Economia azul é um termo da economia relacionado com a explotação (português do Brasil) ou exploração (português de Portugal), preservação e regeneração do ambiente marinho. Seu escopo de interpretação varia entre as organizações. No entanto, o termo é geralmente usado para abordar o desenvolvimento sustentável dos recursos costeiros.
A Economia azul pode incluir uma ampla gama de setores econômicos, desde a pesca mais convencional, aquicultura, o transporte marítimo, turismo costeiro, marinho e marítimo, ou outros usos tradicionais, até atividades mais emergentes, como energia renovável costeira, serviços de ecossistemas marinhos (isto é, carbono azul), mineração marinha e bioprospecção.
Estudos têm proposto metodologias para estimar a contribuição da economia azul para o PIB e o mercado de trabalho, por exemplo, o estudo, "Shades of blue: the regional structure of the ocean economy in Brazil", publicado na revista Ocean Sustainability. Com base em um modelo inter-regional de insumo-produto, os autores mapearam os impactos diretos e indiretos dessas atividades, evidenciando tanto a importância econômica das áreas costeiras quanto sua conexão com o interior do país por meio das cadeias de suprimento. O estudo destaca que a compreensão da contribuição da economia do mar para o PIB e suas interações com outras atividades econômicas é crucial para o desenvolvimento de políticas mais eficazes e adaptadas às necessidades específicas de cada região costeira.
Definições
De acordo com o Banco Mundial a economia azul é o "uso sustentável dos recursos oceânicos para o crescimento econômico, a melhora dos meios de subsistência e empregos, preservando a saúde do ecossistema oceânico".
A Comissão Europeia define-a como "Todas as atividades econômicas relacionadas com os oceanos, mares e costas. Abrange uma ampla gama de setores estabelecidos e emergentes interligados."
A Comunidade das Nações a considera "um conceito emergente que incentiva uma melhor administração de nossos oceanos ou recursos 'azuis'".
A Conservação Internacional acrescenta que “a economia azul também inclui benefícios econômicos que podem não ser comercializados, como armazenamento de carbono, proteção costeira, valores culturais e biodiversidade”.
O Center for the Blue Economy diz que "é um termo amplamente usado em todo o mundo com três significados relacionados, mas distintos - a contribuição geral dos oceanos para as economias, a necessidade de abordar a sustentabilidade ambiental e ecológica dos oceanos, e a economia do oceano como uma oportunidade de crescimento para países desenvolvidos e em desenvolvimento". alt=Ship with cranes|miniaturadaimagem|380x380px| O transporte marítimo faz parte da economia azul.
Um representante das Nações Unidas definiu a Economia Azul como uma economia que "compreende uma série de setores econômicos e políticas relacionadas que, em conjunto, determinam se o uso dos recursos oceânicos é sustentável. Um importante desafio da economia azul é entender e gerenciar melhor os vários aspectos da sustentabilidade oceânica, desde a pesca sustentável até a saúde do ecossistema e a prevenção da poluição. Em segundo lugar, a economia azul nos desafia a perceber que a gestão sustentável dos recursos oceânicos exigirá colaboração além das fronteiras e setores, por meio de uma variedade de parcerias e em uma escala que não foi alcançada anteriormente. Esta é uma tarefa difícil, especialmente para os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento e os Países Menos Desenvolvidos que enfrentam limitações significativas." A ONU observa que a Economia Azul ajudará a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, dos quais um objetivo, 14, é " vida abaixo da água ".
A World Wide Fund for Nature (WWF) inicia o relatório Principles for a Sustainable BLUE ECONOMY com dois sentidos dados a este termo: "Para alguns, economia azul significa o uso do mar e seus recursos para o desenvolvimento econômico sustentável. Para outros, refere-se simplesmente a qualquer atividade econômica do setor marítimo, seja ela sustentável ou não.” Como o WWF revela em seu objetivo do relatório, ainda não há uma definição amplamente aceita do termo economia azul, apesar da crescente adoção de alto nível como conceito e meta de formulação de políticas e investimentos.
