A fibromialgia (abreviado para FM) é uma síndrome em que o cérebro cria as dores e sintomas, por um mecanismo ainda não bem determinado mas que está relacionado aos sítios que também promovem a depressão e ansiedade, e, por essa razão, as associações com essas patologias é frequente. Seus sintomas constituem uma síndrome dolorosa reumática onde existem uma diversidade de gatilhos (multifatorial) que promovem aumento da tensão muscular, dores musculares e nos tecidos fibrosos (tendões e ligamentos), de tipo crônico-difuso, flutuante e migratório - associada ou não a rigidez, astenia (perda de força com fatigabilidade), parestesias, sensação de edema , insônia ou distúrbio do sono, alterações da sensibilidade (tais como sensibilidade aumentada a estímulos). Alguns autores associam esses problemas a um distúrbio no sistema dopaminérgico, no sistema serotoninérgico, no funcionamento das mitocôndrias e/ou no sistema endócrino.Wolfe F (2009). "Fibromyalgia wars". J Rheumatol. 36 (4): 671–8.

O seu próprio diagnóstico e aspectos clínicos têm sido muito controversos. Várias pesquisas indicam que as anormalidades na recepção dos neurotransmissores são frequentes em pacientes com fibromialgia. Essas alterações podem ser o resultado do stress grave prolongado. A depressão maior e transtornos de ansiedade, especialmente transtorno de estresse pós-traumático, são comorbidades comuns.Clauw, Daniel J. (16 de Abril de 2014). "Fibromyalgia". JAMA. 311 (15): 1547–55. doi:10.1001/jama.2014.3266. PMID 24737367.Schweinhardt P, Sauro KM, Bushnell MC. (October 2008). "Fibromyalgia: a disorder of the brain?". Neuroscientist. 14 (5): 415–21. Apesar de não se tratar de um transtorno psíquico, embora o stress físico e psicológico e a ansiedade possam incidir sobre isso, alguns especialistas podem enquadrá-la num conjunto diversificado de sintomas que muitas vezes são tratados como transtornos psicológicos, ou como efeitos físicos do transtorno depressivo.COS’E’ LA FIBROMIALGIA? - ATMARJennifer Schnellmann, Capire e Combattere la Fibromialgia, 2013

A doença pode estar associada à atividade laboral do sujeito debilitado, à familiaridade genética, o que causa um desajuste dos principais receptores neurológicos. Desconhece-se no entanto, a sua real etiologia, ou de seu gatilhos desencadeadores, mas é considerada, no entanto, uma doença reumática.

Não existem quaisquer sinais que evidenciem alterações hemáticas, musculares, neurológicas e radiográficas; não existem aspectos histopatológicos seguros (danos aos tecidos perceptíveis com exame ao microscópio) característicos. Os índices de inflamação do corpo são normais, mas a percepção da dor por parte do paciente está aumentada (limiar de dor baixo). A fibromialgia é diagnosticada por exclusão de outras patologias (diagnóstico diferencial), e, antigamente, se associava aos pontos dolorosos (tender-points), fato hoje desconsiderado no seu diagnóstico.

As principais zonas referidas, nas queixas, pela dor são, na coluna vertebral, os ombros, na cintura pélvica, nos braços, pulsos e coxas. A dor crônica, que muitas vezes ocorre em intervalos de tempo, está associada a diversos sintomas, sobretudo transtornos de humor e de sono, bem como astenia ou fadiga crônica, e por esse motivo, alguns pesquisadores são resistentes a acreditar em sua real existência, acreditando que , na verdade , a fibromialgia é um desmembramento dos sintomas de pacientes com distúrbio psiquiátrico com exacerbação do quadro algíco, e o fato que contribui para essa tese é que os medicamentos utilizados, são os mesmos para pacientes com depressão e ansiedade.Além disso, a falta de resposta a analgésicos comuns, bem como o caráter "migrante" das dores, são características peculiares que permitem reforçar essa tese. O controle e remissão da doença, ainda hoje é objecto de estudo, utilizando no seu tratamento análogos dos competidores da degradação de serotonina e outros neuroreceptores, promovendo a maior concentração desses fármacos e aumentando o limiar de dor, e melhora nos sintomas depressivos,e, entre as medidas coadjuvantes do tratamento seguem as recomendações que variam desde proporcionar um sono saudável, exercícios regulares e uma dieta equilibrada.

