O tornado de Itu–Salto de 30 de setembro de 1991 foi um tornado extremamente violento, classificado como um F4 de alta intensidade (high-end) na Escala Fujita, que atingiu os municípios brasileiros de Itu e Salto, no estado de São Paulo. O evento é considerado um dos tornados mais intensos já registrados no Brasil. O tornado causou 200 milhões de cruzeiros em danos.

O tornado resultou em 15 mortes, das quais dez ocorreram em decorrência do capotamento de um ônibus atingido pelos ventos do fenômeno.

Embora a classificação oficial do evento permaneça como F4 na Escala Fujita original, diversas evidências documentais e fotográficas indicam um nível de destruição excepcional. À luz do Índice de Danos da Escala Fujita Aprimorada (EF-Scale), alguns aspectos do impacto observado poderiam, em tese, sustentar uma eventual reavaliação futura. Entre os danos descritos destacam-se a destruição severa de casas de alvenaria bem construídas, intenso escavamento do solo, descascamento extremo de árvores, além do arremesso de pessoas e animais a centenas de metros. Também foram relatados veículos projetados a grandes distâncias, superiores a 700 metros.

Um dos episódios mais notáveis foi a completa destruição de um obelisco de aproximadamente 100 toneladas, bem como os danos catastróficos causados a um hotel de luxo de alvenaria reforçada, quase totalmente arrasado pela força dos ventos. Cálculos físicos conservadores indicam que seriam necessárias velocidades da ordem de 344 km/h para derrubar uma estrutura dessa massa, enquanto o arremesso de veículos observados no local sugere ventos potencialmente próximos de 380 km/h.

Apesar disso, a classificação oficial permanece em F4, uma vez que no Brasil os laudos meteorológicos utilizam tradicionalmente a Escala Fujita clássica. A classificação como F5 foi mencionada em algumas publicações jornalísticas posteriores, porém tal atribuição não é amplamente aceita pela literatura especializada nem reconhecida em avaliações técnicas oficiais.

Possível intensidade máxima

Embora os danos observados sejam, de modo geral, compatíveis com um tornado F4 de alta intensidade (high-end) na Escala Fujita clássica, alguns aspectos da destruição registrada sugerem a possibilidade de que o fenômeno tenha atingido, localmente, níveis ainda mais extremos. Nesse contexto, é plausível que tenham ocorrido picos momentâneos de intensidade equivalentes à categoria F5, com rajadas pontuais potencialmente superiores a 420 km/h, mas não verificáveis completamente para classificação explícita de F5.

Entretanto, tais valores devem ser interpretados com cautela, uma vez que representam estimativas de rajadas máximas localizadas, e não a velocidade média sustentada dos ventos ao longo de toda a trajetória do tornado. Assim, a classificação predominante do evento permanece associada à faixa F4 de alta intensidade, conforme indicado pela maior parte dos danos documentados. Colocando assim esse evento de forma inequívoca entre os tornados mais fortes da história brasileira.

Repercussão em Itu

O vendaval, de acordo com os registros de imprensa da época, começou por volta das 18h30. A chuva era fraca, mas os ventos eram intensos.

O fenômeno pegou todos os moradores de surpresa, em seguida "varreu" tudo o que havia em uma faixa de 30 quilômetros de comprimento por 400 metros de largura, indo da Rodovia do Açúcar (SP-308) até a Serra do Japi. Um obelisco de 100 toneladas foi tombado e teve sua estrutura de ferro retorcida e carros foram encontrados a 700 metros do local original.

Falta de água e luz

Torres de transmissão de energia elétrica foram danificadas, resultando na falta parcial de eletricidade no município. Além da rede elétrica, o abastecimento de água também foi afetado, com alguns moradores ficando até 20 dias sem acesso. Cerca de 450 mil residentes permaneceram sem acesso à energia elétrica, contando municípios vizinhos como Indaiatuba, Cabreúva e Salto.

Tombamento de ônibus

Um ônibus de estudantes que havia saído de Salto e ia em direção a Sorocaba foi erguido pelo vento e arremessado a cerca de 200 metros da pista, resultando na morte de 10 pessoas.

Eventos severos em outros locais

Vendavais convectivos (downbursts) e outros possíveis eventos tornádicos também atingiram Salto, Indaiatuba, Rio Claro, Porto Feliz e Cabreúva.

Em Salto (102 km a noroeste) e em Porto Feliz (120 km a noroeste) houve blecaute depois que um vendaval (downburst), produzido pela mesma super-célula que afetou Itu, derrubou 12 torres da rede distribuidora de energia elétrica. Não se sabe exatamente se houve realmente um tornado ou downburst nesta área, e se o tornado de Itu foi o mesmo que afetou Salto, ou se foi um evento individual separado.

Em Rio Claro (175- km a noroeste), foi decretado estado de emergência. Um vendaval convectivo (downburst) deixou cerca de duas mil casas destelhadas, segundo Celso Cresta, diretor do Departamento de Serviços Municipais da Prefeitura. Não é descartado que outro tornado tenha atingido a localização.

Além desses eventos, também não é descartado que mais eventos tornádicos tenham ocorrido em zonas desabitadas ou outros municípios de São Paulo nesse dia.

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