O HMAS Perth foi um cruzador rápido operado pela Marinha Real Australiana e a sexta embarcação da Classe Leander. Sua construção começou em junho de 1933 no Estaleiro Real de Portsmouth e foi lançado ao mar em julho do ano seguinte, sendo originalmente comissionado na Marinha Real Britânica como HMS Amphion em junho de 1936. Era armado com uma bateria principal composta por oito canhões de 152 milímetros montados em quatro torres de artilharia duplas, tinha um deslocamento de mais de nove mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de 32 nós.
O Amphion passou seu início de carreira como a capitânia do comandante das forças navais britânicas na África até ser transferido em 29 de junho de 1939 para a Austrália e renomeado Perth. A Segunda Guerra Mundial começou enquanto o navio estava seguindo para a Austrália, sendo redirecionado para o Oceano Atlântico e Mar do Caribe a fim de atuar em patrulhas e escoltas de comboios. Passou um breve período na Austrália e então foi enviado para o Mar Mediterrâneo, onde continuou escoltando comboios para Malta, Grécia e Creta até ser seriamente danificado em maio de 1941.
Após passar por reparos, o Perth deu suporte para a Campanha da Síria-Líbano antes de retornar para casa, escoltando comboios e realizando patrulhas até ser transferido em fevereiro de 1942 para ajudar na defesa das Índias Orientais Neerlandesas contra uma invasão do Japão. Participou no final do mesmo mês da Batalha do Mar de Java, escapando ileso, porém foi torpedeado e afundado dias depois em 1º de março na Batalha do Estreito de Sunda. Seus destroços foram encontrados intactos em 1967, mas muito deterioram-se pelas décadas seguintes por pilhagens ilegais.
Características
thumb|240px|esquerda|Desenho do Perth O projeto dos cruzadores da Classe Leander foi adaptado para o Programa Naval de 1932–1933 a fim de separar os maquinários do sistema de propulsão e arranjá-los em duas unidades separadas, cada uma com duas caldeiras e duas turbinas. A intenção era melhorar sua capacidade de sobrevivência, pois cada unidade poderia operar independentemente, impedindo assim que um único acerto imobilizasse a embarcação. Isto fez com que os navios tivessem duas chaminés em vez de apenas uma como seus antecessores.
O Perth tinha 171,4 metros de comprimento de fora a fora, boca de 17,3 metros e calado máximo de 5,9 metros. Seu deslocamento padrão era de toneladas, enquanto o deslocamento carregado era de toneladas, este último lhe dando uma altura metacêntrica de 1,4 metros. Seu sistema de propulsão era composto por quatro turbinas a vapor Parsons, cada uma girando uma hélice, com o vapor necessário vindo de quatro caldeiras Almirantado de três tambores. Este maquinário tinha uma potência de 73,4 mil cavalos-vapor (54 mil quilowatts), o que proporcionava uma velocidade máxima de 32,5 nós (60,2 quilômetros por hora). Carregava óleo combustível suficiente para uma autonomia de sete mil milhas náuticas (treze mil quilômetros) a uma velocidade de dezesseis nós (trinta quilômetros por hora). Sua tripulação era formada por 36 oficiais e 586 marinheiros.
A bateria principal consistia em oito canhões BL Marco XXIII calibre 50 de 152 milímetros montados em quatro torres de artilharia duplas, duas à vante e duas à ré da superestrutura, em ambos os casos com uma sobreposta a outra. A bateria secundária tinha quatro canhões QF Marco V calibre 45 de 102 milímetros em montagens únicas e abertas nas laterais da segunda chaminé. Também tinha doze metralhadoras Vickers MG Marco III calibre .50 de 12,7 milímetros em três montagens quádruplas para defesa antiaérea leve. Também tinha oito tubos de torpedo de 533 milímetros em duas montagens quádruplas acima da linha d'água, uma em cada lateral. A maior parte da blindagem do Perth era feita de aço não-cimentado. As salas de máquinas eram protegidas por um cinturão principal de 76 milímetros de espessura, com o convés acima tendo 29 milímetros de aço de alta resistência. Os depósitos de munição tinham laterais de 89 milímetros e tetos de placas de 51 milimetros. As torres de artilharia tinham laterais e tetos de 25 milímetros.
