Danos ao patrimônio resultantes das ataques de 8 de janeiro em Brasília foram verificados nas sedes do Supremo Tribunal Federal, do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto, e foram generalizados. Uma série de espaços importantes dos três prédios invadidos foi extensamente depredada e saqueada, incluindo o Salão Nobre e o Plenário do STF, os salões Verde, Azul e Negro do Congresso, e o saguão, o Salão Nobre e o gabinete da Primeira Dama no Planalto. Muitas outras áreas, como corredores, salas e gabinetes, também foram vandalizadas, danificando grande quantidade de móveis, equipamentos e objetos diversos. Vários espaços foram completamente destruídos.<ref>"Grupo de vândalos deixa rastro de destruição, com cadeiras arrancadas e pichações". UOL, 09/01/2023</ref>Andrade, Ranyelle et al. "Bolsonaristas deixam rastro de destruição no STF: veja antes e depois". Metrópoles, 08/01/2023Lago, Rudolfo & Matos, Caio. "Veja as imagens dos palácios de Brasília depredados por golpistas". Congresso em Foco, 08/01/2023"Veja imagens da depredação do prédio da Câmara dos Deputados". DM Anápolis, 09/01/2023"Funcionários encontram Planalto depredado e acham rastro de sangue: 'chorei'". UOL, 09/01/21023 De acordo com um funcionário, os invasores destruíram hidrantes, numa tentativa de impedir o combate aos focos de incêndio que existiam em diversos pontos da invasão.

Na invasão, muitas obras de arte e objetos históricos foram danificados ou destruídos, incluindo todo o acervo do Salão Nobre do STF, um vaso da dinastia Shang, datado de cerca de 1500 antes de Cristo, A Bailarina, de Victor Brecheret, um raríssimo relógio feito por Balthazar Martinot no século XVIII,Froner, Mariana & Pretto, Nicholas. "A história de obras e objetos depredados nas invasões golpistas". Nexo Jornal, 12/01/2023 a grande pintura As Mulatas, de Di Cavalcanti, e o vitral Araguaia, de Marianne Peretti no Congresso. No Palácio do Planalto, praticamente todas as mais de cem obras de arte do acervo foram danificadas. O curador dos palácios presidenciais, Rogério Carvalho, assinalou que o valor histórico do acervo destruído é incalculável, mas considerou que a maioria das peças poderá ser recuperada.

Um levantamento da Polícia Federal e de pesquisadores do Universidade Federal de Minas Gerais identificou 186 peças de arte danificadas nos ato golpistas, parte delas localizadas na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.

Lista parcial de danos

thumb|Retrato de Renan Calheiros, da galeria de retratos oficiais de ex-presidentes do Senado, no Salão Nobre da casa

Dentre as obras e objetos furtados ou danificados, constam:

Acervos e coleções Acervo do Salão Nobre do STF, com muitas peças do século XIX e início do século XX, incluindo mobiliário entalhado e dourado, lustres, espelhos de cristal com moldura de jacarandá entalhada, vasos de porcelana decorada e estatuetas de bronze;"Antes e depois do salão nobre do STF - uma perda inestimável". STF em Foco, 09/01'/2023 Coleção artística do Palácio do Planalto. Galeria de fotos dos presidentes da República, no Palácio do Planalto; Cinco pinturas dos ex-presidentes, de Urbano Villela, no Museu do Senado; Presentes de autoridades estrangeiras e celebridades foram saqueados.

Danos estruturais Nas vidraças das edificações da Praça dos Três Poderes, estas tombadas no ano de 2007 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Nos gabinetes do Partido dos Trabalhadores (PT) e do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB);

Mobiliário e tapeçaria

Cadeira da presidente do STF Rosa Weber, concebida pelo designer Jorge Zalszupin; Mesa-vitrine do designer Sérgio Rodrigues; Mesa de trabalho que pertenceu ao ex-presidente Juscelino Kubitschek; Mesa de centro, mesa de trabalho e cadeira vindas do Palácio Monroe; Mesas, portas e cadeiras diversas, incluindo porta do armário de togas do STF; Tapeçaria de autoria do paisagista e arquiteto Roberto Burle Marx, exposta no Salão Negro do Congresso Nacional; Tapete que pertenceu à Princesa Isabel; Tapete persa decoração do dispositivo de receptivo dos chefes de estado Tapetes e carpetes diversos inundados pelo sistema contra incêndios

Objetos

Armas, munições e documentos do Gabinete de Segurança Institucional, que estavam no Palácio do Planalto; Diversos aparelhos eletrônicos, como televisões, impressoras, Iphones e Macbooks; Lente fotográfica da Imprensa Nacional avaliada em R$ 40 mil; Brasão da República que estava localizado no plenário do STF; Crucifixo do Supremo Tribunal Federal; Equipamentos eletrônicos, incluindo televisões, computadores e impressoras; Réplica do exemplar original da Constituição Federal de 1988; Bola de futebol autografada por Neymar, presente da Delegação de Jogadores do Santos Futebol Clube; Pérola e concha dourada, presente do ministro das Relações Exteriores e vice-primeiro-ministro do Catar, Mohammed bin Abdulrahman Al-Thani; Objeto decorativo em forma de ovo de avestruz, presente do deputado Ahmed Ibrahim El-Tahir, presidente da Assembleia Nacional do Sudão; Dois vasos de porcelana; um deles foi um presente do deputado Lászlo Kövér, presidente da Assembleia Nacional da Hungria, o outro vaso foi um presente do parlamentar Wang Zhaoguo, vice-presidente do Comitê Permanente da Assembleia Nacional Popular da China; Tinteiro de bronze da época do império.

