Roda Rico (conhecida anteriormente como Roda São Paulo) é uma roda-gigante de observação situada no Parque Cândido Portinari, ao lado do Parque Villa-Lobos, na Zona Oeste do município de São Paulo. Com 91 metros de altura e 80 metros de diâmetro, é a maior roda-gigante da América Latina, título que pertencia à Rio Star. Possui 42 cabines com capacidade para até oito pessoas, equipadas com ar-condicionado, câmeras, interfones, wi-fi, bluetooth e iluminação cênica LED programável, projetada para interagir com a paisagem urbana da cidade. A atração está abrigada em uma área de 4,5 mil metros quadrados, correspondente a aproximadamente 3% da área total do parque, e é gerida pela Interparques Holding S.A. thumb|Vista da Roda Rico a partir da Marginal Pinheiros, sentido Jurubatuba O projeto urbano do entorno foi assinado pelo escritório Levisky Arquitetos | Estratégia Urbana, como parte das ações para a revitalização da região do rio Pinheiros.
À época da inauguração, a Roda Rico recebia cerca de três mil visitantes por dia, e cem mil no mês.
Histórico
Projeto e concorrência pública
Anunciado pelo governo do estado de São Paulo em outubro de 2020, o projeto resultou de uma concorrência pública conduzida pela Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente (SIMA), vencida pela empresa São Paulo Big Wheel (SPBW). A SPBW é uma sociedade de propósito específico que tem como sócia a Interparques Holding S.A., empresa catarinense fundada em 2012 e também responsável pela operação da FG Big Wheel, roda-gigante de 65 metros instalada em Balneário Camboriú. Pelo contrato firmado com o estado, a permissionária pode operar a atração por até dez anos no Parque Cândido Portinari, pagando mensalmente à SIMA 141 mil reais ou 10% do faturamento bruto — valendo sempre o maior valor —, com 3% da outorga destinados ao poder concedente; os demais recursos são repassados à administração do parque.
A concorrência foi anterior à concessão dos dois parques estaduais adjacentes — Cândido Portinari e Villa-Lobos — ao consórcio Reserva Novos Parques Urbanos, que arrematou em leilão realizado na B3 em março de 2022 a gestão desses parques e do Parque da Água Branca por 30 anos, com compromisso de investimentos mínimos de R$ 46 milhões nos primeiros cinco anos.
O projeto de implantação foi aprovado em 2020 na Comissão de Proteção da Paisagem Urbana (CPPU) da Prefeitura de São Paulo com seis votos a favor, um contra e duas abstenções, com a determinação expressa de que o equipamento não poderia receber nenhum tipo de propaganda, conforme a Lei Cidade Limpa (Lei nº 14.223). Ainda antes da inauguração, o projeto foi alvo de duas ações populares na Justiça e de questionamentos por parte de especialistas em urbanismo, que criticaram a entrega da atração para a gestão privada e o possível uso do espaço para fins publicitários. A professora Viviane Manzione Rubio, doutora em arquitetura e urbanismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e uma das vozes contrárias na CPPU, argumentou que a instalação da roda chegava antes da despoluição do rio Pinheiros, tornando o projeto "deslocado e desconexo" em uma cidade que, segundo ela, necessitaria de outros equipamentos urbanos prioritários. Em resposta, a arquiteta Adriana Levisky, responsável pelo projeto de implantação, e integrantes favoráveis da comissão destacaram as contrapartidas sociais, educacionais e ambientais do empreendimento, bem como os esforços do governo estadual de revitalização do manancial. A presidente da CPPU, Regina Monteiro, votou a favor do projeto condicionando a aprovação à ausência de exploração comercial de publicidade.
