thumb|250px|Sala de estar, Reino Unido, 2006.

A sala de estar é uma divisão de um edifício, sendo normalmente encontrado em casas e em estabelecimentos de hotelaria. Tem principalmente funções sociais, sendo local de reunião entre os ocupantes do edifício e os visitantes, e de repouso.

Descrição Em contextos residenciais, a sala de estar é normalmente uma divisão multifuncional, sendo local de recepção a convidados, de lazer para os membros da família, e de organização de festas e de reuniões. Devido à sua função de descanso, a sala de estar contemporânea assume-se como um centro de entretenimento, sendo ali comummente instalados equipamentos eletrónicos audiovisuais, como o aparelho de televisão, que é considerado como um dos principais elementos da sala. Nas residências de menores dimensões, a sala pode ganhar outras funções, como local de trabalho, ou ser combinada com a sala de jantar.Decoração de Interiores, 2007:25-27 A sala de estar também é vista como um local de divertimento infantil. A combinação de sala de estar com a sala de jantar sucede por exemplo com a Casa do Alvação, na região do Minho, em Portugal.

Geralmente, é o espaço mais importante da casa, a partir do qual são organizadas as outras divisões. Devido à sua função social, costuma ser alvo de uma apurada organização e decoração, de forma a esmerar a sua apresentação.Decoração de Interiores , 2007:21 Por exemplo, o Palácio de Xabregas, em Lisboa, estava originalmente decorado com ricas pinturas murais e painéis de azulejo, o Solar do Largo General José de Tavares, no concelho de Nelas, possui um brasão no tecto, e o Palácio da Regaleira, em Sintra, ostentava nas paredes o monograma do construtor, o médico Carvalho Monteiro.

É considerada um importante espaço igualmente no contexto da filosofia oriental do Feng shui, por ser local de repouso da família e de encontro dos amigos, e devido à sua localização central na casa.Decoração de Interiores, 2007:74

Em unidades hoteleiras, está geralmente associado a outras divisões. Por exemplo, na Pousada de Santo António, no concelho de Valença, em Portugal, surge em conjunto com o vestíbulo.

História Pré-história e antiguidade clássica O conceito de um espaço de reunião da família e do grupo é muito antiga e anterior à dos edifícios residenciais, existindo provavelmente desde o período Neolítico, quando o ser humano se abrigava em cavernas naturais. Existiriam provavelmente áreas comuns em redor da lareira, onde o fogo criava iluminação, aquecimento e possibilitava preparação de alimentos. Durante os períodos de repouso também se contavam histórias e provavelmente cantava-se, dançava-se e tocava-se música, tendo sido encontrados alguns instrumentos musicais primitivos, sendo estas manifestações culturais principalmente ligadas a uma função mística.História da Vida Quotidiana, 1993:16

Com a construção das primeiras aldeias, como no caso de Hacılar Höyük, que existiu na península turca por volta de 6000 a.C., a cozinha continuou a funcionar como um espaço comum, juntando-se-lhe os vários pátios entre os edifícios e as muralhas.História da Vida Quotidiana, 1993:18 A evolução do comércio originou a fundação de famílias abastadas, que construíam complexas residências, onde já se distinguiam compartimentos destinados a recepção e convívio, tendo sido encontrados vestígios destes espaços na cidade suméria de Ur, cerca de 3500 a 2000 a.C..História da Vida Quotidiana, 1993:22-23 No Antigo Egipto já se separava a sala de entrada da de estar, tendo esta organização espacial sido encontrada nas residências dos trabalhadores dos túmulos e das suas famílias, na aldeia de Deir Almedina. Neste caso, a entrada era considerada apenas como um espaço funcional, enquanto que a sala de estar ganhou estatuto como a principal divisão da casa, sendo utilizada igualmente para as refeições.História da Vida Quotidiana, 1993:34-35 Nas cidades cidades minóicas, cerca de 1500 a.C., as casas mais abastadas possuíam habitualmente sete a oito divisões, com compartimentos próprios para salas de convívio, que eram mobilados com bancos de madeira ou pedra, bancos mais pequenos de dobrar, e mesinhas baixas.História da Vida Quotidiana, 1993:44 Em contraste, as habitações Próximo Oriente eram muito mais sóbrias, onde até um cidadão hebreu rico teria uma casa pouco complexa e esparsamente mobilada, sem uma sala de convívio definida, mas fazendo parte de uma grande divisão em conjunto com a cozinha.História da Vida Quotidiana, 1993:54-55 Ainda assim, nesta região também existiam algumas residências de grande ostentosidade, tendo por exemplo sido descobertas as ruínas de um palácio junto a Jerusalém, que provavelmente pertencia a sátrapa, um governador persa, por volta de 500 a.C.. Este edifício incluía uma sumptuosa sala de recepções, com cobertura em abóbada e entrada com colunas, à qual se tinha acesso por um grande átrio com tanque central.História da Vida Quotidiana, 1993:62

