O desfecho da Segunda Guerra Mundial em 1945 inaugurou uma nova era socioeconômica para todos os países e povos envolvidos no conflito, marcada principalmente pelo declínio de grande parte dos impérios coloniais europeus e a ascensão simultânea de Estados Unidos e União Soviética como as duas superpotências mundiais. Anteriormente aliados durante a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos e a União Soviética desenvolveram uma forte concorrência por influência política e econômica no cenário mundial que ficou conhecida como Guerra Fria - assim denominada por nunca resultar em conflito armado direto entre as duas potências. Da década de 1950 em diante, o cenário geopolítico global foi remodelado pela espionagem, subversão política e conflitos por procuração financiados pelas principais nações do globo. A Europa Ocidental e a Ásia foram redefinidas economicamente pelo Plano Marshall enquanto a Europa Central e Oriental passaram a integrar a esfera de influência soviética no âmbito da chamada "Cortina de Ferro". Politicamente, a Europa foi subdividida em um Bloco ocidental influenciado pelos Estados Unidos e um Bloco oriental influenciado pela União Soviética. No plano internacional, diversas nações buscaram manter boas relações econômicas com os países de ambos os blocos europeus evitando assim um envolvimento mais nítido na Guerra Fria, que culminou na criação do Movimento dos Países Não Alinhados. O período subsequente também foi palco de uma corrida armamentista nuclear entre as duas superpotências; o que impediu em parte o desenvolvimento de um conflito armado entre ambos os blocos mediante a probabilidade de uma destruição mútua assegurada.
Como consequência direta da Segunda Guerra Mundial, os Aliados fundaram a Organização das Nações Unidas, um organismo intergovernamental de cooperação e diplomacia internacional, semelhante à Liga das Nações. Os Estados-membros das Nações Unidas concordaram em proibir guerras de agressão e evitar uma Terceira Guerra Mundial. As grandes potências da Europa Ocidental devastadas economicamente formaram a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, que mais tarde evoluiu para a Comunidade Económica Europeia e, finalmente, para a atual União Europeia. Esse esforço conjunto regional começou principalmente como uma tentativa de evitar outro conflito entre a Alemanha e a França através de cooperação político-econômica e um mercado comum.
Além do cenário europeu, o fim da guerra enfraqueceu a influência das nações europeias em suas antigas colônias abrindo caminho para um processo de descolonização generalizado de países da África e da Ásia. Logo nos primeiros anos seguintes à guerra, países como Índia, Indonésia, Filipinas e grande parte do atual mundo árabe conquistaram sua independência política por intermédio de conflitos mediados pela Liga das Nações. De igual modo, houve um aumento da influência do Comunismo no leste asiático, tendo como auge a Proclamação da República Popular da China após a Guerra Civil Chinesa em 1949.
Paulo Sérgio Martins Filho.
Efeitos imediatos da Segunda Guerra Mundial Ao fim da Segunda Guerra Mundia, milhões de pessoas haviam morrido e outros milhões estavam desabrigados, a economia europeia entrou em colapso e grande parte da infraestrutura industrial europeia foi destruída. Apesar de ser uma das forças vencedoras da guerra, a União Soviética também foi fortemente afetada no campo econômico e social. Como reação imediata, o então Secretário de Estado dos Estados Unidos George Marshall elaborou o "Programa de Recuperação Europeia", que ficou conhecido como Plano Marshall. De acordo com o plano, de 1948 a 1952, o governo dos Estados Unidos alocaria 13 bilhões de dólares para a reconstrução dos países afetados da Europa Ocidental.
Reino Unido thumb|right|250px|Crianças londrinas durante as celebrações do Dia da Vitória, em 8 de maio de 1945. No final da guerra, a economia do Reino Unido estava em severas condições. Mais de 1/4 de sua riqueza nacional havia sido consumida pelos esforços de guerra. Até a introdução do Lend-Lease estadunidense em 1941, o Reino Unido vinha gastando seus ativos para comprar equipamentos norte-americanos, incluindo aeronaves e navios - mais de 437 milhões de libras esterlinas apenas em aeronaves. O programa Lend-Lease foi iniciado pouco antes do esgotamento total das reservas financeiras britânicas. A Grã-Bretanha havia colocado 55% de sua mão-de-obra disponível na produção de armamentos de guerra.
