Adelino Américo de Azevedo (São José do Duro, – Porangatu, ) foi um jurista, agropecuarista, mecânico, comerciante , professor e político brasileiro, que serviu como Juiz Distrital, Juiz de Direito, subprefeito e 1.º Prefeito de Porangatu, embora tenha sido nomeado pelo governador Coimbra Bueno. Adelino serviu ainda como presidente municipal do Diretório do Partido Social Democrático, ao qual era filiado.
Natural de São José do Duro e veio para o Descoberto da Piedade (Porangatu) na década de 1920 fugindo da violência política de sua cidade, em especial, após a Chacina dos Nove.
Primeiros anos
Vida em São José do Duro Adelino Américo de Azevedo nasceu em 10 de outubro de 1899, na cidade de São José do Duro. Sua família era do ramo da agropecuária, e Adelino possuía 8 irmãos. Ele migraria com estes para o Descoberto da Piedade, na década de 1920.Entre 1918 e 1923, Adelino Américo se bacharelou em Direito, na Academia de Direito de Goiás.
Chacina dos Nove A cidade natal de Adelino, São José do Duro, mergulharia em um conflito politico violento que perdurou quase um ano. Em julho de 1918, o deputado federal Brasil Ramos Caiado enviou o juiz Celso Calmon para investigar irregularidades nos bens do inventário de Vicente Belém, na cidade de São José, escoltado por 68 soldados.
Após três meses de viagem, Calmon iniciou as investigações e descobriu que a irregularidade foi causada pelo coronel e político local, Abílio Wolney. Após uma operação malsucedida de apreensão de documento em dezembro daquele ano, o juiz enviou policiais para prender 7 membros da família do coronel no dia 21 de dezembro. Cinco foram detidos e 2 foram mortos, dentre estes, Joaquim Ayres, pai de Abílio. Dois dias depois, o oficial de justiça Justino Pereira Bueno, deu voz de prisão aos indivíduos.
Em contrapartida, Abílio enviou duzentos homens, jagunços e fazendeiros, para atacar São José do Duro e os policiais. A escaramuça fez com que os policiais soltassem Ana Custódia para tentar convencer o irmão de não atacar, o que não funcionou. Os policiais mataram quase todos os reféns e fugiram disfarçados. O conflitou perdurou até janeiro de 1919, a investigação foi encerrada de modo inconclusivo, o juiz foi suspenso e multado e os policiais remanescentes foram presos.
Migração para o Distrito do Descoberto Com a instabilidade política local, Adelino e seus irmãos se transferiram para o Descoberto da Piedade, então distrito de Pilar, na década de 1920, onde Azevedo se dedicaria inicialmente à agropecuária.
Vida no Descoberto miniaturadaimagem|Família Américo de Azevedo, durante um casamento. O último à direita, Adelino.
Em 1923, Adelino Américo chega ao Descoberto onde exerceria a função de comerciante, três anos depois seria professor do distrito do Descoberto e no ano de 1928 seria o 12.º juiz distrital do Descoberto, além de inspetor escolar em 1929. Azevedo se casaria com Júlia Pereira de Oliveira, vinda de família tradicional do local e parente de Caetano Pereira de Oliveira, juiz distrital em 1914 e 1925.Com Júlia, Adelino tivera Maria, Deuzelina, Deusdete, Tereza e Adelino Américo de Azevedo Filho. Azevedo serviria ainda como flandeiro (construía ou consertava lamparinas de folha de flandres) e mecânico. Adelino Américo era católico, tendo participado da Folia de Reis tradicional da região e a espoa Júlia, foi coroada rainha da Folia.
Carreira política No ano de 1946, Adelino se filiaria ao Partido Social Democrático, no contexto do fim do Estado Novo e na criação do Diretório Regional do Partido em Goiás. Ele acabaria por se tornar presidente municipal do PSD.
Subprefeito de Porangatu No dia 25 de agosto de 1948, é promulgada a Lei Ordinária n.º 122. Por meio desta, governador Coimbra Bueno decretava a emancipação de Porangatu, separando-o de Uruaçu e o efetivando como munícipio. O governador estadual tornava Adelino Américo, subprefeito do munícipio até a instalação deste, contemplada em sessão solene, que ocorreu no dia 1º de janeiro de 1949. Adelino presidiu a eleição municipal de 3 de outubro de 1948, na qual o candidato da UDN, Ângelo Rosa de Moura, venceu o candidato do PSD, Euzébio Martins da Cunha.
