A diáspora espanhola é constituída dos espanhóis e seus descendentes que emigraram da Espanha. No continente americano, o termo pode referir-se àqueles de nacionalidade espanhola que ali vivem; "hispânico" é normalmente o termo mais adequado para descrever os falantes nativos de espanhol espanhol nas Américas.

A diáspora concentra-se em lugares que fizeram parte do Império Espanhol. Os países com as populações consideráveis são aqueles da América Hispânica e, em menor escala, Brasil, Belize, Haiti, Estados Unidos, Canadá e resto da Europa.

Os dados mais recentes do Registro de Espanhóis Residentes no Estrangeiro do Instituto Nacional de Estadística apontam que o número de pessoas com a nacionalidade espanhola residentes fora da Espanha é de 2.742.605 em 1 de janeiro de 2022, um aumento de 3,3%(87.882 pessoas) em comparação aos dados do mesmo dia do ano anterior".

Origens (1402–1521) O Reino de Castela, então governado pelo rei Henrique III, iniciou a colonização das Canárias em 1402, o que inclui o acordo com nobres normandos como Jean de Béthencourt. A conquista das ilhas, já habitadas por populações berberes conhecidas como "guanches", só foi concluída quando o exército de Castela conquistou, em longos e sangrentos conflitos, as ilhas de Grã Canária (1478–1483), La Palma (1492–1493) e Tenerife (1494-1496).

O casamento dos Reis Católicos Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela criou uma confederação de reinados, que dará origem à Espanha, cada um com administração própria, mas regidos por uma monarquia em comum. O historiador britânico Henry Kamen diz que somente após séculos de governo comum que esses reinos separados formaram um estado totalmente unificado.

Em 1492, a Espanha expulsou o último rei mouro de Granada e, após isso, os Reis Católicos negociam com o navegante genovês Cristóvão Colombo, que procurava uma rota para a Ásia navegando para o oeste. Nessa época, Castela já estava em disputa marítima com Portugal nas Grandes Navegações. Em 12 de outubro daquele ano, Colombo chega a uma ilha nas atuais Bahamas conhecida como "Guanahani" pelos indígenas locais, assim ocorrendo o "Descobrimento" da América. Como o italiano pensou estar nas Índias, apelidou os povos nativos do continente descoberto de "índios".

Em 1494, João II de Portugal e os Monarcas Católicos assinam, na vila de Tordesilhas, o Tratado de Tordesilhas, dividindo o mundo entre portugueses e espanhóis.

Era das Navegações Após a Era dos Descobrimentos, os espanhóis foram a primeira e uma das maiores comunidades a emigrar da Europa e a expansão do Império Espanhol na América ao longo da primeira metade do século XVI ocorreu junto com uma "dispersão extraordinária do povo espanhol", com concentrações principalmente "na América do Norte e do Sul", especialmente nos vice-reinos da Nova Espanha (atuais México e América Central Continental) e do Peru (no país de mesmo nome).

O Império Espanhol foi construído pelos espanhóis que deixaram seu país e afetaram permanentemente a estrutura e dinâmica populacional do continente americano para sempre. Como resultado da colonização da América Hispânica, sem dúvidas esse foi o grande destino de emigração espanhol.

África miniaturadaimagem| Colonos espanhóis em Oran, na Argélia.|225x225px

Conquista das Ilhas Canárias A primeira parte da conquista das Canárias foi realizada pelos nobres normandos Jean de Béthencourt e Gadifer de la Salle, por motivos basicamente econômicos, pois Béthencourt era proprietário de indústrias têxteis e tinturarias e as canárias ofereciam uma fonte de corantes a partir de plantas e fungos. Por meio de tratados, as disputas entre Castela e Portugal pelo domínio do Atlântico se desfazem e foi reconhecido o domínio castelhano sobre as Canárias e também a posse portuguesa das ilhas dos Açores, Madeira e Cabo Verde e deu a Portugal direitos sobre as terras já e futuramente descobertas, assim como qualquer outra ilha que possa ser encontrada e conquistada além das Canárias em direção à Guiné.