Na primavera de 1945, o Partido Trabalhista retirou seu apoio do governo de coalizão durante a guerra, em um esforço para derrubar o governo de Winston Churchill, forçando uma eleição geral. Após uma vitória esmagadora, em 26 de julho de 1945, o Partido Trabalhista deteve a maioria das vagas na Câmara dos Comuns e elegeu Clement Attlee como o novo Primeiro-ministro britânico.
A dívida de guerra da Grã-Bretanha foi descrita como uma "pedra de moinho no pescoço da economia britânica". Em agosto de 1945, embora houvesse sugestões para uma conferência internacional para resolver o problema, os Estados Unidos anunciaram inesperadamente que o programa Lend-Lease terminaria imediatamente.
A retirada abrupta do apoio americano Lend-Lease à Grã-Bretanha em 2 de setembro de 1945 foi um duro golpe para os planos do novo governo. Foi somente com a conclusão do empréstimo anglo-americano dos Estados Unidos à Grã-Bretanha em 15 de julho de 1946 que alguma medida de estabilidade econômica foi restaurada. No entanto, o empréstimo foi feito principalmente para apoiar os gastos britânicos no exterior nos anos imediatos do pós-guerra e não para implementar as políticas do governo trabalhista para reformas domésticas que visassem o bem-estar e a nacionalização de indústrias de base. Embora o empréstimo tenha sido acordado em termos razoáveis, suas condições incluíam o que provou ser condições fiscais prejudiciais para a libra esterlina. De 1946 a 1948, o Reino Unido introduziu o racionamento de pão, o que nunca havia feito durante a guerra.
União Soviética thumb|right|250px|Ruínas do Moinho Gerhardt, um dos poucos edifícios que resistiram à Batalha de Stalingrado. A União Soviética sofreu enormes perdas na guerra contra a Alemanha. A população soviética foi reduzida em cerca de 27 milhões durante a guerra; destes, 8,7 milhões foram russos soviéticos mortos em combate. As 19 milhões de mortes fora de combate tiveram várias causas: onda de fome e frio no Cerco a Leninegrado; condições desumanas em prisões e campos de concentração nazistas; fuzilamentos em massa de civis; trabalho forçado em indústrias alemãs; condições precárias nos campos militares soviéticos; e enfermidades generalizadas decorrentes do próprio conflito. A população russa não retornaria ao seu estado social pré-guerra pelos próximos 30 anos.
Ex-prisioneiros de guerra soviéticos e civis repatriados do exterior eram suspeitos de terem sido colaboradores nazistas, e 226.127 deles foram enviados para campos de trabalhos forçados após investigações do serviço de inteligência NKVD. Diversos prisioneiros de guerra e civis jovens também foram recrutados para servir no Exército Vermelho enquanto outros foram usados como mão-de-obra forçada na reconstrução de cidades destruídas durante a guerra.
thumb|left|250px|Nos anos seguintes à guerra, a União Soviética experimentou um processo de expansão territorial acelerado, culminando na formação do Bloco do Leste.
Com a economia devastada, aproximadamente 1/4 dos recursos de capital da União Soviética foram consumidos pelo conflito enquanto a produção industrial e agrícola ficou muito aquém dos níveis pré-guerra. Para ajudar a reconstruir o país, o governo soviético obteve créditos limitados da Grã-Bretanha e da Suécia, recusando a assistência oferecida pelos Estados Unidos sob o Plano Marshall. Por outro lado, a União Soviética influenciou a Europa Central e Oriental a fornecer equipamentos e matérias-primas para suas indústrias. Diversos Estados-fantoche nazistas acabaram por fazer reparações de guerra à União Soviética nos anos seguintes. O programa de reconstrução stalinista enfatizou a indústria de base em detrimento da agricultura e dos bens de consumo. Em 1953, a produção de aço era o dobro do nível de 1940, mas a produção de muitos bens de consumo e alimentos era menor do que no final da década de 1920.