Prefeito de transição Com a publicação da Lei n.º 122, Porangatu estava emancipado. Adelino presidiu as eleições como subprefeito municipal, e observou a instalação do munícipio ao mesmo tempo que fora empossado como prefeito de transição. Abílio Teles Fernandes, ex-juiz distrital do munícipio e secretário nomeado do Juiz Distrital do Termo de Porangatu, Antônio Navarro de Abreu; registrou em ata a Sessão Solene de Instalação do Munícipio, integralmente digitada no livro Descoberto da Piedade: Adelino foi responsável por cobrar impostos de 1948, que somaram quarenta e um mil sessenta e quatro cruzeiros e oitenta centavos.Azevedo transmitiu o cargo para Ângelo Rosa de Moura em 1.º de maio.
Carreira jurídica Adelino Américo serviu como juiz distrital e municipal do Descoberto e de Porangatu por seis vezes. Um juiz distrital se referia a um juiz que lidava com questões de um Distrito Municipal. O cargo vinha por nomeação do governador/presidente estadual. Azevedo foi juiz em 1928, 1930-31, 1941-42, 1951-52, 1961-62 e 1963 até 26 de outubro de 1964, data de sua morte. Ele também foi Juiz de Direito, tendo se formando na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Goiás, à época, denominada Academia de Direito de Goiás.
Grilagem e CPI dos Posseiros de Trombas e Formosa esquerda|miniaturadaimagem|Jornal Terra Livre, edição de 1961, noticiando grilagem de terras envolvendo Azevedo. Durante a década de 1950, Adelino Américo se envolveu, juntamente ao grupo regional do PSD, com uma série de atos de grilagem. Conforme relatos dos jornais da época, Estado de Goiaz, Jornal de Notícias e Jornal Terra Livre, Azevedo, em conjunto com o ex-prefeito Eusébio Martins da Cunha, o juiz de direito Silos Rodrigues, o prefeito Moacir Ribeiro e o notório grileiro e escrivão do 2.º Ofício, João Inácio de Arruda; tomou muitas terras da região do médio-norte de Goiás (hoje região Norte), falsificando documentos de posse. Aproveitando-se do seu cargo de Juiz Municipal, Adelino obteve, de modo ilícito, as fazendas Funil e Santo Antônio.
Adelino usou da autoridade do governador Mauro Borges Teixeira sobre a Polícia Militar do Estado de Goiás, também partidário do PSD, para reprimir os posseiros que não desocupassem as terras. Em 1952, Adelino chegou a ser afastado do cargo de Juiz Municipal, porém logo assumiu o Juizado de Direito da Comarca de Porangatu. Além de ser juiz, ele exercia simultaneamente a função de presidente municipal de seu partido.A grilagem manteve-se sustentada, pela Associação Comercial do munícipio, tanto no que diz respeito a financiamento quanto à influência política. A situação se tornou tão grave, que foi instaurada uma comissão parlamentar de inquérito na Assembleia Legislativa de Goiás e, mais tarde, no Congresso Nacional do Brasil, responderam Eusébio e Adelino em Porangatu à primeira e João Inácio foi levado à Brasília, onde depôs ao Ministério da Justiça em 14 de novembro de 1969, já respondendo à segunda CPI. Os posseiros, liderados por José Gonçalves e João Pereira de Souza redigiram um ofício à Câmara Municipal de Goiânia, no qual diziam:
Em 7 de julho de 1998, o ex-prefeito Moacir Ribeiro de Freitas deu depoimento para Jacinta Sampaio, autora da tese de mestrado A História da resistência dos Posseiros e Grileiros de Porangatu (1940-1964) publicado em 2003, no qual ele confessava seu auxílio ao grileiro João Inácio:
Morte Adelino Américo faleceu no exercício de seu cargo como 40.º juiz municipal da Comarca de Porangatu, no dia 26 de outubro de 1964, no meio da ditadura militar. Ele deixava 2 filhos (Deusdete e Adelino Filho) e 3 filhas (Maria, Deuzelina e Tereza).
Legado miniaturadaimagem|Placa da Avenida Federal, nomeada em forma de homenagem póstuma, Adelino Américo de Azevedo. miniaturadaimagem|esquerda|Trecho da Avenida Adelino Américo de Azevedo, em Porangatu, que homenageia o primeiro prefeito homônimo da cidade.
Devido sua atuação política e jurídica no município de Porangatu, Adelino foi postumamente homenageado com a nomeação homônima da Avenida Federal, a maior e principal do município.Seu filho Deusdete foi suplente de vereador na 5.ª legislatura da Câmara Municipal (1966-1970). Seu descendente Gutemberg Américo de Azevedo se candidatou vereador pelo Partido dos Trabalhadores, em 2012 se elegendo suplente, e Daianny Américo e Souza foi receber homenagem às primeiras-damas da cidade, representando Júlia Pereira de Oliveira.
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