um administrador e ex-policial brasileiro. Foi diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) de abril de 2021 a dezembro de 2022,Diário Oficial da União de 7 de abril de 2021, seção 2, edição extra A, p. 1. "Nº 262 - DESIGNAR SILVINEI VASQUES, para exercer a função de Diretor-Geral da Polícia Rodoviária Federal do Ministério da Justiça e Segurança Pública, código FCPE 101.6, ficando dispensado da função que atualmente ocupa."Diário Oficial da União de 20 de dezembro de 2022, seção 2, p. 3. "Nº 1.387 - DISPENSAR SILVINEI VASQUES da função de Diretor-Geral da Polícia Rodoviária Federal do Ministério da Justiça e Segurança Pública, código FCE 1.17." durante o governo Jair Bolsonaro.
Integrou a PRF de 1995 até 2023, quando se aposentou. Na corporação, exerceu funções como a de superintendente em Santa Catarina e no Rio de Janeiro. Também foi secretário municipal de segurança pública de São José (SC), durante a gestão do prefeito Elias Fernando Melquíades, do Partido Social Liberal (PSL), e integrou o conselho da Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro, por indicação do governador Wilson Witzel (Partido Social Cristão). Entre janeiro e dezembro de 2025, foi secretário de Desenvolvimento Econômico e Inovação de São José. Foi considerado pela imprensa como ligado ao PSL de Santa Catarina e visto dentro da PRF como um bolsonarista.
Em sua gestão como diretor-geral, a PRF estreitou seus laços com outras forças policiais, incluindo o Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ), e se envolveu em diversas polêmicas, como a chacina da Vila Cruzeiro, o assassinato de Genivaldo de Jesus, as operações policiais nas eleições de 2022 e as manifestações golpistas após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como presidente.
Em razão do uso das forças da PRF, sob sua direção, para interferir nas eleições presidenciais de 2022 com o intuito de beneficiar o candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL), Vasques foi preso em agosto de 2023, durante uma operação da Polícia Federal que investigou as blitzes realizadas durante o 2º turno das eleições de 2022, e condenado por improbidade administrativa em 2025. No mesmo ano, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal como um dos participantes de uma tentativa de golpe de Estado e preso no Paraguai enquanto tentava fugir para El Salvador.
Formação acadêmica É graduado em ciências econômicas pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e direito pela Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI), administração de empresas pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) e segurança pública pela Unisul. Se especializou em gestão organizacional pelo Centro Universitário de Maringá, se tornou Mestre em Administração pela Universidade Europeia do Atlântico, na Espanha, e Doutor em Direito pela Universidade Católica de Santa Fé, na Argentina. Além disso, é especializado em grandes operações policiais e fez diversos cursos, como Escola da Swat, nos Estados Unidos.
Processos administrativos disciplinares Vasques se tornou alvo de atenções após envolvimento com diversas polêmicas em torno da atuação da força policial. No fim dos anos 90, foi denunciado no Ministério Público Federal por participar de esquema de cobrança de propina para empresas de guincho que atuavam na BRs 101 e 280, em Santa Catarina. O caso prescreveu sem que fosse julgado. Além das propinas, que podiam chegar até 40% do valor dos serviços, Vasques ameaçou dar um tiro na testa de um dos acusantes por deixar de pagar o valor.
No ano 2000, Silvinei agrediu um frentista que trabalhava na cidade de Cristalina, Goiás, após o homem se recusar a lavar os carros usados por um grupo de policias rodoviários, do qual Silvinei fazia parte, por considerar de que o serviço não faz parte de suas obrigações. Vasques agrediu então o homem, dando socos no abdômen e nas costas do frentista, até que uma intervenção de outros trabalhadores do posto de gasolina o fez parar. O trabalhador fez em sequência uma denúncia do ocorrido. O processo se arrastou na Justiça de Goiás até 2012, quando houve a primeira condenação, em que a União foi obrigada à pagar vinte mil reais de indenização. No ano seguinte o valor foi ajustado para o valor atualizado de R$ 52.973,76. A União exigiu do agente o ressarcimento do valor, que o agente se recusou a pagar. Um processo foi aberto, que recusou em sua condenação em 2017, sendo obrigado à pagar R$ 71.142,83.
Em 2021, havia 8 processos disciplinares contra ele na instituição, sendo que apenas um resultou em punições. A Polícia Rodoviária Federal impôs no mesmo ano um sigilo de 100 anos sobre processos administrativos disciplinares envolvendo o diretor. Solicitações de abertura das informações feitas por veículos de imprensa, com base na Lei de Acesso à Informação, foram rejeitados pelo então ministro da Justiça de Segurança Pública, Anderson Torres.
Durante seu período na direção-geral, Wendel Benevides Matos, ex-corregedor da PRF, foi acusado pela Corregedoria-Geral da União (CGU) de esconder 23 denúncias contra Vasques.
Operações policiais nas eleições gerais no Brasil em 2022
Em 2022, Vasques conduziu operações policiais no dia das eleições gerais de segundo turno, operação que havia sido proibida pelo Tribunal Superior Eleitoral no dia anterior. A operação foi mantida pelo diretor-geral após encaminhar um ofício às superintendências da PRF rejeitando a determinação, e afirmando que não significava nenhum impedimento efetivo. A PRF deu continuidade ao planejamento, resultando em operações stop que atingiram desproporcionalmente a região Nordeste do país, com o objetivo explícito de focar em veículos de transporte coletivo. A operação havia sido planejada no dia 19 de outubro, em reunião com a campanha do presidente Jair Bolsonaro e membros de forças armadas e policiais, entre elas a Polícia Rodoviária Federal, representada por Vasques.
