Antonio Augusto Dupin Calmon (Manaus, 29 de outubro de 1945) é um autor brasileiro de telenovelas, diretor de cinema, roteirista, produtor de cinema e de minisséries da TV Globo, radicado no Rio de Janeiro.
Carreira Antonio Augusto Dupin Calmon nasceu em Manaus, em 1945. Oito anos depois, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, onde prestou vestibular e ingressou na Escola de Sociologia e Política da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, em 1964.
O começo O começo de sua carreira profissional se deu no cinema, como diretor de curtas-metragens e assistente de direção nos primeiros filmes do Cinema Novo, como A Grande Cidade (1965), de Cacá Diegues, Terra em Transe (1967) e O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro (1968), de Glauber Rocha e O Bravo Guerreiro (1968), de Gustavo Dahl.
Em 1970, dirigiu seu primeiro longa-metragem, O Capitão Bandeira Contra o Doutor Moura Brasil, protagonizado por Paulo César Pereio, Hugo Carvana, Norma Bengell e Dina Sfat, considerado por muitos um filme cult, afeito à estética do chamado Cinema Marginal.
Em seguida, realizou o suspense psicológico Paranóia (1975), com roteiro de Carlos Heitor Cony, estrelado por Anselmo Duarte, Norma Bengell, Paulo Villaça e a jovem Lucélia Santos em seu primeiro papel no cinema. Com Revólver de Brinquedo (1975), estrelado por Helber Rangel, Tereza Rachel e Maria Lúcia Dahl, possuidor de semelhanças com a temática de Paranóia, trazia uma história que entrelaça violência, sonho e realidade escrita por Leopoldo Serran. Em Gente Fina é Outra Coisa (1976), iniciou o ciclo de suas produções mais identificadas com a pornochanchada carioca em voga na época.
Obra adaptada da peça homônima de Antônio Bivar, é uma comédia em três episódios protagonizados por Ney Sant'anna (filho de Nelson Pereira dos Santos), com um erotismo ainda ingênuo e uma leve crítica social. Já em Nos Embalos de Ipanema, de 1977 (início de sua parceria com André de Biasi) e em O Bom Marido (1978), os resultados da conjugação entre sexualidade e análise social e comportamental são mais bem sucedidos. No primeiro, um garotão de praia (De Biasi) é obrigado a servir de gigolô para empresário homossexual (Paulo Villaça). No segundo, um empresário falido (Paulo César Pereio) cede a sedutora mulher (Maria Lúcia Dahl) para magnatas estrangeiros a fim de conseguir obter vantagens futuras.
Com Eu Matei Lúcio Flávio (1978), o autor inicia sua explosiva parceria com o ator e produtor Jece Valadão. Esse foi o filme que causou mais polêmica, e conta de forma romanceada a biografia do policial ligado ao Esquadrão da Morte Mariel Maryscott, figura célebre nas colunas policiais cariocas dos anos 1970. Ancorado no sucesso anterior de Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia (1977), de Hector Babenco, Eu Matei Lúcio Flávio foi considerado por alguns reacionário e direitista, num período em que o Brasil já passava pelo processo da abertura política do governo Ernesto Geisel. Outros, por sua vez, o viram como uma vigorosa experiência no gênero policial.
Em Terror e Êxtase (1979), adaptação do romance de José Carlos Oliveira com a então estreante Denise Dumont e mais Roberto Bonfim, André de Biasi, José Lewgoy, Anselmo Vasconcelos e Maria Lúcia Dahl, também causa impacto, na sensual e violenta história do envolvimento amoroso entre uma jovem burguesa (Dumont) e um frio bandido de morro (Bonfim). O filme conteve cenas fortes de sexo e violência e se converteu em um grande sucesso de bilheteria.
No filme seguinte, Mulher Sensual (1980), investiu em uma temática mais convencional, inserida no contexto do cinema comercial erótico da época, contando com a musa da pornochanchada Helena Ramos, mais Paulo Ramos, André de Biasi, Otávio Augusto e Maria Pompeu, na história dos conflitos sexuais de uma atriz de televisão. Com O Torturador (1981), repetiu a parceria com Jece Valadão, na fantasiosa trama de uma conspiração nazista em uma republiqueta latino-americana.
Após esse, Calmon faria aquele que é seu filme mais famoso, Menino do Rio (1982), em que contou com jovens atores como André de Biasi, Cláudia Magno, Sérgio Mallandro, Ricardo Graça Mello, Cláudia Ohana e Tânia Boscoli. A história incorporou elementos importados do cinema de gênero norte-americano e girou em torno de um grupo de amigos surfistas. A produção de base para a futura atração televisiva Armação Ilimitada.
O êxito do filme proporcionou a gravação de uma sequência, Garota Dourada (1984), onde a fórmula já se encontrava desgastada. A trama, de qualidade inferior, não foi bem aceita e marcou o fim da carreira de Calmon como diretor de cinema. Em 1985 vai para a televisão, onde roteirizou o seriado Armação Ilimitada, lendária atração levada ao ar pela TV Globo entre 1985 e 1988.
