A eleição presidencial dos Estados Unidos de 2024 foi a 60.ª eleição presidencial quadrienal norte-americana, que ocorreu em 5 de novembro de 2024 em todos os 50 estados e no Distrito de Columbia. A chapa republicana do ex-presidente Donald Trump e do senador J. D. Vance derrotaram a então vice-presidente democrata, Kamala Harris, e Tim Walz, governador, e foram eleitos, respectivamente, presidente e vice-presidente para um mandato de quatro anos. Trump, que já havia servido como o 45.º presidente dos Estados Unidos até quatro anos antes, se tornou o segundo presidente americano da história a ser eleito para um segundo mandato não-consecutivo desde Grover Cleveland em 1892. Esta foi a primeira vitória de um republicano no voto popular desde 2004.

O então presidente, Joe Biden, membro do Partido Democrata, inicialmente concorreu à reeleição nas primárias democratas e venceu. No entanto, após um desempenho ruim no debate presidencial de junho de 2024, muitos democratas pediram que Biden suspendesse a sua campanha. Apesar de alguma resistência inicial, Biden retirou-se da corrida em 21 de julho e endossou a vice-presidente Kamala Harris, conseguindo o apoio de um número suficiente de delegados para assegurar a sua nomeação nas primárias do seu partido. O antecessor de Biden, Donald Trump, membro do Partido Republicano, concorreu à reeleição para um segundo mandato não consecutivo, após perder para Biden na eleição presidencial de 2020. Trump foi nomeado durante a Convenção Nacional Republicana de 2024, em 15 de julho. Robert F. Kennedy Jr. surgiu como o candidato presidencial de um terceiro partido mais bem cotado desde Ross Perot na eleição de 1992, concorrendo como independente.

A eleição presidencial ocorreu ao mesmo tempo que as eleições para o Senado dos Estados Unidos, Câmara, governadores e legislaturas estaduais. Por todo o país, os republicanos, partido de Trump, se saiu muito bem, tomando controle da Casa Branca e de ambas as casas do Congresso dos Estados Unidos. As principais questões da campanha devem ser a segurança nas fronteiras, imigração, economia, aborto, saúde, educação, direitos LGBT, mudanças climáticas, democracia, e política externa. Pesquisas de opinião frequentemente apontavam assuntos econômicos na lista de maiores preocupações do eleitorado americano, especialmente o aumento do custo de vida. Durante a campanha, Trump foi reconhecido por seu estilo agressivo, abraçando teorias da conspiração de extrema-direita, com seus discursos marcados por uma retórica descrita como autoritária e desumanizadora em relação aos seus oponentes políticos. Em 13 de julho, Trump foi baleado em uma tentativa de assassinato em um dos seus comícios.

Após a vitória dos republicanos, Trump e Vance foram empossados presidente e vice em 20 de janeiro de 2025. Aos 78 anos de idade, Trump se tornou o homem mais velho na história eleitoral dos Estados Unidos a ser eleito presidente.

Contexto Procedimento 180px|thumb|direita|O titular do cargo de presidente em 2024, Joe Biden. Seu mandato expirou ao meio-dia de 20 de janeiro de 2025, já que em julho de 2024 ele desistiu de concorrer a reeleição. O artigo dois da Constituição dos Estados Unidos afirma que, para uma pessoa servir como presidente, o indivíduo deve ser um cidadão natural dos Estados Unidos, ter pelo menos 35 anos e ser residente nos Estados Unidos há pelo menos 14 anos. Os candidatos à presidência geralmente buscam a indicação de um dos vários partidos políticos dos Estados Unidos, concedido por meio de um processo como uma eleição primária. As eleições primárias são geralmente eleições indiretas, onde os eleitores votam para uma lista de delegados do partido comprometidos com um determinado candidato. Os delegados do partido então nomeiam oficialmente um candidato para concorrer em nome do partido. O candidato presidencial normalmente escolhe um vice-presidente para formar a chapa desse partido, que é então ratificada pelos delegados na convenção do partido.

