A Gestão Marta Suplicy na prefeitura de São Paulo corresponde ao período da História Política do Município de São Paulo, capital do estado homônimo, em que a psicóloga Marta Suplicy esteve ocupando o cargo de prefeita municipal, entre 1.º de janeiro de 2001 e 31 de dezembro de 2004.

Em uma pesquisa do Instituto Datafolha realizada na cidade de São Paulo em 2013, o governo de Marta foi avaliado como a melhor gestão da capital paulista desde a redemocratização. Apesar disso, a prefeita não conseguiu a reeleição quando a disputou em 2004.

Obras e Urbanismo Nova sede da Prefeitura thumb|Edifício Matarazzo, sede da Prefeitura desde 2004. Para reverter o processo de degradação urbana do centro histórico de São Paulo, a gestão Marta Suplicy optou por levar a sede da Prefeitura do Parque Dom Pedro II para a região do Vale do Anhangabaú. O local escolhido foi o Edifício Matarazzo, antiga sede do banco Banespa e das Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo. O prédio foi completamente remodelado e reinaugurado em 25 de janeiro de 2004, data em que a cidade completou 450 anos.MARRA, Lívia. Operário inaugura prédio da prefeitura ao lado de Marta Suplicy. São Paulo: Cotidiano, Folha Online, 25 de janeiro de 2004, 19h10

Reforma da Praça do Patriarca Em 2002, foi entregue à cidade a reforma da Praça do Patriarca, na região central. O piso de mosaico português da praça foi recuperado, seguindo o padrão original, que tem desenho em preto, branco e vermelho. Um pórtico projetado por Paulo Mendes da Rocha também foi instalado no local.

Reforma do Mercado Municipal Em 2004, houve a reforma completa do Mercado Municipal de São Paulo, o Mercadão. A fachada foi recuperada, os vitrais foram restaurados e foi construído um mezanino, de autoria do arquiteto Pedro Paulo de Mello Saraiva, com diversos quiosques de comes e bebes. Após a reforma, o Mercadão se consolidou como ponto turístico da cidade.

Nova Radial Durante o governo Marta, foi idealizada e construída a expansão da Radial Leste de Itaquera até Guaianases. A avenida, que no trecho recebe o nome do José Pinheiro Borges, foi construída sobre o leito da antiga linha férrea da CPTM, desativada em 2000 para a construção do Expresso Leste.

Túneis da Operação Urbana Faria Lima Em 2004, a prefeitura inaugurou dois túneis na região da Avenida Faria Lima: o Fernando Vieira de Mello e o Max Feffer. A construção desse último foi polêmica, visto que ele teve seu trajeto alterado para que fosse possível construí-lo integralmente na gestão Marta. A medida causou impacto negativo no trânsito da região.

Viadutos Na gestão Marta, foram entregue as obras do viaduto Carlito Maia, ligando os distritos de Itaim Paulista e Jardim Helena, na zona leste; do pontilhão da Avenida Marechal Tito, entre os distritos de São Miguel Paulista e Vila Curuçá, também na zona leste; e do Complexo Viário 25 de Março, no centro.

Belezura A gestão Marta criou, como uma de suas primeiras medidas, um programa de zeladoria urbana denominado Belezura, que visava a recuperação de áreas degradadas e o embelezamento da cidade. Houve iniciativas para a recuperação do mobiliário urbano em praças e importantes avenidas da cidade.

Transportes thumb|Ônibus municipal com pintura adotada na gestão Marta. Guerra à "Máfia dos Transportes" No final dos anos 1990 e início dos anos 2000, haviam na cidade de São Paulo vans que realizavam o transporte irregular de passageiros, sobretudo nas periferias da cidade, onde o transporte oficial era deficitário. Os operadores desse sistema clandestino eram chamados de "perueiros". Logo no início do mandato de Marta, a prefeitura declarou guerra aos perueiros, apelidando a categoria de "Máfia dos Transportes". Com a fiscalização mais dura por parte da SPTrans, veículos irregulares foram apreendidos, o que gerou retaliação por parte dos perueiros. Carros da fiscalização foram apedrejados e atingidos por bombas caseiras. A própria prefeita Marta Suplicy foi ameaçada de morte e teve de utilizar colete balístico.