Castela continuou dominando as Canárias, mas, devido à topografia local e a resistência dos aborígenes berberes guanches, a conquista das ilhas só foi finalizada em 1495, quando Tenerife e La Palma foram finalmente subjugadas por Alonso Fernández de Lugo. esquerda|miniaturadaimagem|268x268px|Alonso Fernández de Lugo apresenta aos Reis Católicos os menceyes (reis guanches) cativos de Tenerife. As ilhas receberam, durante e nas décadas após sua conquista, milhares de colonos vindos da Europa Continental, sendo, no início, em sua maioria andaluzes com alguns castelhanos e posteriormente, com grande parte dos colonos ainda vinda da Espanha, como galegos, castelhanos, catalães e bascos, além dos provindos de outras partes da Europa, sobretudo portugueses, mas também italianos e flamengos.

Os conquistadores foram subjugando e escravizando a população guanche e as mulheres sobreviventes dessa etnia se misturam aos colonos europeus, assim deixando legado genético ao povo canário.

Atualmente, não há mais guanches, mas seu legado genético e cultural persiste nos habitantes das Canárias e da diáspora canária.History of La Palma

Américas

Argentina miniaturadaimagem| Festival do Imigrante em Misiones, Argentina|241x241px A chegada dos espanhóis à Argentina é dividida em dois momentos distintos: um, durante a colonização e outro, após a Independência.

Durante a colonização da Argentina, assim como em outras partes da América Hispânica, havia uma grande escassez da mulher branca entre os colonos espanhóis, o que favoreceu a miscigenação entre os homens ibéricos e mulheres indígenas. Até meados do século XIX, a imensa maioria dos europeus que desembarcaram nesse país sul-americano vinha da Espanha.

Durante o grande processo de imigração pelo qual a Argentina passou na segunda metade do século XIX e primeiras décadas do século XX, havia muitos espanhóis.

Cerca de 70% dos espanhóis que se fixaram na Argentina pós-independência eram galegos e esse povo espanhol vira o estereótipo de espanhol nesse país sul-americano a partir de então.

Brasil miniaturadaimagem|212x212px|O ator Oscarito nasceu na cidade espanhola Málaga, mas veio ao Brasil com um ano de idade. Cerca de 750 mil imigrantes espanhóis entraram no Brasil no final do século XIX e primeiras décadas do século XX, sendo o terceiro maior grupo imigratório do país na época e o terceiro maior fluxo de espanhóis após a independência da América Latina, perdendo apenas para Argentina e Cuba.Entrada de estrangeiros no Brasil

Os censos brasileiros não coletam dados sobre origem étnica ou ascendência, o que torna muito difícil fornecer números precisos de brasileiros descendentes de espanhóis. A única pesquisa confiável disponível é uma julho de 1998, cujo escopo, entretanto, é limitado, incluindo seis regiões metropolitanas. Nessa pesquisa, os descendentes de espanhóis representavam 4,4% da população brasileira. Fora de foco: diversidade e identidade étnicas no Brasil. Quadro 2, p. 7.

Canadá No Canadá, 368.305 habitantes se declaram como espanhóis ou descendentes de espanhóis.

Chile Os primeiros imigrantes europeus no Chile foram os colonizadores espanhóis que chegaram a partir do século XVI.Vascos en Chile. No início, eles vinham principalmente de Castela e Andaluzia e, nos séculos XVIII e XIX, muitos bascos tanto da Espanha quanto da França chegam ao Chile e lá se integram às elites existentes de origem castelhana.

Outros europeus vieram para o Chile posteriormente e entre eles existiram os que enriqueceram e incorporam-se à elite basco-castelhana para criar a cultura chilena moderna.

Mais espanhóis vieram para o Chile durante a Guerra Civil Espanhola e a ditadura de Francisco Franco, mantendo sua identidade espanhola e criando clubes espanhóis pelo país.

