The Hate U Give é um romance para jovens adultos escrito por Angie Thomas e lançado em 2017. É o romance de estreia da escritora, sendo uma expansão de um conto que ela escreveu na faculdade em reação ao assassinato policial de Oscar Grant. O livro é narrado por Starr Carter, uma garota afro-americana de dezesseis anos de um bairro pobre que frequenta uma escola particular de elite em uma parte rica e predominantemente branca da cidade. Starr se envolve em uma notícia de repercussão nacional após testemunhar um policial branco atirar e matar seu amigo de infância, Khalil. Posteriormente, ela fala sobre o tiroteio de forma cada vez mais pública, e as tensões sociais culminam em um tumulto depois que um grande júri decide não indiciar o policial pelo tiroteio.
The Hate U Give foi lançado em 28 de fevereiro de 2017, pela editora Balzer + Bray, ligado a HarperCollins, que venceu uma batalha na luta pelos direitos do romance. O livro foi um sucesso comercial, estreando em primeiro lugar na lista dos mais vendidos para jovens adultos do jornal americano The New York Times, onde permaneceu por 50 semanas. A obra foi vencedora de vários prêmios e recebeu elogios da crítica pela escrita de Thomas e pela temática abordada. Ao escrever o romance, Thomas tentou expandir a compreensão dos leitores sobre o movimento antirracista Black Lives Matter, bem como as dificuldades enfrentadas pelos negros americanos que empregam troca de código. Essas temáticas, assim como a linguagem vulgar, atraíram alguma polêmica e fizeram com que o livro fosse um dos mais contestados dos anos de 2017, 2018 e 2020 segundo a American Library Association.
O livro foi adaptado para o cinema, cuja produção foi realizada pelo estúdio 20th Century Fox em outubro de 2018, que recebeu críticas positivas. O romance também foi adaptado para um audiolivro, que ganhou diversos prêmios e rendeu elogios à sua narradora, Bahni Turpin.
Produção e lançamento miniaturadaimagem|Foto da Angie Thomas Abalada pelo tiroteio policial de Oscar Grant em 2009, a então estudante universitária Angie Thomas começou o projeto como um conto para seu projeto sênior no programa de redação criativa da Universidade de Belhaven. Enquanto escrevia o conto, o projeto se expandiu rapidamente, embora Thomas a tenha deixado de lado por alguns anos após a formatura. Falando ao jornal de sua cidade natal, ela disse: "Eu queria ter certeza de que abordaria isso não apenas com raiva, mas até com amor". As mortes de Trayvon Martin, Michael Brown, Tamir Rice e Sandra Bland atraíram Thomas de volta para expandir o projeto em um romance, no qual intitulou após o conceito "THUG LIFE" do rapper americano Tupac: "The Hate U Give Little Infants Fucks Everybody." Os eventos envolvendo os assassinatos de Alton Sterling, Philando Castile e Michael Brown, e os protestos generalizados que se seguiram contra o racismo e a violência policial também informaram momentos do livro.
Sem saber se os editores estariam interessados no material inspirado no movimento antirracista Black Lives Matter, Thomas procurou o agente literário Brooks Sherman no Twitter em junho de 2015 para pedir conselhos. Em fevereiro de 2016, a editora Balzer+ Bray, ligada à HarperCollins, comprou os direitos do romance em um leilão, superando a concorrência de outras treze editoras, e assinou um contrato de dois livros com Thomas. O estúdio de cinema 20th Century Fox comprou os direitos do filme no mês seguinte.
O livro de 464 páginas foi lançado em 28 de fevereiro de 2017, quando a indústria estava tentando resolver uma estagnação de uma década no número de livros infantis de autores afro-americanos. Desde seu lançamento, Thomas se tornou um exemplo das tentativas dos editores de publicar mais romancistas afro-americanos para jovens adultos.
Enredo Starr Carter é uma garota negra de dezesseis anos que mora no bairro fictício e predominantemente negro de Garden Heights, mas frequenta uma escola particular rica e majoritariamente branca, a Williamson Prep. Depois que um tiroteio termina em uma festa sob presença de Starr no local, ela é levada para casa por seu melhor amigo de infância e, posteriormente, apaixona-se por Khalil. Eles são parados por um policial branco. O policial instrui Khalil, que é negro, a sair do carro; enquanto fora do carro, ele se inclina para a janela do lado do motorista para checar Starr. O oficial presume que ele está pegando uma arma e atira três vezes em Khalil, matando-o.
Starr concorda em dar uma entrevista à polícia sobre o tiroteio após ser incentivada por seu tio Carlos, que também é detetive. Carlos era uma figura paterna para Starr quando seu pai, Maverick, passou três anos na prisão por atividade de gangue. Após sua libertação, Maverick deixou a gangue e se tornou o dono da mercearia Garden Heights, onde Starr e seu meio-irmão mais velho, Seven, trabalham. Maverick só foi autorizado a deixar sua gangue, os King Lords, porque confessou um crime para proteger o líder da gangue King. Amplamente temido na vizinhança, King agora mora com a mãe de Seven, a meia-irmã de Seven, Kenya, que é amiga de Starr, e a irmã mais nova de Kenya, Lyric.
A morte de Khalil se torna uma notícia nacional. A mídia retrata Khalil como um chefão da gangue e traficante de drogas, enquanto retrata o oficial branco que o matou de forma mais amena. A identidade de Starr como testemunha é inicialmente mantida em segredo de todos fora da família de Starr, incluindo seu irmão mais novo, Sekani. Manter o segredo de seu namorado branco Chris e de suas melhores amigas Hailey Grant e Maya Yang – que estudam na Williamson Prep – pesa em Starr, assim como sua necessidade de manter suas personalidades de Williamson e Garden Heights separadas. As batalhas de Starr com sua identidade ficam ainda mais complicadas depois que sua mãe consegue um emprego bem remunerado e a família se muda de Garden Heights.