Da mesma forma, a eleição geral de novembro é também uma eleição indireta, na qual os eleitores votam para uma chapa de membros do Colégio Eleitoral; esses eleitores então elegem diretamente o presidente e o vice-presidente. Se nenhum candidato obtivesse o mínimo de 270 votos eleitorais necessários para vencer a eleição, seria realizada uma eleição contingente na qual a Câmara dos Representantes selecionaria o presidente entre os três candidatos mais votados no Colégio Eleitoral, e o Senado selecionaria o vice-presidente, dos candidatos que obtiveram os dois maiores totais. A eleição presidencial ocorreu simultaneamente com as eleições para a Câmara dos Representantes, eleições para o Senado e várias eleições estaduais e locais.

Revanche de 2020 Se Joe Biden ganhasse a indicação para o pleito de 2024, esta eleição seria marcada pela repetição dos mesmos candidatos da eleição anterior. Caso tal cenário se concretizasse, seria a primeira vez em 68 anos que isso iria ocorrer.

Ao longo da história americana já ocorreram outras eleições consecutivas disputadas pelos mesmos candidatos:

1796 e 1800: John Adams vs Thomas Jefferson - sendo que Adams foi eleito em 1796 e Jefferson em 1800. 1824 e 1828: John Quincy Adams vs Andrew Jackson - sendo que Quincy Adams venceu em 1824 e Jackson em 1828. 1836 e 1840: Martin Van Buren vs William H. Harrison - sendo que Van Buren venceu em 1836 e Harrison em 1840. 1888 e 1892: Benjamin Harrison vs Grover Cleveland - sendo que Harrison venceu em 1888 e Cleveland em 1892. 1896 e 1900: William McKinley vs William J. Bryan - sendo que McKinley venceu tanto em 1896, quanto em 1900. 1952 e 1956: Dwight D. Eisenhower vs Adlai Stevenson - sendo que Eisenhower venceu tanto em 1952, quanto em 1956.

Os candidatos mais velhos da história americana Entre todos os 46 presidentes que os Estados Unidos já tiveram, Joe Biden é o presidente em exercício mais idoso de todos. O candidato incumbente teria 82 anos na data da posse para um novo mandato caso fosse reeleito em 2024. Por outro lado, Trump não fica muito atrás. Ele terá 78 anos na data da posse.

Mapa eleitoral Efeitos do censo de 2020 Esta foi a primeira eleição presidencial dos EUA a ocorrer após a redistribuição dos votos no Colégio Eleitoral dos Estados Unidos, seguindo o censo dos Estados Unidos de 2020. Se os resultados da eleição de 2020 permanecessem os mesmos (o que nunca ocorreu na história das eleições presidenciais) em 2024, os democratas teriam 303 votos eleitorais contra 235 dos republicanos, uma ligeira mudança em relação aos 306 votos eleitorais de Biden e aos 232 de Trump, significando que os democratas perderam um total líquido de 3 votos eleitorais no processo de redistribuição. Esta distribuição de votos do colégio eleitoral permanecerá válida apenas até a eleição de 2028. Uma nova redistribuição será realizada após o censo dos Estados Unidos de 2030.

Estados-pêndulos

A maioria dos estados não é competitivo do ponto de vista eleitoral e, devido a diferenças demográficas, tende a votar no mesmo partido político em todas as eleições. Por causa da natureza do Colégio Eleitoral, isso significa que um número limitado de estados-pêndulos—estados competitivos que "oscilam" entre os partidos—são vitais para vencer a presidência. Esses estados incluem os do Cinturão da Ferrugem (Rust Belt), como Wisconsin, Michigan e Pensilvânia; e os do Cinturão do Sol (Sun Belt), como Arizona, Geórgia, Nevada e Carolina do Norte.

Devido a mudanças demográficas graduais, alguns antigos estados em disputa não são mais tão competitivos; Iowa, Ohio e Flórida se inclinaram significativamente para os republicanos, enquanto Colorado, Novo México e Virgínia se inclinaram significativamente para os democratas. Arizona e Geórgia costumavam ser bastiões republicanos, mas recentemente mudaram o suficiente para serem considerados estados em disputa; os democratas venceram ambos os estados por menos de um ponto na eleição presidencial de 2020.