E portanto, como se trata de uma doença de exclusão, qualquer outra patologia que cause sintomas semelhantes, afasta seu diagnóstico, não podendo portanto ocorrer a exemplo artrite reumatoide e fibromialgia, lúpus e fibromialgia, pois dessa forma se descaracteriza seu diagnóstico.

Sintomas thumb|Sintomas da fibromialgia (em espanhol) A fibromialgia é uma doença de complexo e heterogêneo envolvimento e sintomatologia, na qual há um distúrbio no processamento da dor por mais de 3 meses associado a outras características secundárias comoHEYMANN, Roberto Ezequiel et al. Consenso brasileiro do tratamento da fibromialgia. Rev. Bras. Reumatol. [online]. 2010, vol.50, n.1 [cited 2011-03-09], pp. 56-66 . Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0482-50042010000100006&lng=en&nrm=iso>. ISSN 0482-5004. doi: 10.1590/S0482-50042010000100006.: Fadiga Problemas no sono (dificuldade pra dormir, agitação e acordar regularmente) Rigidez matinal Parestesias/Discinesia (Como formigamento ou dormência nos dedos) Problemas de concentração e memória Sensação de edema Ansiedade

Denominação A palavra "fibromialgia" deriva do latim fibro (tecido fibroso: tendões, fáscias), do grego mio (tecido muscular), algos (dor - algós) e ia (condição).

É entidade nosológica reconhecida desde meados do século XIX com outras denominações: fibrosite, dor muscular crónica, reumatismo psicogénico, mialgia por tensão, ou mesmo confundida com sintomas de somatização.Fibromialgia. Portal Banco de Saúde. 2008. Fibromialgia Guia Completo

Diagnóstico e características A fibromialgia é classificada como sendo um dos tipos de Reumatismos Extra-articulares, dos quais fazem parte sintomas dolorosos similares atendinite, bursite, entesite (entesopatia) e síndrome da dor miofascial, porém sem se constatar a inflamação. Na sua apresentação, a fibromialgia não acomete as articulações, como ocorre com os outros tipos de reumatismos. Se relata apenas as chamadas "partes moles". Há cada vez mais evidências que esta fibromialgia seja causada por distúrbios psiquiátricos baseados na ansiedade e como mecanismo de fuga para crises de isolamento social, pois após o período de pandemia, o índice dessa doença aumentou muito, e as lesões musculares não são observadas em nenhum aspecto clínico da doença, pois como dito acima, descaracteriza a doença. O fato é que, por algum mecanismo ainda desconhecido, o cérebro provoca dores generalizadas nos músculos, ligamentos, tendões e fáscias (tipo de tecido fibroso que envolve todas as estruturas do corpo, inclusive as citadas anteriormente), e talvez esteja correlacionado a um distúrbio de controle de feedbacks mal condicionado ou defeituoso, onde o estímulo doloroso não cessa ou é interpretado no cérebro de outra maneira.

As dores da fibromialgia portanto, podem variar de níveis de intensidade dependendo do paciente, de quais são os pontos do corpo afetados, de qual o estágio da doença ele se encontra ( apesar de não haver de fato um estágio classificado)naquele momento, se ele está ou não em crise(momento em que a dor atinge seu caráter maior de expressão), pelas condições do clima, do equilíbrio hormonal (nas mulheres), do estado psico-emocional, entre outros fatores. As dores podem variar desde uma simples sensação dolorosa até níveis insuportáveis ao toque da(s) área(s), ao movimento ou também com o corpo inerte (parado). Podem-se manifestar por períodos de horas, dias, meses ou permanentemente, em áreas diversas ou mais localmente.

