Barro, é um cantor, compositor, instrumentista e produtor musical brasileiro. Representante da cena contemporânea de Pernambuco, iniciou sua trajetória na música independente em Recife no início dos anos 2000, participando de bandas como Chocalho e Badalos, Vermute e Dessinée. Desde 2016, em carreira solo, lançou três álbuns de estúdio, Miocárdio (2016), Somos (2018) e Língua (2024), nos quais desenvolve uma sonoridade híbrida que une música brasileira, pop global, percussões afro-latinas e experimentações eletrônicas. Barro também se destaca como produtor musical, tendo colaborado com nomes como Rachel Reis, Mariana Aydar, Chico César e Lenine. Além disso, ele é responsável também pela direção artística em trabalhos de artistas como Mariana Aydar e João Gomes.
Início de carreira Natural do bairro do Torreão, na zona norte do Recife, Barro teve contato com a música desde a infância, primeiro pela dança, depois pela escuta de artistas como Alceu Valença e Almir Rouche, influenciado pelo pai. Aos 12 anos, começou aulas de violino, por incentivo da mãe, no Conservatório Pernambucano de Música, onde conheceu o amigo e artista contemporâneo Juliano Holanda. Mais tarde, migrou para o violão, instrumento com o qual se identificou profundamente. A formação musical de Barro foi moldada por referências nordestinas, como Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, Quinteto Violado e Dominguinhos, bem como pelo pop e rock internacional do início dos anos 2000.
Durante a graduação em Jornalismo, aos 17 anos, participou de sua primeira banda, Chocalhos e Badalos, com a qual se apresentou no Festival de Inverno de Garanhuns e abriu um show de Alceu Valença. Em seguida, integrou a banda Vermute, chegando a lançar o EP Um Dia (2007), e depois a Banda Dessinée, grupo de estética antropofágica que misturava música francesa sessentissta, jazz e rock. Na Dessinée, além de tocar guitarra e cantar, participou de turnês nacionais e gravou dois discos: Sinée Qua Non (2011) e Destemida (2016). O projeto marcou o interesse de Barro pela experimentação linguística e multiculturalismo sonoro: “Exploramos a questão dos idiomas como mais um elemento sonoro. Descobrimos que a sonoridade das línguas nos permite criar universos, metáforas”.
Miocárdio (2016) A estreia solo veio com Miocárdio, lançado em agosto de 2016. O álbum consolidou a maturidade estética de Barro, reunindo elementos da música brasileira, ritmos nordestinos e arranjos pop com toques cosmopolitas. “Foi um processo que tem a ver com a maturidade como compositor e produtor musical. Tudo isso foi me mostrando aos poucos que poderia ser um caminho”, comentou sobre a transição para a carreira solo.
Produzido em colaboração com William Paiva, Rogério Samico, Guilherme Assis e o paulista Gui Amabis, o disco destacou-se pelo ecletismo estético e pelas participações de artistas como Juçara Marçal, Catalina García (Monsieur Periné), Lisa Moore (Blood and Glass) e Serena Altavilla. O repertório incluiu faixas em português, inglês, francês, espanhol e italiano, reforçando a busca por uma linguagem universal. “Gosto de dialogar com o universo feminino e ter essa interferência das vozes femininas na música”, explicou Barro sobre as colaborações vocais do disco.
Miocárdio foi bem recebido pela crítica, que apontou sua coesão sonora e ambição estética como pontos fortes. A faixa “Vai” ganhou versão em italiano, ampliando o alcance do álbum no exterior, com divulgação e pocket shows na Itália. O trabalho também marcou sua parceria com o designer Laurindo Feliciano, responsável pela arte da capa: “Achamos esse elemento das pinturas em cima das fotografias, algo que revelava muito do espírito do nordeste do Brasil, mas que se conectava também à arte da América Latina”.
Somos (2018) Lançado dois anos depois, Somos apresentou uma sonoridade mais eletrônica e voltada à coletividade, tanto estética quanto conceitualmente. Co-produzido por Barro, Guilherme Assis e Ricardo Fraga, o disco foi moldado por experimentações em shows e residências criativas. “Somos é coletivo. Começa com Seja Você, falando do individual, e termina em Somos, que é sobre todos nós. O disco é isso, é a primeira pessoa, mas do plural”, definiu.
A sonoridade mais ousada surgiu da manipulação de timbres, samples e programações, sem abandonar as raízes da música nordestina. A faixa “Eu Só Queria”, por exemplo, é descrita por Barro como “um crossover entre Dominguinhos e Massive Attack”. Em entrevista, ele afirmou: “Sempre tive banda, é natural pra mim pensar coletivamente. No primeiro disco pensei em cada música como se estivesse criando uma banda exclusiva para cada canção”.
Com letras que abordam identidade, pertencimento e esperança, Somos ampliou a presença de Barro no circuito nacional de festivais e shows. Segundo o artista, “Essa música [‘Somos’] fala de uma esperança lúcida, uma esperança apesar de tudo. Sou esperançoso porque acho que isso é um motor da transformação e de justificar nossa existência mesmo”.
