O infanticídio de Mirielly e Cecília Gomes Souza refere-se ao homicídio das meninas Mirielly Gomes Souza, de 8 anos, e Cecília Gomes Souza, de 4 anos, por seu pai Ramon de Souza Pereira em 22 de maio de 2023, após ele descobrir que a esposa e mãe das crianças, Dayane Faria Gomes, tinha um caso extraconjugal. O crime aconteceu em Santo Antônio de Goiás, em Goiás.

As vítimas foram enterradas em 26 de maio no Cemitério Municipal Jardim da Saudade.

Em 4 de setembro de 2024 Ramon foi condenado a 64 anos e dez meses de prisão em regime fechado por homicídio quintuplamente qualificado.

O caso também é enquadrado pelo que se convencionou chamar de feminicídio indireto. "Por definição na lei, a nomenclatura jurídica não existe, mas, segundo especialistas, o chamado "feminicídio indireto" se tornou um termo comum nos últimos anos em casos em que homens miram os filhos para assim atingir ex-companheiras", explicou o G1. "São crianças que foram assassinadas pelos seus próprios genitores, não apenas como um ato de barbárie, mas como uma forma de vingança contra as suas mães. Esses crimes, que podemos e devemos nomear como feminicídio indireto, escancaram uma verdade que precisa ser enfrentada", reportou o Ministério Público do Rio Grande do Sul.

Crime Por volta das 16 horas de 22 de maio de 2023, Ramon, que trabalhava como motorista de aplicativo, encontrou a esposa, Dayane Faria Gomes, com outro homem, que acabou fugindo de moto. A mulher foi agredida por Ramon, que depois deixou o local usando o carro da família. Em seguida, ele foi comprar uma faca e um galão de álcool e depois pegou Cecília na creche e Mirielly na escola.

Ele levou as meninas para uma área na zona rural de Santo Antônio de Goiás, de onde ligou para o pai da esposa antes de esfaquear as filhas. Ele depois incendiou o carro com as crianças dentro do veículo.

Em seguida, Ramon se refugiou numa área de mata.

Motivação Ramon quis se vingar da esposa, Dayana Faria, que tinha um caso extraconjugal com o pastor Ronaldo Luiz, da igreja Assembleia de Deus Sombra do Onipotente.

Investigações e prisão Foi o fazendeiro Edmir Batista de Oliveira que, por volta das 20 horas, encontrou o carro ainda em chamas e chamou a polícia. Após se depararem com os corpos carbonizados, os policiais criaram uma força-tarefa para capturar o criminoso, que foi encontrado no dia 23 numa mata perto do local do crime (veja o vídeo da captura aqui). Ele estava ferido na garganta e no abdômen porque tinha tentado o suicídio e foi levado a um hospital.

Inicialmente, Ramon confessou o crime para guardas municipais, mas no dia 26, no hospital, se manteve em silêncio por orientação de sua defesa. Após deixar o hospital no dia 29 permaneceu preso.

Testemunho do avô Ramon chegou a ligar para o sogro, que pediu para que ele não fizesse nada com as meninas. Numa gravação que serviu como prova, uma das meninas diz: "não faz isso". O sogro também diz para Ramon: "Ramon, pelo amor de Deus, não faz isso não. Você sabe que tudo que nós temos na vida [...] Ramon, pelo amor de Deus, eu amo essas meninas", reporta o G1.

Condenação O autor do crime ficou preso preventivamente em Aparecida de Goiânia e em 4 de setembro de 2024 foi condenado a 64 anos e dez meses de prisão em regime fechado por homicídio quintuplamente qualificado (com cinco qualificadoras: motivo torpe de vingança, mediante meio cruel, com o uso de arma de fogo, com recurso que dificultou a defesa das vítimas, em contexto de violência doméstica e contra menor de 14 anos).

"Ele também foi condenado por lesão corporal em contexto de violência doméstica contra sua mulher", explicou o Ministério Público de Goiás quando de sua condenação.

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