Estreia como autor Sua estreia como autor foi em 1989, quando escreveu juntamente com Walther Negrão a novela Top Model, que abordava temas entre outros como masturbação e gravidez na adolescência, e foi um fenômeno de audiência. Em 1991 escreveu Vamp, um estrondoso sucesso.
Em 1993, discutiu o tema da paranormalidade na novela Olho no Olho, cuja audiência média foi de 44 pontos, numa época que a Globo dominava a TV brasileira.
Em 1995, escreveu a novela Cara & Coroa, que conta a história das gêmeas de caráter oposto. Calmon voltou a fazer sucesso em 1998 com Corpo Dourado, que caiu no gosto do público e obteve grande audiência, reerguendo o horário que havia decaído com a antecessora Zazá. Em 2002, apostou na teledramaturgia infanto juvenil ao escrever O Beijo do Vampiro.
Década de 2000 Na sequência, veio Começar de Novo, em 2004, que chegou a marcar apenas 22 pontos – número pífio para a época – chegando a perder o primeiro lugar em alguns dias para A Escrava Isaura, da RecordTV. Em 2008, escreveu Três Irmãs, trama jovem que envolvia os dilemas de três irmãs criadas por uma mãe solteira em uma praia repleta de amores. A trama, porém, também teve fracasso e chegou a marcar apenas 16 pontos, se tornando a telenovela de menor audiência da emissora na ocasião, atrás de Malhação e da reprise de Mulheres Apaixonadas no Vale a Pena Ver de Novo, ficando em segundo lugar em alguns dias atrás de Os Mutantes, da RecordTV. Década de 2010
Escreveu a minissérie policial Na Forma da Lei, seriado brasileiro que foi exibido pela TV Globo na segunda faixa de shows da emissora, entre 15 de junho e 3 de agosto de 2010. Após este período, o autor teve todos seus projetos rejeitados pela direção da emissora, ficando de férias até o final de seu contrato, em 2014, quando foi demitido contra a vontade. Em 2016, mesmo sem contrato, o autor entregou a sinopse de uma nova telenovela das sete para a TV Globo, intitulada Barba Azul, a qual chegou a ser aprovada para entrar no ar em 2018, porém cancelada um mês depois, dando oportunidade para novos autores da casa. Em 2017, o autor chegou a se reunir com a RecordTV, porém a emissora optou por recontratar Cristianne Fridman.
Trabalhos na televisão
Telenovelas Ano Trabalho Emissora Escalação Parceiros Titulares 1989 Top ModelTV Globoautor principal Walther Negrão 1991 Vamp 1993 Olho no Olho 1995 Cara & Coroa 1998 Corpo Dourado 2001 Um Anjo Caiu do Céu 2002 O Beijo do Vampiro 2004 Começar de Novo Elizabeth Jhin 2008 Três Irmãs
Minisséries Ano Trabalho Emissora Escalação Parceiros Titulares 1990 A, E, I, O... UrcaTV Globoautor principal Doc Comparato 1993 Sex Appeal
Seriados Ano Trabalho Emissora Escalação Parceiros Titulares 1985 - 1987 Armação Ilimitada TV Globo autor principal Euclydes Marinho 1988 Tarcísio & Glória Euclydes Marinho 1988 Shop Shop 1997 A Justiceira 1998 Mulher Roteirista 2004 Ovelhas Negras, no Altas Horas autor principaldiretor Serginho Groissman 2010 Na Forma da Lei autor principal
Cinema Como roteirista 1971 - O Capitão Bandeira contra o doutor Moura Brasil (também como diretor e produtor) 1975 - A Carne 1976 - Gordos e Magros 1977 - Gente Fina é outra coisa (também como diretor) 1978 - O Bom Marido (também como diretor) 1978 - Nos embalos de Ipanema (também como diretor) 1979 - Terror e Êxtase (também como diretor) 1981 - A Mulher Sensual (também como diretor) 1981 - O Torturador (também como diretor) 1982 - Aventuras de um Paraíba 1982 - Menino do Rio (também como diretor) 1984 - Garota Dourada (também como diretor) 1985 - Além da Paixão (também como produtor) 1988 - Dedé Mamata 1989 - Dias Melhores Virão 1995 - O Quatrilho
Como diretor 1976 - Paranóia 1977 - Revólver de Brinquedo 1979 - Eu Matei Lúcio Flávio 1981 - Menino do Rio
Como assistente de direção 1966 - A Grande Cidade 1967 - Cara a Cara 1967 - Terra em Transe 1969 - Pedro Diabo ama Rosa Meia-Noite 1969 - O Dragão da maldade contra o santo guerreiro 1969 - O Bravo Guerreiro 1970 - Pindorama
Bibliografia
Livro: Autores - Histórias da Teledramaturgia (Volume I), páginas 140 a 185.
Antonio Calmon Antonio Calmon Antonio Calmon Categoria:Naturais de Manaus Categoria:Família Calmon Antonio Calmon