Os bombardeios navais Aliados no Japão ocorreram durante as últimas semanas da Segunda Guerra Mundial, quando navios da Marinha dos Estados Unidos, da Marinha Real Britânica e da Marinha Real da Nova Zelândia bombardearam instalações industriais e militares no Japão. A maioria desses bombardeios foram realizados por couraçados e cruzadores, causando enormes danos a vários dos alvos e também às áreas civis próximas. Um dos grandes objetivos desses ataques era provocar os japoneses a usar parte de sua força reserva de aeronaves em batalha. Entretanto, os japoneses não tentaram atacar as forças Aliadas e nenhuma das embarcações envolvidas sofreu qualquer dano.

Os bombardeios começaram nos dias 14 e 15 de julho de 1945, quando vários navios norte-americanos atacaram as cidades de Kamaishi e Muroran. O ataque seguinte foi feito por uma força conjunta anglo-americana contra a cidade de Hitachi durante a noite de 17 para 18 de julho. Grupos de cruzadores e contratorpedeiros depois atacaram a área do Cabo Nojima em 18 de julho e do Cabo Shionomisaki na noite de 24 para 25 de julho. Embarcações norte-americanas e britânicas atacaram Hamamatsu quatro dias depois, seguido pelo bombardeio de Shimizu por contratorpedeiros na noite do dia 30 para o 31. O último bombardeio ocorreu em 9 de agosto, quando Kamaishi foi novamente atacada por embarcações norte-americanas, britânicas e neozelandesas. Dois submarinos norte-americanos também realizaram pequenos ataques em junho e julho, com um deles chegando a desembarcar uma pequena equipe de ataque.

Os bombardeios interromperam a produção industrial das cidades atingidas e convenceu muitos civis japoneses de que a guerra estava perdida. Até 1 739 civis e militares japoneses foram mortos e aproximadamente 1 497 feridos. As únicas baixas Aliadas foram 32 prisioneiros de guerra mortos acidentalmente nos dois bombardeios de Kamaishi.

Antecedentes Cidades e instalações industriais no arquipélago japonês ficaram sob constante ataque de bombardeiros pesados Boeing B-29 Superfortress das Forças Aéreas do Exército dos Estados Unidos baseados em campos de pouso nas Ilhas Marianas desde meados de 1945, durante os últimos meses da Segunda Guerra Mundial. Ataques de submarinos e navios de superfície Aliados também haviam cortado a maioria das rotas de comércio para o Japão, com grupos de tarefa de porta-aviões da Marinha dos Estados Unidos atacando áreas do arquipélago japonês em várias ocasiões. Escassez de combustível confinou nos portos a maioria das embarcações sobreviventes da Marinha Imperial Japonesa, forçando esta e o Serviço Aéreo do Exército Imperial Japonês a reter suas unidades aéreas restantes na reserva contra a invasão Aliada que esperava-se que ocorresse no final do ano. O Exército Imperial Japonês tinha avaliado antes da guerra que artilharia costeira não era mais adequada para as circunstâncias do país. Consequentemente, apenas alguns portos estratégicos eram protegidos por artilharia capaz de enfrentar navios inimigos, porém a maioria dessas armas eram de pequeno calibre.

Os couraçados rápidos norte-americanos tinham sido usados na Guerra do Pacífico principalmente como escolta para grupos de porta-aviões que formavam a principal força de ataque de sua Frota do Pacífico. Eles também ocasionalmente bombardearam posições em terra e travaram confrontos contra navios de guerra japoneses.

Comandantes navais Aliados decidiram em meados de 1945 usar os couraçados para realizarem uma série de ataques contra cidades litorâneas japonesas. Esperava-se que as forças armadas japonesas respondessem atacando os navios Aliados com as aeronaves mantidas na reserva, desta forma expondo-as a destruição por aviões Aliados. Entretanto, Quartel-General Imperial antecipou que os Aliados realizariam bombardeios e outras operações com esse objetivo e foi decidido que forças navais operando próximas do Japão não seriam atacadas. Em vez disso, as aeronaves permaneceriam na reserva até o início das operações de desembarque no arquipélago japonês.

