Raimundo António de Bulhão PatoBiografia em Arqnet (Bilbau, – Monte da Caparica, ), conhecido como Bulhão Pato, foi um poeta, ensaísta e memorialista português, sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa.Academia das Ciencias de Lisboa. Actas e pareceres. Classe de Sciencias Moraes, Politicos e Bellas Letras (Segunda Classe, 24 de outubro de 1912, p.2. As suas Memórias, escritas em tom íntimo e nostálgico, são interessantes pelas informações biográficas e históricas que fornecem, retratando o ambiente intelectual português da última metade do século XIX.

Biografia Filho de Francisco de Bulhão Pato, poeta e fidalgo português, e da espanhola María de la Piedad Brandy, o poeta nasceu em Bilbau, no País Basco, e passou os seus primeiros anos no distrito de Deusto. Foi a época dos dois primeiros cercos de Bilbau (em 1835 e 1836), durante a Primeira Guerra Carlista. Em 1837, depois de sofrer grandes transtornos, a sua família decide retirar-se para Portugal.

Em 1845, o jovem Raimundo António matricula-se na Escola Politécnica, mas não completaria o curso. Dados biográficos. Bulhão Pato. (Raimundo António de) Ganha a vida como 2.º oficial da 1.ª repartição da Direcção-Geral do Comércio e Indústria.Uma história de amêijoas, por Albano Matos. Diário de Notícias, 30 de abril 2006 Bon vivant, era apreciador de caçadas,"Bulhão Pato - poeta, pintor do mar, sportsman". In d'AÇA, Zacharias. Caçadas Portuguesas. Lisboa, 1898. viagens, da gastronomia e dos saraus literários, na companhia de intelectuais, como Alexandre Herculano, Almeida Garrett, Andrade Corvo, Latino Coelho, Mendes Leal, Rebelo da Silva e Gomes de Amorim. Com outras personalidades importantes da sociedade portuguesa da época, fornece receitas para a obra O cozinheiro dos cozinheiros, editada em 1870 por Paul PlantierO Cozinheiro dos Cozinheiros em edição electrónica..

Adere à voga ultrarromântica, acrescentando elementos folclóricos e descrições de cenas e tipos populares, em linguagem viva e coloquial. O poema narrativo Paquita, sucessivamente reeditado de 1866 a 1894 e que o torna célebre, parece já preludiar um certo realismo, enquanto a sua poesia satírica reflete uma certa preocupação social. Dados biográficos. Bulhão Pato

Em 1850, publica o seu primeiro livro, Poesias de Raimundo António de Bulhão Pato; em 1862 aparece o segundo, Versos de Bulhão Pato, e, em 1866, o poema Paquita. Publicam-se depois, em 1867 as Canções da Tarde; em 1870 as Flôres agrestes; em 1871 as Paizagens, em prosa; em 1873 os Canticos e satyras; em 1881 o Mercador de Veneza; em 1879 Hamlet, traduções das tragédias de William Shakespeare e do Ruy Blas de Victor Hugo. Em 1881 seguindo-se outras publicações: Satyras, Canções e Idyllios; o Livro do Monte, em 1896.

Para o teatro, escreve apenas uma comédia num só acto, Amor virgem n'uma peccadora, encenada no Teatro D. Maria II em 1858 e publicada nesse mesmo ano.

Foi colaborador em diferentes publicações periódicas, nomeadamente: A Época (1848-1849) jornal fundado e dirigido por Andrade Corvo juntamente com Rebelo da Silva; Revista do Conservatório Real de Lisboa (1902), Pamphletos (1858), A illustração portugueza (1884-1890) A Semana de Lisboa (1893-1895), Revista Peninsular, Gazeta Literária do Porto (1868), Revista Universal Lisbonense, Branco e Negro (1896-1898) e Brasil-Portugal, Serões (1901-1911), Ilustração Luso-Brasileira (1856-1859) e na Revista Contemporânea de Portugal e Brasil (1859-1865), Tiro civil (1895-1903) entre outros.

Devido ao seu ultrarromantismo, influenciado por Lamartine e Byron, e pelos seus dotes culinários, Bulhão Pato acreditou ter servido de inspiração a Eça de Queirós na composição do personagem — algo caricatural — do poeta Tomás de Alencar, que aparece em Os Maias (1888).Bulhão Pato. Infopédia. Porto: Porto Editora, 2003-2012. Crendo ter sido retratado no romance — o que Eça nega, numa deliciosa carta ao jornalista Carlos Lobo d'ÁvilaTomás de Alencar (Uma explicação) – Carta a Carlos Lobo d'Ávila , por Eça de Queirós. —, Bulhão Pato parece ter ficado furioso e, em resposta, escreve as sátiras "O Grande Maia" (1888) e "Lázaro Cônsul" (1889). Portal da literatura. Bulhão Pato. Bulhão Pato. In Infopédia. Porto: Porto Editora, 2003-2012.Os Maias - Críticas

Obras

Poesias de Raimundo António de Bulhão Pato (1850) Versos de Bulhão Pato (1862) Digressões e Novelas (1864)Textos em prosa da juventude do autor editados em imprensa e aqui recolhidos em livro. Reeditado em 2004 pela editora artemágica editores Paquita (1866) A José Estevão (1866) Canções da Tarde (1867) Flôres agrestes (1870) Paizagens (1871) Canticos e satyras (1873) Sob os Ciprestes: Vida intima de homens illustres (1877) Hamlet (tradução) (1879) Mercador de Veneza (tradução) (1881) Satyras (1896) Canções e Idyllios (1896) Livro do Monte (1896) Memórias (1894-1907)

Ver também Retrato de Bulhão Pato Amêijoas à Bulhão Pato Jardim Bulhão Pato Sob os Ciprestes - Vida Íntima de Homens Illustres (edição digital)

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