Depois que um grande júri falha em indiciar o oficial branco, Garden Heights irrompe em protestos pacíficos e tumultos. O fracasso do sistema de justiça criminal em responsabilizar o policial leva Starr a assumir um papel cada vez mais público, primeiro dando uma entrevista na televisão e depois falando durante os protestos, que são recebidos pela polícia em equipamento de choque. Sua crescente identificação com o povo de Garden Heights causa tensão com os amigos de Starr, especialmente com seu namorado Chris. Mas no final do romance, Starr e Maya começaram a enfrentar os comentários racistas de Hailey, enquanto Chris oferece apoio a Starr.
O clímax do romance ocorre durante o motim após a decisão do grande júri. Starr, Chris, Seven e DeVante – a quem Maverick ajudou a deixar os King Lords – defendem com sucesso a loja de Maverick de King. A vizinhança enfrenta King e, como resultado do testemunho de DeVante, King é preso e deve cumprir uma longa sentença. Starr promete manter viva a memória de Khalil e continuar sua defesa contra a injustiça.
Modelo de escrita Vincent Haddad, da Universidade Estadual Central, analisa The Hate U Give como uma tentativa de criar empatia com o movimento antirracista Black Lives Matter, já que "os apelos à empatia representados pelo relato em primeira pessoa de Starr servem para disciplinar aqueles que buscam soluções consideradas muito 'não realísticas'" para se opor à 'violência sustentada contra as comunidades negras. Ao manter o realismo e nomear explicitamente as vítimas reais da violência policial, Haddad afirma que Thomas é capaz de estimular a ação em seus leitores. No entanto, ele sente que há limites para essa abordagem porque se trata do indivíduo e não do coletivo. Em contrapartida, Constance Grady, do portal Vox, argumenta que esse realismo é que faz o romance funcionar para propósitos maiores: "A especificidade e o capricho de ideias, como a escala de raiva das canções de separação, é o que mantém The Hate U Give movendo-se tão habilmente através de sua temática pesada; permanece caloroso, focado e fundamentado no personagem, mesmo quando está lidando com ideias grandes e amorfas, como o racismo sistêmico."
Temáticas abordadas As relações raciais são uma das principais temáticas abordadas do romance. O professor Khalil Muhammad, da Kennedy School of Government, ligado à Universidade Harvard, enxerga o romance como uma maneira de ter discussões entre pessoas que, de outra forma, não discutiriam Black Lives Matter: "O livro – e até certo ponto o filme – foi e será lido por alunos em espaços totalmente brancos, onde de outra forma a urgência dessas questões não os afetou pessoalmente." Ao mesmo tempo, pode oferecer consolo para adolescentes negros que enfrentaram desafios semelhantes aos de Starr. Um exemplo disso é a capacidade de Starr de alternar código linguístico entre sua escola particular e sua casa, o que Thomas demonstra por meio da gíria que Starr usa no diálogo de cada contexto. Além disso, a família de Starr também lhe ajuda ao oferecer uma variedade de pontos de vista, incluindo os pensamentos de seu tio como policial e seu pai ensinando Starr e seus irmãos sobre o Partido dos Panteras Negras. O romance também mostra a batalha dos pais de Starr para permanecerem conectados à sua comunidade enquanto precisam proteger e dar oportunidades aos filhos.
The Hate U Give mostra a dupla necessidade de Starr por responder ao trauma de testemunhar a morte de Khalil e sua necessidade de fazê-lo politicamente. Essa sensação, combinada com a capacidade de Thomas de enraizar essas lutas em seu contexto histórico, ajuda a dar poder ao livro, de acordo com Jonathan Alexander escrevendo no Los Angeles Review of Books. A crítica Adriana Ramirez, do Los Angeles Times, vê Starr como semelhante aos protagonistas de romances distópicos de fantasia como Divergente e Jogos Vorazes, enquanto ela busca mudar um sistema de poder arraigado, observando: "também é um romance distópico para jovens adultos que por acaso é definido na realidade." Nick Smart, professor do College of New Rochelle, leva isso adiante, afirmando: "Em The Hate U Give, também há uma garota – que por acaso é uma menina negra – sendo enviada contra o sistema, contra o mundo, contra uma oposição entrincheirada", enquanto Ramirez observa que a negritude de Starr é um elemento central para alguns leitores. Antes de seu lançamento, explorar uma perspectiva feminina sobre o isolamento e a necessidade de ser uma minoria modelo em uma escola particular de elite era algo que não havia sido feito na literatura ou no cinema com a mesma frequência que para os homens. A capacidade de Thomas de captar esses sentimentos resultou de suas próprias experiências com as reações de seus colegas brancos após a morte de Oscar Grant.
Discutindo o título, o The Atlantic escreveu: "O livro de Thomas deriva seu título da filosofia do rapper americano Tupac Shakur de THUG LIFE – que supostamente significa "O ódio que você dá aos pequenos bebês fode todo mundo" – e é um motivo ao qual o romance retorna algumas vezes. A sigla tatuada no abdômen de Tupac pode ser lida como uma aceitação de um estilo de vida perigoso. Mas, como Khalil explica a Starr, poucos minutos antes de o policial pará-los, é realmente uma acusação de desigualdade e hostilidade sistêmica: “O que a sociedade nos dá quando jovens, isso os morde na bunda quando saímos da loucura.”