thumb|right|350px|Mar bravio no pontão da Cova do Vapor num dia primaveril (com o Forte de São Lourenço e Farol do Bugio ao fundo). A Cova do Vapor é um povoado e estância balnear da antiga freguesia da Trafaria, Município de Almada, Distrito de Setúbal. É neste local que se dá a junção entre o Rio Tejo e o Oceano Atlântico, para oeste fica o Oceano, para leste o Rio Tejo.

Características Foi aldeia de pescadores, hoje em dia é aldeia balnear, piscatória e suburbana. Em cinquenta anos foi empurrada mais de meia dúzia de vezes pelo mar para dentro da Mata de S. João; os seus habitantes andaram com a casa às costas, em cima de juntas de bois.

Desde os finais da década de 40, registaram-se importantes recuos da linha de costa entre a Cova do Vapor e a Costa da Caparica (somente entre 1947–1951 desapareceram 500m).

"Cuidada e delicada, feita de afectos que não marcam os bairros degradados das periferias, a Cova do Vapor está longe de ser um bairro de lata ou uma aldeia igual às outras. É uma povoação singular, é um lugar onde tudo é diferente, sem escola, centro de saúde ou vestígio de serviço público, um lugar contraditório, uma relíquia de excepção.

São construções mais ou menos precárias, encavalitadas umas nas outras, expoentes de engenho e desenrascanço, às vezes sem se perceber onde é que começam umas e acabam as outras.

São casas e casinhas, com apenas duas ruas de terra batida, onde estão as poucas lojas da terra, capazes de deixar passar carros; mas o labirinto dos caminhos serpenteia por todo a parte, com largura apenas para os assadores, para os canteiros da salsa e dos coentros, para um tanque de roupa ou um duche apertado. Às vezes ainda há espaço para umas couves, umas flores, umas árvores de fruto, armários, estendais, e inventivas garagens e anexos de casas."

"Depois do 25 de Abril houve aqui um certo desordenamento, mas também o houve em todo o país e ainda bem", explica Guilherme Pais, admitindo a existência de "abusos" nesse período inesquecível. "Em certa altura até já estavam a construir uma pensão na mata. Teve de cá vir o Copcon (força militar dirigida por Otelo Saraiva de Carvalho no Verão de 1975) deitar tudo abaixo."

"O meu sogro era dono do Bar Atlântico e teve de mudar a casa sete vezes", lembra um dos residentes. "Quando o mar começou a comer isto, aqui há uns cinquenta anos, as barracas de madeira que estavam a um quilómetro do Bugio tiveram de ser arrastadas por juntas de bois. O Manel da Fruta é que mudava as casas. Umas desmontavam-se, outras vinham inteiras", lembra Hernâni Pereira, o presidente da Associação de Moradores.[in CEREJO,José António Cerejo, UMA RELÍQUIA CHAMADA COVA DO VAPOR, PÚBLICO, 28/04/2002]

Nesta localidade existem várias habitações que serão derrubadas por serem ilegais, mantendo-se apenas as casas dos pescadores.

Transportes Com a privatização da Rodoviária Nacional, a Cova do Vapor ficou a ser servida pela Rodoviária Sul do Tejo (eventual Transportes Sul do Tejo), que durante os seus quase 30 anos de operação independente, apenas operou a na localidade, com ligação à Trafaria: : Cova do Vapor ⇆ Trafaria

No dia 1 de Julho de 2022, o serviço da TST foi substituído pela Carris Metropolitana com a entrada desta no município de Almada. A , convertida para para , seria extendida da Trafaria para a Charneca de Caparica.

No dia 1 de maio de 2025, a foi substituída pela , deixando de circular até à Charneca de Caparica (percurso feito pela a partir da Trafaria) e passando a terminar na Raposeira, cobrindo os percursos das antigas e , atualmente a única linha que circula na localidade. : Cova do Vapor ⇆ Raposeira

Praia Fortes ventos permitem a prática de kite surfing. Durante a maré-baixa fica a descoberto um banco de areia onde se apanham conquilhas (também conhecidas por "cadelinhas").Guia Visão das Praias (2004), pág. 82.

Recenseamento Em 2002 o jornalista José António Cerejo recenseou os seguintes números: Casas: cerca de 350, das quais umas 90 habitadas em permanência; Habitantes permanentes: cerca de 200; Sócios da Associação de Moradores: por volta de 400. A Cova do Vapor nos anos 30/40/50 do século XX, ainda hoje é uma terra de veraneio/lazer e pescadores. Até aos anos 60 do século passado, os "cacilheiros" faziam carreira desde o "Terreiro do Paço", passando pela Trafaria, até à Cova do Vapor. Há documentos e fotos que provam tal. Nessa altura a Costa de Caparica não existia como é hoje!

Ligações externas Adaptação de texto publicado em "Geografismos" no ano de 2004.

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