A Terceira Frota dos Estados Unidos partiu do Golfo de Leyte nas Filipinas em 1º de julho de 1945 sob o comando do almirante William Halsey a fim de atacar o arquipélago japonês. Os planos de Halsey incluíam o uso de couraçados e cruzadores para bombardear instalações militares e fábricas. Os submarinos, em preparação para esses ataques, partiram para o litoral japonês à procura de minas navais. Aeronaves B-29 Superfortress e Consolidated B-24 Liberator das Forças Aéreas do Exército também realizaram voos de reconhecimento fotográficos sobre boa parte do Japão à procura de campos de pouso e instalações que poderiam ser atacadas pela Terceira Frota.

Bombardeios Primeiro em Kamaishi A Força Tarefa 38, o principal componente da Terceira Frota, começou ataques aéreos no Japão em 10 de julho sob o comando do vice-almirante John S. McCain. Neste mesmo dia, aeronaves dos porta-aviões atacaram instalações ao redor de Tóquio. Eles então navegaram para o norte e atacaram Hokkaidō e o norte de Honshū no dia 14. Estas áreas estavam fora do alcance do B-29 Superfortress e nunca tinham sido atacadas até então. Os aviões enfrentaram pouca oposição e afundaram onze navios de guerra e vinte embarcações mercantes. Mais oito navios de guerra e 21 mercantes foram danificados, com os aviadores também reivindicando a destruição de 25 aeronaves japonesas.

thumb|esquerda|240px|Navios da Unidade de Tarefas 38.8.1 aproximando-se de Kamaishi em 14 de julho de 1945; fotografia tirada do South Dakota mostrando o Indiana seguido pelo Massachusetts, Chicago e Quincy O primeiro bombardeio Aliado de uma cidade litorânea japonesa também foi realizado em 14 de julho em conjunto com os ataques aéreos em Hokkaidō e no norte de Honshū. Um grupo de bombardeio sob o comando do contra-almirante John F. Shafroth foi designado como Unidade de Tarefas 38.4.1 e destacada da Força Tarefa 38 a fim de atacar a siderúrgica de Kamaishi, localizada ao norte de Honshū. A cidade na época tinha uma população de aproximadamente quarenta mil habitantes e sua siderúrgica estava entre as maiores do Japão. Entretanto, ela estava funcionando com menos da metade de sua capacidade normal devido à escassez de coque e outras matérias-primas. Prisioneiros de guerra Aliados tinham sido designados para na Companhia Siderúrgica Nippon e estavam abrigados em campos em Kamaishi. A Unidade de Tarefas 38.8.1 era formada pelos couraçados , e , os cruzadores pesados e , mais nove contratorpedeiros como escolta.

O bombardeio começou às 12h10min a uma distância de 27 quilômetros. Os navios então aproximaram-se, mas mantiveram certa distância pois não haviam draga-minas para varrer a área. A ação durou mais de duas horas, durante o qual as embarcações fizeram seis passadas pela entrada do porto e dispararam 802 projéteis de 406 milímetros, 728 de 203 milímetros e 825 de 127 milímetros. A maioria acertou o terreno da siderúrgica, mas a concussão de suas explosões iniciou incêndios por toda Kamaishi. A fumaça resultante impediu que aeronaves dessem apoio ou atuassem como olheiros para os navios, que mesmo assim continuaram a disparar com precisão nos alvos pré-determinados. Nenhuma aeronave japonesa ou artilharia costeira respondeu ao bombardeio.