No dia 30, Vasques havia feito publicações em suas redes sociais que demonstravam apoio ao candidato derrotado Jair Bolsonaro.
Em 20 de junho de 2023, Vasques foi convocado para depor na primeira oitiva da CPMI do Golpe. Lá, afirmou que a PRF havia sido injustiçada ao ser acusada de realizar as operações de blitz no Nordeste durante as eleições. De acordo com ele, seria impossível de arquitetar uma operação de crime eleitoral envolvendo todos os membros da corporação sem deixar rastros, e não há provas que alguém tenha deixado de votar por causa da PRF. Também negou que a PRF tenha sido leniente durante os bloqueios de estradas bolsonaristas após as eleições. Também, de acordo com Vasques, o planejamento das fiscalizações ocorreu no Ministério da Justiça.
A CPMI obteve mensagens mostrando que Silvinei estava aliviado por não ser preso após seu depoimento ao TSE e que a corporação estaria apoiando Bolsonaro no segundo turno da eleição. Sua defesa alegou que houve vazamento de mensagens que não estavam relacionadas à investigação. Em 3 de outubro, sua quebra de sigilo foi revogada pelo ministro do STF Nunes Marques, afirmando que o pedido da CPMI era amplo e genérico, e que “não há situação concreta relacionada ao impetrante que legitime a suspeita de que ele teria cometido ilícitos ligados aos eventos de 8 de Janeiro”. Em 6 de outubro, a CPMI pediu que a decisão fosse revista pelo próprio ministro.
Após sua prisão, a relatora da CPMI, senadora Eliziane Gama (PSD-MA), propôs a votação para uma nova convocação de Vasques.
De acordo com Camila Bonfim, no G1, investigadores ofereceram uma delação premiada para Vasques.
Em 9 de outubro, sua defesa acionou a CGU por vazamento de informações. Vasques teria se negado a assinar uma investigação feita pela CGU, mas sua defesa alega que ele não assinou pois precisaria abrir um link na internet e não o fez por estar preso.
Atuação nas manifestações golpistas após as eleições de 2022
No dia da paralisação, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) acionou a Advocacia-Geral da União (AGU) para garantir o fluxo das estradas, mas a AGU respondeu que a PRF poderia agir sem autorização do órgão. A PRF divulgou nota dizendo que "adotou todas as providências para o retorno da normalidade do fluxo", e que está priorizando o diálogo para garantir o direito de manifestação.
Diversos vídeos foram divulgados onde os policiais diziam que não fariam nada sobre o bloqueio. Em um, o policial afirma que a ordem era apenas acompanhar as manifestações. Vídeos circulam de policiais rodoviários federais se aliando com os manifestantes. Jornais denunciam que o tom dos policiais é de leniência.
O Supremo Tribunal Federal (STF) ordenou, porém, que a PRF desbloqueasse imediatamente as estradas, sob pena de 100 mil reais por hora a Silvinei Vasques. O ministro Alexandre de Moraes emitiu uma nota na segunda-feira, dia 31, instando a Polícia Rodoviária Federal a tomar "todas as medidas necessárias e suficientes" para abrir as vias. A determinação cita a postura "omissa" e "inerte" de Vasques. O ofício afirma da possibilidade de afastamento do diretor caso descumpra a determinação. Além da PRF, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) demanda a colaboração das demais forças de segurança pública na desobstrução das rodovias.
A diretoria da PRF passou a afirmar que não enviou nenhuma ordem de apoio e que procedimentos serão abertos para apurar os casos de policiais que assim o fizeram. Os policiais, no entanto, não foram afastados, pela organização entender que precisa do máximo de pessoas possível para atuar durante os protestos.
No domingo, 6 de novembro, Vasques, admitiu, em um ofício ao STF, ter mobilizado mais agentes para as operações policiais no segundo turno das eleições, do que para o cumprimento das determinações de desbloqueio das estradas na segunda feira seguinte. Foram ao todo 4341 agentes mobilizados para as operações ilegais no domingo de eleição, que impactaram desproporcionalmente a região nordeste, comparados com os 2830 acionados no dia em que foram iniciados os bloqueios.
Em 16 de agosto de 2024, a PF indiciou Anderson Torres e Silvinei Vasques, por impedir o deslocamento de eleitores de Lula da região Nordeste para os locais de votação durante a eleição de 2022. Além deles, outros quatro policiais federais cedidos ao Ministério da Justiça também foram indiciados com base no artigo 359-P do Código Penal: Alfredo de Souza Lima Coelho Carrijo, Fernando de Sousa Oliveira, Leo Garrido de Salles Meira e Marília Ferreira de Alencar. A investigação da PF afirma que há indícios de que os indiciados atuaram para impedir o deslocamento dos eleitores.
Em 14 de agosto de 2025, Vasques foi condenado a pagar multa de 546,6 mil reais por usar o cargo ao pedir votos de forma irregular para o então presidente Jair Bolsonaro do Partido Liberal durante a campanha eleitoral de 2022.
Processos e denúncias no Ministério Público Federal No dia 9 de novembro, Silvinei Vasques e o Ministro da Justiça Anderson Torres foram convocados para prestar esclarecimento sobre as operações de blitz durante as eleições de 2022 na Câmara dos Deputados a pedido do deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP), e no dia seguinte Silvinei passou a ser investigado pela Polícia Federal (PF) a pedido do Ministério Público Federal (MPF). No dia 11, o MPF pediu que a PF começasse a ouvir a alta cúpula da PRF. A investigação foi pedida por membros da 2.ª e da 7.ª Câmaras da Procuradoria Geral da República (PGR), e foi conduzida pela Superintendência da PF no Distrito Federal, abrangendo os pedidos de voto de Silvinei para Bolsonaro, prevaricação, violência política e omissão.