História Tempos de paz O cruzador foi originalmente encomendado para a Marinha Real Britânica como parte do Programa Naval de 1931–1932, porém a encomenda foi suspensa até que o projeto modificado da Classe Leander fosse finlizado. O batimento de quilha ocorreu em 26 de junho de 1933 no Estaleiro Real de Portsmouth e foi lançado ao mar em 27 de julho de 1934, quando foi batizado por Ivy Cavendish-Bentinck, Marquesa de Titchfield. Foi comissionado na frota britânica com o nome HMS Amphion em 15 de junho de 1936 e finalizado em 6 de julho. O navio serviu como a capitânia do vice-almirante sir Francis Tottenham, o Comandante Chefe na África e da 6ª Esquadra de Cruzadores, entre 1936 e 1938. A embarcação passou por reformas no início de 1939, com suas armas Marco V de 102 milímetros sendo removidas e substituídas por quatro montagens duplas de canhões de duplo-propósito QF Marco XVI calibre 45 de 102 milímetros. A base para uma catapulta de aeronaves giratória e seu guindaste associado também foram instalados.
O Amphion foi vendido para a Marinha Real Australiana e comissionado em 29 de junho de 1939. Foi renomeado HMAS Perth em 10 de julho pela princesa Marina, Duquesa de Kent. Sua tripulação tinha crescido para 35 oficiais e 611 marinheiros. A maior parte de sua tripulação tinha deixado a Austrália em maio a bordo do SS Autolycus, com os praças tendo dormido e vivido nos porões de gado da embarcação. No caminho para a Austrália o Perth foi representar seu país na Feira Mundial de Nova Iorque de 1939.
Houve um pequeno "motim" a bordo enquanto o navio estava em Nova Iorque. Os marinheiros que estavam em terra de licença tinham ordens de voltarem ao cruzador até às 18h00min e trocarem dos uniformes brancos para os azuis, com o tratamento dos marinheiros pelos oficiais tendo sido um problema desde que os australianos assumiram seu controle. Certo dia mais de sessenta marinheiros se reuniram no castelo da proa, onde foram confrontados por oficiais armados, que os ordenaram para os conveses inferiores, porém os homens se recusaram. O impasse podia ser visto de terra, onde estava uma força armada de policiais da cidade. O capitão Harold Farncomb, oficial comandante do Perth, foi falar com os marinheiros e os informou que, caso não se dispersassem, suas ações seriam consideradas um motim. Ele conseguiu acalmar os ânimos ao oferecer a possibilidade que qualquer marinheiro que quisesse usar o uniforme azul o dia inteiro em terra poderia fazê-lo se pedisse permissão, algo que a maioria dos homens fez.
Segunda Guerra Mundial Primeiras ações thumb|240px|O Perth em 1940 O Perth estava navegando pelo litoral da Venezuela à caminho da Austrália quando a Segunda Guerra Mundial começou. O cruzador, como era o único navio de guerra da Comunidade Britânica no Caribe e oeste do Oceano Atlântico, foi colocado para procurar navios alemães e escoltar comboios na região. Ele só foi deixar a área em março de 1940, atravessando o Canal do Panamá para finalmente chegar na Austrália em 31 de março. Ao chegar passou por reformas na Base Naval de Garden Island, em Sydney, até 29 de abril, durante a qual sua catapulta de hidroaviões foi instalada. Inicialmente levava um Supermarine Seagull V, posteriormente um Supermarine Walrus. A embarcação foi designada a partir de maio para deveres de escolta de comboios e patrulhas próximas do litoral australiano. O capitão sir Philip Bowyer-Smyth, 14º Baronete, assumiu o comando do Perth em 6 de junho e o contra-almirante John Crace fez do cruzador sua capitânia como comandante da Esquadra Australiana. Desempenhou essas funções até novembro, quando foi enviado para o Mar Mediterrâneo a fim de substituir seu irmão . No caminho ele escoltou um comboio da Austrália para o Mar Vermelho, chegando em Alexandria, no Egito, em 24 de dezembro. Foi designado para a 7ª Esquadra de Cruzadores da Frota do Mediterrâneo.