A cultura espanhola dos colonos originais evoluiu lentamente para a cultura popular chilena, especialmente a cultura huaso, e na época da independência abandonou a afiliação nacional com a Espanha.

Colômbia A chegada dos espanhóis à Colômbia começou no início do século XVI e continua até hoje. Cerca de 500.000 espanhóis emigraram para a Colômbia durante o período colonial, provindos de toda a Espanha peninsular. Há atualmente  mais de 27.000 imigrantes espanhóis nesse país.

Cuba miniaturadaimagem|182x182px| O poeta cubano José Martí era filho de pais espanhóis. miniaturadaimagem|237x237px|Líder de Cuba por quase 50 anos, Fidel Castro era filho de pai galego, da Província de Lugo. A imigração espanhola para Cuba se iniciou em 1492, quando Colombo desembarcou pela primeira vez da ilha, avistada pela primeira vez de um barco espanhol em 28 de outubro de 1492, provavelmente em Baracoa, na ponta leste da ilha. Cristóvão Colombo, em sua primeira viagem às Américas, navegou para o sul do que hoje são as Bahamas para explorar a costa nordeste de Cuba e a costa norte de Hispaniola.

Em 1511, Diego Velázquez de Cuéllar partiu com três navios e um exército de 300 homens de Santo Domingo para formar o primeiro assentamento espanhol em Cuba, com ordens da Espanha para conquistar a ilha.

Durante o período colonial, a maioria dos espanhóis que chegaram a Cuba eram oriundos das Ilhas Canárias.Spanish Emigration to Cuba

Imigração do século XX Entre 1902 e 1931, estima-se que, entre os imigrantes que vieram para Cuba, 780.400 (60,8%) eram espanhóis.Fazer a América: a imigração em massa para a América Latina By Boris Fausto

Os espanhóis que vieram para o país caribenho após o final do século XIX não vinham apenas das Canárias, mas também de outras partes da Espanha, como Galiza, Astúrias e Catalunha.

Em 2020, viviam 147.617 pessoas em Cuba com cidadania espanhola.

República Dominicana miniaturadaimagem|205x205px| Maria Montez, atriz dominicana. esquerda|miniaturadaimagem|205x205px| Oscar de la Renta, estilista dominicano naturalizado estadunidense. A presença de brancos na República Dominicana remonta à fundação de La Isabela, o primeiro assentamento europeu nas Américas, por Cristóvão Colombo em 1493, após a destruição do Fuerte de la Navidad um ano antes pelo Cacique Caonabo.

Em 1510, havia 10.000 espanhóis na colônia de Santo Domingo, e aumentou para mais de 20.000 em 1520.

Durante o século XVIII, muitos colonos franceses se estabeleceram em muitas cidades dominicanas, particularmente em Santiago de los Caballeros e, em 1730, eles representavam 25% da população. Em 1718, um decreto régio ordenou a expulsão dos franceses da Capitania-Geral de Santo Domingo, mas o Grande Prefeito de Santiago, Antonio Pichardo Vinuesta, recusou-se a obedecê-lo, sob o argumento de que a maioria dos franceses havia se casado com mulheres espanholas locais e, portanto, sua expulsão prejudicaria a economia da região de Cibao. Pichardo foi julgado e preso em Santo Domingo, mas, no ano seguinte, o Conselho das Índias o inocentou e concedeu indulto aos franceses. Entre 1720 e 1721, uma revolta em Santiago contra um novo imposto sobre as exportações de carne bovina gerou temores da elite dominicana estar sendo afrancezada e Fernando Constanzo, governador da capitania, acusou a elite do Cibao de tentar anexar suas províncias à França. Após os planos fracassados do governo espanhol de expulsar os colonos franceses, ele decidiu encorajar ativamente o assentamento em massa de famílias espanholas em seu território. Ao longo do século XIX, a colônia espanhola de Santo Domingo foi objeto de uma migração em massa de espanhóis, a maioria dos quais oriundos das Ilhas Canárias.