Portanto, geralmente as dores apresentam-se distribuídas pelo corpo e não necessariamente têm de ter simetria, ou seja, elas podem variar de intensidade de um lado em relação ao outro. As dores podem ou não ser acompanhadas de manifestações associadas. Destas últimas, as mais frequentes são: alterações quantitativas e qualitativas do sono ou distúrbios do sono, fadiga, cefaleias, alterações cognitivas (p. ex: problemas de memória e concentração), parestesias/disestesias (amortecimentos), irritabilidade emocional e, em cerca de 75% dos casos, depressão, entre outras. Há citações de haver praticamente perto de 200 manifestações associadas já catalogadas.

Alguns pesquisadores tentaram associar a frequência e intensidade com patologias virais, mas não foi evidenciada tal relação

Trata-se de um acometimento musculoesquelético não articular, cujos critérios de diagnóstico foram estabelecidos pelo Colegiado Americano de Reumatologia (CAR) em 1990. Desde essa época, foram adotados pela comunidade científica no mundo ocidental - inclusive Portugal e Brasil.

Não possui um método de diagnóstico direto, portanto há a necessidade de se diagnosticar tal síndrome por exclusão. Ou seja, o médico necessitará fazer vários exames de imagem e de laboratório para excluir a possibilidade de os sintomas serem provocados por algum outro acometimento e se acaso o resultado for negativo para estes, o profissional poderá realizar o diagnóstico de fibromialgia e constatará ser de fato a doença.

A Sociedade Brasileira de ReumatologiaDiretrizes Médicas. Sociedade Brasileira de Reumatologia: Diretrizes sobre Fibromialgia recomenda aos médicos que sejam excluídos ao se fazer o diagnóstico de fibromialgia os seguintes acometimentos: Outros reumatismos extra-articulares (bursite, tendinite, entesite e síndrome da dor miofascial); Polimialgia reumática e arterite de células gigantes; Polimiosites e dermatopolimiosites; Miopatias endócrinas: hipotiroidismo, hipertiroidismo, hiperparatiroidismo, insuficiência adrenal, hiperglicemia; polineuropatia aguda por álcool; Neoplasias; Doença de Parkinson; Efeito colateral de drogas: corticosteróide, cimetidina, estatina, fibratos, drogas ilícitas .

Os pontos avaliados são em total 18, sendo que ao se constatar dor intensa em 11 ou mais, confirma-se o diagnóstico.Atallah-Haun MV, Ferraz MB, Pollak DF. Validação dos critérios do Colégio Americano de Reumatologia (1990) para classificação da fibromialgia, em população brasileira. Revista Brasileira de Reumatologia, 1999; 39:221-30 Critério Preliminar de 2010 O critério preliminar da Sociedade Americana de Reumatologia (ACR) (WOLFE; CLAUW; et al.,2010), fez um número de mudanças para o diagnóstico e a definição descritas no critério da ACR 1990 (WOLFE et al., 1999). O critério de 2010 eliminou a contagem de pontos gatilhos que era anteriormente essencial para o diagnóstico e definição da fibromialgia (VANDERSCHUEREN et al., 2010). Ele alterou os critérios e tornou possível diagnosticar a fibromialgia naqueles que não tem dor generalizada (um constituinte do critério de 1990) (BOSCHERT, 2013).  Este critério usa o Índice de Dor Generalizada (WPI) e a Escala de Severidade de Sintomas (SS) no lugar do teste dos pontos gatilhos do critério de 1990. O Índice de Dor Generalizada conta com 19 áreas corporais nas quais as pessoas tem experimentado dor nas duas últimas semanas. A Escala de Severidade de Sintomas mede a taxa de fadiga das pessoas, sintomas cognitivos, e sintomas somáticos gerais, cada um com uma escala de 0 a 3, que varia de 0 a 12. O critério revisado para o diagnóstico é: WPI ≥ 7 e SS ≥ 5 ou WPI 3–6 e SS ≥ 9. A Fibromialgia é diagnosticada desde que os sintomas estejam presentes em níveis similares por pelo menos três meses, e nenhum outro diagnóstico diferente que pudesse explicar a dor. (WOLFE et al. 2010). Critério 2011   Em 2011, os autores do critério de 2010 e mais alguns outros propuseram uma modificação do critério de 2010, para que os itens do critério pudessem ser obtidos por auto relato (WOLFE; CLAUW, et al., 2011).