Bilhete Único thumb|Cartão do Bilhete Único comum. Em maio de 2004, foi lançado o Bilhete Único, um sistema de bilhetagem eletrônica que informatizou a cobrança de tarifa do transporte de ônibus municipal em São Paulo. O novo sistema substituiu os antigos passes de papel. A criação do Bilhete Único permitiu que os usuários pudessem fazer ilimitadas integrações entre linhas de ônibus num período de 2 horas. Inicialmente, o Bilhete Único era fornecido gratuitamente pela Prefeitura, e não era aceito nos trens e no metrô, operados pelo governo estadual. O sistema também não foi aceito pelos perueiros que faziam o transporte clandestino.

Passa Rápido thumb|Terminal Pirituba, parte do Corredor Pirituba-Lapa-Centro, inaugurado em 2003. thumb|Trecho do Paulistão em obras, 2003. Uma bandeira de campanha de Marta á prefeitura foi construção de corredores de ônibus, ligando o Centro da cidade às regiões periféricas, com o objetivo de reduzir o tempo gasto em transporte pelos trabalhadores das periferias. Apelidado de Passa Rápido, o projeto inaugurou os seguintes corredores:

Corredor Campo Limpo-Rebouças-Centro: Localizado na zona oeste da capital, foi inaugurado em 2004. Com extensão de 17,2 km, este corredor liga o Centro ao bairro de Campo Limpo , passando pelas avenidas Francisco Morato, Ponte Eusébio Matoso, Rebouças e pela Rua da Consolação. Corredor Jardim Ângela-Guarapiranga-Santo Amaro: Localizado na zona sul da capital, foi inaugurado em 2004. Com uma extensão de 8 km, segue no sentido bairro pela avenidas Vitor Manzini, Guarapiranga e estrada do M'Boi Mirim, ligando Santo Amaro aos distritos de Socorro, Jardim São Luís e Jardim Ângela. Corredor Parelheiros-Rio Bonito-Santo Amaro: Localizado na zona sul da capital, foi inaugurado em 2004. É o maior corredor de ônibus da cidade em termos de extensão, com 30,5 km, ligando o distrito de Santo Amaro aos distritos de Socorro, Cidade Dutra, Grajaú, Parelheiros e Engenheiro Marsilac. Ele segue no sentido bairro pelas avenidas Atlântica, Avenida Senador Teotônio Vilela e Sadamu Inoue e conecta-se aos terminais Grajaú (onde integra-se com a estação da Linha 9–Esmeralda do Trem Metropolitano), Varginha e Parelheiros. Corredor Pirituba-Lapa-Centro: Localizado na zona oeste da capital, foi inaugurado em 2003. Com extensão total de 15,2 km, liga o bairro de Pirituba ao centro, passando pelo bairro da Lapa, e inclui as avenidas Manoel Barbosa, General Edgar Facó, Ermano Marchetti, Francisco Matarazzo, General Olímpio da Silveira e São João, além de ruas Clélia, Guaicurus e Catão, todas de mão única.

Paulistão O governo Marta herdou do antecessor Celso Pitta uma obra parada na área de transporte e mobilidade urbana: o Fura-Fila um veículo leve sob pneus que conectaria o Parque Dom Pedro II, na região central, até o bairro do Sacomã, na zona sul. No projeto original, os veículos seriam articulados e alimentados por cabos suspensos. No ano 2000, este veículo operou experimentalmente no trecho sobre o tampão do Tamanduateí por um período de quatro meses. No mesmo, as obras e a operação experimental suspensas.

Em 2002, já na gestão Marta, a obra foi retomada e rebatizada de Paulistão. O novo projeto contemplava veículos híbridos articulados, que cortariam os custos com energia e manutenção da rede de alimentação aérea. As obras foram novamente paralisadas em 2003, sendo retomadas apenas na gestão posterior.Folha Online "Marta dá nome de Paulistão ao Fura-fila; obras devem ser retomadas" (9 de Março de 2002)

Educação O governo Marta Suplicy ampliou os investimentos em educação. Em 2000, 24% do orçamento municipal era destinado à área. Em 2003, esse montante subiu para 33%. Até maio de 2004, a gestão havia inaugurado 148 escolas, sendo 21 delas os novos Centros Educacionais Unificados (CEUs). Nesse período, houve a transferência dos equipamentos de educação infantil da Assistência Social para a pasta de Educação.

