Neusa Kunhã Takuá Mendonça Martine também conhecida como Neusa Kunhã Taquá ou Neusa Guarani é uma indígena brasileira da etnia Guarani Ñandewa, ativista pelos direitos dos povos indígenas e vice-cacique da Aldeia Rio Pequeno (Tekohá Dje’y), em Paraty, no Rio de Janeiro.BRASIL. Supremo Tribunal Federal (2023).Posse na presidência do Supremo Tribunal Federal. Brasília : STF, Secretaria de Altos Estudos, Pesquisas e Gestão da Informação, p. 46.

Biografia

Neusa nasceu no Mato Grosso do Sul, mas mudou-se antes de completar seu primeiro ano de vida, juntamente com sua família, para a aldeia Boa Esperança, no Espirito Santo. Após quatro anos, mudaram-se novamente para Paraty, no Rio de Janeiro. Lá, sua família cultivava em um pequeno espaço que tinham, apenas para subsistência, e fazia artesanato para vender na cidade. Quando criança, ajudava na venda dos artesanatos no Centro Histórico de Paraty.

Após alguns anos, o pai de Neusa conseguiu juntar dinheiro e comprou oito hectares de terra na comunidade do Rio Pequeno, região rural da cidade de Paraty. Neusa e sua família construíram sua própria casa, e apenas 3 anos mais tarde, mudaram-se para a aldeia Tekohá Dje’y. Na época, ela e seus irmãos caminhavam mais de sete quilômetros ao sair da aldeia para chegar na estrada e pegar um ônibus que os levava para a escola.

Naquela mesma época, Neusa já acompanhava o pai nas reuniões e movimentos indígenas, e cresceu ouvindo sobre a importância do território para a sua sobrevivência e de seu povo.

Vice-cacicado No ano de 2017 a Funai reconheceu a ocupação dos 2370 hectares de terra indígena do Rio Pequeno. Após o reconhecimento, Neusa conta que sua aldeia foi alvo de ataques. No entanto, o processo de demarcação ficou estagnado durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. No ano de 2018, João, irmão de Neusa e vice-cacique da aldeia Tekohá Dje’y, foi morto. Após a sua morte, a aldeia decidiu nomear a indígena como vice-cacique no lugar de João.

Violência Em 2020, a aldeia de Neusa foi alvo de ataques, e tiveram que pedir abrigo em aldeias vizinhas. Devido aos ataques, Neusa foi inserida no programa de proteção aos defensores dos direitos humanos do Estado do Rio de Janeiro. Em depoimento à jornalista Kizzy Bortolo, a ativista contou que:

Em 2023, após novas ameaças contra a comunidade, Neusa comunicou o caso às autoridades policiais e a órgãos de proteção aos defensores de direitos humanos.

Ativismo Em 2022, Neusa foi uma das três lideranças indígenas convidadas para participar da posse de Rosa Weber na presidência do STF. A participação ocorreu após mobilizações indígenas junto aos ministros do Supremo em torno da pauta do marco temporal.

Em 2023, Neusa Kunhã Taquá denunciou à então ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, as ameaças sofridas pela comunidade da aldeia Tekohá Dje'y. No mesmo período, o Ministério Público Federal ajuizou ação civil pública para exigir medidas de segurança e a proteção dos direitos territoriais dos indígenas da região.

Ver também Nhandevas Guaranis

Ligações externas

Depoimento da liderança Neusa Guarani, vice-cacique da Aldeia Tekoha Djey, localizada em Paraty – RJ (Youtube)

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