Aviões Aliados fotografaram a siderúrgica depois do ataque, porém analistas subestimaram a extensão dos danos. Esta foi uma das primeira vezes que fotografias aéreas foram usadas a fim de avaliar danos de bombardeios navais, com os analistas colocando muita ênfase no fato de que nenhum dos edifícios da siderúrgica tinham sido destruídos. Os Aliados descobriram após o fim da guerra que a siderúrgica tinha sido amplamente danificada e forçada a cessar operações por um período. Isto resultou na perda do equivalente a quatro semanas de produção de gusa e dois meses e meio de produção de coque. O ataque destruiu 1 460 casas e matou 431 civis. Vinte e oito marinheiros japoneses também morreram quando sua embarcação foi afundada no porto pelos disparos. Cinco prisioneiros de guerra Aliados também foram mortos no bombardeio.

Muroran thumb|290px|Grandes ataques Aliados contra o Japão entre julho e agosto de 1945; ataques aéreos estão em preto e bombardeios navais em vermelho Outra unidade de bombardeio, designada como Unidade de Tarefas 38.8.2, foi destacada da Força de Tarefas 38 na noite de 14 para 15 de julho com o objetivo de atacar a cidade de Muroran, localizada no litoral sudoeste de Hokkaidō. Esta força era comandada pelo contra-almirante Oscar C. Badger e era formada pelos couraçados , e , os cruzadores rápidos e , mais oito contratorpedeiros como escolta. Halsey acompanhou esta operação a bordo do Missouri. Os alvos deste ataque eram as instalações da Siderúrgica do Japão e da Siderúrgica Wanishi. Uma outra força naval composta por quatro cruzadores e seis contratorpedeiros navegou na mesma noite pelo litoral leste de Honshū à procura de navios mercantes japoneses para serem atacados, porém não localizaram alvo algum.

O bombardeio da Unidade de Tarefas 38.8.2 começou na alvorada do dia 15. Os três couraçados dispararam ao todo 860 projéteis de 406 milímetros na cidade a uma distância aproximadamente entre 26 e 29 quilômetros. Observações aéreas e avaliação dos danos foram dificultadas pelo clima nebuloso, com apenas 170 projéteis acertando o terreno das duas siderúrgicas. Mesmo assim, danos consideráveis foram infligidos nas instalações industriais, resultando na perda da produção de dois meses e meio de coque e um pouco menos da produção de gusa. Danos aos edifícios da cidade também foi grande. Entretanto, assim como havia ocorrido no bombardeio de Kamaishi, analistas subestimaram a verdadeira escala dos danos.

O Unidade de Tarefas 38.8.2 esteve muito vulnerável a ataques aéreos no decorrer das mais de seis horas em que esteve visível do litoral de Hokkaidō, com Halsey posteriormente escrevendo que essas foras as horas mais longas de sua vida. A completa ausência de ataques aéreos convenceu o almirante que os japoneses estavam preservando suas aeronaves para serem usadas contra a força de invasão Aliada. Aviões dos porta-aviões da Força Tarefa 38 atacaram novamente Hokkaidō e o norte de Honshū ainda em 15 de julho, afundando a frota de navios que transportava carvão entre as duas ilhas.

Hitachi A Força Tarefa 38 se afastou do litoral japonês depois do fim dos ataques a Hokkaidō e Honshū a fim de reabastecer e se encontrar com o corpo principal da Frota Britânica do Pacífico, que foi designada como Força Tarefa 37. Porta-aviões norte-americanos e britânicos atacaram alvos ao norte de Tóquio na manhã de 17 de julho. Mais tarde no mesmo dia, a Unidade de Tarefas 38.8.2 foi destacada com o objetivo de bombardear alvos ao redor da cidade de Hitachi, aproximadamente oitenta quilômetros ao norte de Tóquio. Esta força foi novamente comandada por Badger e tinha os couraçados Iowa, Missouri, Wisconsin, , e o britânico , os cruzadores rápidos Atlanta e Dayton, mais oito contratorpedeiros norte-americanos e dois britânicos. O King George V e suas duas escoltas navegaram à ré da força norte-americana e operaram independentemente. Halsey novamente acompanhou a operação a bordo do Missouri.