A coalizão eleitoral democrata tem tido um apoio relativamente alto entre os eleitores negros, os eleitores que se formaram na faculdade e os eleitores que vivem em áreas urbanas. Os eleitores brancos sem diploma universitário, que se inclinaram para os republicanos desde a década de 1970, estão diminuindo como uma proporção geral do eleitorado. Os eleitores suburbanos de classe média, um grupo que tradicionalmente se inclinava para os republicanos, têm se deslocado em direção aos democratas, uma mudança atribuída principalmente ao movimento "Make America Great Again". A aceleração dessa tendência foi creditada como um fator que inclinou a eleição presidencial de 2020 a favor de Biden, uma vez que o incumbente Trump teve um desempenho abaixo do esperado nos subúrbios para um candidato republicano. A coalizão republicana é composta principalmente por eleitores brancos rurais, evangélicos, idosos e eleitores sem diploma universitário.

Partido Democrata

Em 25 de abril de 2023, o presidente Biden anunciou oficialmente sua candidatura à reeleição, confirmando que a vice-presidente Harris permaneceria como sua companheira de chapa. Após esse anúncio, os republicanos aumentaram seu foco em Harris, intensificando as críticas contra ela. No final de 2021, em meio à queda nas taxas de aprovação de Biden, surgiram especulações sobre se ele buscaria a reeleição. Figuras públicas, incluindo os ex-representantes Carolyn Maloney, Tim Ryan e Joe Cunningham, instaram Biden a não concorrer.

Preocupações sobre a idade de Biden foram proeminentes, dado que ele era a pessoa mais velha a assumir o cargo aos 78 anos, o que o faria ter 82 anos ao final de seu primeiro mandato e 86 ao final de um possível segundo mandato. Uma pesquisa de abril de 2023 indicou que 70% dos americanos, incluindo 51% dos democratas, acreditavam que Biden não deveria buscar um segundo mandato, com quase metade citando sua idade como razão. A taxa de aprovação de Biden era de 41%, com 55% desaprovando, segundo a média de pesquisas nacionais da FiveThirtyEight. Especulações também surgiram de que Biden poderia enfrentar um desafio nas primárias da facção progressista do Partido Democrata. No entanto, após o desempenho dos democratas ter superado as expectativas nas eleições de meio de mandato de 2022, muitos acreditavam que as chances de Biden de garantir a nomeação do partido haviam aumentado.

A autora Marianne Williamson foi a primeira a desafiar Biden, anunciando sua candidatura em fevereiro de 2023. Em abril de 2023, Robert F. Kennedy Jr. também entrou na corrida, mas posteriormente mudou sua campanha para uma candidatura independente em 9 de outubro de 2023. O representante Dean Phillips se juntou à corrida em 26 de outubro de 2023; ele retirou sua candidatura em março de 2024 e endossou Biden. Williamson inicialmente se retirou da corrida em fevereiro de 2024, mas depois retomou sua campanha, apenas para encerrá-la novamente em 11 de junho de 2024.

Jason Palmer, que surpreendeu muitos ao vencer as caucuses de Samoa Americana, tornou-se o primeiro candidato a vencer uma primária contestada contra um presidente em exercício desde Ted Kennedy em 1980. No entanto, ele suspendeu sua campanha em 15 de maio de 2024. Em 12 de março de 2024, Biden garantiu a maioria dos delegados, tornando-se o candidato presumido do Partido Democrata.

Jason Palmer surpreendeu ao vencer as caucuses de Samoa Americana, tornando-se o primeiro candidato a vencer uma primária contestada contra um presidente em exercício desde Ted Kennedy em 1980, mas suspendeu sua campanha em 15 de maio de 2024. Em 12 de março de 2024, Biden garantiu a maioria dos delegados e tornou-se o candidato presumido do Partido Democrata.