Obras de arte individuais

thumb|Equipe de técnicos inicia o trabalho de restauro da escultura Anjo de Alfredo Ceschiatti. Ao fundo, o painel Araguaia, de Marianne Peretti, também passa por reparos

A Justiça, escultura de autoria de Alfredo Ceschiatti, criada em 1961; Anjo, outra escultura de autoria de Alfredo Ceschiatti; Araguaia, um vitral de Marianne Peretti produzido em 1977, que fica no salão verde da Câmara dos Deputados; As Mulatas, painel pintado em 1962 por Di Cavalcanti; Ato de assinatura do Projeto da 1ª Constituição, de Gustavo Hastoy Bailarina, escultura de Victor Brecheret; Bandeira do Brasil, pintura acrílica sobre MDF do artista Jorge Eduardo, de 1995 Busto de Rui Barbosa, responsável pela criação do STF no modelo atual, em 1890"Busto de Rui Barbosa e tapete da Princesa Isabel: terroristas destroem patrimônio histórico". Folha de Pernambuco, 08/01/2023 Evolução, escultura de Haroldo Barroso Galhos e Sombras, obra de Frans Krajcberg estimada em R$ 300 mil; Maria, Maria, escultura de Sônia Ebling Ntma, obra de 2003; O Flautista, de Bruno Giorgi, escultura em bronze encontrada completamente destruída. Está avaliada em R$ 250 mil;"Vândalos destruíram acervo que representa a história da República e das artes brasileiras". Palácio do Planalto, 09/01/2023 Painel Vermelho, de Athos Bulcão; Painel de Athos Bulcão, outro painel do mesmo autor, este presente na Câmara dos Deputados Pássaro, escultura de Marianne Peretti Quadro de Guido Mondin Relógio de mesa dado a Dom João VI, um relógio de mesa em bronze dourado com partes escultóricas, dado de presente a Dom João VI pela corte francesa e exposto no Palácio do Planalto, obra projetada por André-Charles Boulle e construída por Balthazar Martinot, relojoeiro de Luís XIV, uma das duas únicas peças remanescentes deste artífice."Conheça o relógio de dom João 6º destruído por golpistas no Congresso". Yahoo, 09/01/2023 Retrato de José Bonifácio, de autoria desconhecida; Retrato de Marechal Rondon, obra de 1953 do pintor do W. L. Techmeier; Sem título, muro escultórico produzido em 1976 pelo artista Athos Bulcão; Vênus Apocalíptica, da artista argentina Marta Minujín;

Restauro

O plano de restauro foi traçado pelo Serviço de Gestão de Acervo Museológico (Segam), com execução, por determinação da Ministra da Cultura Margareth Menezes, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), e parceria da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

No dia 11 de janeiro, a Bailarina'', de Victor Brecheret, voltou a ser exibida na Câmara dos Deputados.

Um ano após o início dos trabalhos, os danos custaram R$ 21,1 milhões ao governo. O maior prejuizo foi ao STF, estimado em R$ 12 milhões. Até o dia 6 de janeiro de 2024, 116 itens do STF e 21 obras no Senado e 80% do acervo do Congresso foram restauradas. 53 peças, ou quase um quarto do total, não conseguiram ser reparadas por completo e algumas ainda aguardam o processo para os trabalhos serem iniciado.

Em 6 de novembro de 2024, o Palácio do Planalto concluiu o restauro da galeria de fotografias de ex-presidentes da República e incluiu uma imagem extra da destruição da galeria.

Em 6 de janeiro de 2025, o Palácio do Planalto começou a receber a parte das obras de arte, que eram vandalizadas durante os atos antidemocráticos de 2023 e foram restauradas por profissionais da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). No dia seguinte, o relógio Balthasar Martinot Boulle, destruído pelos invasores, foi levado para o palácio. A peça foi consertada na Suíça após um acordo entre o governo brasileiro e a embaixada do país europeu. No dia 8 do mesmo mês, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) também receberam as novas obras de arte que marcaram a reconstrução da sede da Corte destruída pelos ataques golpistas.

Em 8 de janeiro de 2025, todas as 21 obras de arte restauradas foram reintegradas ao acervo da Presidência da República.

Ver também Invasões na Praça dos Três Poderes em 2023 Invasão do Capitólio dos Estados Unidos em 2021 Terrorismo de direita

Categoria:Ataques de 8 de janeiro em Brasília Categoria:2023 no Brasil Categoria:Obras de arte vandalizadas