Nas casas abastadas da Grécia Antiga, cerca de 500 a 300 a.C., a divisão mais importante era o andron, que servia tanto como sala de convívio como de jantar, e onde era normalmente feito o symposion, uma reunião entre os donos da casa e os convidados, onde se consumiam bebidas alcoólicas. Era habitualmente a divisão mais mobilada da casa, estando equipada com sofás onde os convivas se reclinavam, e ao lado dos quais eram colocadas pequenas mesas para os alimentos.História da Vida Quotidiana, 1993:76-77 Com os romanos a sala de estar voltou a ser apenas uma divisão própria, o Átrio (atrium), onde se situava um tanque central alimentado pelas águas da chuva, que escorriam do telhado por uma grande abertura, que também servia para fornecer iluminação natural. Neste local encontrava-se igualmente o altar aos deuses penates, que protegiam a casa. O mobiliário também era esparso mas de grande qualidade, com sofás, cadeiras de verga, e pequenas mesas.História da Vida Quotidiana, 1993:88 Já os povos Celtas da Europa Setentrional viviam com muito menos ostentação, em casas de planta circular com uma só grande divisão no interior, geralmente organizada em torno de uma fogueira.História da Vida Quotidiana, 1993:106

Idade Média Nas Ilhas Britânicas, as habitações dos anglo-saxões durante a Alta Idade Média continuaram a apresentar uma sobriedade muito semelhante às dos celtas que os antecederam, embora a planta fosse habitualmente rectangular em vez de circular. As grandes casas dos senhores feudais tinham divisões para banquetes, onde se reuniam com os servos.História da Vida Quotidiana, 1993:122-123 A tradição céltica da casa de uma só divisão foi mantida pelos povos nórdicos, servindo o espaço igualmente como celeiro, cozinha e quarto.História da Vida Quotidiana, 1993:130 A casa de um comerciante abastado do Sul ou centro da Europa, nos finais da Idade Média, já apresenta uma maior complexidade, embora ainda não exista uma sala dedicada exclusivamente ao convívio.História da Vida Quotidiana, 1993:154-155

Séculos XVIII e XIX Nos finais do século XVIII, o arquitecto português José Manuel de Carvalho e Negreiros enumerou quais seriam as divisões de uma casa destinada a um membro da nobreza: «Plano Nobre: Sala de espera, antecâmara, sala de visitas, gabinete, toucador, oratório ou tribuna para a ermida, caza de jantar, câmara, guarda roupa com chaminé, caza de lavor, despejos». Assim, o piso nobre deveria conter as divisões pessoais da família proprietária e os espaços destinados a receber os visitantes. O principal compartimento deste piso era a sala, que em muitos casos era uma combinação de sala de jantar, de estar e de visitas.CASTILHO, 2018:310-312 Dois exemplos de salas de estar de aparência setecentista podem ser encontradas no Palácio de Estoi, no Sul de Portugal, que apesar de ter sido construído nos princípios do século XX, foi mobilado e decorado segundo estilos mais antigos, destacando-se o Salão Nobre e a Sala de Visitas, ambos inspiradas no Estilo Luís XV.MESQUITA, 1988:335-336

No século XIX, as residências das famílias de classe alta na Europa apresentavam já um grande número de divisões, com salas de estar ricamente mobiliadas, onde por vezes se podia encontrar um piano.História da Vida Quotidiana, 1993:286-287 Estes espaços espelhavam desta forma as novas tendências culturais, onde a música ganhou uma grande importância como demonstração do nível intelectual e financeiro da família, chegando mesmo a serem contratados artistas profissionais para actuarem em privado.História da Vida Quotidiana, 1993:298 Até aos finais do século, a divisão utilizada para a reunião com os convidados era mais conhecida como salão. Nos Estados Unidos da América, o salão era o local onde eram expostos os membros da família recém-falecidos, antes de se proceder ao cortejo até ao funeral, uma vez que nesta altura ainda não existiam agências funerárias especializadas. Esta prática atingiu o seu auge durante a grande epidemia de influenza nos finais da década de 1910, tendo depois entrado em declínio com a disseminação de estabelecimentos funerários profissionais. Posteriormente, esta divisão passou a ser encarada de uma nova maneira, tendo as suas funções sido alteradas de uma sala formal onde as pessoas se sentavam em reunião, para um espaço informal com várias utilizações, principalmente para descanso da família, passando progressivamente a ser conhecida como sala de estar. Desta forma, foi igualmente alterada a composição e decoração da sala, que deixou de estar pendente de convenções formais, e passou a espelhar as preferências estéticas da família.

Na Rússia dos séculos XVII a XVIII, as casas, denominadas de izba, eram principalmente construídas em madeira devido à abundância daquele material de construção, garantindo uma grande flexibilidade na montagem e organização dos compartimentos, que eram geralmente orientados pela posição do forno. Mesmo após a construção, as paredes e portas podiam ser facilmente movidas, alterando as dimensões e disposição dos espaços, operação que era feita por exemplo para a organização de grandes festejos em casa, durante os quais se recebiam convidados.História da Vida Quotidiana, 1993:250-251

Século XX