Produção e colaborações (2019–2023) Entre Somos e seu terceiro álbum, Barro concentrou-se em lançar singles e colaborar com outros artistas como produtor e compositor[1. Nesse período, trabalhou com nomes como Mariana Aydar, Lenine, Joyce Alane, Priscilla Sena, Johnny Hooker, Céu, Otto, UANA, Jáder e Rachel Reis. A parceria com Rachel, iniciada após ambos se conhecerem no Festival Fervura Feira Noise (Feira de Santana, Bahia), resultou na produção do disco de estreia da artista baiana, Meu Esquema (2022), e em faixas do segundo álbum Divina Casca (2025).
Também fundou o selo e estúdio Zelo em Recife, ao lado de Jáder e Guilherme Assis, ampliando sua atuação como produtor musical e fortalecendo o circuito independente pernambucano.
Língua (2024) Após seis anos, Barro lançou seu terceiro disco solo, Língua, em maio de 2024, consolidando uma fase madura e autoral de sua carreira. Com 11 faixas, o álbum traz parcerias com Chico César, Rachel Reis, Fran Gil, Marley no Beat, Juliano Holanda e Guilherme Assis. “Esse trabalho é sobre confiar na intuição, na linguagem e na colaboração. É sobre encontrar força na singularidade e no coletivo, no que temos de mais humano”, resumiu o artista.
Gravado em Recife, Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro, o disco equilibra beats eletrônicos e percussões brasileiras, com forte presença do violão e de influências latinas como bachata e bolero. “Fomos evoluindo para uma linguagem que unisse beats e percussão. É algo que gosto muito porque, além de tudo, sou percussionista”, contou.
O disco reflete um processo criativo colaborativo e sensível, influenciado pela pandemia, que adiou o projeto original. “Foi um momento de reclusão que me levou a pensar sobre o que realmente importa. Esse trabalho é o resultado desse olhar mais atento para a vida, para as conexões e para a música como espaço de encontro”.
Dentre os destaques, “Deixa Acender” (com Rachel Reis) mescla afrobeats, bregafunk e atmosfera de kizomba; “Vira-lata Caramelo” (com Chico César) mistura xote e reggae com crítica social; e “Me Ter” (com Marley no Beat) une sensualidade pop e funk carioca. Sobre o título do álbum, Barro explicou: “Gosto de títulos que sejam palavras únicas, mas cheias de significados. Língua é sobre o que compartilhamos em comum, mas também sobre o que é profundamente pessoal”.
Estilo e legado A música de Barro é marcada por uma abordagem experimental que combina tradição e modernidade. Influenciado por ritmos nordestinos, cultura popular, música eletrônica e pop internacional, o artista constrói uma obra singular e colaborativa. O uso de múltiplos idiomas em suas canções (português, francês, espanhol, italiano e inglês) reflete a busca por uma linguagem musical plural, sensível às nuances do mundo contemporâneo.
Com sua atuação como cantor, compositor e produtor, Barro se tornou um dos nomes mais relevantes da nova música pernambucana, conciliando inventividade estética, escuta sensível e engajamento artístico. Como ele mesmo sintetiza: “A cultura nasce da particularidade. Quando tentamos padronizá-la, perdemos o que há de mais rico e autêntico. Meu trabalho é uma tentativa de destacar o que é único em cada canção, em cada processo criativo”.
Discografia Álbuns
ÁlbumAnoMiocardio2016Somos2018Língua2024
Clipes ClipeAnoVai2016Ficamos Assim2017PoliamorMiocardio2018Fogo TenazSomosVem Comigo (com Lucas Mayer)2019Cavalo MarinhoNas Ondas do Desejo2020AntimusaDe Novo (com Luísa Nascim)2021Patricinha Maloqueira (com Shevchenko e Elloco)Ramblas (com Anna Setton)2022Vira-lata Caramelo2024Deixa Acender (com Rachel Reis)2024Esqueça Tudo2024
Participações Especiais +ÁlbumArtistaMúsicaAnoPaísOndaS-tone IncVale do Mistério2017ItáliaPág. 72Quanto TempoTudo que Virá2019BrasilSom das EstradasLe tour du MondeVem Comigo2020BrasilOnze (Músicas Inéditas de Adoniran Barbosa)Various ArtistsDebaixo da PonteBrasilCasa do CantoTony CantoXote Siciliano, Vai / Vai - Italian Version2022ItáliaUV (EP)PlasticaGame OverItáliaFutureaVinceeVeleiroBrasilTodo Céu AzulFelipe CordeiroTodo Céu Azul2023BrasilCarne dos DeusesFMENEZES, LR (BR), UbuntoCarne dos Deuses2025Brasil
Prêmios e indicações AnoPrêmioCategoriaIndicaçãoResultado2016Prêmio da Música PernambucanaMelhor Álbum PopMiocárdio 2021Grammy LatinoMelhor Álbum de Samba/PagodeOnze (Músicas Inéditas de Adoniran Barbosa) (intérprete)Nomeado2023Grammy LatinoMelhor Álbum de Rock ou Música Alternativa em Língua PortuguesaMeu Esquema (produção musical)Nomeado2025Grammy LatinoMelhor Álbum de MPBDivina Casca (produção musical)Nomeado Colaborações em nomeações
Barro também colaborou, junto do coletivo Delírio, O Coletivo na direção de arte do álbum Dominguinho, projeto de mesmo nome que junta os artistas João Gomes, Jota.pê e Mestrinho. O álbum foi indicado ao Grammy Latino (2025) na categoria de Melhor Álbum de Música de Raízes em Língua Portuguesa.
Categoria:Cantores de Pernambuco