Arlete Sales Lopes (Paudalho, 17 de junho de 1938) é uma atriz brasileira. Muito conhecida por se destacar entre os pioneiros da teledramaturgia nacional, iniciou sua prolífica carreira ainda na década de 1950, tornando-se, ao longo dos anos, consagrada em sua profissão. Salles é ganhadora de vários prêmios, com destaque para um Grande Otelo, um APCA e dois Prêmios Qualidade Brasil, além de ter sido laureada com o prestigiado Troféu Mário Lago por sua contribuição artística.
Nascida em Pernambuco, Arlete Salles iniciou sua vida profissional como radialista em rádio até ingressar na Companhia Barreto Júnior, tendo sua estreia artística na peça A Cegonha se Diverte (1959). Iniciou sua carreira na teledramaturgia em participações nos teleteatros da TV Tupi. Sua estreia em telenovelas ocorrera em Sangue e Areia (1968), da TV Globo, como Mercedes. Ao longo de sua carreira quase sete décadas, Salles atuou em mais de 40 novelas e 20 séries e minisséries, consolidando-se como uma das atrizes brasileiras mais renomadas e ativas.
Tornou-se conhecida do grande público por seus tipos exagerados e marcantes em cena, como em Selva de Pedra (1972), A Sucessora (1978), Tieta (1989), Lua Cheia de Amor (1990), Pedra Sobre Pedra (1992), Fera Ferida (1993) e Salsa e Merengue (1996), pela qual recebeu o tradicional Troféu APCA de Melhor Atriz de Televisão. Ainda destacou-se como a simplória Tonha da Pamonha de Meu Bem Querer (1998) e, em 2001, foi uma das antagonistas de Porto dos Milagres, no papel da cômica Augusta Eugênia, que lhe rendeu dois Prêmios Qualidade Brasil de melhor atriz. Esteve em evidência ainda em Sabor da Paixão (2002) e A Lua Me Disse (2005), mas ganhou grande repercussão no seriado cômico Toma Lá, Dá Cá (2007-09) como a inesquecível Copélia, personagem de apelo popular.
Nos palcos, protagonizou peças de teatro de sucesso da crítica e público, como A Partilha (1990), A Vida Passa (2001) e Acorda Brasil (2005), pela qual foi nomeada ao Prêmio Qualidade Brasil. No cinema, recebeu o Grande Otelo por sua elogiada performance no drama Tia Virgínia (2023) e destacou-se em comédias, como Polaróides Urbanas (2008) e Amigas de Sorte (2021). Nos anos recentes, Salles teve notáveis atuações em Fina Estampa (2011), Babilônia (2015), Além da Ilusão (2022) e Família É Tudo (2024), que marcou sua estreia como protagonista de uma telenovela aos 85 anos de idade.
Primeiros anos
Juventude e primeiros trabalhos Arlete Sales Lopes nasceu em Paudalho, distante 37 km de Recife, capital de Pernambuco, em 17 de junho de 1938. Ela é filha de Lourenço Lopes da Silva, um sanfoneiro, e Severina Salles Torres, uma enfermeira. Durante sua infância, mudou-se para Recife, em sua adolescência, começou a trabalhar como instrumentadora em um consultório odontológico para ajudar financeiramente sua família. Nos momentos livres, Arlete gostava de ouvir radionovelas e sonhava em atuar profissionalmente. Aos quinze anos, soube que a Rádio Jornal do Comércio, em Recife, estava procurando por novos talentos e resolveu fazer um teste. Embora não tenha sido selecionada como atriz devido à falta de experiência, sua voz grave chamou atenção e ela conseguiu um emprego como locutora. Mesmo assim, conseguiu participar de algumas novelas, embora admita que nunca teve a voz típica de uma jovem apaixonada e nunca viveu uma grande história de amor.
Carreira Salles iniciou sua trajetória profissional na década de 1950, quando aos quinze anos de idade passou a atuar como locutora na Rádio Jornal do Commercio, em Recife, capital do estado onde nasceu. Casou-se com o ator Lúcio Mauro em 1958 e com ele integrou a Companhia Barreto Júnior, fazendo sua estreia profissional como atriz na peça de comédia A Cegonha se Diverte, sob a direção de Graça Mello. A atriz foi honrada com um prêmio de Melhor Atriz Revelação em um festival de teatro por esse trabalho.