Centros Educacionais Unificados (CEUs) thumb|350px|CEU Cidade Tiradentes. A principal bandeira da gestão Marta foi a construção dos Centros Educacionais Unificados (CEUs). Localizados nas áreas periféricas de São Paulo, foram concebidos como um centro local, articulando os equipamentos urbanos públicos dedicados à educação infantil e fundamental aos dedicados às práticas esportivas, recreativas e culturais cotidianas. O governo Marta Suplicy construiu 21 unidades dos CEUs ao valor de R$ 13 milhões em média por cada unidade.

Os CEUs contam com um Centro de Educação Infantil (CEI) para crianças de 0 a 3 anos; uma Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) para alunos de 4 a 6 anos; e uma Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF), que também oferece Educação de Jovens e Adultos (EJA). Todos os CEUs são equipados com quadra poliesportiva, teatro (utilizado também como cinema), playground, piscinas, biblioteca, telecentro e espaços para oficinas, ateliês e reuniões. Os espaços são abertos nos finais de semana com o intuito de beneficiar tanto crianças e adolescentes como a comunidade de baixa renda do entorno.http://portalsme.prefeitura.sp.gov.br/Anonimo/CEU/apresentacao.aspx?MenuID=159&MenuIDAberto=135 Com programação variada para todas as idades, os CEUs garantem acesso a equipamentos públicos de lazer, cultura, tecnologia e práticas esportivas pelos moradores da periferia, contribuindo com o desenvolvimento das comunidades locais. O acompanhamento e a avaliação do processo de implementação dos CEUs, realizado em parceria com a Fundação Instituto de Administração (FIA), mostrou indicadores de satisfação das comunidades acima de 90%.

O projeto dos CEUs começou a ser estruturado como um projeto intersecretarial em 2001, a partir das consultas populares por meio do orçamento participativo. O projeto arquitetônico dos Centros Educacionais Unificados foi desenvolvido inicialmente pela equipe coordenada pelos arquitetos Alexandre Delijaicov, André Takyia e Wanderley Ariza e foi elaborado pela equipe do Departamento de Edificações (EDIF) dentro do Departamento de Edificações da Secretaria de Serviços e Obras (SSO), tendo sido concluído por essa equipe. Tal projeto se inspirou no projeto arquitetônico da Escola Parque, desenvolvida entre 1948 e 1952 em São Paulo, que, por sua vez, foi adaptada da experiência de Salvador, criada por Diógenes Rebouças e Hélio Duarte em 1947, segundo a programática do educador baiano Anísio Teixeira.

Telecentros Com o objetivo de promover a inclusão digital na cidade, a partir de 2001 foram criados 105 Telecentros, espaços públicos localizados quase integralmente em áreas de periferia, onde computadores com software livre e acesso à internet eram disponibilizados à população, além de cursos de capacitação para uso de programas como Word e Excel.

Planetários Entre 2001 e 2004, a prefeitura reformou e reinaugurou o Planetário do Ibirapuera, na zona sul, e construiu e entregou o Planetário do Carmo, na zona leste.

Cultura thumb|A prefeita Marta Suplicy entre o presidente Lula e o governador Geraldo Alckmin na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, em 2004. thumb|Auditório do Ibirapuera, na zona sul, inaugurado na gestão Marta.

SP 450 anos Em 2004, a cidade de São Paulo completou 450 anos. Durante o ano, a prefeitura realizou ações para comemorar a data. Destacam-se: Parada 450 anos: shows que reuniram cerca de 1 milhão de pessoas. Inauguração das fontes do Parque Ibirapuera. Projeto Cinema ao Ar Livre; Lançamento dos selos comemorativos dos 450 anos de São Paulo pelos Correios. O carnaval 2004 foi em homenagem ao aniversário da cidade, com todas as escolas desfilando enredos sobre os 450 anos da capital paulista. Mostra sobre Picasso, ressaltando a importância de São Paulo como metrópole cultural. Publicação de livro sobre os 450 anos de história de São Paulo pela editora Senac.

Auditório do Ibirapuera