Termos relacionados miniaturadaimagem|ROV com propulsores elétricos
Economia oceânica Um termo relacionado à economia azul é economia oceânica e vê-se algumas organizações usando os dois termos de forma intercambiável. No entanto, esses dois termos representam conceitos diferentes. A economia oceânica simplesmente lida com o uso dos recursos oceânicos e visa estritamente fortalecer o sistema econômico do oceano. A economia azul vai além de ver a economia oceânica apenas como um mecanismo de crescimento econômico. Ela se concentra na sustentabilidade do oceano para o crescimento econômico. Portanto, a economia azul engloba aspectos ecológicos do oceano junto com aspectos econômicos.
Economia verde A economia verde é definida como uma economia que visa a redução dos riscos ambientais, e que visa o desenvolvimento sustentável sem degradar o meio ambiente. Está intimamente relacionado com a economia ecológica. Portanto, a economia azul é uma parte da economia verde. Durante a Cúpula Rio+20 em junho de 2012, os pequenos estados insulares em desenvolvimento do Pacífico afirmaram que, para eles, "uma economia verde era de fato uma economia azul".
Crescimento azul Um termo relacionado é crescimento azul, que significa “apoio ao crescimento do setor marítimo de forma sustentável”. O termo é adotado pela União Europeia como uma política marítima integrada para atingir os objetivos da estratégia Europa 2020.
Potencial
Além das atividades oceânicas tradicionais, como pesca, turismo e transporte marítimo, a economia azul envolve indústrias emergentes, incluindo energia renovável, aquicultura, atividades extrativas do fundo do mar, biotecnologia marinha e bioprospecção. A economia azul também tenta abraçar os serviços dos ecossistemas oceânicos que não são capturados pelo mercado, mas fornecem uma contribuição significativa para a atividade econômica e humana. Eles incluem sequestro de carbono, proteção costeira, eliminação de resíduos e a existência de biodiversidade.
O estudo, "Shades of blue: the regional structure of the ocean economy in Brazil", conduzido por pesquisadores do Departamento de Economia da Universidade de São Paulo, propôs uma metodologia para estimar o tamanho da economia azul no Brasil. Os pesquisadores descobriram que a economia azul representou 2,91% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e 1,07% dos empregos no Brasil em 2019 (ao considerar os efeitos indiretos, como a interdependência com cadeias produtivas fora da costa, o impacto sobe para 6,39% do PIB e 4,45% do emprego). A pesquisa também revelou que o setor mais representativo na composição do PIB azul é a extração de petróleo e gás natural, que responde por 60,4% da produção. Em seguida, vêm as atividades de administração pública e defesa (7,4%) e armazenagem e transporte (7,3%). O estudo identificou nuances regionais significativas: enquanto o Sudeste — especialmente os estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo — concentra 82% da produção direta, baseada principalmente no petróleo offshore e transporte marítimo, o Nordeste se destaca por sua especialização em turismo costeiro e indústria de pesca.
O relatório da WWF de 2015 coloca o valor dos principais ativos oceânicos acima de US$ 24 trilhões. A pesca está agora super explorada, mas ainda há muito espaço para aquicultura e energia eólica offshore. A aquicultura é o setor de alimentos que mais cresce, com o fornecimento de 58% dos peixes para os mercados globais. A aquicultura é vital para a segurança alimentar, especialmente dos países mais pobres. Só na União Europeia a economia azul empregou 3.362.510 pessoas em 2014.
Problemas O Banco Mundial especifica três desafios que limitam o potencial para desenvolver uma economia azul. Tendências econômicas atuais que degradam rapidamente os recursos oceânicos. A falta de investimento em capital humano para o emprego e desenvolvimento em setores inovadores da economia azul. Cuidados inadequados com os recursos marinhos e serviços ecossistêmicos dos oceanos.
Setores
Aquacultura (pisciculturas, mas também algacultura ) Biotecnologia marítima Bioprospecção Pesca Dessalinização Transporte marítimo Turismo costeiro e marítimo (Turismo Azul) Mineração marinha Petróleo e gás offshore Energia eólica offshore (também das marés e das ondas ) Construção naval e reparação naval Sequestro de carbono Proteção costeira Depósito de lixo Existência de biodiversidade Desenvolvimento dos oceanos
Ver também
Zona econômica exclusiva Zona económica exclusiva de Portugal Zona econômica exclusiva do Brasil
Referências
Categoria:Economia dos recursos naturais Categoria:Ecologia industrial Categoria:Escolas de pensamento econômico Categoria:Economia ambiental