Nos anos seguintes, na década 1960, fez parte da equipe dos Diários Associados com trabalhos na Rádio Tamandaré e na TV Rádio Clube de Pernambuco. Neste período, com a inauguração de uma filial da TV Tupi em Recife, Salles fez testes e foi convidada para participar de montagens de teleteatro da emissora, ganhando projeção local com suas performances. Este foi o pontapé inicial para que ela se mudasse para o Rio de Janeiro, ao lado do então marido Lúcio Mauro e o amigo José Santa Cruz, como contratados do elenco fixo de atores da TV Tupi carioca. Nos anos finais da década de 1960, apareceu em diversos programas na grade da emissora, não apenas como atriz, mas também como apresentadora de alguns programas ao lado do marido.
Salles, ao mesmo tempo, fez sua estreia no cinema com o filme de drama Terra sem Deus (1963), de José Carlos Burle, onde teve uma pequena participação especial interpretando a amante de um coronel. Na televisão, entre 1964 e 1966, Arlete teve aparições frequente no Grande Teatro Tupi, atuando em vários personagens. A atriz foi desligada do quadro da emissora após a empresa passar por dificuldades financeiras e, então, diversificou seus trabalhos em outras emissoras. Foi contratada pela Band TV para apresentar o programa I Love Lúcio, novamente ao lado do marido Lúcio Mauro.
Atriz de telenovelas e consolidação artística (1968—1976) Após quase uma década de carreira, em 1967, Salles foi contratada pela recém inaugurada TV Globo para o elenco da telenovela Sangue e Areia, escrita por Janete Clair, para o papel de Mercedes. Curiosamente, sua personagem era mãe da personagem de Myriam Pérsia, apesar de ambas as atrizes terem a mesma idade na época, apenas 22 anos. Para dar maior veracidade à personagem, Arlete precisou utilizar maquiagem pesada para aparentar uma idade mais avançada. Em janeiro de 1969, fez uma participação especial – como Gladys – no último capítulo da novela A Gata de Vison. Contudo, seu primeiro papel de destaque na emissora foi em A Ponte dos Suspiros (1969), escrita por Dias Gomes sob o pseudônimo de Stella Calderón. Nesta produção, interpretou a rainha Impéria, a antagonista da trama ambientada em Veneza no ano de 1500 e protagonizada pelo casal do momento Yoná Magalhães e Carlos Alberto.
Em Verão Vermelho (1970), novela de Dias Gomes exibida no horário das dez, Arlete desempenhou o papel de Selma. Esta foi a primeira produção da teledramaturgia a ser ambientada em Salvador e a retratar os costumes da cultura baiana. Mais uma vez, sua personagem era a vilã da história, que não aceitava o fim do noivado com Carlos (interpretado por Jardel Filho) e fazia de tudo para complicar a vida da protagonista Adriana (Dina Sfat). Posteriormente, integrou o elenco da novela Assim na Terra como no Céu, que substituiu Verão Vermelho na programação, interpretando Jurema.
Em O Homem Que Deve Morrer, escrita por Janete Clair em 1971, Arlete interpretou Lia. Esta trama, que mesclava drama e fantasia, começava com um flashback de 31 anos, retratando eventos sobrenaturais na fictícia cidade de Porto Azul, em Santa Catarina. A história envolvia uma luz misteriosa que diversos habitantes da cidade, incluindo a personagem de Arlete quando criança, sonhavam. No ano seguinte, em 1972, Arlete ganhou destaque ao interpretar a interesseira Laura Vilhena na novela Selva de Pedra, também escrita por Janete Clair. Esta produção alcançou uma audiência recorde, atingindo a marca de 100% dos televisores equipados com aparelhos de medição de audiência ligados à novela. Laura Vilhena era uma personagem cômica que constantemente se casava com homens mais velhos e ricos em busca de uma vida melhor, mas no desfecho da trama, ela acaba se casando com seu motorista, papel desempenhado por Kadu Moliterno.
