A Literatura indígena, também conhecida como Literatura ameríndia, compreende a produção literária dos povos ameríndios no período pré-colonial e posterior, em línguas indígenas ou em línguas estrangeiras - principalmente, mas não exclusivamente, em línguas europeias, como o castelhano, o português e o inglês. No período anterior à colonização, sua expressão se deu de forma predominantemente oral.
A literatura elaborada pelos povos indígenas da América foi frequentemente abordada pela antropologia e pelo ponto de vista do folclore, enquanto que sua dimensão estética subestimada, raramente estudada em associação com a teoria literária.
História Período pré-colonial
A literatura ameríndia pré-colonial distingue-se em formas escritas e orais. Enquanto que a segunda encontra-se bem estabelecida em várias formas de transmissão e registros posteriores, a possibilidade de uma literatura pré-colonial escrita é discutida, dado a ausência de um sistema de escrita fonética nesse período. Porém, algumas pesquisadores adotam definições inclusivas de escritas, que compreendem inscrições visuais convencionais, que existiam na América pré-colonial sob formas de registros numéricos, hieroglíficos e mnemônicos.
Em culturas mesoamericanas são encontrados uma diversidade de formas gráficas. Os náuatles, por exemplos, possuíam pictogramas, caracteres quase fonéticos e ideogramas. A escrita maia, por outro lado, é formada por glifos complexos, até hoje apenas parcialmente decifrados. Os códices mesoamericanos, quase que inteiramente destruidos durante a invasão espanhola, oferecem exemplos de ricos conjuntos de inscrições destinados a servir de guia em lições orais, contendo narrativas mitológicas e históricas que dividem-se entre a literatura e as artes visuais.
Fase colonial Nova Espanha (1535-1821)
No Vice-Reino da Nova Espanha (Virreynato da Nueva España) a literatura indígena era representada por diferentes tipos de escrita, a depender do período histórico e da localização geográfica no Vice-Reino.
Um desses tipos são as escritas feitas pelos indígenas usando sua própria língua, mas com o alfabeto latino aprendido com os conquistadores, ou então usando a língua castelhana, como é possível ver no livro Popol Vuh (em português: "Livro da comunidade"), livro escrito no século XVI, entre 1554 e 1558, na versão clássica da língua maia quiché (K'iche'''), contudo, usando o alfabeto latino. Trata-se de uma obra que utiliza uma prosa poética para narrar a cosmologia maia.
Outros textos escritos no contexto cultural maia são os livros de Chilam Balam de Chumayel e o Chilam Balam de Maní, ambos escritos entre os séculos XVII e XIX na língua maia iucatecana (Maya t’aan''), um idioma do tronco linguístico maia, porém, no alfabeto latino. Estes textos mesclam um estilo poético com um discurso religioso.
Referências
Bibliografia
Categoria:Literatura indígena