Participou no início de janeiro de 1941 da Operação Excesso, participando da escolta de um comboio de Malta para Alexandria. O Perth foi danificado pelo quase acerto de uma bomba em 16 de janeiro enquanto estava ancorado no Grão-Porto de Malta, com sua energia sendo temporariamente derrubada e sofrendo algumas inundações. Sua tripulação ajudou a apagar um incêndio a bordo do navio de munições SS Essex durante o bombardeio, também prestando auxílio ao danificado porta-aviões . O cruzador deixou Malta naquela mesma tarde e chegou em Alexandria dois dias depois, entrando em uma doca seca para reparos temporários. Partiu em 22 de janeiro para se encontrar com o Illustrious e escoltá-lo para Alexandria, seguindo então para a Grécia, onde patrulhou o mar entre Creta e Pireu. O Perth depois disso seguiu de volta para Alexandria a fim de passar por reparos permanentes, mas encontrou uma forte tempestade de areia enquanto aproximava-se do porto na noite de 6 para 7 de fevereiro. Ao aportar sua tripulação descobriu que o navio seria inspecionado na manhã seguinte por Robert Menzies, o Primeiro-Ministro da Austrália, assim ele precisaria ser limpado rapidamente.
O cruzador entrou em uma doca flutuante em 9 de fevereiro e permaneceu lá por dez dias. Durante este período sua catapulta foi removida e substituída por dois canhões antiaéreos Breda de 20 milímetros capturados dos italianos. Além disso, um radar de varredura Tipo 286 também foi instalado. Em 27 de fevereiro atuou como uma das escoltas para contratorpedeiros levando reforços para a Operação Abstenção, um ataque contra Castelorizo, parte das Ilhas Italianas do Egeu. Os navios chegaram à noite e descobriram que os italianos tinham reforçado sua guarnição, fazendo com que os comandantes britânicos decidissem evacuar a ilha por estarem em inferioridade numérica.
Grécia
thumb|esquerda|240px|O Perth durante a Batalha do Cabo Matapão em 28 de março de 1941 O Perth deu suporte a partir de 7 de março para o reforço das tropas Aliadas na Grécia ao transportar soldados de Alexandria para Pireu e patrulhar a região. De 17 a 24 de março escoltou mais um comboio para Malta. O navio desempenhou um papel pequeno na Batalha do Cabo Matapão entre 26 e 29 de março, quando sua esquadra foi avistada pela frota italiana e perseguida enquanto recuava em direção da principal força britânica. Retomou depois disso suas escolta e em abril foi equipado com uma montagem quádrupla de canhões antiaéreos Marco VIII de 40 milímetros em cima da base da catapulta. Escoltou um comboio para Malta de 18 a 20 de abril e em seguida deu cobertura para os couraçados da Frota do Mediterrâneo na manhã do dia 21 enquanto bombardeavam o porto de Trípoli, na Líbia. Foi designado em 25 de abril para ajudar na evacuação das tropas Aliadas da Grécia. Tropas e refugiados foram embarcados durante a noite com o objetivo de minimizar a capacidade do Eixo de interferir e as embarcações tinham ordens de partir em tempo de estarem suficientemente longe até o amanhecer, mesmo se tropas ainda estivessem em terra. Bowyer-Smyth ficou no comando das forças enviadas para evacuarem tropas de Calamata na noite de 28 para 29 de abril. Ele enviou um contratorpedeiro para fazer reconhecimento da situação enquanto o resto dos navios esperava à distância. O contratorpedeiro informou que havia combate no porto, assim Bowyer-Smyth decidiu voltar para Creta pois havia decidido que não valia a pena arriscar que seus navios tivessem suas silhuetas destacadas pelos incêndios e explosões. Posteriormente o contratorpedeiro conseguiu relatar que o porto estava seguro, mas as embarcações já estavam muito distantes nessa altura.