O período imediatamente pós-guerra na Europa foi dominado pela expansão da União Soviética através da anexação de outros territórios vizinhos ou da criação de repúblicas soviéticas nos países ocupados gradativamente pelo Exército Vermelho. Novos Estados-satélites foram estabelecidos pelos soviéticos na Polônia, Bulgária, Hungria, Tchecoslováquia, Romênia, Albânia e Alemanha Oriental; sendo este último criado a partir da Zona de ocupação soviética na Alemanha. A Iugoslávia emergiu como um Estado comunista independente aliado mas "não alinhado" com a União Soviética devido à natureza independente da vitória militar dos guerrilheiros da Frente Iugoslava de Josip Broz Tito. Os Aliados estabeleceram a Comissão do Extremo Oriente e o Conselho Aliado para administrar o processo de ocupação do Japão, enquanto o Conselho de Controle Aliado administrava a Alemanha ocupada. De acordo com os acordos da Conferência de Potsdam, a União Soviética ocupou e posteriormente anexou estrategicamente a Ilha de Sacalina.
Alemanha No leste, a Região dos Sudetas foi reincorporada à Tchecoslováquia após a decisão da Comissão de Assessoramento Europeu de reorganizar o território alemão da maneira como se encontrava até 31 de dezembro de 1937. Cerca de 1/4 do território alemão anterior à guerra foi ocupado pelos Aliados e cerca de 10 milhões de alemães foram expulsos de sua terra natal ou não tiveram permissão para retornar a ela após o conflito. O restante da Alemanha foi dividido em quatro zonas de ocupação coordenadas pelo Conselho de Controle Aliado. Em 1947, o Protetorado de Sarre foi seccionado e unido economicamente com a França. Em 1949, a República Federal da Alemanha foi criada a partir das zonas ocidentais de ocupação enquanto a zona soviética tornou-se a República Democrática Alemã.
A Alemanha pagou indenizações de guerra ao Reino Unido, França e União Soviética, principalmente na forma da desintegração de fábricas e trabalhos forçados. Com as imposições da derrota na guerra, o padrão de vida alemão foi reduzido ao que era em 1932. Começando imediatamente após a rendição alemã e pelos próximos dois anos, os Estados Unidos e a Grã-Bretanha implementaram um programa de "reparações intelectuais" para absorver todo o conhecimento tecnológico e científico, bem como todas as patentes científicas da Alemanha. O valor destes esforços culturais totalizou cerca de 10 bilhões de dólares em investimento científico. De acordo com o Tratado de Paz de Paris de 1947, os alemães também indenizaram a Itália, Romênia, Hungria, Bulgária e Finlândia.
França thumb|right|250px|Mulheres francesas acusadas de colaboração com o Regime de Vichy, em 1944. Como a França foi libertada da ocupação alemã, um expurgo (épuration) de colaboradores nazistas teve início no país. A princípio, isso foi realizado de maneira extralegal pela Resistência Francesa como "épuration sauvage" (ou "expurgo selvagem"). As mulheres francesas que tiveram ligações românticas com soldados alemães foram humilhadas publicamente e tiveram suas cabeças raspadas. Houve também uma onda de execuções sumárias estimadas em cerca de 10.000 pessoas.
Quando o Governo Provisório da República da França estabeleceu o controle, começou a Épuration légale ("expurgo legal"). Não houve julgamentos internacionais de crimes de guerra para colaboradores do nazismo no país, que foram julgados nos tribunais franceses. Aproximadamente 300.000 casos foram investigados; 120.000 pessoas foram sentenciadas, incluindo 6.763 sentenças de morte (das quais apenas 791 foram executadas). A maioria dos condenados recebeu anistia do governo francês alguns anos depois.
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