Em 1973, Arlete interpretou Lenita em Cavalo de Aço, novela de Walther Negrão que enfrentou diversos vetos da Censura Federal durante sua exibição. Lenita era a personagem que sustentava o mistério central da trama, marcada por temas de vingança. O protagonista, Rodrigo, interpretado por Tarcísio Meira, retorna à sua cidade natal para vingar a morte de seus pais e confrontar o poderoso Maximiliano, interpretado por Ziembinski. Embora a culpa inicialmente recaia sobre Rodrigo, é revelado no final que a verdadeira criminosa é Lenita, motivada pelo tratamento cruel que Maximiliano dispensava à sua família.
Em 1974, Arlete integrou o elenco da novela O Rebu, interpretando Lídia. No ano de 1975, retornou com outra personagem marcante em Bravo!, também escrita por Janete Clair e exibida no horário das 19h. Em Bravo!, ela interpretou Myriam Serpa, uma mulher engraçada obcecada por riqueza. Nesse mesmo ano, participou do filme A Extorsão, dirigido por Flávio Tambellini. Em 1976, fez uma participação especial como Maria Helena na novela O Casarão, de Lauro César Muniz, e em seguida, foi escalada para a produção que a substituiu, Duas Vidas, outra colaboração com a autora Janete Clair. Em Duas Vidas, Arlete interpretou Gilda, uma mulher interesseira e oportunista.
Papéis centrais na televisão (1977—1986) No ano de 1977, Salles foi selecionada para interpretar uma das protagonistas da telenovela Sem Lenço, Sem Documento, escrita por Mário Prata, que abordava as relações entre empregadas domésticas e suas empregadoras. Integrando o núcleo do quarteto de irmãs pernambucanas que migraram para o Rio de Janeiro em busca de trabalho como domésticas, ela contracenou ao lado de Isabel Ribeiro, Ilva Niño e Ana Braga. Na trama, Arlete interpretou Dorzinha, uma mulher ingênua e sonhadora apaixonada por fotonovelas, que aspirava viver um romance tão intenso quanto o de sua personagem favorita ao lado de seu namorado, Juvenal (Luiz Orioni).
No ano seguinte, em A Sucessora (1978), escrita por Manoel Carlos, Arlete desempenhou o papel de Germana Steen. A atriz destacou que esta novela representou um marco na história da teledramaturgia brasileira. Ela teve a oportunidade de atuar novamente ao lado de Kadu Moliterno, que interpretava seu marido na trama. Em uma entrevista ao Memória Globo, Arlete descreveu sua personagem como uma mulher madura que mantinha um relacionamento com um marido mais jovem, a quem exercia controle de forma tirânica. Para concluir a década de 1970, Arlete participou da segunda versão de Cabocla (1979), interpretando a dançarina espanhola Pepa.
No início da década de 1980, Arlete participou da novela Água Viva, escrita por Gilberto Braga e exibida no horário nobre. Nesta produção, interpretou Celeste Lima, esposa de Sérgio, papel desempenhado por Milton Moraes. Em 1981, Arlete colaborou novamente com Manoel Carlos na novela Baila Comigo, onde deu vida a Dolores Moreira. Sua personagem enfrentava altos e baixos emocionais após ser abandonada pelo noivo. No mesmo ano, foi convidada para uma participação especial na novela Jogo da Vida, escrita por Janete Clair, interpretando Isaura, amiga do protagonista Seu Vieira, papel de Gianfrancesco Guarnieri.
Em 1983, retornou à televisão na novela Louco Amor, novamente escrita por Gilberto Braga. Nesta trama, Arlete interpretou Isadora, uma mulher trabalhadora que sustentava sua casa como costureira. Contudo, carregava a mágoa de seu marido, o fotógrafo Alfredo, interpretado por Fernando Torres, por ele não lhe proporcionar uma boa vida e por seu envolvimento com o alcoolismo. Em Amor com Amor Se Paga (1984), Arlete interpretou Silvia, uma mulher moderna que integra o núcleo da determinada Grace, papel desempenhado por Yoná Magalhães.