Direitos de nome miniaturadaimagem|A Roda São Paulo passou a ser chamada de "Roda Rico" após aquisição dos direitos de nome Em 23 de novembro de 2022, a SPBW anunciou que a Rico, corretora do grupo XP Inc. voltada para clientes de varejo, havia adquirido os direitos de nome da atração, que passou a se chamar oficialmente Roda Rico. O valor do contrato não foi divulgado. A negociação tornou-se um exemplo do aquecimento do mercado de direitos de nome no Brasil, que seguiu movimentos similares como a transformação da UnimedHall em Vibra São Paulo e do Teatro Folha em Teatro UOL, ambos em 2022, além do patrocínio da roda-gigante do Rock in Rio pelo Itaú Unibanco e de uma roda-gigante no Parque do Ibirapuera pelo aplicativo iFood, em 2021.
A questão publicitária gerou controvérsia por conta da deliberação da CPPU de 2020, que havia vedado propaganda no equipamento. A assessoria da SPBW defendeu que a restrição não alcançava a identificação da marca no prédio de apoio — e não na roda em si —, classificando a prática como enquadrada nas regras vigentes da Lei Cidade Limpa. Com o contrato de naming rights, os clientes da Rico passaram a ter acesso facilitado (fast pass) e desconto de 20% no valor do ingresso individual.
Construção
thumb|Cabines erguidas durante a montagem da estrutura|esquerda|278x278px A montagem da estrutura foi iniciada em março de 2022 sob responsabilidade da SPBW, com previsão inicial de inauguração em junho do mesmo ano — prazo que havia sido anunciado desde outubro de 2020. O cronograma foi sucessivamente adiado para julho de 2022 e, a seguir, para o fim do ano, em razão da escassez de insumos e mão de obra especializada. O aço empregado na estrutura, em volume total superior a mil toneladas, foi importado de países asiáticos; o peso total do equipamento montado chega a 700 mil quilos, o que exigiu a utilização do maior guindaste rodoviário disponível no Brasil para a içagem do aro superior.
Foram mobilizados mais de 200 trabalhadores durante a fase de montagem, com jornadas estendidas até a madrugada nos dias que precederam a abertura ao público.
Inauguração
No dia 8 de dezembro de 2022, a Roda Rico foi apresentada em evento restrito a influenciadores digitais, convidados e autoridades. Nessa ocasião, a estrutura ainda exibia obras inacabadas no entorno — guindastes em operação, materiais de construção e trabalhadores atuando em diferentes frentes —, com interrupções do funcionamento ao longo do dia para ajustes técnicos. A abertura ao público em geral ocorreu no dia seguinte, 9 de dezembro. miniaturadaimagem|Evento de inauguração da Roda Rico em 8 de dezembro de 2022 No primeiro dia de funcionamento ao público, o ar-condicionado das cabines apresentou superaquecimento, levando à paralisação das atividades por cerca de duas horas e à formação de filas para remarcação de ingressos. Os problemas se repetiram nos dias 10 e 11 de dezembro, com relatos de filas de até quatro horas, elevadores com defeito, vias de acesso enlameadas, refrigeração das cabines insuficiente para o calor superior a 30 °C e show de luzes não realizado. Visitantes recorreram às redes sociais para registrar as queixas, com expressões como "caos" e "roda do estresse" sendo amplamente usadas; parte deles declarou intenção de formalizar reclamações junto ao Procon. Parte dos frequentadores apontou ainda a presença visível de materiais de construção e canteiro de obras no espaço, além da ausência de sinalização adequada e de orientação aos visitantes.
Em 12 de dezembro de 2022, a Fundação Procon-SP notificou a Interparques Holding S.A. solicitando explicações sobre as ocorrências e as providências adotadas, bem como documentação diversa: alvará de funcionamento, AVCB, laudos de vistoria assinados por profissionais habilitados, número de instrutores por atração, instruções de segurança disponibilizadas ao público (incluindo faixa etária, estatura mínima e precauções de saúde), tabela de preços, formas de pagamento e número de caixas disponíveis. A empresa teve prazo até 14 de dezembro para responder.
Características
Estrutura
A Roda Rico está localizada na Avenida Queiroz Filho, 1.365, no bairro de Alto de Pinheiros, em São Paulo. Com 91 metros de altura e 80 metros de diâmetro, supera em dimensões outros equipamentos similares instalados em cidades como Paris, Toronto e Chicago. A estrutura tem design leve, sustentado por cabos e estais, concebido para se integrar à paisagem urbana sem obstruir visuais do entorno. O local tem acesso por linha de trem integrada ao metrô, transporte por ônibus e ciclovias permanentes, além de ciclofaixas de lazer aos domingos e feriados.
Cabines e tecnologia
thumb|left|Vista superior das cabines e estrutura da Roda Rico São 42 cabines de observação, cada uma com capacidade para até oito passageiros, equipadas com ar-condicionado, monitoramento por câmeras, interfones, wi-fi, bluetooth e iluminação cênica LED personalizável, projetada para interagir com o entorno urbano à noite. O equipamento opera com movimento contínuo, sem paralisações para embarque e desembarque, e cada volta completa tem duração de 25 a 30 minutos. A atração é pet friendly e aceita animais domésticos de pequeno e médio porte.
Serviços e infraestrutura
O espaço conta com uma área de convivência integrada ao Parque Cândido Portinari, com oferta de bares, restaurantes, espaços para fotos, pipoca, sorvete, açaí e loja de souvenirs. Os ingressos são comercializados por meio da plataforma Sympla e da bilheteria física, com ingresso individual a partir de R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia-entrada); há também opção de cabine privativa para grupos de até oito pessoas. Clientes da Rico têm acesso prioritário (fast pass) e desconto de 20% no valor do ingresso.
Vista panorâmica
A partir das cabines, a 91 metros de altitude, os visitantes têm visão abrangente da cidade, alcançando o rio Pinheiros e a Marginal Pinheiros, as áreas verdes dos parques Cândido Portinari e Villa-Lobos, o Pico do Jaraguá, o campus da Universidade de São Paulo (USP) e a paisagem construída da Grande São Paulo. A arquiteta Adriana Levisky destacou que a roda-gigante oferece aos frequentadores a oportunidade de "descoberta" da cidade a partir de uma perspectiva aérea, convidando-os a compreender o traçado urbano e as construções de São Paulo.
Projeto urbano e sustentabilidade miniaturadaimagem|Jardim em volto à roda O projeto urbano do entorno foi assinado pela Levisky Arquitetos | Estratégia Urbana, escritório paulistano dirigido pela arquiteta e urbanista Adriana Levisky, como parte das ações do Programa Novo Rio Pinheiros — iniciativa do governo estadual para despoluição, recuperação ambiental e integração do rio Pinheiros à cidade. O programa tem como metas a redução do esgoto lançado nos afluentes, a melhoria da qualidade das águas, a criação de vida aquática e o retorno da população às margens do rio.
A área receberá plantio de árvores nativas em espaços descampados, favorecendo o enriquecimento da biodiversidade nas margens do manancial. O projeto priorizou o uso de pavimentos permeáveis, soluções de reserva e reuso de água, materiais e sistemas construtivos de montagem a seco, e acessibilidade para pessoas com deficiência e com dificuldade de mobilidade. O contrato com a SPBW prevê ainda a execução de um programa de inclusão social e educação ambiental destinado a estudantes de escolas públicas e beneficiários de projetos sociais das comunidades do Jaguaré, além de tarifas sociais para moradores do entorno.
Os parques Cândido Portinari e Villa-Lobos, situados às margens da Marginal Pinheiros, são frequentados por cerca de 11 milhões de visitantes por ano, sendo a Marginal Pinheiros uma das vias com maior fluxo de veículos da cidade. A SPBW estimou que a Roda Rico atrairia entre 600 mil e 1 milhão de visitantes anuais, correspondendo a cerca de 10% do público total dos parques vizinhos — volume que, em comparação, representa uma fração dos 3,5 milhões de frequentadores anuais da London Eye, em Londres. Quando em plena operação, a atração gera cerca de 160 empregos diretos e indiretos.